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Despedida a Mário Zambujal

Quando se perdem grandes artistas, quando se perdem grandes escritores, jornalistas, autores, fecha-se a tampa da criatividade, morre um pouco de nós, da pátria da língua portuguesa. Faleceu Mário Zambujal. Nascido em Moura, a 5 de março de 1936, passou pelo Algarve e acabou a estudar em Lisboa. Começou a sua carreira no jornalismo desportivo, tendo-se iniciado na RTP, como comentador desportivo em 1977, mas fazendo ainda programas como "Quem conta um conto", "Semana que vem" e "Grande Encontro".  Passou também pela rádio, onde chegou a fazer um programa com Carlos Cruz ("Pão com Manteiga") do qual resultaram textos que seriam mais tarde reunidos em livro. Em 1960, tornou-se jornalista principal no jornal "A Bola". Viria ainda a ser sub-diretor no "Record", chefe de redação no jornal "O Século" e no "Diário de Notícias". Colaborou como colunista no "24 Horas" e chegou a ser diretor do "Se7e...

Faleceu António Lobo Antunes

António Lobo Antunes sempre quis ser escritor. Mas foi médico, e foi no consultório do Hospital Miguel Bombarda, onde exercia psiquiatria, que "reconheceu e compreendeu a dimensão da fragilidade humana." Uma fragilidade que se foi perpetuando nos textos que escrevia, fosse nas suas crónicas, fosse através das personagens que criava para os seus livros. Lobo Antunes queria ser escritor, mas foi para a guerra de Angola e lá foi "tenente, cirurgião e psiquiatra." Um homem é muitas coisas e não é só uma que o define. Somos uma data de coisas e é da sua experiência que nascem as suas personagens. E são essas "vozes múltiplas que se atropelam nas páginas que escreve," que se vão enredando nas suas histórias. Lobo Antunes é um homem de memórias, um escritor de factos, que consegue ser frio e direto, mas também metafórico.  Muitos vieram agora falar dele, pesar a sua morte. Desses, quantos o terão realmente lido em vida? O Presidente da República terá sido um dos ...

"O Diário de Anne Frank"

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A história, já é bem conhecida. O livro, acabei por o reler nos últimos dias, a propósito de ter encontrado a "versão definitiva," alguns aninhos depois de ter lido este "Diário" pela primeira vez. Impactou-me de forma diferente. Hoje, sei que o li com outros olhos e com um amargo constante, um peso no peito por conhecer o final. A primeira publicação data de 1947, mas ao longo dos anos o texto do "Diário" tem vindo a ser revisto. Nesta nova edição, encontrei algumas alterações, que o próprio pai, Otto Frank,  que sobreviveu ao Holocausto, acaba por explicar logo no início. Nas páginas que escreve, Anne vai "conversando"  revelando como é que uma adolescente passa o seu dia a dia, durante dois longos anos. Em vez de estar na escola ou de sair com os amigos, Anne vê-se forçada a manter-se escondida, juntamente com a sua família e um grupo de outros judeus, durante a ocupação nazi da cidade de Amesterdão. Neste minúsculo anexo, Anne vive as emoçõe...

"O voluntário de Auschwitz"

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Este livro, escrito pelo próprio Witold Pilecki, traz-nos uma dolorosa descrição daquilo que um homem viveu num campo de concentração. Witold Pilecki foi capitão do exército polaco e teve a missão de se deixar apanhar e ser levado para um dos campos de concentração, para daí poder avaliar e relatar tudo o que lá acontecia. Quando sai de Auschwitz, Pilecki enfrenta ainda um campo alemão de prisioneiros, depois de ter estado a trabalhar nos serviços secretos do exército nacional polaco e de ter combatido na revolta de Varsóvia. A sua última missão é tentar levar informações ao governo da Polónia no exílio, sendo no entanto detido pelo regime comunista em vigor e acusado de espionagem. Depois de muitas provações, Pilecki tem um fim trágico, acabando por ser torturado e executado, em 1948. A sua história, escondida durante anos, é trazida a público junto com os muitos relatórios que chegaram até aos nossos dias e que mostram alguns aspetos menos conhecidos de Auschwitz, como o extermínio d...

"O Carteiro de Auschwitz"

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Joe Rosemblum conta-nos a sua história na primeira pessoa, descrevendo de forma crua, aquilo por que passou durante o Holocausto. Joe era apenas um adolescente, como qualquer outro, tendo apenas como caraterística especial ter nascido judeu, e um problema, conseguir sobreviver. A pequena cidade onde vivia foi invadida quando ainda era um garoto e, Joe, teve de ir para casa de uma outra família para que se pudesse pelo menos alimentar. Quando voltava,trazia pequenas coisas para a família e sempre que podia substituia o pai, doente, no trabalho para que tinha sido recrutado na fábrica. Foi assim que foi crescendo, percebendo de quem tinha de se esconder e em quem podia confiar. Perdeu toda a sua família.  Joe aprendeu depressa a usar o seu poder argumentativo para conseguir ganhar a confiança daqueles que o rodeavam e, até entre os inimigos, conseguiria ganhar alguma proteção. Na sua jovialidade, conseguiu tratar os outros sempre com  humanidade, mostrando-lhes que ser otimista ...

Faleceu o escritor Carlos de Matos Gomes

Carlos de Matos Gomes combateu em África e foi um dos Capitães de Abril.  Nasceu a 24 de julho de 1946, em Vila Nova da Barquinha. Foi oficial do Exército, tendo cumprido comissões em Angola, Moçambique e na Guiné-Bissau. Faleceu esta madrugada no hospital CUF Tejo, em Lisboa, aos 78 anos. Da sua história, sabe-se que terá sido "expulso da Mocidade Portuguesa." No Colégio Nun’Alvares, em Tomar, terá conhecido Salgueiro Maia.  "A sua carreira militar iniciou-se em 1963, quando entrou para a Academia. Fez o curso de Cavalaria, sendo mobilizado para Moçambique quatro anos depois. Cumpriu comissões durante a guerra colonial também em Angola e na Guiné, nas tropas especiais Comandos. Foi ferido em combate e altamente condecorado." Das três comissões que fez na Guerra Colonial nasceu a inspiração para as suas obras. Quando em 1972 se "ofereceu para ir para a Guiné," este oficial já tinha "decidido que depois disso abandonaria a carreira militar por acredita...

Eça de Queiroz a caminho do Panteão Nacional

A Fundação Eça de Queiróz despede-se durante este fim de semana do escritor que se inspirou na idílica Casa de Tormes, em Santa Cruz do Douro, concelho de Baião. Amanhã, "dia 5 de janeiro, a urna contendo os restos mortais de Eça de Queiroz estará em câmara-ardente no átrio principal da Casa de Tormes, perto dos objetos que o rodearam em vida, como a secretária onde escrevia e os livros da sua biblioteca."  Os restos mortais de Eça de Queiroz vão ser trasladados para o Panteão Nacional na quarta-feira, por decisão tomada no Parlamento" em janeiro de 2021 quando, por unanimidade, foi aprovado "um projeto de resolução do PS para conceder honras de Panteão Nacional aos restos mortais de José Maria Eça de Queiroz, em reconhecimento e homenagem pela obra literária ímpar e determinante na história da literatura portuguesa ”. Teve entretanto de ser resolvida uma "contenda judicial com os familiares do escritor que se opunham a esta possibilidade." Depois do proce...

"O Depoimento de Américo Thomaz"

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Hoje fui à biblioteca do Seixal, onde podemos ter acesso a livros sobre o Antigo Regime, sobre o 25 de Abril e sob o pós-revolução, engtre os quais podemos encontrar também alguns livros que tinham sido proibidos pelo Regime. Escolhi para hoje, um livro do escritor e caricaturista José Vilhena, que é um retrato do Antigo Regime, num tom de sarcástico e irónico, que roça mesmo o gozo e que se torna uma excelente forma de perceber  o Estado Novo. Neste livro, publicado em 1975, José Vilhena retrata a mentalidade do fascismo português de uma forma única. A própria capa do livro, assume desde logo esse sarcasmo a roçar quase a ofensa, em que Américo Thomaz aparece representado com uma "cabeça de abóbora". Já na contracapa, desenhadas como que a caneta no uniforme de Américo Thomaz também representam algumas ordens e comendas bem elucidativas, como por exemplo: "Benemérita Associação dos Amigos do Alheio", pela sua dedicação mostrada à causa.  O texto é uma resposta ao d...

O adeus ao poeta Nuno Júdice

Morreu este domingo o poeta Nuno Júdice com 74 anos. O poeta era natural de Portimão, mais propriamente da Mexilhoeira Grande, onde nasceu em 1949. Formou-se em "Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa," tendo sido também professor de "Literatura francesa na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa." Nuno Júdice acabou por ser considerado por muitos, um dos "mais importantes nomes da poesia contemporânea." O seu primeiro livro foi “A noção de poema”, editado em 1972, ainda antes de se ser livre de dizer (e escrever) o que se queria. O próprio título do livro, "indicava uma atitude poética muito auto-reflexiva, integrando as próprias questões internas da poesia. Havia nesse livro uma atitude próxima de uma neo-vanguarda, de que o poeta se distanciará." É publicado três anos depois, a obra " O Mecanismo Romântico da Fragmentação ( 1975)" a qual trazia ainda "a mesma atitude poética auto-refle...

Miguel Sousa Tavares

Depois da leitura de "No teu deserto" acabei por pesquisar um pouco sobre este escritor sobre o qual, já conhecia um pouco do trabalho mas como jornalista, e não propriamente como escritor. Miguel Andresen de Sousa Tavares, nasceu a 25 de junho de 1952 e é filho de  Sophia de Mello Breyner Andresen e do advogado e jornalista Francisco de Sousa Tavares. Apesar de se ter licenciado em Direito, acabou por abdicar dessa carreira definitivamente, para se dedicar em exclusivo ao jornalismo. Entrou para a RTP em 1978. "Foi um dos fundadores da revista  Grande Reportagem  em 1989, publicação da qual se tornou diretor logo no ano seguinte" e onde se manteve por 10 anos. "Ainda em 1989, Miguel Sousa Tavares foi diretor da revista  Sábado , publicação generalista que havia sido lançada no ano anterior por Pedro Santana Lopes," onde se manteve por pouco tempo. Escreveu também para "o jornal  Público , desde que este foi lançado em 1990 até ao início de 2002. Ao m...

Rodrigo Guedes de Carvalho

Rodrigo Guedes de Carvalho nasceu no Porto a 14 de novembro de 1963, mas mudou-se para Lisboa aos 18 anos, "com o objetivo de tirar o curso de   Comunicação   Social da Universidade Nova de Lisboa." Na adolescência, jogou futebol e râguebi. Todos o conhecem como jornalista e como escritor, mas poucos se lembrarão que, ainda durante o curso de Comunicação Social, "em 1984, participou na novela portuguesa "Chuva na Areia", desempenhando o papel do misterioso Laranjinha ou que a parece "num pequeno papel, como Juíz, no telefilme  Noite Sangrenta''. Depois de terminar os estudos, trabalhou na RTP "na redação de   Lisboa, onde, depois de se estrear como repórter, apresentou o "Domingo Desportivo", programa dedicado ao desporto, e o "24 Horas", o último telejornal do dia do canal." Quando no ano de 1992, se muda para a SIC, começa a destacar-se na apresentação nos telejornais emitidos ao "fim de semana à hora de jantar ...

"Os pássaros também cantam no Inferno"

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Horace Greasley foi um soldado britânico que combateu na Segunda Guerra Mundial. Em maio de 1940 foi capturado e passou quase cinco anos nas mãos dos alemães. No final da sua vida e tal como havia prometido a Rose, a namorada que visitava quando se invadia do campo de prisioneiros, quis dar a conhecer a sua história e a dos seus camaradas. Este livro conta a história de Horace Greasley, escrita por Ken Scott e que relata aquilo que foi a verdadeira caminhada da morte, as milhares de mortes gratuitas e o que se passou dentro do perímetro dos campos de prisioneiros.  É um livro extremamente duro, especialmente se não perdermos o foco de que aquilo que está a ser relatado é verdadeiro. Aquelas pessoas não são personagens, são vidas reais que existiram mesmo. Os dias que não passavam, os trabalhos forçados, a fome, as doenças e o frio, aconteceram tal como ali é descrito por um homem que tal como tantos outros, era apenas um jovem quando o recrutaram para lutar numa terra que não era a...

Maurice Druon

Terminado o terceiro livro e sem poder ainda começar o quarto, aproveito para escrever um pouco sobre o escritor da saga "Os reis Malditos". Maurice Druon nasceu em Paris a 23 de abril de 1918 e morreu em abril de 2009. Licenciado em ciências políticas, durante a II Guerra Mundial, foge, através de Espanha e Portugal, para se juntar às fileiras da Resistência francesa em Londres. Maurice combateu no interior da França durante a Segunda Guerra Mundial até o momento do Armistício (1941). Ingressou então nas forças da Resistência à ocupação nazi, deixando a França em 1942, atravessando clandestinamente a Espanha e Portugal para ingressar nas fileiras dos serviços de informações da chamada "França Livre", em Londres, trabalhando com De Gaulle. Torna-se Ajudante de Campo do General François de Astier do Vigerie, seguidamente é elevado ao posto "Honra e Pátria" antes de ser encarregado da missão, para o Comissariado do Interior e da Informação; é também correspo...

"Um pouco mais de fé"

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Patrícia Costa Dias conta a sua luta contra a bulimia na primeira pessoa. Mais do que uma luta contra uma doença, é a descrição da sua passagem da infância para a adolescência e do seu crescimento até se tornar numa mulher adulta. A forma como coloca em palavras os seus medos, a sua ansiedade, contrastam com a menina frágil que se começa a deixar levar pelos episódios sucessivos de vómitos e por uma luta diária contra a comida. Para ela, a fé não é o ponto essencial no início, mas na procura por si mesma e por formas de se autoajudar, quando todos os outros parecem nem reparar na sua dor, encontra na meditação e na escrita o caminho para se reencontrar.  É neste reencontro com a sua própria infância que, num país distante, encontra o amor e constitui a sua própria família. Mas para que descubra este seu lado, precisa de ultrapassar um caminho muito longo e difícil, onde o seu pior inimigo é aquilo que a mantém viva - a comida -  e o próprio reconhecimento da forma como ultrapa...

Charlotte Brontë

Charlotte Brontë nasceu em Thornton, no West Yorkshire, Reino Unido, a 21 de Abril de 1816 e faleceu em Haworth a 31 de Março de 1855, com apenas 38 anos. Apesar da sua curta vida, foi uma das escritoras e poetisas mais reconhecidas da literatura inglesa. A sua vida serviu de inspiração aos seus próprios romances. Charlotte foi a terceira de seis filhos nascidos de Maria Branwell e Patrick Brontë (cujo sobrenome anterior era Brunty ou Prunty), um pastor anglicano de origem irlandesa. Em 1820, a família mudou-se para uma aldeia a alguns quilómetros de Haworth, onde Patrick tinha sido nomeado coadjutor perpétuo na Igreja de São Miguel e Todos os Anjos. A mãe de Charlotte morreu de cancro no dia 15 de Setembro de 1821, deixando as suas cinco filhas e o filho aos cuidados da sua irmã, Elizabeth Branwell. Em Agosto de 1824, Charlotte e as suas irmãs  Emily , Maria e Elizabeth, foram enviadas para a escola de filhas do clero em Cowan Bridge,  Lancashire , escola essa que Charlotte descreveu ...

120 anos da morte de Émile Zola

Émile-Édouard-Charles-Antoine Zola, foi um escritor nascido em França em pleno século XIX e que não teve uma vida fácil. Nascido a 2 de abril de 1840, em Paris, "viveu sua infância na cidade de Aix-en-Provence," onde em 1847 o seu pai viria a falecer. Com apenas 13 anos, começa a escrever os seus primeiros textos literários.  Aos 18 anos de idade, voltou para Paris e aos vinte decidiu começar a estudar Direito. No entanto, não conseguiu atingir os valores mínimos para entrar e teve de ir trabalhar "para sobreviver," uma vez que as  "complicações financeiras por que passou após a morte do pai," não lhe deixaram saída.  Acabou por trabalhar "nas docas durante dois meses," mas depressa fica novamente numa situação de desemprego, tendo também  trabalhado numa "série de escritórios," nos quais ia "ocupando cargos de pouca influência." "Em 1862, finalmente, conseguiu um emprego na editora Hachette e também no jornal   L’Événeme...

"Depois do Inferno"

Escrito por Michelle Burford e Michelle Knight, esta é a história da propria  Michelle Knight que foi raptada em 2002, por Ariel Castro. Ele era motorista de um autocarro escolar na cidade de Cleveland. O livro retrata os dez anos que Michelle passou em cativeiro, s uportando torturas extremamente brutais e desumanas nas mãos do seu raptor. Não esteve sempre sozinha, pois em  2003, Ariel acaba por raptar uma outra rapariga, Amanda Berry. As duas começaram a partilhar o cativeiro até à chegada de uma terceira rapariga, Gina DeJesus, que é raptada em 2004. Estas três raparigas partilham a dor e tentam sobreviver da melhor maneira que podem, conseguindo fugir no dia 6 de maio de 2013. Esta é uma história real que foi destaque na comunicação social de todo o mundo. São muitos os que ainda hoje se interrogam sobre o que se passou realmente naquela casa e como encontraram, Michelle e as suas companheiras, forças para sobreviver Mas a história que Michelle Knight relata começa bem antes do se...

Conceição Queiróz

Depois de conhecer o seu livro "Os meninos da Jamba", resolvi pesquisar um pouco sobre esta jornalista cujo trabalho eu conhecia apenas parcamente da televisão. Conceição Queiroz nasceu na ilha de Moçambique em 1975, mas veio para Portugal aos 12 anos. A sua juventude foi pautada por episódios de racismo devido à sua aparência exótica.  Foi uma professora de português no 11º ano que a influenciou a ser jornalista, apesar de inicialmente ela desejar seguir carreira como advogada. É ainda no primeiro ano da faculdade, que começa a fazer rádio. Licenciou-se em   Sociologia   no   Instituto Universitário de Lisboa – ISCTE   e em Política Social, no   Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP)   da   Universidade Técnica de Lisboa. Mais tarde fez o mestrado em História Moderna e Contemporânea no Instituto   Universitário de Lisboa – ISCTE. Em 1994 tirou a carteira profissional de jornalismo, mas já trabalhava clandestinamente, quando foi obrigada a pagar uma multa...

10 anos sobre a morte de José Saramago

Passam hoje 10 anos sobre a morte de um dos maiores escritores portugueses, um ícone da literatura portguesa, nem sempre consensual mas que ainda hoje tem muitos seguidores e faz parte dos currículos escolares. Saramago faleceu a 18 de junho de 2010 na sua residência de Lanzarote, com 87 anos de idade, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença. O seu corpo foi cremado e os seus restos mortais trazidos de Lanzarote,  no arquipélago espanhol onde vivia com a sua esposa desde 1993, para Lisboa. Falar de Saramago é quase impossível sem nos esquecermos de referir um ou outro feito importante. Homem das letras e da cultura, defendeu sempre os seus ideais e as suas obras são um reflexo disso mesmo. De origem humilde, trabalhou e estudou para chegar onde chegou, foi reconhecido em Portugal e no esstrangeiro com diversos prémios e galardões. Saramago nasceu na aldeia de Azinhaga, na Golegã, a 16 de Novembro de 1922, filho de  José de Sousa, jornaleiro, e Maria d...

"Um brinquedo para Aglael e Daemon"

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No mesmo dia em que foi a apresentação do livro de contos em que participei, foi também apresentado na mesma sessão o livro "Um brinquedo para Aglael e Daemon". O livro, foi-me oferecido pelo próprio Eugénio Bernardes e para quem estiver curioso para o procurar, é da editora "Alfarroba". Uma obra autobiográfica dividida em duas partes, dois livros diferentes, que nos fala da vida nas ex-colónias e da vinda do autor, para o "Império" ou seja para Portugal continental, da sua vida como estudante e dos seus amores e desamores. Particularmente apreciei mais a primeira parte da obra, que me pareceu mais interessante e, apesar da sua natureza, menos descritiva. Pelo intervalo da escrita, o autor fala-nos de duas personagens, que se assemelham a um anjo e a um demónio. Isto torna ao mesmo tempo o livro diferente do comum texto auto-biográfico, levando-nos de facto para a ficção, numa rara excentricidade que tinge a sua escrita.