A chuva batia no carro, e os meus pensamentos estavam em todo o lado menos ali. Automaticamente, virava à esquerda, acelerava, pisava o travão, virava à direita, seguia sem ver o caminho, mas repetindo os gestos de dias e dias a fazer o mesmo percurso. Para lá carregando novas ideias, uma vontade imensa de hoje fazer melhor e uma pressão que vai aumentando sobre os meus ombros enquanto estaciono junto à porta principal. Normalmente, a ida ao café antes serve para me recentrar, concentrar, convencer. Tenho de entrar, de tentar, mais uma vez... ser aceite... conseguir, conquistar. Mas de regresso é o pior. Na minha cabeça, as ideias saltam entre "vou desistir disto tudo" e "fui eu que quis mudar de vida". Não posso mudar nem desistir. É a minha carga porque eu assim quis e não vou agora desistir, nem mostrar que sou fraca e que não aguento. Considero-me sempre culpada do que corre mal, uma imbecil, desqualificada. O caminho é quase sempre feito em silêncio, quase semp...