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quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Escrita... a chuva

Da janela da sala, as crianças vêem a chuva lá fora. Do interior, sentem o vido fresco, pousando as mãos na janela e, tentando sentir as gotas lá fora. 


De sorriso no rosto, Cecília pede:


- Por favor, podemos ir à chuva?


A educadora pensa um pouco e, olhando para a colega, desafia:


- Vamos?


E assim, todos vestiram o casaco e calçaram as galochas. A chuva não era muita, mas as poças do chão já davam para despertar a atenção das crianças, que felizes, assim que se viram lá fora:


- Tão bom! A chuva é fria!


- Ai, olha o meu salto!


- Olha aqui os salpicos que eu faço a saltar!


E felizes brincaram, livres como todas as crianças devem ser. Pena daqueles meninos que nunca pisam as poças de água, ou que nunca saem da bolha para sentir na cara as gotas de chuva.


Elsa Filipe

segunda-feira, 10 de junho de 2024

Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades de Língua Portuguesa

Esta é uma data importante que assinala a data da morte do grande poeta português, Luís de Camões, estudado nas nossas escolas, especialmente pelos alunos do 9º ano e que necessitam dos "Lusíadas" para passar na prova de final de ciclo. Além do feriado que nos dá mais um dia de descanso e da obrigatoriedade escolar, é também importante pensarmos na relevância desta data ao longo dos tempos.


"Durante o regime ditatorial do Estado Novo de 1933 até à Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974, o dia 10 de Junho era celebrado como o Dia da Raça," em que se exacerbavam as caraterísticas nacionais associadas à "raça" portuguesa. Esta ideia, felizmente, perdeu-se com a revolução!


Depois da Implantação da República, em 1910, "foi publicado um decreto que dava aos municípios e
concelhos a possibilidade de escolherem um dia do ano que representasse as suas festas
tradicionais e municipais. Lisboa escolheu para feriado municipal o 10 de Junho, em
honra de Camões. Durante o Estado Novo e até ao 25 de Abril de 1974, o 10 de Junho
passa a ser comemorado a nível nacional e passa a chamar-se o também o Dia da Raça,
em memória das vítimas da guerra colonial. A Segunda República não se revê neste
feriado pelo que, em 1978, o converte em Dia de Portugal, de Camões e das
Comunidades Portuguesas."


Nesta data, é costume que o Presidente da República e individualidades do Estado participem em cerimónias que decorrem em cidades diferentes todos os anos, com várias atividades, tais como desfiles e demonstrações militares. Anualmente, costumam também ser "distinguidas novas individualidades pelo seu trabalho em nome da nação."


Mas porquê Camões? Bem, em primeiro lugar porque já a este poeta que Lisboa havia dedicado a data, mas no Estado Novo, a importância tinha sido atribuída pela sua ligação aos Descobrimentos e à forma como o poeta valorizava o povo lusitano como superior, destacando os seus feitos. De facto, Camões - que associamos à Língua Portuguesa - nem tinha na época grandes preocupações ortográficas! Lembremo-nos que uma boa parte da população era analfabeta e que a obra deixada, só a muito poucos chegaria. Na versão original, uma mesma palavra aparece escrita sob várias formas de grafia, umas vezes por erro, outras talvez para manter a estrutura estabelecida para o esquema rimático usado pelo poeta. Enquanto vivo, a sua obra não foi muito valorizada e, é apenas depois da sua morte que os seus poemas são reunidos em coletânea e publicados. O que se sabe da sua vida... bem, não está tudo confirmado e há grandes dúvidas sobre quem tem razão. "Diz-se que tinha grande valor como soldado, exibindo coragem, combatividade, senso de honra e vontade de servir, bom companheiro nas horas de folga, liberal, alegre e espirituoso quando os golpes da fortuna não lhe abatiam o espírito e o entristeciam." Inclusivamente, "a ossada que foi depositada em 1880 numa tumba no Mosteiro dos Jerónimos é, com toda a probabilidade, de outra pessoa." 


Fontes:


https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-de-portugal-de-camoes-e-das-comunidades-portuguesas


https://gds.pt/pt/noticias/sabe-porque-razao-o-dia-de-portugal-se-celebra-a-10-de-junho


As origens de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas / Conceição Meireles. – In:
http://nisefa.wordpress.com/2008/06/09/sabia-que-10-de-junho


https://antt.dglab.gov.pt/wp-content/uploads/sites/17/2008/10/2011-06-Dia-de-Portugal.pdf


https://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_de_Cam%C3%B5es


 

terça-feira, 14 de maio de 2024

"História da Gata Borralheira"

Sempre admirei Sophia de Melo Breyner como escritora e descobri há pouco tempo este conto que nos fala de uma Gata Borralheira dos tempos modernos. Publicado em 1984, este conto remete-nos para uma história muito mais antiga do que poderíamos supor. "Uma das primeiras variantes da história surgiu na China, em 860 a.C. Depois, na Grécia Antiga, Strabo (63 a.C. - 24 d.C.) escreveu sobre uma escrava forçada a casar com o rei do Egito." Foi passando de geração em geração, de boca em boca e, acaba por chegar a Itália durante o "século XVII." Embora apresentando algumas diferenças, este conto popular é bastante semelhante ao que "parece ter inspirado a versão publicada por Giambattista Basile em 1634." Mas será Charles Perrault, um francês que foi considerado o "pai da literatura infantil", quem acaba por escrever "a variante que se tornou mais conhecida entre o público."


É "no século XIX," que "os incomparáveis irmãos Grimm, verdadeiras autoridades em matéria de contos de fadas," escrevem e publicam a sua versão que, como sabemos, é bem "mais sombria."


Tal como no original, podemos dizer que se trata de uma história de "amor à primeira vista, que também de temas complexos como a negligência e o abuso familiar." No entanto, nesta versão de Sophia, destaca-se um outro sentimento importante, a inveja e a vaidade. Lúcia, a personagem principal deste conto, é uma jovem que perdeu a mãe e que vive com o pai, "os dois irmãos" e "as velhas criadas faladoras." Lúcia frequenta um colégio e, chegando a data de uma importante festa, ela vê-se obrigada a ir usando um velho vestido que já tinha pertencido à sua madrinha e uns sapatos mal arranjados, que lhe caíam dos pés. Esta madrinha representa para Lúcia uma figura maternal, que a apoia e que, até a convida para com ela ir viver.


Está triste e desconfortável, e isso acaba por ser notado por algumas raparigas que falam sobre ela e riem da sua figura.


Na festa, uma dessas raparigas aproxima-se dela, aconselhando-a a não se olhar num determinado espelho. Mais tarde, Lúcia conhece um rapaz que a convida para dançar, mas os elogios que ele lhe faz, não chegam a ser suficientes para apagar o momento em que um dos seus sapatos lhe cai do pé. A vergonha é tanta que ela continua a dançar sem sequer dizer que o sapato é seu.


Perdida na sua dor e tristeza, ela começa a recordar as palavras da madrinha que a tinha convidado para sua casa, onde talvez viesse a ter uma vida um pouco mais desafogada. Cresce e casa-se com um homem rico. Passados vários anos, Lúcia acaba por regressar àquela mesma casa onde, anos antes, a festa tinha acontecido e onde ela se sentira tão triste, envergonhada e exposta.Desta vez, no entanto, ela aparece com um belo vestido de gala, uma postura tranquila e um par de sapatos forrados a diamantes que causam inveja a todos os que a admiram.


Feliz, Lúcia volta a entrar na sala onde anos antes se tinha sentido mal ao olhar para os espelhos que forravam as paredes. Só que desta vez, em lugar de refletirem a sua imagem real e atual, surge a sua imagem juvenil, com o mesmo vestido lilás de há anos antes. Naquele momento, um homem entra e pede-lhe um dos seus sapatos de diamantes, oferendo-lhe em troca o velho "sapato de farrapos" que, anos antes, ela tinha perdido na festa.


Num final triste, mas que é caraterística dos antigos contos de fadas (os reais, não os da Disney), Lúcia é então encontrada morta na varanda, na manhã seguinte. Num pé, tem um sapato de diamantes e, no outro, um velho sapato de "aspeto miserável, roto e coberto de manchas esbranquiçadas de bolor!"


Aconselho a leitura deste e de outros contos de Sophia de Melo Breyner e, claro a pesquisarem mais sobre os contos de fadas, como estes evoluíram e chegaram aos nossos dias, adaptando-se à realidade cultural dos locais e épocas por onde foram passando.


Fontes:


https://www.culturagenial.com/cinderela/


 

quarta-feira, 17 de abril de 2024

"A Saga"

A história de Hans contada por Sophia de Melo Breyner remete-nos para uma época distante, para um local agreste e pitoresco onde vive uma comunidade de pescadores, Vig. Hans é um jovem de 14 anos, cheio de vitalidade que deseja sair dali e explorar o mundo. Mas depois da perda dos irmãos mais novos num naufrágio, vê-lo embarcar é a última coisa que o pai de Hans deseja.


A proximidade etária com os leitores é um dos primeiros pontos a explorar nesta obra. A perspetiva de futuro, a imensidão de possibilidades e a existência de limites para os sonhos de Hans e de cada um dos leitores, podem ser aqui abordados em atividades de exploração literária e de construção de textos. 


Hans acaba por sair da sua ilha escondido num cargueiro inglês e chega a uma "terra de granito e de camélias," que era afinal, a cidade do Porto. Esta fuga representa não só o desejo de aventura, como a emancipação, o crescimento e a adaptação a uma nova vida, longe de casa e tudo o que isso acarreta. Durante a sua estadia, conhece um homem que o ajuda, Hoyle, com quem desenvolve a arte do comércio. As dificuldades sentidas por Hans, refletem-se na sua personalidade. A descrição da cidade e dos costumes, bem como o facto de Hans se ter casado com a filha de um general liberal que havia desembarcado no Mindelo, remetem-nos para uma época muito específica: meados do século XIX, quando as tropas liberais invadiram o nosso país. Hans acaba por ter cinco filhos. Já na sua velhice, pede que lhe deixem na sepultura "um barco naufragado," um barco que lhe permita sair a barra e navegar "para o Norte, para Vig, a ilha." Apesar de se ter tornado um homem rico, a felicidade nunca esteve completa, tendo-lhe sempre faltado a presença dos pais, em especial, do pai que o "proibira de voltar" a Vig.


Sophia traz-nos estas informações como só ela consegue fazer, através de um texto riquíssimo em recursos expressivos, em analogias e com um ritmo próprio, que nos permite uma leitura flúida. Foi publicado pela primeira vez em 1972, na colectânea "Histórias da Terra e do Mar."


 

quarta-feira, 10 de abril de 2024

"O Príncipe Nabo"

Ilse Losa publicou este texto dramático em 1962 e, até hoje, continua a estar representado na lista de leituras recomendadas para a infância.


A história é sobre as desventuras da "Princesa Beatriz", que precisa escolher um marido de entre vários pretendentes. Mas nenhum lhe agrada e vai aproveitando para ir "gozando" com cada um dos pretendentes até que o "Rei" lhe resolve dar uma lição.


Este texto dramático está dividido em três atos. Além da princesa e do rei, existem outras personagens relevantes, como o "Marechal da Corte" que é o responsável por encontrar pretendentes para a Princesa, ou a "Mademoiselle" que representa o papel de educadora da jovem e que tem origem francesa. Há também o "Bobo" que se chama "Marcelino" e que não deixa de nos levar a uma grande lição de moral!


O texto é bastante divertido e de leitura fácil, sendo adequado para o 5º ano, tal como é recomendado pelo Plano Nacional de Leitura. Aconselho uma leitura prévia por parte do adulto de forma a conseguir preparar a leitura desta obra na sala de aula, uma vez que a riqueza dos diálogos e das descrições pode ser trabalhado de forma bastante interessante e, até divertida! Um excelente livro para promover o gosto pela leitura.

segunda-feira, 11 de março de 2024

O papel da leitura na melhoria da escrita

A questão que hoje coloco é: ler mais, pode ter interferência nos resultados escolares? 


Diariamente, o meu trabalho é com crianças e uma das coisas que tenho vindo a reparar é na baixa expansão vocabular dos alunos. Excetuando alguns casos, que infelizmente cada vez são menos, os alunos não mostram interesse em ler, não conhecem provérbios populares, nem lengalengas ou travalínguas... 


A minha preocupação aumenta quando, alunos de 7º ou 8º ano, que têm disciplinas como matemática, história e geografia, não sabem o que significam palavras como "extensão", ou me dizem que o antónimo de "independente" é "coletivo". Estes são apenas pequenos exemplos que me levam a refletir sobre o rumo que a educação está a levar e se estamos mesmo no caminho certo.


De facto, podemos constatar que hoje em dia as crianças têm um acesso muito mais facilitado aos livros mas não lêem. Na minha opinião, ler é uma das habilidades fundamentais que devem ser adquiridas no 1º ano e consolidadas durante o 1º ciclo (não estou a incluir aqui alunos com NEE). O problema é que chegam ao 2º ciclo alunos que, apesar de não terem nenhum diagnóstico, não conseguem compreender e interpretar um texto simples. Outro problema, são os estrangeirismos, que apesar de sempre terem sido utilizados - eu usei e uso claro, faz parte da própria construção e evolução da língua - são de facto usados pelos jovens sem conhecerem o seu significado e a sua origem. Compreender e interpretar é necessário no dia a dia, faz parte não apenas da aprendizagem do português, como das outras disciplinas. O treino destas capacidades é tão importante como outros treinos que fazemos. Mas claro que nem todos gostamos do mesmo!


Mas também não posso deixar de dizer que há exceções e que tenho também alguns alunos que gostam de ler e que levam atrás de si alguns livros para "ler nas horas vagas". Sem obrigação e que até reclamam porque "a mãe não deixou comprar" um determinado livro porque o tema ainda não era para a sua idade. Estes alunos, têm mais facilidade em fazer a interpretação de um texto, são mais rápidos a encontrar as respostas que procuram no manual e, até dão menos erros ortográficos. Normalmente, são alunos que apresentam menos dúvidas quando têm de fazer exercícios que tenham a ver com a sintaxe e a morfologia. Se é regra? Não. Não o é de todo, mas... será que este treino da leitura não terá aqui um papel fundamental?


Na minha opinião, a leitura é uma das maiores ajudas para melhorar a escrita, sim, disso não tenho dúvidas! Se são melhores alunos? Não será apenas por isso e é claro que o rendimento escolar passa por muitos outros fatores que não estou aqui a apontar, mas sem dúvida que o hábito de leitura os ajuda também a serem capazes de escrever mais e melhor, de conseguirem construir respostas mais completas e fundamentadas.

sábado, 24 de fevereiro de 2024

"Os Lusíadas"

Bem, para começar, esclarecer que não estive a ler a obra na íntegra. Já a tinha lido quando era aluna do 3º ciclo. Mas volta não volta, ano após ano, volto a pegar nesta grande epopeia para a trabalhar com os meus alunos durante as explicações de português.


Aquilo que mais me atrai, é que por entre cada estrofe, encontramos aqui e ali referências da nossa própria História, umas vezes bem explícita e, noutras, mais escondida. 


Grande marco da nossa história literária, Camões é "o Poeta" português. Viveu durante o século XVI e escreveu a primeira epopeia portuguesa, publicada em versão impressa (1572), "no período literário do Classicismo, ou Renascimento tardio, três anos após o regresso do autor do Oriente, via Moçambique."


"Os Lusíadas" terão começado a ser escritos provavelmente em 1553, qundo Camões esteve em Goa, Índia. A obra é antropocêntrica, ou seja, valoriza o "ser humano" e a sua "racionalidade." Um outro aspeto importante é que além deste antropocentrismo, Camões acaba por mostrar ao longo de "Os Lusíadas" um povo  "europeu impermeável à cultura do Oriente," e que se mostra de certa forma "incapaz de compreendê-la."


Quanto à métrica e à rima é de um rigor formal que a muitos espanta. O poema é constituído por 10 cantos divididos em 1102 estâncias (estrofes). Cada umas destas estâncias é composta por 8 versos (oitava) perfazendo assim um total de 8816 versos. Cada verso tem 10 sílabas métricas. Uma outra caraterística é que estes versos são predominantemente heróicos, ou seja, têm acentos rítmicos nas 6ª e 10ª sílabas. Encontramos também alguns versos acentuados nas 4ª, 8ª e 10ª sílabas e por isso são chamados sáficos. A rima apresenta um esquema fixo, com os seis primeiros versos em rima cruzada (ababab) e os dois últimos em emparelhada (cc), que ganha o nome de "rima real" ou "rima camoniana."


Assim começa este poema:



As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;



Logo nestas primeiras linhas, o poeta anuncia que vai contar a história das grandes navegações, destacando desde logo o povo português, como sendo lutador, corajoso, valente e pioneiro.


No que se refere à sua estrutura interna, "Os Lusíadas" dividem-se em quatro planos: "Proposição", "Invocação", "Dedicatória" (os quais ocupam as primeiras dezoito estâncias) e "Narração" (que compõe o corpo do poema propriamente dito). Acrescente-se aqui o Epílogo (estrofes 145 a 156 do Canto X) no qual "o poeta lamenta mais uma vez as injustiças que o Reino lhe terá cometido." No Epílogo, Camões vem reforçar a "dedicatória da obra ao jovem rei D. Sebastião" que já tinha referido no início do poema. Toma aqui a liberdade de "como homem experiente da vida e dos conhecimentos," dar ao jovem rei "alguns conselhos: que se aconselhe com os melhores, governe com justiça," e que "premeie apenas e sempre quem merece." Ao rei pede também que "lute com bravura e inteligência para expandir Portugal e a fé cristã."


Nestes planos encontramos quatro temas. A "Viagem" onde se encontra a ação central da epopeia propriamente dita, o "Plano Mitológico", em que "são descritas as influências e as intervenções dos deuses da mitologia greco-romana na ação dos heróis", a "História de Portugal" e, por fim as consideraçõs do poeta onde Camões apresenta a sua reflexão pessoal, referindo-se a "si mesmo enquanto poeta admirador do povo e dos heróis portugueses."


Podemos de facto afirmar que no que se refere ao enquadramento da "Viagem" esta nos conta a ida da Armada portuguesa comandada por Vasco da Gama até à Índia, sendo que esta viagem vem representar todas as viagens feitas pelos portugueses. A partida de Lisboa é referida no Canto V numa analepse, uma vez que a narração propriamente dita começa pela passagem da armada pelo Oceano Índico. Podemos assim dizer que a "narrativa começa in medias res (ou seja, parte do meio da ação para então inserir todos os acontecimentos)." É "Vasco da Gama" o narrador desta parte da epopeia, contando a sua ida à Índia "ao rei de Melinde." Se considerarmos "Os Lusíadas" como uma obra renascentista, não é de estranhar que este siga "a estética grega que dava particular importância ao número de ouro. Assim, o clímax da narrativa, a chegada à Índia, foi colocada no ponto que divide a obra na proporção áurea (início do Canto VII)."


As ações secundárias são encaixadas na ação central, como são os versos onde se referem outros aspetos da História ou as referências feitas a outras epopeias.


Também é percetível que o destino dos "Heróis" no Oriente está a ser discutido pelos deuses, sendo "convocado o Consílio dos Deuses (estrofes 20 a 41) para decidir se os portugueses devem ou não conseguir alcançar o seu destino." Júpiter defende que devem proteger os Lusitanos, mostrando-se contra os "mouros, castelhanos e romanos", enquanto Baco acha que os seus próprios feitos no Oriente podem ser esquecidos, mostrando "ciúme e inveja," pelos portugueses e acaba por ser o "responsável, direta ou indiretamente, por todas as ciladas" que os heróis vão enfrentando. Na discussão entre os deuses, Vénus compara o povo português aos romanos na "coragem" e sabe que este sempre celebrarão os deuses por onde quer que passem. "Camões era um homem de paixões, que também celebrava o amor na sua lírica, e talvez por isso tivesse escolhido a deusa romana desse sentimento para patrona do seu povo." 


O povo português, marinheiro e herói destemido, acaba por ser "protegido por determinados deuses e perseguido por outros até que, por conta de sua valentia, coragem e persistência, supera as armadilhas e consegue chegar à terra distante, onde funda novo reino." Isto não vem de todo retirar do poema a defesa de "uma fé única no Deus cristão" que é defendida ao longo da obra.


Espero que tenham gostado. Obrigada pela vossa leitura!


Fontes:


https://notapositiva.com/os-lusiadas/#


https://pt.wikipedia.org/wiki/Os_Lus%C3%ADadas


AIDAR, Laura, https://www.culturagenial.com/os-lusiadas-de-camoes/


 

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

"Auto da Barca do Inferno"

Esta é uma das mais conhecidas obras de Gil Vicente e uma das que é analisada ao longo do 9º ano dos nossos alunos. O "Auto da Barca do Inferno" (1517) faz parte da Trilogia das Barcas - onde figuram também o "Auto da Barca do Purgatório" (1518) e o "Auto da Barca da Glória" (1519). Gil Vicente, publica esta Trilogia numa época em a Expansão marítima traz novos conhecimentos.


Gil Vicente "escreve a sua obra dramática na transição da Idade Média para o Renascimento. Por esse motivo, as suas peças
conservam ainda marcas da mentalidade e da arte medievais, mas, nelas, encontram-se já traços renascentistas".


Fazendo um resumo muito breve, este texto dramático decorre num cais onde estão duas barcas à espera dos seus passageiros. Pelo cais vão passando várias figuras (um Fidalgo, um Onzeneiro, um Parvo, um Sapateiro, um Frade, uma Alcoviteira, um Corregedor, um Procurador, um Enforcado e quatro Cavaleiros) que tendo acabado de morrer têm de embarcar na barca que os levará ao seu destino de acordo com a vida que levaram. Apenas Joane, o parvo, e os quatro cavaleiros, têm como destino o Paraíso. O Judeu não tem lugar em nenhuma, acabando por ir "à toa", ou seja, vai dentro de água, agarrado à barca por uma corda sendo "rebocado" pela Barca do Diabo, por não se querer separar do seu bode. Além da moralidade, a obra satiriza também o juízo final do catolicismo, fazendo referência por diversas vezes à antítese entre o que defendem e o que fazem.


Cada personagem possui uma simbologia associada à falsidade, ambição, corrupção, avareza, mentira, hipocrisia, entre outras "qualidades" que são representadas pelos objetos que transportam consigo, mas também pela descrição que é feita dos seus pecados. "A construção das personagens foi, igualmente, melhorando e estas foram
ganhando dimensão psicológica e realismo." A personagens-tipo, "são figuras que representam um grupo social, ou socioprofissional ou, ainda, étnico, como os judeus", através das quais se resumem e "apresentam as caraterísticas típicas desse grupo". 


Por exemplo, o Fidalgo, (Dº Anrique) que chega acompanhado de um Pajem, representa uma parte da nobreza. O Fidalgo através da sua postura e dos objetos que o acompanham, começa logo por se dar a conhecer como um tirano que teve uma vida voltada para o luxo e, por isso, não tem lugar na Barca do Anjo. Do lado oposto, o grupo composto pelos Quatro Cavaleiros, representa todos aqueles que participaram nas Cruzadas, defendendo a religião e as leis que a definiam. É por esse motivo que estes Cavaleiros vão diretamente para a Barca do Anjo, uma vez que sabiam que eram dignos de ir para o Paraíso por terem dado a "vida" lutando por Cristo contra os Muçulmanos, no norte da África e, sendo portanto, absolvidos dos pecados que cometeram. Nesta "peça, o Sapateiro, o Procurador e o Frade correspondem ao grupo dos profissionais liberais, dos funcionários da justiça e do clero regular, respetivamente."


O Anjo e o Diabo são personagens alegóricas que representam a balança do Bem e do Mal, o Paraíso e o Inferno.


O Auto não tem uma estrutura definida, não estando dividido em atos ou cenas, por isso para facilitar a sua leitura divide-se o auto em cenas à maneira clássica, de cada vez que entra uma nova personagem. Usando além da alegoria, a sátira social, Gil Vicente vai, a cada personagem que entra em cena, caraterizando a sociedade do século XVI. "A sátira social é exercida com um intuito reformador. Significa isto que a crítica é feita
com o propósito edificante e didático de corrigir os comportamentos, denunciando-os,
ridicularizando-os e convidando o público à reflexão."


"Com o intuito satírico, Gil Vicente irá recorrer ao cómico e, através do ridículo exposto
e do riso despertado, chamar a atenção para determinados defeitos das personagens."


Ao longo do auto aparecem três tipos de cómico: o de caráter, o de situação e o de linguagem. O cómico de caráter é aquele que é demonstrado pela personalidade, que podemos observar por exemplo através do modo como a personagem surge em cena, como "esta está vestida ou os elementos que a acompanham: por exemplo,
o Frade, da mesma peça, que surge em cena acompanhado de uma moça, com um
escudo, um capacete e uma espada na mão" ou, no caso do Parvo, que devido à sua pobreza de espírito não mede aquilo que diz e por isso não pode ser responsabilizado pelos seus erros. Como cómico de situação temos vários exemplos. Um deles é aquele que Gil Vicente cria entre o Diabo e o Fidalgo, em que é usado um tom de gozo pelo Diabo e que acaba por ferir propositadamente o orgulho do Fidalgo. Por fim, o cómico de linguagem é aquele que é proferido pelas falas das personagens, em que podemos encontrar como exemplo as expressões usadas pelo Diabo. De facto, é através da sua linguagem zombeteira e irónica que o Diabo expõe os pecados, vícios e fraquezas das personagens.


Penso que mais do que compreenderem a gramática, a síntase ou a estrutura da obra, seria importante que os alunos fossem capazes de a relacionar com a época em que foi escrita. Compreender esta relação, tornaria a obra muito mais real e a sua análise poderia trazer um objetivo mais concreto. Na minha opinião, deveria ser reenquadrada na matéria do 8º ano, em simultâneo com o estudo do Renascimento, da Reforma e da Contra Reforma, pois permitiria explorar em quadrantes diferentes uma mesma época histórica.


Convém lembrar que Portugal esteve na obscuridade da Idade Média, até ao início da Expansão Marítima, em que a descoberta de "novas terras e de outros povos tem implicações no progresso do conhecimento e na abertura do espírito humano." Esta expansão marítima "determina alterações no sistema económico nacional" uma vez que permitiu abrir "o mercado ultramarino à iniciativa privada". Esta "medida beneficiou a burguesia mercantil e deu dinamismo à economia". Enquanto isso, noutras zonas da Europa, o Renascimento é muito mais visivel do que em Portugal e corresponde não apenas a uma mudança cultural e artística, mas também no plano religioso, "este período fica marcado pelas cisões no interior da Cristandade", no qual começam a ser criticados e postos em causa aqueles que eram os "princípios e dogmas da doutrina, bem como os comportamentos e a política da instituição eclesiástica". Este movimento de ruptura, conhecido por "Reforma, conduz à criação das correntes religiosas protestantesde Lutero, Calvino e Henrique VIII.


Não nos podemos esquecer que nesta altura, a Ciência começa a ganhar terreno! "A ciência liberta-se do domínio da doutrina cristã e do saber escolástico. Munindo-se
de um método científico, passa a assentar na experimentação e no espírito crítico
e a desafiar os dogmas e as verdades da Igreja, dando importância ao saber empírico."


Também no que se refere ao nível social, ocorrem mudanças importantes. A economia "agrária feudal é substituída por uma sociedade mercantil, que privilegia as
trocas comerciais" e em que a força da economia passa "a assentar no comércio e na indústria".


A burguesia cresce e "consolida-se definitivamente como classe, ganha
importância social e poder político, substituindo a nobreza feudal como grupo dominante." Ao mesmo tempo, dando-se o "enfraquecimento da nobreza, a influência social e política do clero diminui."


Fontes:


https://www.todamateria.com.br/auto-da-barca-do-inferno/


https://pt.wikipedia.org/wiki/Os_Quatro_Cavaleiros


https://pt.wikipedia.org/wiki/Auto_da_Barca_do_Inferno


https://www.santillana.pt/files/DNLCNT/Priv/_9247_c.book/243/resources/contexto_historico_cultural.pdf


 

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Gil Vicente

Considerado o pai do teatro em Portugal, escreveu entre outros Autos, um que é ainda hoje analisado pelos nossos estudantes do 9º ano. Eu tive de o ler quando tinha os meus 14 anos, mas a leitura que fiz agora, com os meus alunos, foi completamente diferente porque me permitiu enquadrar e compreender esta obra de uma perspetiva totalmente diferente. Em primeiro lugar é preciso entender que este Auto faz parte de uma trilogia de sátiras: "Barca do Inferno", "Barca do Purgatório" e "Barca da Glória".


Gil Vicente terá nascido em Guimarães no ano de 1465 e falecido em Évora em 1536. Por falta de documentos, muitos fatos de sua vida são cercados de dúvidas, como o próprio local e ano de seu nascimento. Uma das dúvidas é mesmo quem foi Gil Vicente uma vez que há vários registo que se sobrepõem e que podem ser da mesma pessoa (ou não). Num deles, podemoss encontrar que apesar de ter estudado Direito Civil, "Gil Vicente possuía uma natureza poética e criativa que lhe possibilitou abandonar a vida jurídica e abraçar a vida literária, tornando-se reconhecido por suas obras inovadoras para a época". Sem dúvida sabemoss que foi dramaturgo e poeta, com uma extensa obra de autos, farsas e até de poesia trovadoresca, e ainda hoje é considerado um dos maiores representantes do teatro popular em Portugal. 


Sabe-se que sua atividade de dramaturgo foi desenvolvida em torno da corte portuguesa, abrangendo os reinados de D. Manuel I e de D. João III. Terá começado a sua "carreira" em 1502, quando encenou a peça “Auto da Visitação” ou “Monólogo do Vaqueiro”, em homenagem ao nascimento do príncipe D. João, futuro D. João III, filho de D. Manuel I e de D. Maria de Castela. No monólogo, escrito em castelhano, um simples homem do campo expressa a sua alegria pelo nascimento do príncípe herdeiro, desejando-lhe felicidades. Esta interpretação terá entusiasmado a "Rainha Dona Beatriz, que ainda estava de resguardo do filho recém-nascido" e que por ter "gostado do que vira, pediu ao autor que repetisse a apresentação no natal, mas que, na ocasião, o texto fosse dirigido ao nascimento do menino Jesus". A Corte ficou rendida e a partir daí, Gil Vicente torna-se organizador dos espetáculos palacianos por ocasião dos nascimentos, casamentos e receções reais.


Apesar de ter vivido em pleno período Renascentista, Gil Vicente não se deixou impregnar pelas conceções humanísticas e acaba por retratar através das suas peças, os valores populares e cristãos da vida medieval. As caraterísticas principais da obra deste dramaturgo, tornam-na até primitiva e popular, pese embora isso não fosse de esperar por ter surgido no ambiente da corte, para servir de entretenimento nos serões oferecidos ao rei.


São atribuídas ao dramaturgo lusitano mais de quarenta peças, algumas em espanhol e muitas em português, onde criticava impiedosamente toda a sociedade de seu tempo, de forma até considerada "impiedosa". Na sua obra está muito presente "a sátira, muitas vezes agressiva, contrabalançada pelo pensamento cristão." Podemos dividir a sua obra em três fases:






  • Auto da Visitação ou Monólogo do Vaqueiro

  • Auto Pastoral Castelhano

  • Auto de São Martinho

  • Auto dos Reis Magos


Já na segunda fase (1508-1516), a sátira social apresenta uma ampla visão da sociedade da época e a linguagem utilizada adquire um caráter mais pessoal:



  • Quem Tem Farelos?

  • Auto da Índia

  • Rico Velho da Horta

  • Exortação da Guerra


Na terceira fase (1516-1536), pode-se dizer que é onde atinge a sua maturidade inteletual. Nesta fase, surgem lado a lado a crítica aos hábitos da época e as atitudes mais moralistas de caráter medieval. São dessa época as melhores obras teatrais da Literatura Portuguesa:



  • Farsa de Inês Pereira

  • Auto da Beira

  • O Clérigo da Beira

  • Auto da Lusitânia

  • Comédia do Viúvo

  • Trilogia das Barcas (Auto das Barcas do Inferno, Auto da Barca do Purgatório e Auto da Barca da Glória)

  • A Floresta dos Enganos (de 1536, terá sido a sua última peça).


Além destas obras, Gil Vicente escreveu também poemas ao estilo das cantigas dos Trovadores medievais que foram incorporadas em muitos de seus autos. "Gil Vicente não era conhecido apenas em Portugal, mas também nos países mais cultos da Europa na época." Esta fama trouxe-lhe alguns infortúnios, uma vez que, "ser tão reconhecido, despertava inveja em muitos que lhe acusaram de roubar ideias de outros autores".


Fontes:


https://www.ebiografia.com/gil_vicente/


https://www.infoescola.com/biografias/gil-vicente/


https://www.portugues.com.br/literatura/gil-vicente-e-a-revolucao-teatro-portugues.html


 

quinta-feira, 25 de maio de 2023

Apresentação do meu livro num ATL

Hoje fui a uma escola (ou melhor, ao ATL de uma escola) fazer a apresentação do livro que escrevi. E foi maravilhoso.


Ia com bastante receio que as crianças não gotassem - ou até que os adultos me olhassem com tom reprovador. Mas nada disso aconteceu. Preparei tudo com muito cuidado e ia receosa. Levava o meu computador, para poder projetar as imagens do livro enquanto falava e alguns livros para vender. Mas o nervosismo depressa passou e consegui fazer a apresentação do meu livro e, ainda mais do que isso, conversar com as crianças, responder às suas perguntas.


Acabei por ser muito bem recebida e por fazer três sessões ao todo, todas elas diferentes umas das outras. Cada grupo tinha uma faixa etária diferente e por isso a própria história também se foi adaptando na velocidade com que contava, nas perguntas que eu lhs fazia e nas respostas e comentários que eles me iam dando. Foi muito bom, estar ali a apresentar o meu próprio livro. Nestas coisas, eu sou muito insegura, porque acho que a reação dos outros vai ser negativa ou que não vou conseguir dar o meu melhor.


Agora já posso dizer que estou quase a terminar as vendas dos exemplares que tenho em casa e que se tiver mais horas do conto terei de encomendar mais. Lucro? Ainda não tive nenhum, só para que saibam como tenho sido apoiada pela editora, mas pronto, cá está o meu livro e quem o tem lido tem gostado muito. Os meninos até me deram ideias para eu continuar a escrever sobre a Vivi e sobre o seu dragão... mas sem apoio da editora para as vendas, não me arrisco tão cedo. Ainda estou a pagar um crédito que tive de fazer para editar o livro e, como devem compreender, isso torna tudo muito mais complicado. 


Se me apetece escrever?


Muito. Sobre tantas coisas diferentes. Tenho tantas ideias... tanta coisa começada que espera nos cadernos ou em folhas soltas para ter um destino. Talvez se acabem por perder por aí.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

50 anos do Acordo Ortográfico de 1973... um pouco da história da nossa ortografia

Quando nos nossos dias reclamamos do novo acordo ortográfico - eu por vezes também me incluo nesse grupo, embora tente seguir a mudança e atualizar a minha ortografia sempre que consigo - não nos lembramos já de um outro acordo que veio alterar a maneira do português escrever. Aconteceu precisamente há 50 anos! Nessa Reforma Ortográfica de 1973 a forma como se acentuavam as palavras mudou. É por essa razão que, quando lemos documentos mais antigos, vemos muito mais acentos graves e circunflexos do que aqueles que temos nos nossos dias!


Esta mudança na ortografia em Portugal, foi "promulgada pelo decreto-lei 32/1973, de 6 de fevereiro, pelo então presidente Américo Thomaz, na sequência de uma sugestão da Secção de Ciências Filológicas da Academia das Ciências de Lisboa."


De acordo com esta reforma que, apesar de tudo não foi a primeira, foi abolido "o acento grave e o acento circunflexo em palavras formadas pelo sufixo -mente e pelos sufixos iniciados por z." A razão para estas alterações era tentar aproximar cada vez mais a escrita portuguesa, mais erudita, com a escrita do Brasil, que já tinha feito esta alteração em 1971. "Deixaram assim de ser acentuadas palavras como pràticamenteindelèvelmenteìntimamenteavôzinho e nùmerozinho."  


Mas voltando um pouco atrás na história da escrita, sabemos então que em 1885 são publicadas por Gonçalves Viana, as "Bases da Ortografia Portuguesa." Com a implantação da República, em 1910, "é nomeada uma Comissão para estabelecer uma ortografia simplificada e uniforme a ser usada nas publicações oficiais e no ensino. No ano seguinte há uma primeira tentativa para "uniformizar e simplificar a escrita, mas esta Primeira Reforma Ortográfica, só em 1915 "foi extensiva ao Brasil." No entanto em 1919, o Brasil revoga a decisão de 1915 e já estavamos no ano de 1924 quando as duas nações voltaram a tentar "uma grafia comum."


É então aprovado em 1931, "o primeiro Acordo Ortográfico entre o Brasil e Portugal, que visa suprimir as diferenças, unificar e simplificar a língua portuguesa." No entanto, este acordo não foi consensual e não chegou a ser posto em prática.


Em 1943 é "redigido o Formulário Ortográfico" naquela que foi a "primeira Convenção Ortográfica entre Brasil e Portugal." Surge então em 1945 um "novo Acordo Ortográfico" que se torna lei em Portugal. No Brasil continuam a seguir o Formulário de 1943.


Chegamos assim a 1971, no Brasil e a 1973, em Portugal, em que respetivamente, os dois países promulgam alterações que visam a aproximação ortográfica. Nos anos que se seguiram, outros acordos foram tentados entre os dois países, destacando-se a tentativa de expansão a outros países de língua oficial portuguesa, como por exemplo Cabo-Verde. Durante várias décadas discutiu-se a ratificação de um Acordo comum entre todos os países da CPLP. 


A 16 de Dezembro de 1990, foi assinado em Lisboa o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Além de Portugal, também Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe assinaram o Acordo, tendo Timor-Leste apenas aderido em 2004, depois de se ter tornado independente. No entanto, este acordo só entraria em vigor dezanove anos depois, em 2009, entraria finalmente em vigor o "mas apenas inicialmente no Brasil e em Portugal. 


O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 teve como principal objetivo instituir "uma ortografia oficial unificada para a língua portuguesa, com o objetivo explícito de pôr fim à existência de duas normas ortográficas oficiais divergentes, uma no Brasil e outra nos restantes países de língua oficial portuguesa, contribuindo assim, nos termos do preâmbulo do Acordo, para aumentar o prestígio internacional do português." Sabemos no entanto, que em ambos os países existe muita gente que decidiu por vontade própria por continuar a escrever como até aí sempre tinha escrito. "Na prática, o acordo estabelece uma unidade ortográfica de 98% das palavras, contra cerca de 96% na situação anterior. Contudo, um dos efeitos do Acordo foi o de dividir ainda mais estes países, criando agora três normas ortográficas: a do Brasil, de Portugal e dos restantes países africanos que não implantaram o Acordo apesar de o terem assinado."


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Reforma_Ortogr%C3%A1fica_de_1973


http://www.portaldalinguaportuguesa.org/?action=acordo-historia


https://pt.wikipedia.org/wiki/Acordo_Ortogr%C3%A1fico_de_1990


 

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Grande Entrevista - Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada

Estava já na cama, quando me deparei com a Grande Entrevista, na RTP3, com duas das minhas grandes referências: Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada.


Os livros "Uma aventura..." acompanharam a minha infância e no 2º ciclo, estas autoras foram à escola onde eu estudava e falaram sobre os seus livros. Não me lembro em que livro iam nesse ano, mas de certeza que ainda iam nos primeiros. Estão agora com sessenta e quatro lançados e mais um quase a sair. Hoje na entrevista, falam da mesma forma animada com que me deliciaram nesse dia, tantos anos já passaram. Duas escritoras que são ambas professoras e que sabem muito de literatura e de história, mas também de educação e do próprio sistema de ensino. É muito bom ouvi-las. É quase tão especial como ler o que escrevem. Confesso que já não compro os livros delas (uma vez ou outra comprei para o meu filho) porque neste momento tenho outros interesses literários, mas foram na minha infância uma excelente influência na minha formação pessoal e escolar.


Eu era uma miúda, mas era uma ávida leitora, que ia buscar à biblioteca os livros que não tinha em casa para ler. De seguida, li tudo o que tinha saído de "Uma aventura...", mas também dos "Cinco" e dos "Sete". Pelo meio, eu lia às escondidas outras coisas que encontrava nas prateleiras de casa da minha avó mas que sabia não serem ainda para mim. Hoje já ganhei alguns desses exemplares para a minha coleção (e outros que ainda não li). É tão bom ler. E neste momento, eu dou-me ao luxo de comprar um ou outro livro quando me apetece muito.


Que livros vos marcaram mais na vossa infância? E que livros lêem agora os vossos filhos? Eu li "Uma aventura em Viagem" muito novinha e "Os três mosqueteiros" eu li com apenas oito anos, os dois muito diferentes mas ambos muito importantes para mim. O meu filho lê "O diário de um banana" com a mesma vontade (de certeza não com a mesma velocidade com que eu lia na minha época, mas eu nessa altura não tinha muito mais com que me entreter - lia, escrevia, desenhava ou ia brincar para a rua), mas já leu na escola no âmbito das disciplinas de história e de português, "Um trono para dois irmãos" das mesmas autoras, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. 


Uma excelente entrevista que eu desde já recomendo para que vejam com toda a atenção e se deixem levar para um bom livro.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

"A Aia"

Escrito por Eça de Queirós, "A aia" é um texto narrativo que pode ser considerado um conto de fadas, tendo no entanto caraterísticas muito próprias da escrita Queirosiana onde está implícita a crítica social. Publicado em 1902, com outras doze narrativas, é atualmente uma das leituras obrigatórias para o 9º ano de escolaridade. É, pela minha experiência com alunos desta faixa etária, um conto que ultrapassa o nível de compreensão da maioria dos alunos nesta faixa. Não porque seja muito difícil, mas porque a  aioria dos jovens não lê ou lê pouco.


O conto começa com a morte de um rei, numa batalha em terras distantes e que, por via de sucessão direta, deixa o trono ao seu filho recém-nascido. No palácio, como era costume, uma aia amamenta e protege o príncipe, ao mesmo tempo que cuida do seu próprio filho. É assim normal, que os dois cresçam lado a lado, em zonas próximas do castelo. O tio da criança, irmão do rei falecido, chega com as suas tropas para matar o príncipe, ainda bebé. A coberto da noite e instalando o medo e a morte por onde passa, avança até ao palácio. Ali, havia ficado uma corte desprotegida, uma corte composta maioritariamente por mulheres, que vão assistindo à morte e à destruição que se vai aproximando.


No meio da barafunda, mas com uma determinação única, a aia troca os bebés de berço e em vez de raptarem o filho da rainha, os raptores acabam por levar o seu próprio bebé. Apesar do tio maldito ser morto, a verdade é que acabaria por ser morto também o bebé às mãos de quem pensava tratar-se do verdadeiro herdeiro.


A personagem principal deste conto é sem dúvida a Aia e a sua ação reativa que acaba por salvar o princípe. Contrariamente aos contos de fadas que acabaram por ser transformados e nos chegam com um final feliz (mesmo que na sua génese, esse final feliz não existisse), o conto de Eça chega-nos tal como no original com um final trágico em que a ama de leite se mata com um punhal, dentro da sala do tesouro real.


Neste conto, Eça dá a esta mulher, a esta Aia, a liberdade de escolher o destino do reino, mas com a consequência mais trágica para a sua vida. Uma escolha que teria sempre consequências negativas, com a perda do seu bem mais precioso, enquanto que à Rainha é dada a vitória de ter o reino salvo e o filho nos braços, sem ter qualquer poder de decisão sobre isso ou executar qualquer ação que a isso conduzisse. Eça retrata aqui uma sociedade que se submete ao poder, em que o povo sustenta, mas também dá a vida, pela classe mais alta, pelo rei e pela família real a quem obedecem como que a um poder divino.


Acima de todas as caraterísticas, é a lealdade da Aia que se destaca, enquanto a Rainha se mostra desprotegida e até fraca. A Aia apresenta uma solução, uma postura de guerreira. Da mesma forma que até ali tinha sido a Aia a cuidar do príncipe, é também sobre ela que cai a tarefa de proteger o futuro do reino, ou seja, é nas mãos do menos poderoso que recai a maior decisão. Quem já leu Eça, sabe que as suas histórias têm personagens ricas, elaboradas e que promovem no leitor diferentes sentimentos. 

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

"Filhos do Abandono"

"Filhos do abandono" foi escrito por Torey Haden, professora, que vem desta forma relatar alguns dos casos vivenciados por si. Torey é especialista na área da educação especial, trabalhando principalmente com casos de mutismo seletivo. Li este livro em janeiro de 2013.


Este livro, que até li rapidamente, não foi fácil. Torey é muito perspicaz na forma como escreve e é de forma crua e dura que faz as suas descrições. Atingiu-me pelas emoções que vai despoletando em cada palavra. Torey é tão sincera nas suas palavras que senti mesmo a revolta pelos acontecimentos e pelas situações descritas.

 

Neste livro, Torey ocupa-se de Cassandra, uma menina que com apenas seis anos foi raptada pelo pai, só regressando a casa da mãe quase dois anos depois. Ninguém sabe o que se passou durante esse período e a criança pouco fala. O seu comportamento leva a que todos suponham que ela possa ter sofrido abusos graves, mesmo abusos sexuais.

 

Por outro lado, Drake, de quatro anos, é um rapazinho encantador e carismático, mas a sua mudez persiste para além de todos os esforços de Torey. A família acha que ela é a solução para o problema da criança e Torey vê-se pressionada pelo avô do menino. A mãe será a peça chave para resolver o problema desta criança, mas para que isso aconteça, Torey terá primeiro de fazer com que a mãe enfrente os seus próprios medos para depois conseguir ajudá-lo.

 

E, embora nunca tenha trabalhado com adultos, Torey vai ainda ocupar-se de uma idosa que, após um AVC, se refugiou num mutismo depressivo.

Da sua forma de escrever, Torey leva-nos ao fundo de cada tema, dos abusos ao autismo, da educação especial tocando ao de leve nos contornos judiciais que podem abranger cada caso. A sua experiência é em cada livro descrita de uma forma clara, que foge à mera descrição de um caso. Em cada situação, seria impossível não nos embrenharmos completamente, quase como se de um romance se tratasse.

sexta-feira, 20 de março de 2020

"As cidades invisíveis"

A leitura deste livro partiu da sugestão de uma colega de trabalho e amiga. Ela está no mesmo trabalho que eu e como tem de dar apoio de português aos alunos mais velhos, costuma ler as obras que depois poderão ser trabalhadas nas aulas. 


Sinceramente, com tantos livros bons, não sei ainda o porquê de darem estas leituras tão densas aos alunos, a maior parte deles já tão desinteressados pela língua materna. Assim, apesar de ser um livro de uma qualidade imensa - disso não tenho dúvidas - os alunos acabam por se perder na leitura, devido à quantidade de referências e à mistura entre ficção e realidade que ali impera. Mas isto é só e apenas a minha modesta opinião.


Da imaginação de um lendário viajante do século XIII nascem cidades com nome de mulher. O viajante é Marco Polo que as descreve de forma fantasiosa a Kublai Khan, imperador mongol. Na sua maioria, são relatos curtos e divididos entre os seguintes tópicos: as cidades delgadas, as cidades e a memória, as cidades e as trocas, as cidades e o céu e as cidades e os mortos.



Na memória do maior explorador do Mundo viaja o homem mais poderoso da Terra pela vastidão do seu império. Marco Polo guia Kublai Khan nas paisagens que lhe pertencem e que nunca poderá ver com os próprios olhos. Mas as 55 cidades que o jovem veneziano irá descrever na conversa ficcionada pelo escritor permanecerão invisíveis porque são lugares da imaginação.


Fontes:


https://ensina.rtp.pt/artigo/as-cidades-invisiveis-de-italo-calvino/


https://www.infoescola.com/livros/as-cidades-invisiveis/


 


sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Analfabetismo no início da República

Até aos primeiros anos do século XX, o país viveu em monarquia. Portugal era um país pobre e onde o investimento era desajustado. Saber ler não era prioridade e em 1890, "76% da população portuguesa maior de 7 anos não sabia ler nem escrever." As famílias , normalmente muito numerosas, tinham outras preocupações. A fome, o frio e as doenças, matavam milhares de habitantes. A República não veio trazer apenas mudanças na governação do país. A República veio pôr em prática os ideais educativos que já se tentavam impor em Portugal, tal como na Europa, mas que se viam barrados.


Com a chegada da República, uma das principais tarefas era mudar a visão que se tinha da escola, a qual "passou a ser vista como o lugar privilegiado para a formação dos cidadãos." Até ali, a função de ensinar a ler e a escrever estava atribuída a tutores, normalmente ligados 
à igreja e, com a laicização do Estado, isso teria de mudar. Esta separação entre ensino e religião fez com que em 1911, fosse "extinta a Faculdade de Teologia e proibido o ensino religioso em escolas civis."


A educação era considerada como o principal fator "do progresso das sociedades." No início da 1ª República, em 1910, "aproximadamente 76,1% da população portuguesa não sabia ler nem escrever. Era, dir-se-ia, a constatação de que a falta de instrução era a maior inimiga do progresso e de que essa mesma situação era habilmente mantida pelo poder vigente como forma de controlar a população."


As medidas passam pelo aumento do número de inspetores, pela melhoria dos salários dos professores e pela criação de novas escolas. Os adultos vão poder também aprender a ler e cujo "exemplo mais emblemático é constituído pelas Escolas Móveis pelo Método de João de Deus."


Aumenta para 5 o número de anos de escolaridade obrigatórios no ensino básico (em 1901 era de apenas 3 anos). O ensino infantil (o atual pré-escolar) e que já tinha sido uma ideia preconizada na "legislação de Rodrigues Sampaio (1878 e 1881) e pela de João Franco (1894 e 1896)," começa a ter mais importância. "De uma taxa de analfabetismo de 76,1%, em 1910, passou-se para uma taxa de 70,5% em 1920."


Muito foi feito, mas hoje, sim hoje, 2019, mais de cem anos depois, ainda existem pessoas que não aprenderam a ler e a escrever (embora numa taxa muito mais baixa) e muitas existem que, apesar de terem frequentado a escola básica, nunca de lá tiraram proveito.


Fontes:


https://www.infopedia.pt/artigos/$combate-ao-analfabetismo-na-primeira


https://www.publico.pt/2010/08/31/jornal/analfabetismo-e-educacao-popular-19905476


https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/15174.pdf

sábado, 4 de agosto de 2012

A importância da dramatização dos contos

A dramatização dos contos de fadas e dos contos tradicionai, feita de forma livre e espontânea, é capaz de desenvolver aspetos como a acriatividade e a imaginação na criança e tornam-na mais comunicativa desenvolvendo, também, a sua socialização. É, através do imaginário e da sua relação com o mundo do maravilhoso que a criança cresce afectivamente, ultrapassando, muitas vezes situações mais traumáticas que possam ter surgido ao longo da sua vida.

Segundo o que Freud afirmava, os processos de transformação do trabalho subjacente ao conto, são análogos aos do trabalho do sonho: dramatização, deslocamento, dissociação e representação por símbolos.
Também Carl Jung referia que os contos são um material discreto para as projeções necessárias a uma individualização correcta. Igualmente Gaston Bachelard considerou o maravilhoso como a matéria prima da imaginação: “é como a grelha mais rigorosa para a análise do real ao aperceber-se que a razão científica recorta as sua verdades na ordem dos sonhos e da consciência poética.”


O conto é um espaço de mediação entre o consciente e o inconsciente, entre o eu e o mundo.

A afirmação de L. Pereira é igualmente elucidativa: “o conto maravilhoso... respeita a interacção entre o homem e o cósmico para a formação de imagens, tendo em conta a homologia do psíquico, do cósmico, do social e do biológico, organizadas numa significação integrada. O conto ajuda o docente a encontrar o núcleo gerador da interdisciplinariedade. A sua compreensão leva-o à descoberta dos segredos da pedagogia: à motivação do espaço interdisciplinar."

 

“O conto é um universalismo que denota a persistência de qualquer coisa de primordial, de irrefreado e de comum à totalidade dos homens.” (José Gomes Ferreira). Muito antes, já Teófilo Braga fazia a apologia do conto, no entanto as pretensões pedagógicas desnaturaram-no e ele perdeu a sua poesia espontânea, a sua singeleza popular e a sua beleza tradicional. A função ancestral do conto é por o vulgo a sonhar. A civilização destruiu muita dessa função.

A mensagem do conto de fadas é determinante na educação das crianças, mas também dos jovens. Essa mensagem, porventura a mais importante, é a de que a luta contra as dificuldades da vida é inevitável, mas se o homem se empenhar, com coragem e determinação, acabará por sair vencedor de todos os obstáculos. Desta maneira a mensagem não é moral, mas somente a de encarar a vida com confiança, com possibilidade de vencer de vencer as dificuldades que a todos se colocam. “A nossa herança cultural encontra expressão nos contos de fadas e através deles é comunicado às crianças.” (Bruno Betteheim).



(adaptado de: A Expressão e Educação Musical e Dramática no 1.º ciclo do Ensino Básico, in: Capacidadelógica)








quinta-feira, 2 de junho de 2011

Crescer a Ler, projeto APEI

Tal como dizem na página da APEI não se nasce leitor.
Visitem esta hiperligação e dêem aqui a vossa opinião, como pais, leitores e educadores/professores.
Acho que está muito atrativo.



 

Tenho de ver melhor o site... mas para já aqui vos deixo algumas dicas.


Projecto “Ler para crescer - crescer a ler”


Este é um projecto orientado para a promoção do livro e da leitura direccionado, essencialmente, para a primeira infância, com o objectivo de consciencializar pais e encarregados de educação para a importância de promover o gosto pela leitura em contexto familiar. A leitura proporciona momentos de encontro e de afecto entre pais e filhos. A falta de hábitos de leitura na infância repercute-se negativamente no desenrolar da vida escolar das crianças. Não se nasce leitor. Conseguir que as crianças adquiram hábitos de leitura duradouros exige empenho de educadores, família, professores e claro da Biblioteca que deve procurar estimular esse gosto.

Os grandes objectivos do programa são:
• cultivar o gosto pelo livro;
• promover o gosto pela leitura em contexto familiar;
• proporcionar momentos de encontro e de afecto entre pais e filhos;
• favorecer a chegada à escola de alunos com apetência pelo livro e gosto pela leitura.
• promover espaços de sensibilização sobre estas matérias junto de pais e técnicos, nomeadamente, no momento de oferta dos pacotes aos bebés, em cerimónias públicas;


Fontes:


http://www.cresceraler.apei.pt/

Crescer a Ler, projeto APEI

Tal como dizem na página da APEI não se nasce leitor.
Visitem esta hiperligação e dêem aqui a vossa opinião, como pais, leitores e educadores/professores.
Acho que está muito atrativo.



 

Tenho de ver melhor o site... mas para já aqui vos deixo algumas dicas.


Projecto “Ler para crescer - crescer a ler”


Este é um projecto orientado para a promoção do livro e da leitura direccionado, essencialmente, para a primeira infância, com o objectivo de consciencializar pais e encarregados de educação para a importância de promover o gosto pela leitura em contexto familiar. A leitura proporciona momentos de encontro e de afecto entre pais e filhos. A falta de hábitos de leitura na infância repercute-se negativamente no desenrolar da vida escolar das crianças. Não se nasce leitor. Conseguir que as crianças adquiram hábitos de leitura duradouros exige empenho de educadores, família, professores e claro da Biblioteca que deve procurar estimular esse gosto.

Os grandes objectivos do programa são:
• cultivar o gosto pelo livro;
• promover o gosto pela leitura em contexto familiar;
• proporcionar momentos de encontro e de afecto entre pais e filhos;
• favorecer a chegada à escola de alunos com apetência pelo livro e gosto pela leitura.
• promover espaços de sensibilização sobre estas matérias junto de pais e técnicos, nomeadamente, no momento de oferta dos pacotes aos bebés, em cerimónias públicas;


Fontes:


http://www.cresceraler.apei.pt/

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Leitura na pré-adolescência e na adolescência

A idade é uma das predisposições para o tipo de livro que o leitor prefere. Enquanto criança ele prefere histórias maravilhosas, mas ao "entrar na pré-adolescência (...) inicia uma nova etapa marcada por um domínio da leitura que lhe permite ler livros cada vez mais complexos quanto à forma e conteúdo, onde a ilustração é meramente acessória."(1)

Assim por volta dos 12-13 anos, começa uma nova fase da vida do leitor, que tem tudo a ver com os seus próprios interesses e pela descoberta do mundo que o rodeia. Mas agora as questões são outras, os porquês voltam-se mais para um sentido crítico de tudo o que lhe é dado a ler. "Se tudo estiver bem e as outras etapas tiverem sido trabalhadas corretamente, aqui já existe a capacidade de ler textos mais extensos e complexos quanto à ideia, estrutura e linguagem. Começa uma pequena introdução à leitura crítica."(2)

Ao entrar na adolescência, o leitor "tenta confrontar a sua própria experiência com a vivência de outras pessoas através da leitura de diários, biografias, relatos de viagem, crónicas, etc, que o vão preparar para dar o salto definitivo para a literatura dita adulta."(1)

"Aqui já vemos uma maior capacidade de assimilar idéias, confrontá-las com sua própria experiência e reelaborá-las, em confronto com o material de leitura."(2)

O que pode ser difícil nesta fase, são os livros de leitura obrigatória nas escolas, que muitas vezes acabam por ter um resultado diferente do esperado.  Lembro-me quando tive de ler "Os Maias". Na altura emprestaram-me o livro - um de colecção, com capa rija e contornos a dourado, páginas muito finas - e, apesar de até ter gostado um pouco da história, desmotivou-me não ter podido naquela altura ler o livro à minha maneira: caneta na mão, na praia, sem limites de tempo, sem me preocupar com as características das personagens. Li durante o Verão e quando começamos a falar dele nas aulas eu lembrava-me de muita coisa. Naquela altura preocupei-me mais em aprofundar a matéria que era pedida do que em ler de forma apressada e sem prazer aquelas milhentas páginas. Via os meus colegas a ler e a saltar páginas e a dizer que não percebiam nada. Eles passavam as linhas a procurar as respostas às questões colocadas na aula de Português. Eu tinha lido como um romance, durante o verão, sem pressões de o terminar. Tinha desfrutado de um livro. Tinha-me encontrado com cada personagem sem ter a pressa de responder a um teste...


Só me faltou mesmo poder escrever nas margens e de sublinhar... eu tratava muito mal os meus livrinhos, mas agora já me coíbo de lhes escrever.

Ler por prazer é uma coisa, por obrigação é outra. Os jovens afastam-se dos livros, quando se cansam deles na escola. Se as obras fossem tratadas de outra forma, talvez houvesssem mais leitores e estes se mantivessem na idade adulta.


Fontes:

(1)-BARROSO, Rita, "Pequenos leitores", Pais e Filhos, Outubro de 2005;
(2)-http://www.lendo.org/desenvolvimento-leitura-criancas-adolescentes/

"D. Maria II"

No seguimento da leitura de D. Maria I, procurei agora pela história de D. Maria II, de Isabel Stilwell. Neste romance, à semelhança dos ant...