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A mostrar mensagens de junho, 2024

Poesia... desabafos

Hoje, partilho convosco esta poesia que escrevi há algum tempo, mas que poderia ter sido escrita hoje. É um desabafo... num dia em que me sinto um pouco incompreendida. Uma forma de mostrar que o caminho que escolhemos, apesar das dificuldades, se torna muitas vezes no caminho certo e que não devemos desistir mesmo que a esquina seja escura e as opções não sejam animadoras.  Tantas vezes este é um caminho solitário, incompreendido. Só nosso.   Esta dor que é só minha   Um lamento baixinho No silêncio do meu quarto, Choro já pouco, que o caminho É só meu, não o reparto.   Parece um sorriso aquilo Que coloco no meu rosto Saio de casa tranquilo A dor está cá não a mostro.   Sigo em passos constantes, Doloridos, hesitante, Sou eu quem manda, não és tu! Dói, mas sem ser pedante Ergo a cabeça, embirrante Sou mais forte do que tu!   Esta dor que é só minha Não define quem eu sou Nem presto conta à vizinha Das noites que passo sozinha À janela, a ver quem passou.   Esta dor que me impede De se...

"O Almirante Português"

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Terminei hoje a leitura do romance "O almirante português", escrito por Jorge Moreira Silva e que nos narra de que forma os marinheiros portugueses, iam conseguindo sobreviver  ao início das guerras napoleónicas. Um romance construído sobre factos históricos que é fruto de uma intensa investigação sobre a nossa história naval que nos vai relatando a participação da força portuguesa e de Moreira Freire (o Marquês de Nisa) na Campanha do Mediterrâneo, ao lado da esquadra britânica de  Lord  Nelson, passando pelo  bloqueio da ilha de Malta, pelo combate aos piratas sarracenos e pela reconquista de Nápoles. Tendo como pano de fundo a Campanha do Egito, a segunda invasão francesa de Itália e os dramáticos dias da República Napolitana, é na pitoresca Nápoles que assistimos ao desenrolar da vida aventurosa de várias personagens, cujos destinos se cruzam de forma indelével e que ali se encontram. Um livro que também nos conta sobre atos de traição e de heroísmo, de paix...

Poesia para a criança-soldado

Nestes dias não posso deixar de escrever sobre as crianças que estão na guerra. Que combatem de armas na mão... que matam e ferem sem terem brincado aos polícias e ladrões. Crianças que em vez de irem para a escola, foram obrigadas a combater. Sem o colo da mãe ou o abraço do pai. Este poema estava guardado, mas hoje resolvi publicá-lo aqui, para que estes meninos não sejam esquecidos. Criança-soldado   Nascido sem linho nem contas Que lhe pesasse o destino Vendem-no quando a fome aperta Escolhendo o mais forte menino.   Em casa mais uma boca Ali mais um soldado Tem na pele o medo à solta E um olhar desconfiado. A arma pesa-lhe tanto Mas depressa vai aprender Que não será o seu pranto A salvá-lo de morrer. Limpa as lágrimas, teimosas E ajeita a arma brilhante E das suas mãos ansiosas, Sai o disparo, fulminante. Cai por terra, um rapaz A ele igual, o guerreiro, Só diferente por incapaz De ter disparado primeiro. Foge para o meio do cerrado, Sofre por matar um irmão Sabe apenas ...

"O rapaz que venceu Salazar"

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A minha última leitura foi este livro de Jacinto F. Matias que conta a história de quatro amigos que se encontram às escondidas para jogar à sueca e para ouvir a BBC e a Rádio Moscovo, ambas proibidas. Este pequeno grupo está no entanto na ser espiado,  enquanto discutem não só política, mas também gastronomia, mulheres e a vida. Nesta aldeia alentejana, vive-se com o medo associado ao cerco que se vai apertando pelos informadores e agentes da PIDE.  Numa escalada de atrevimento, estes quatro amigos afixam um cartaz do Movimento de União Democrática na vila, divulgando a sua participação nas eleições (que non fundo acabaram por ser uma farsa da ditadura), pagam com uma proibição dolorosa, mas que irá desencadear a improvável resposta de uma criança ao estado de medo e de obediência a que o País foi subjugado ao longo de décadas.  Neste livro, são também retratados episódios da vida quotidiana, relações familiares que, no meio da normalidade quotidiana, escondem o medo con...

Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades de Língua Portuguesa

Esta é uma data importante que assinala a data da morte do grande poeta português, Luís de Camões, estudado nas nossas escolas, especialmente pelos alunos do 9º ano e que necessitam dos "Lusíadas" para passar na prova de final de ciclo. Além do feriado que nos dá mais um dia de descanso e da obrigatoriedade escolar, é também importante pensarmos na relevância desta data ao longo dos tempos. "Durante o regime ditatorial do Estado Novo de 1933 até à Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974, o dia 10 de Junho era celebrado como o Dia da Raça," em que se exacerbavam as caraterísticas nacionais associadas à "raça" portuguesa. Esta ideia, felizmente, perdeu-se com a revolução! Depois da Implantação da República, em 1910, "foi publicado um decreto que dava aos municípios e concelhos a possibilidade de escolherem um dia do ano que representasse as suas festas tradicionais e municipais. Lisboa escolheu para feriado municipal o 10 de Junho, em honra de Camõe...

Poesia... em Dia da Criança

Hoje é dia da criança e escolhi a poesia para o assinalar. Dedico estes poemas a todas as crianças que, neste dia, não brincam nem sorriem, que são obrigadas a crescer. Choram de frio, de fome e saudade. Estes poemas são de três grandes poetas: António Nobre, Manuel Lopes Fonseca e Cecília Meireles.  "Menino e Moço" Tombou da haste a flor da minha infância alada, Murchou na jarra de oiro o pudico jasmim: Voou aos altos céus Sta Águia, linda fada, Que dantes estendia as azas sobre mim. Julguei que fosse eterna a luz dessa alvorada, E que era sempre dia, e nunca tinha fim Essa visão de luar que vivia encantada, Num castelo de prata embutido a marfim! Mas, hoje, as águias de oiro, águias da minha infância, Que me enchiam de lua o coração, outrora, Partiram e no céu evolam-se, a distancia! Debalde clamo e choro, erguendo aos céus meus ais: Voltam na aza do vento os ais que a alma chora; Elas, porém, Senhor! elas não voltam mais… (António Nobre) " Menino" No colo da mãe ...