sexta-feira, 22 de julho de 2022

"Destroços"

De James Bradley, conta-nos a história de um arqueólogo que procura na areia de uma praia australiana factos históricos que provem a presença de portugueses. Bem, algo importante ele acaba por encontrar mas não seria bem o que ele estaria à espera. 


Este é um romance que retrata duas histórias de amor passadas em tempos diferentes mas que se cruzam, pedacinho a pedacinho, como as peças de um puzzle. Enquanto vai conversando com o moribundo Kurt que como ele, procurou a caravela portuguesa do século XVI que se teria afundado algures naquela praia no Sudoeste da Austrália, David conta com a ajuda de uma médica e amiga, com a qual se envolvera anos antes e com quem se acaba por voltar a envolver agora. Kurt está delirante e aquilo que conta nem sempre pode ser tido como absolutamente verdadeiro, mas David não duvida de que ele sabe mais do que conta. No final do livro, a surpresa não é muita. Não se descobre nada de que já não fossemos sabendo página após página: que houve muito encobrimento ao longo da história. 


Levanta-se a questão: o que mais terá sido mal contado ao longo da história? Muita coisa, claro, que foi contada consoante era o narrador interessado em dar o brio aos portugueses ou a outros. Este livro, relata de forma bastante pormenorizada alguns episódios do início do século XX, das diferentes classes sociais, das suas relações e de como se ascendia ou se mostrava poder nessa mesma sociedade. Os registos históricos que nos levam a saltar entre duas histórias (há dois narradores, um participante e outro não, que nos ajudam a entender quando e onde nos localizamos) parecem ser bastante exatos.


O próprio James Bradley terá nascido na Austrália (1967, Adelaide) e por isso saber tanto sobre as caraterísticas dos locais sobre os quais escreve nesta sua obra.

sábado, 2 de julho de 2022

"Uma vida em mil pedaços"

A dureza deste livro é indiscritível. Para quem já leu outros livros sobre as dependências, este consegue superar ou pelo menos equiparar-se na crua realidade com que nos bate.


James Frey conta na primeira pessoa a sua dependência de substâncias como o álcool e as drogas desde muito cedo. Um livro em que as descrições pormenorizadas conseguem até agoniar. Cada pedaço da sua vida é colocado em perspetiva na clínca de reabilitação para onde os pais o levam para fazer um tratamento e, apesar de não acerditar em nenhum dos passos e de fugir às regras da clínica, ele acaba por encontrar o seu caminho. Um caminho que passa pelo amor mas principalmente pelas amizades sólidas que constrói lá dentro. O apoio desses companheiros, ajudam-no a ultrapassar as muitas dificuldades.


A família é outro dos pilares que o levam a conseguir lutar, a responsabilização dos pais, em especial da mãe, por muitas das situações ocorridas na infância, ajudam a compreender alguns dos seus comportamentos, mesmo que James nunca queira admitir que exista outro culpado além dele mesmo pelas suas escolhas. É nesta preserverança e nesta espécie de interiorização da sua vontade, que ele fundamenta as suas ações e que leva a que outros comecem a acreditar que ele iria ser capaz de seguir com a sua vida lá fora. Cada história relatada é uma lição de vida.


Nascido em Cleveland, James Frey levantou uma onda de polémica com a edição deste livro, mas é também descrito como um escritor promissor. Acredito que sim, e estou já a procurar o livro que penso que dá continuidade a este, "My friend Leonard".

Poesia para dias bonitos...

 Hoje está um dia tão bonito, não está? Um dia alegre, soalheiro, que nos convida a ir para a rua e a apreciar a primavera que já chegou. Me...