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A mostrar mensagens de maio, 2022

Ler - criar novos leitores

Ensinar a ler é uma tarefa dos professores? Sim.  Mas criar um leitor começa muito antes da entrada da criança para a escola, e não me estou a referir àqueles educadores que enchem as crianças de fichas para lhes ensinarem as letras aos 4 ou 5 anos. Ler é um processo de adaptação, eu diria até de amor. É um vínculo que se vai criando entre o leitor e o objeto lido. Primeiro, leia para a criança, desde bebé, desde a barriga ainda! É sensivelmente a partir do 4º mês de gestação que a audição do feto começa a desenvolver-se. Assim, quando lemos para o bebé na barriga, não se espera que ele entenda a história que está a ser contada. Estamos a oferecer tranquilidade, estreitamento de laços e fazer com que o bebé perceba que os pais estão próximos a ele. A compreensão do mundo chega na primeira infância. Esta fase ocorre desde o nascimento até aos 6 anos de vida, e chega através dos sentidos e do afeto.  Através dos livros, as crianças descobrem formas, cores e movimentos. Conte-lhe história...

"Os Náufragos do Amor"

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Rui Araújo, jornalista e escritor,  tendo sido correspondente na RTP e integrou a equipa do programa  Grande Reportagem.  Na sua biografia, diz ainda ter sido o primeiro português a entrar em Timor depois da invasão. Colaborou também com as revistas Grande Reportagem (co-fundador, a revista deixa de ser publicada em dezembro de 2005), Visão, Nieman Reports (tendo sido o primeiro jornalista português admitido)e Marine's Mirror. Colabora agora com a TVI e com o jornal Le Point. É ainda o primeiro membro português ( desde 1997) do International Consortium of Investigative Journalists  (nos EUA). Perceber o seu grande percurso jornalístico, ajuda-me a entender a sua escrita. Direta, simples, sem grandes floreados. São os diálogos que nos levam pelos factos da narrativa. Do livro apenas não entendi a escolha do título. A história passa por um crime violento do qual resultou uma mulher baleada e um homem com um traumatismo craneano, o que começou desde logo a levan...

Escrita...

Ontem era um semáforo, que as impedia de passar,  luz vermelha que dali a nada em verde se ia virar. Ms hoje, o vermelho é sangue, o verde já não brilha mais, está tudo negro, caído, e são tanques que as param nas ruas, pedras, barreiras infernais.   Ontem, era a campainha da escola que as fazia correr. Hoje, a sirene que toca, alerta-as para as bombas que caem, mísseis que não poupam ninguém, e que as obriga a esconder se hoje não querem morrer.   Ontem, os pais chamavam para a mesa, para jantar! Hoje, os pais choram e gritam, enquanto as balas silvam,  as bombas caem e todos têm de correr se a vida querem salvar.   Ontem era a escola, uma boneca, um carrinho! Uma canção infantil,  um hino, uma melodia! Hoje, da vida que sobra, amanhá pode não haver sinais nem menino, nem menina, nem ninguém que conte a história desta guerra nos jornais. Elsa Filipe