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quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Um conto de Álvaro Magalhães

Álvaro Magalhães presenteia-nos com este conjunto de cinco contos que além de serem divertidos, podem servir de base para trabalhar diferentes temas com as nossas crianças. Este livro contém textos usados em livros escolares do 1º ciclo e foi recomendado para as metas curriculares de Português, 3º ano.

Uma das histórias (e a que dá o nome ao livro) é a de um um rapaz que foi fadado para uma "vida a dar para o torto", condenado a carregar um nariz "do tamanho de uma chouriça". E a verdade é que ele tem uma vida tão degraçada e desengraçada que acaba por ir viver sozinho no cimo de um monte. No entanto, ele não vê só as desvantagens que o nariz lhe traz e é aí que está a verdadeira lição.

"Estava visto que o mundo não era feito para gente com um nariz assim, do tamanho de um chouriço."

Mas a vida reserva ainda um papel importante ao seu nariz. A Fada que o mal fadou para ter aquele trambolho no meio da cara, ainda voltaria a cruzar a sua vida... e como na vida real das pessoas reais, às vezes quem mais mal nos faz é quem mais precisa da nossa ajuda... leiam e divirtam-se!

O Senhor do seu NarizO livro tem também uma história que nos fala de quatro ladrões, que são enganados por uma luz esverdeada e a história de "Pedro e Inês", que não é a da lenda, mas que fala de dois jovens que, apesar de se cruzarem muitas vezes ao longo da vida, nunca se chegavam realmente a conseguir encontrar, como se o destino lhes pregasse partidas.

Há ainda a história do sr. Pascoal que "vivia desde menino numa aldeia à beira-mar," mas que um dia resolveu partir em busca da felicidade. Um dia saiu de casa e partiu pelo mundo fora, conhecendo muitos lugares, mas sem conseguir encontrar o que procurava. Um dia, passados muitos anos, parou perto de uma casa muito velha, abandonada, na qual procurou abrigar-se. Ali, finalmente, sentiu-se bem, confortável e feliz. A casa, era afinal a sua, aquela era a sua aldeia. Uma pequena história, com uma mensagem tão grande.

E a história de um homem que era muito ambicioso e que não parava quieto. O homem tinha um anjo da guarda ao qual nunca dava descanso, exigindo tudo e mais alguma coisa.

sábado, 1 de junho de 2024

Poesia... em Dia da Criança

Hoje é dia da criança e escolhi a poesia para o assinalar. Dedico estes poemas a todas as crianças que, neste dia, não brincam nem sorriem, que são obrigadas a crescer. Choram de frio, de fome e saudade. Estes poemas são de três grandes poetas: António Nobre, Manuel Lopes Fonseca e Cecília Meireles. 


"Menino e Moço"



Tombou da haste a flor da minha infância alada,
Murchou na jarra de oiro o pudico jasmim:
Voou aos altos céus Sta Águia, linda fada,
Que dantes estendia as azas sobre mim.


Julguei que fosse eterna a luz dessa alvorada,
E que era sempre dia, e nunca tinha fim
Essa visão de luar que vivia encantada,
Num castelo de prata embutido a marfim!


Mas, hoje, as águias de oiro, águias da minha infância,
Que me enchiam de lua o coração, outrora,
Partiram e no céu evolam-se, a distancia!


Debalde clamo e choro, erguendo aos céus meus ais:
Voltam na aza do vento os ais que a alma chora;
Elas, porém, Senhor! elas não voltam mais…



(António Nobre)


"Menino"



No colo da mãe
a criança vai e vem
vem e vai
balança.
Nos olhos do pai
nos olhos da mãe
vem e vai
vai e vem
a esperança.


Ao sonhado
futuro
sorri a mãe
sorri o pai.
Maravilhado
o rosto puro
da criança
vai e vem
vem e vai
balança.


De seio a seio
a criança
em seu vogar
ao meio
do colo-berço
balança.


Balança
como o rimar
de um verso
de esperança.


Depois quando
com o tempo
a criança
vem crescendo
vai a esperança
minguando.
E ao acabar-se de vez
fica a exacta medida
da vida
de um português.


Criança
portuguesa
da esperança
na vida
faz certeza
conseguida.
Só nossa vontade
alcança
da esperança
humana realidade.



(Manuel Lopes Fonseca)


"A bailarina"



Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.


Não conhece nem mi nem fá
Mas inclina o corpo para cá e para lá


Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.


Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.


Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.


Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.


Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.



(Cecília Meireles)


A poesia é um excelente recurso para trabalhar com as crianças. A "repetição de rimas e cantigas é como que um exercício para a memória das crianças." Além da "memória semântica," a poesia é rica pelo seu contributo na "memória afetiva." De facto, quando a criança é exposta à poesia, à leitura de poemas infantis, ela irá fazer registos "semânticos e afetivos" na sua mente, podendo depois vir a recordá-los quando se deparar noutras ocasiões "com palavras componentes do poema." O que fica, além do sentido atribuído às palavras que compõem o poema, são as "sensações que experimentaram" da primeira vez que com ele tiveram contato.


Desenvolver o bom uso da linguagem é algo fundamental para o processo cognitivo da criança e que irá ter um impacto enorme na sua vida futura, independentemente do caminho que escolha.


Fontes:


https://comofazerumpoema.com/poemas-infantis-curtos-e-famosos-ler-criancas/


 

quarta-feira, 10 de abril de 2024

"O Príncipe Nabo"

Ilse Losa publicou este texto dramático em 1962 e, até hoje, continua a estar representado na lista de leituras recomendadas para a infância.


A história é sobre as desventuras da "Princesa Beatriz", que precisa escolher um marido de entre vários pretendentes. Mas nenhum lhe agrada e vai aproveitando para ir "gozando" com cada um dos pretendentes até que o "Rei" lhe resolve dar uma lição.


Este texto dramático está dividido em três atos. Além da princesa e do rei, existem outras personagens relevantes, como o "Marechal da Corte" que é o responsável por encontrar pretendentes para a Princesa, ou a "Mademoiselle" que representa o papel de educadora da jovem e que tem origem francesa. Há também o "Bobo" que se chama "Marcelino" e que não deixa de nos levar a uma grande lição de moral!


O texto é bastante divertido e de leitura fácil, sendo adequado para o 5º ano, tal como é recomendado pelo Plano Nacional de Leitura. Aconselho uma leitura prévia por parte do adulto de forma a conseguir preparar a leitura desta obra na sala de aula, uma vez que a riqueza dos diálogos e das descrições pode ser trabalhado de forma bastante interessante e, até divertida! Um excelente livro para promover o gosto pela leitura.

domingo, 7 de janeiro de 2024

Escritora Alice Vieira distinguida no México

A nossa Alice Vieira, foi distinguida entre 14 escritores finalistas, oriundos da Argentina, Chile, Colômbia, Espanha, México, Portugal e Uruguai, para o Prémio Ibero-Americano SM de Literatura Infantil e Juvenil. O prémio tem o valor de 30 mil euros.


Alice tornou-se, assim, a primeira autora nacional a receber tal prémio. A autora, que já tinha sido candidata ao prémio em 2016 e 2018, é a primeira portuguesa distinguida pelo prémio que reconhece “a trajetória de escritores iberoamericanos” de literatura infantil e juvenil no espaço iberoamericano, em língua portuguesa ou espanhola. Para esta decisão, segundo a declaração de voto do júri, contribuiu o “estilo pessoal que transcende gerações e culturas”, assim como a “grande qualidade literária e diversidade em sua obra”,que consegue “transformar uma história local em universal”.


Nascida em 1943, Alice licenciou-se em Filología Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e soma uma carreira literária de mais de 40 anos, que conjugou com o percurso no jornalismo. Estreou-se na escrita em 1979, com o livro infantil "Rosa, minha irmã Rosa" . Ao longo dos anos, tem conquistado vários prémios com a sua já vasta obra. Entre os prémios que recebeu destacam-se o Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura Infantil por “Este rei que eu escolhi” (1993), o Grande Prémio Gulbenkian pelo conjunto da obra (1994) o prémio Maria Amália Vaz de Carvalho pelo livro de poemas “Dois corpos tombando na água” (2007).


É uma das escritoras que gosto de trabalhar em sala com os alunos pela forma como escreve e pelas temáticas que aborda.


Fontes:


https://www.dn.pt/8098616991/um-premio-para-a-universalidade-de-alice-vieira/


https://observador.pt/2023/09/29/escritora-alice-vieira-vence-premio-iberoamericano-de-literatura-infantil-e-juvenil/


 

"D. Maria II"

No seguimento da leitura de D. Maria I, procurei agora pela história de D. Maria II, de Isabel Stilwell. Neste romance, à semelhança dos ant...