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A mostrar mensagens de setembro, 2024

Poesia à Senhora do Cabo

No fim do mês de setembro há uma festa, uma romaria em honra da Senhora do Cabo. O meu jeito para estas coisas não é muito e, a verdade, é que não acredito em nada destas coisas de santas ou milagres. Escrevi este pequeno poema em honra daqueles que mantém as tradições que são tão importantes para nos unir como povo. Às gentes da vila e às gentes do campo que se juntam para fazer a festa do Cabo, a minha singela poesia.   Cabo   Há um penhasco E há a vida O som da batida Do seu coração Que junto da ermida Se recolhe no fundo Da dor sem perdão.   Há um penhasco Qual escarpa profunda Onde se espreita o início Deste nosso mundo Em que grandes gigantes Passaram sem pressa E marcaram-lhe o fundo.   Há um penhasco Um sentir que é preciso No momento exato Cair num abraço Que a vida é mais forte Mais valente, mais tudo E se funde num laço.   Há uma estrada Um caminho a percorrer Vontade de seguir a vida Com esperança no olhar Uma família a acontecer E junto daquela ermida Há uma mulher a rezar...

Curso de Escrita - últimos textos

Tenho estado a fazer uma formação online, e têm sido vários os exercícios de escrita que me têm sido pedidos. O bom destas formações é que, além de colocarmos as nossas ideias no papel, percebemos também como funcionam alguns dos processos criativos. Nas últimas aulas, foi pedido que criássemos uma personagem e a caraterizássemos. Depois, dessa personagem nasceu uma estrutura com outras personagens, espaços, ações. Para mim, o processo normalmente funciona ao contrário. Começo a envolver as personagens nas ações e entre si, para só depois as caraterizar amíude. Para mim, certas "personagens" (pessoas) não iriam fazer determinadas ações e, se lhes der antecipadamente aspetos psicológicos (os físicos não me influenciam tanto) acabo por limitar as suas ações e reações. É estranho, não sei explicar, mas é isso que sinto. Ontem, acabou por nascer o seguinte: Mais um dia, mais uma manhã e Pedro sente-se preso. Tem 28 anos e sente que a rotina o prende e que a sua vida não etm senti...

Escrita... a chuva

Da janela da sala, as crianças vêem a chuva lá fora. Do interior, sentem o vido fresco, pousando as mãos na janela e, tentando sentir as gotas lá fora.  De sorriso no rosto, Cecília pede: - Por favor, podemos ir à chuva? A educadora pensa um pouco e, olhando para a colega, desafia: - Vamos? E assim, todos vestiram o casaco e calçaram as galochas. A chuva não era muita, mas as poças do chão já davam para despertar a atenção das crianças, que felizes, assim que se viram lá fora: - Tão bom! A chuva é fria! - Ai, olha o meu salto! - Olha aqui os salpicos que eu faço a saltar! E felizes brincaram, livres como todas as crianças devem ser. Pena daqueles meninos que nunca pisam as poças de água, ou que nunca saem da bolha para sentir na cara as gotas de chuva. Elsa Filipe

Escrita... no banco do jardim

Na minha rua, há um banco de jardim. Castanho, voltado para o rio que corre mais abaixo, tem na vista a paisagem saudosa dos homens que ali se sentam. De manhã, um morador, de um prédio dos arredores, senta-se só no banco e lembra-se dos que deixou para trás. Está cá a lutar pela sua vida, a cuidar da sua saúde, com poucas notícias dos seus, que deixou em Moçambique. Será rápido o regresso? Não sabe, ninguém lhe consegue dizer. Senta-se a olhar o rio, deixando que a água dos seus olhos espreite e veja que não vale a pena competir, com a força da maré que enche. O sol ainda amorna as manhãs, ainda lhe aquece o corpo e o coração, mas deixa o banco pouco depois para regressar ao lar que por estes dias tornou seu.  Pouco depois, vão chegando, um a um, às vezes em par, outros que usam o banco, apenas para conversar. Agrada-me assim vê-los, sem nada que fazer, na plenitude dos dias, aparecem para se ver. O convívio é diário, discutem quem vai e quem chega. Todos os cumprimentam, confiam na s...

Escrita: A (tão típica) história da Ilha deserta

Ontem, depois de alguns exercícios mais pequenos e simples, chegou-nos o desafio da "Ilha deserta". A sério? Uma mensagem numa garrafa... o que escolhemos para levar para uma ilha... e, o que escrever se estamos perdidos e encontramos algo para escrever e uma garrafa (um pouco difícil e imaginário, ter papel seco e um lápis ou uma caneta funcional... mas vamos lá imaginar que sim). Já tentaram fazer algo do género? Eu ontem estava mesmo muito cansada e sem vontade de escrever e, como se repara, o tema também não foi do meu agrado. Vou só colocar um pouquinho... o resto fica à vossa imaginação.  Se encontrar esta garrafa é porque, eu afinal, cedi à minha vontade de desistir e deitei-a ao mar. Ou, talvez, num último impulso antes de morrer a tenha deixado ir pela água. Se ainda andam à minha procura, coloquei atrás a minha identificação e a minha morada. (...) Passaram-se semanas, meses? Não sei bem. Fui registando ao início e, depois acabei por me perder entre as horas e as no...

Escrita... como escrever um texto, partindo de uma só frase

O exercício de ontem (lembram-se do curso de escrita que estou a frequentar?) fez-me pegar numa frase construída na sessão passada e, partindo desta - usando-a como "Título", construir um pequeno texto. Mas o que escrever com uma frase tão declaradamente verdadeira? E o resultado foi este (desculpem alguma deceção, mas escrever à noite, sobre algo "aleatório" e que irá ser lido a um grupo de pessoas que não conheço. torna-se estranho e até inibidor): "Mãe, magnífica, mulher minha" Mãe, magnífica mulher minha, mataste meu mundo mortiço. Hoje o dia está escuro. A minha juventude fugiu com a tua ausência, com a inevitável partida do que já nem restava de ti: uma ínfima parte daquilo que eras. Nunca me obrigaste a acreditar em coisas absurdas nem em pais natais ou anjinhos. Fomos sempre tão diretas e tão verdadeiras, tão racionais tanto nas presenças como na perspetiva da ausência. Esperada. Aquele mundo mortiço em que andávamos, acabou. Tu pudeste seguir a tu...

Narrativa...

É sexta. A areia entranha-se por entre os dedos e, aqui e além, conchas partidas picam-me a sola dos pés. O azul das águas hoje não tem a calma dos entardeceres dos dias anteriores, mas, pelo menos, há pouco vento. Tudo normal à exceção de um grupo de golfinhos que nos veio visitar. Entraram na baía esta manhã, algures entre os estaleiros da Amora e o cais dos barcos do Seixal. Parecem seguir em grupo fazendo o mesmo percurso, para lá e para cá, para cá e para lá, não se aproximando muito das margens. Olhando com mais atenção, vejo que são quatro que seguem juntos. Um pouco mais atrás, um quinto elemento segue o grupo. O som da brisa da tarde é entrecortado pelo bater das barbatanas caudais dos mamíferos que saltam e nadam mesmo à minha frente. Sento-me na areia, apreciando o espetáculo raro com que sou presenteada. Pelo menos, deixo-me pensar que me vieram visitar e que é para mim que se exibem, embora na praia estejam mais algumas pessoas que os vão fotografando e filmando. Do lado d...

Curso de Escrita

Iniciei ontem um curso de escrita criativa e, nos próximos dias, andarei mais entretida de volta das palavras e da (des)construção do meu "Eu" criativo. Não que me tenha sentido muito inspirada ultimamente, mas pode ser que as próximas sessões consigam desbloquear aqui alguma coisa. Ontem, um dos exercícios começava por escolhermos três letras. Quaisquer letras, quer nos dissessem alguma coisa, quer fossem apenas escolhas ao acaso. Começou logo ali o problema: o que iríamos fazer com elas? Escolhi duas consoantes e uma vogal, não fosse o "diabo tecê-las":  M, E, V   E daqui saíram três palavras:  Mãe, Elsa, Vida...   ... e depois três frases, em cada uma das quais só podíamos usar essa letra no início de cada palavra: Mãe, magnífica mulher minha. Era eu, Elsa, em errante escrutínio e espírito emotivo. Vida violenta, vi-vos vir, vitoriosa.     E depois enquanto esperava fui treinando mais algumas frases, usando apenas a mesma letra no início de cada palavra: A - A ar...

"Mário Soares - uma vida" - biografia

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Um dos tipos de livros que gosto de ler são biografias. Não são livros para ler de enfiada (como um romance) mas para serem explorados e anotados. Estou a ler agora "Mário Soares - uma vida," que é composto por quatro volumes, dos quais ainda só consegui os dois primeiros (ainda vou pesquisar quais os que me faltam), da Revista Sábado. Esta biografia foi escrita por Joaquim Vieira. Ainda estou a começar, mas um facto já me saltou à vista: Joaquim Vieira refere que Mário Soares não gostou de tudo o que ali foi escrito, dizendo que "é uma coisa desagradável." Já Maria Barroso afirma que "...é um livro escrito com muita honestidade." Duas opiniões diferentes, uma do próprio que se pode ter achado demasiado exposto perante os olhares do público, a outra de uma pessoa que viveu com ele e que o conhecia excecionalmente melhor do que qualquer outra. Aqui encontramos o seu percurso, educativo, familiar e político, as prisões e deportações, a longa caminhada até es...

Dia Internacional da Alfabetização

Desde 1967, que se celebra por todo o mundo, a 8 de setembro, o Dia Internacional da Alfabetização. Esta data é celebrada com o objetivo principal de fazer lembrar ao público a importância da alfabetização como "fator de dignidade e de direitos humanos, e também para cumprir desenvolvimentos para com a agenda de alfabetização para uma sociedade mais instruída e sustentável." Sendo este um direito de todos, inalienável,  a UNESCO destaca a alfabetização como "uma ferramenta crucial para a transformação social."   Este ano, o tema incide em “Promover a educação multilingue: Literacia para a compreensão mútua e a paz."   Atualmente, ainda existem pelo mundo cerca de "763 milhões de jovens e adultos que precisam de conhecimentos básicos de leitura e escrita."   A literacia, através do seu potencial transformador das sociedades, deve ter como papel principal o de "promover a compreensão mútua, a coesão social e a paz," através de atitudes de resp...

Poesia para o meu jovem adolescente

Faz hoje 14 anos que a minha vida mudou. Daqui a pouco tempo, este jovenzinho será um homem. O crescimento de um filho fica gravado nas pregas da minha mão, nas rugas dos meus olhos, nos cheiro da sua pele quando o beijo. Tudo muda - a postura, a voz, o tamanho das suas mãos - mas há algo que aos olhos de uma mãe nuca poderá mudar. Ele pode ser mais alto do que eu... mas não deixa de ser o meu bebé pequenino. Espero que um dia, ele leia o que eu lhe escrevi - mesmo que eu saiba que não vai gostar, porque não gosta de ler como eu gosto, nem de escrever como eu escrevo... e nisso somos tão diferentes.   Maior tesouro   Se te pudesse escolher Erraria de certeza Ainda bem que sem saber Escolheste em mim viver Ganhei a maior riqueza.   Sem querer, eu sei que vieste Fazer de mim a mulher Mais feliz e nem percebeste Que sem ti que em mim cresceste, Não havia porque viver.   Se te pudesse dizer Por tudo aquilo que passei Ficarias a conhecer Que só de te ver nascer Na hora melhor me tornei.   N...