Poesia à Senhora do Cabo
No fim do mês de setembro há uma festa, uma romaria em honra da Senhora do Cabo. O meu jeito para estas coisas não é muito e, a verdade, é que não acredito em nada destas coisas de santas ou milagres. Escrevi este pequeno poema em honra daqueles que mantém as tradições que são tão importantes para nos unir como povo. Às gentes da vila e às gentes do campo que se juntam para fazer a festa do Cabo, a minha singela poesia. Cabo Há um penhasco E há a vida O som da batida Do seu coração Que junto da ermida Se recolhe no fundo Da dor sem perdão. Há um penhasco Qual escarpa profunda Onde se espreita o início Deste nosso mundo Em que grandes gigantes Passaram sem pressa E marcaram-lhe o fundo. Há um penhasco Um sentir que é preciso No momento exato Cair num abraço Que a vida é mais forte Mais valente, mais tudo E se funde num laço. Há uma estrada Um caminho a percorrer Vontade de seguir a vida Com esperança no olhar Uma família a acontecer E junto daquela ermida Há uma mulher a rezar...