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Natal posto em verso

Natal   Por cá, a neve não cai Mas ainda há natal. Falta a árvore mas os presentes Estão felizes, contentes, Prontos para ofertar Mas o que importa no fundo Em qualquer natal do mundo Não é ter... é estar! Se o frio apertar há uma manta quentinha, Comida na cozinha, se a fome espreitar Pode faltar um certo luxo Ou prendas caras até, Mas não faltará amor Não irão faltar abraços, Aconchego e calor. Podem faltar as fotografias Amorosas ou pirosas Mas as lembranças que ficam Vêm do peito, do fundo, Nos stories não vão brilhar. São momentos, são memórias Que nenhum tesouro do mundo Pode algum dia pagar.   E numa caneca quentinha, Que aquece o coração, Um chá quente a fumegar A enganar a solidão.   Haverá maior riqueza? Só eu e os meus pensamentos, Pois com eles tenho a certeza Este natal, vou passar!   Elsa Filipe, dezembro de 2024

Poesia... para repensar o natal

Para hoje, só vos quero desejar um Natal muito feliz. De mim para vós, deixo um singelo presente, um poema que escrevi, a pensar numa época diferente daquela em que nos encontramos.   No tempo dos tempos antigos   No tempo dos reis e rainhas Havia numa rua direita Uma casa de tabuinhas Com uma porta muito estreita.   Era uma casa pequena Que lá dentro albergava Uma donzela morena A sete chaves fechada   Tal como as outras meninas Fossem princesas ou não Sonhavam de pequeninas Com quem lhes estendesse a mão, Também esta donzela Esperava que viesse vê-la Soldado, rei ou capitão.   Naquela casa pequenina, Na fresta de uma janela Espreitava para fora a menina, Por quem procurava ela?   Escondida dos muitos olhares, Não era débil, nem feia Tinha a beleza que a milhares Fazia inveja alheia.   Presa do seu destino Escondida pela loucura Não havia ali valentino Que dela andasse à procura.   Mas num dia de azar Sem nada o fazer prever Cai na palha que o chão cobre Uma velinha a arder.   A donze...

Escrita... e se hoje?

Se as luzes se apagassem hoje, e as ruas ficassem escuras, continuaria a ser natal?  Porque festejamos algo que nem sabemos que existiu? Porque se vende uma imagem de um pai natal que cruza os céus de todo o mundo, quando há crianças que neste momento morrem de fome? É natal... mas só para alguns. Nós que sortudos somos. Temos casa e comida na mesa. Andamos atarefados a comprar presentes, buzinamos nas longas filas da cidade. As luzes aqui estão acesas e iluminam a noite refletindo as gotas de chuva que caem. Está frio, mas é normal aqui porque é natal. Camisolas, casacos, gorro e cachecol e, ao nosso lado, ali bem no chão, junto ao banco de um jardim, um homem dorme em cima de um cartão. Aproveita algum do calor que sobe pela ventilação do metro. Mas nem abrimos a janela do carro, porque está frio quando é natal. A música toca no rádio e as notícias chateiam quando bate a hora certa. Mudamos o posto para não ouvirmos falar de guerra, nem de mais ataques. Procuramos uma nova emisso...