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Mensageiro da Poesia

Com um singelo poema, composto apenas por duas quadras, participei num desafio que a Associação Mensageiro da Poesia colocou. A decisão de participar foi simples e sem grandes pretensões. Era a oportunidade de dar a conhecer um pouco da minha escrita, de conhecer pessoas que, como eu, gostam de passar as suas ideias para o papel.  A poesia tem sido algo que me acompanha desde que me lembro de aprender a escrever. Quanto do que já escrevi se perdeu... entre folhas e rascunhos que acabaram no lixo. Além da leitura do poema com que concorri, pude também ler outros dois: Mulher que és portuguesa e Criança-soldado. E a verdade é que a minha participação, valeu-me um 1º lugar. De entre os vários participantes, houve excelentes trabalhos (pelo menos, naqueles que nos foram dados a conhecer). Esta Associação que fica mesmo aqui na Amora, no coração do nosso concelho, precisa de crescer! Precisa de gente, pois o trabalho que faz na divulgação da poesia (e acrescento eu, da cultura e da Líng...

Poesia às mulheres da minha vida

Mulheres, filhas, mães, irmãs e avós Suportam nas costas o peso Da nação de todos nós.   Teresa que deu à luz o príncipe Grande rei de Portugal, Foi banida pela sorte, Excomungada, fugiu à morte Dona, acusada foi do mal. Mas a sua vida, fácil não foi Se ela cresceu num mundo assim... Queriam que fosse submissa E ela aprendeu a lutar,  A ler, a galopar,  A debater e a governar! Outra mulher da nossa história, Prometida ainda menina, Chamaram-lhe santa Isabel Mas esqueceram que a sua vida  Foi dura, foi cruel. O pão deu ao povo pobre  E alguém bondoso encontrou Que por ela mentiu e a ajudou A fugir dos grilhões da morte. E aquela de quem nos esquecemos, Mas que o direito nos fez consagrar Usando a nosso favor,  A lei que estava escrita. Mulheres, podemos votar! Não nos impeçam, que sabemos Para isso, queremos estudar! Temos todas de a recordar,  Carolina de seu nome, Não desistam meninas, Estudem! É hora de lutar! E a Primeira-ministra portuguesa Al...

Natal posto em verso

Natal   Por cá, a neve não cai Mas ainda há natal. Falta a árvore mas os presentes Estão felizes, contentes, Prontos para ofertar Mas o que importa no fundo Em qualquer natal do mundo Não é ter... é estar! Se o frio apertar há uma manta quentinha, Comida na cozinha, se a fome espreitar Pode faltar um certo luxo Ou prendas caras até, Mas não faltará amor Não irão faltar abraços, Aconchego e calor. Podem faltar as fotografias Amorosas ou pirosas Mas as lembranças que ficam Vêm do peito, do fundo, Nos stories não vão brilhar. São momentos, são memórias Que nenhum tesouro do mundo Pode algum dia pagar.   E numa caneca quentinha, Que aquece o coração, Um chá quente a fumegar A enganar a solidão.   Haverá maior riqueza? Só eu e os meus pensamentos, Pois com eles tenho a certeza Este natal, vou passar!   Elsa Filipe, dezembro de 2024

Escrita... a chuva

Da janela da sala, as crianças vêem a chuva lá fora. Do interior, sentem o vido fresco, pousando as mãos na janela e, tentando sentir as gotas lá fora.  De sorriso no rosto, Cecília pede: - Por favor, podemos ir à chuva? A educadora pensa um pouco e, olhando para a colega, desafia: - Vamos? E assim, todos vestiram o casaco e calçaram as galochas. A chuva não era muita, mas as poças do chão já davam para despertar a atenção das crianças, que felizes, assim que se viram lá fora: - Tão bom! A chuva é fria! - Ai, olha o meu salto! - Olha aqui os salpicos que eu faço a saltar! E felizes brincaram, livres como todas as crianças devem ser. Pena daqueles meninos que nunca pisam as poças de água, ou que nunca saem da bolha para sentir na cara as gotas de chuva. Elsa Filipe

Escrita... no banco do jardim

Na minha rua, há um banco de jardim. Castanho, voltado para o rio que corre mais abaixo, tem na vista a paisagem saudosa dos homens que ali se sentam. De manhã, um morador, de um prédio dos arredores, senta-se só no banco e lembra-se dos que deixou para trás. Está cá a lutar pela sua vida, a cuidar da sua saúde, com poucas notícias dos seus, que deixou em Moçambique. Será rápido o regresso? Não sabe, ninguém lhe consegue dizer. Senta-se a olhar o rio, deixando que a água dos seus olhos espreite e veja que não vale a pena competir, com a força da maré que enche. O sol ainda amorna as manhãs, ainda lhe aquece o corpo e o coração, mas deixa o banco pouco depois para regressar ao lar que por estes dias tornou seu.  Pouco depois, vão chegando, um a um, às vezes em par, outros que usam o banco, apenas para conversar. Agrada-me assim vê-los, sem nada que fazer, na plenitude dos dias, aparecem para se ver. O convívio é diário, discutem quem vai e quem chega. Todos os cumprimentam, confiam na s...

Narrativa...

É sexta. A areia entranha-se por entre os dedos e, aqui e além, conchas partidas picam-me a sola dos pés. O azul das águas hoje não tem a calma dos entardeceres dos dias anteriores, mas, pelo menos, há pouco vento. Tudo normal à exceção de um grupo de golfinhos que nos veio visitar. Entraram na baía esta manhã, algures entre os estaleiros da Amora e o cais dos barcos do Seixal. Parecem seguir em grupo fazendo o mesmo percurso, para lá e para cá, para cá e para lá, não se aproximando muito das margens. Olhando com mais atenção, vejo que são quatro que seguem juntos. Um pouco mais atrás, um quinto elemento segue o grupo. O som da brisa da tarde é entrecortado pelo bater das barbatanas caudais dos mamíferos que saltam e nadam mesmo à minha frente. Sento-me na areia, apreciando o espetáculo raro com que sou presenteada. Pelo menos, deixo-me pensar que me vieram visitar e que é para mim que se exibem, embora na praia estejam mais algumas pessoas que os vão fotografando e filmando. Do lado d...

Poesia para o meu jovem adolescente

Faz hoje 14 anos que a minha vida mudou. Daqui a pouco tempo, este jovenzinho será um homem. O crescimento de um filho fica gravado nas pregas da minha mão, nas rugas dos meus olhos, nos cheiro da sua pele quando o beijo. Tudo muda - a postura, a voz, o tamanho das suas mãos - mas há algo que aos olhos de uma mãe nuca poderá mudar. Ele pode ser mais alto do que eu... mas não deixa de ser o meu bebé pequenino. Espero que um dia, ele leia o que eu lhe escrevi - mesmo que eu saiba que não vai gostar, porque não gosta de ler como eu gosto, nem de escrever como eu escrevo... e nisso somos tão diferentes.   Maior tesouro   Se te pudesse escolher Erraria de certeza Ainda bem que sem saber Escolheste em mim viver Ganhei a maior riqueza.   Sem querer, eu sei que vieste Fazer de mim a mulher Mais feliz e nem percebeste Que sem ti que em mim cresceste, Não havia porque viver.   Se te pudesse dizer Por tudo aquilo que passei Ficarias a conhecer Que só de te ver nascer Na hora melhor me tornei.   N...

Poesia para não esquecer quem se ama

Esta pode ser uma data que a vós não diga nada. Mas para mim é especial. Escrito por mim... para a lembrar, como se fosse possível um dia esquecê-la.   Grito ao destino   Em ti não acredito, destino frio que levaste No momento em que deixaste Os meus braços sem te abraçar.   Foste tu que me disseste, que ao mundo me trouxeste Mas depois sem ti me deixaste, Quando de ti precisei Por ti bem alto gritei Mas não estavas, me abandonaste.   Cobro ao destino e à vida A tua precoce saída, O abandono deste lar.   Lutaste, eu sei, sou sincera Mas se o teu destino era, A mim cá me deixar Largaste-me sem esperança Construí a recordar Toda a vida, insatisfeita, Voltar? Sei que não vinhas, Mas não queria de mim lembrança De ser menos que perfeita. Elsa Filipe, julho de 2024

Poesia para a criança-soldado

Nestes dias não posso deixar de escrever sobre as crianças que estão na guerra. Que combatem de armas na mão... que matam e ferem sem terem brincado aos polícias e ladrões. Crianças que em vez de irem para a escola, foram obrigadas a combater. Sem o colo da mãe ou o abraço do pai. Este poema estava guardado, mas hoje resolvi publicá-lo aqui, para que estes meninos não sejam esquecidos. Criança-soldado   Nascido sem linho nem contas Que lhe pesasse o destino Vendem-no quando a fome aperta Escolhendo o mais forte menino.   Em casa mais uma boca Ali mais um soldado Tem na pele o medo à solta E um olhar desconfiado. A arma pesa-lhe tanto Mas depressa vai aprender Que não será o seu pranto A salvá-lo de morrer. Limpa as lágrimas, teimosas E ajeita a arma brilhante E das suas mãos ansiosas, Sai o disparo, fulminante. Cai por terra, um rapaz A ele igual, o guerreiro, Só diferente por incapaz De ter disparado primeiro. Foge para o meio do cerrado, Sofre por matar um irmão Sabe apenas ...

Poema "Naquela cidadezinha"

Poema que enviei para um concurso de poesia em que o tema era uma "cidadezinha"... Espero que gostem. "Naquela cidadezinha"   De trás das cortinas espreita A menina à janela. Cantam os sinos da igreja, E toda a cidade, debruçada, Sonha vestir como ela.   De salto e diadema Desfila pela calçada, De branco e alfazema, A noiva tão amada.   E até as carroças, param, Curiosas, Cessam de rodar. Só para a deixar passar. Param os moços o trote Oh. Que linda que vai! Pela mão do seu pai Pelas gentes tão amada. Oh, se enxugam lenços chorosos De olhos brilhantes, a mãe Abraça a sua menina Que antes tão pequenina É agora uma mulher.   As casas se enfeitam por ela Com fachadas de alva cor, De flores se engalanaram As janelas e varandas, E nas ruas onde correu, Passa agora a noiva estimada, A transbordar de tanto amor! E nesta cidadezinha Calam-se os cães, param os carros Ouvem-se fogos estoirar Que coisa bela se vê! Oh! Deus, a abençoe A noiva que vai casar!   Elsa Filipe, m...

Poesia... naufragar, fugir

Parab lembrar aqueles que seguem por esse mar em busca de uma vida melhor e que fundo acabam por deixar naufragar os seus sonhos...   Fugido   Vindo de terra distante Sem casa, sem gente, sem nada Chega sem fé o migrante Com vida, esperança acabada.   Venceu o mar, impiedoso, Transpôs os mitos da morte Mas sem nada, desgostoso, Que será da sua sorte?   Feita a viagem morreram Companheiros, filhos e pais Daquilo que viu não queria Nem viver nunca mais!   Fugido da guerra distante Que lhe matou o futuro Deixou nas mãos de um tratante A travessia no escuro.   Nasce o dia e a claridade, Fá-lo olhar o céu aberto Não conhece a cidade, Nem tem destino certo.   Mas as balas, não as descobre Nem caiem bombas no chão Se teto ainda não o cobre Espera só uma refeição.   Nem todos o vão entender Nem sequer o aceitar Se alguns se podem esquecer Ele isso não vai deixar.   É refugiado, sim. Não precisam de o aceitar Só qu’ ao mar não o devolvam Não quer à sua pátria voltar. Elsa Filipe, fevereiro de 2...

Narrativa...

Os ramos da velha árvore curvavam-se para cima da casa, quase como se a abraçasse. O peso dos anos iria fazer com que um dia viessem a cair sobre a moradia, mas até agora era apenas uma ameaça de que todos tinham consciência. Do lado direito, uma parede incompleta mostrava sinais de ter sido atingida pelo fogo que no ano anterior tinha consumido a serra. Não havia portão, mas as silvas que a rodeavam eram tão altas que impediam a passagem afoita de quem ali tentasse entrar. Havia um caminho, um pequeno carreiro nas traseiras que deixava com que se penetrasse naquele matagal e se chegasse à casa, mas nunca sem trazer as pernas cheias de picos. Ele tinha-o conseguido. Estava agora sentado nos degraus da frente, num alpendre apodrecido mas que ainda mantinha o seu aspeto original. Tinha subido a serra o mais rápido que as suas pernas o permitiam, e agora, ali, estava sozinho, mas sentindo-se mais seguro. A noite estava prestes a deixar tudo escuro e ele esperava que a neve que caía disfar...

Poesia... para repensar o natal

Para hoje, só vos quero desejar um Natal muito feliz. De mim para vós, deixo um singelo presente, um poema que escrevi, a pensar numa época diferente daquela em que nos encontramos.   No tempo dos tempos antigos   No tempo dos reis e rainhas Havia numa rua direita Uma casa de tabuinhas Com uma porta muito estreita.   Era uma casa pequena Que lá dentro albergava Uma donzela morena A sete chaves fechada   Tal como as outras meninas Fossem princesas ou não Sonhavam de pequeninas Com quem lhes estendesse a mão, Também esta donzela Esperava que viesse vê-la Soldado, rei ou capitão.   Naquela casa pequenina, Na fresta de uma janela Espreitava para fora a menina, Por quem procurava ela?   Escondida dos muitos olhares, Não era débil, nem feia Tinha a beleza que a milhares Fazia inveja alheia.   Presa do seu destino Escondida pela loucura Não havia ali valentino Que dela andasse à procura.   Mas num dia de azar Sem nada o fazer prever Cai na palha que o chão cobre Uma velinha a arder.   A donze...

Poesia para imaginar um país sem guerra

Faz hoje um mês que dezenas de pessoas foram assassinadas em Israel. Outras acabaram raptadas e delas quase nada se sabe ainda... crianças, homens, mulheres... pais e filhos, irmãos, namorados, amantes... Um poema, não é muito, mas do pouco que posso fazer, aqui fica.  Pelo menos, que as palavras possam dar algum ânimo (mesmo eu sabendo que estas nunca vão chegar aos verdadeiros destinatários) que seriam todos aqueles pais que os seus filhos perderam nos ataques do Hamas em Israel e que ainda não os têm de volta em seus braços. Como seria? Como seria se a música Se pudesse ver no ar Como seria se as mãos Soubessem só abraçar? Como seria se o vento, Molhasse as ondas do mar, E a lua fosse quente E a pudesses segurar? Como seria se os canhões Cuspissem cores e estrelas E no chão aos trambolhões Ríssemos a saltar sobre elas?   Como seria se o céu Fosse de noite claridade E toda a escuridão de breu Nunca invadisse a cidade? Seria assim tão diferente Neste sonho perdido Acordar, es...

Poesia para colos vazios

Hoje assinala-se o Dia  Internacional da Consciencialização da Perda Gestacional e Morte Neonatal e, para todas as mães de colo vazio, aqui fica a minha dedicatória.  Só É triste a condição Quem não sofre não entende Não percebem porque choram Se não chegou a ser gente.   É imaginar nas mãos O toque do seu cacheado Que antes sonhávamos ter No colo aconchegado.   É deixar ir na amargura, As baladas que cantava É o vazio e a loucura Que se torna em capa dura Sobre a vida que aguardava.   Abandonar a dor ao grito Num desespero profundo Não há coração mais aflito Nem maior dor no mundo De que tanta gente padece Que a mãe que sem saber Já não há reza nem prece Nem coração a bater.   Se um colo fica vazio, Deixa-se um coração frio, Mata-se a mãe que nascia Não sabendo que podia Tudo ali então perder A vontade de viver Não parece haver norte Que triste a sina e a sorte.   E sem que se deixe de amar Quem nunca sairá da lembrança Pode de novo criar Ali uma nova esperança. Que a vida que em vós ...

Poesia... pétala, folha... uma flor

Para acabar o mês, aqui vos deixo mais um poema da minha autoria.   Uma flor   Cai no chão a pétala da flor Sozinha, tímida, pequena Branca alva a sua cor Em mão de menina morena.   Cai mais uma pétala no chão Enquanto pergunta à flor Se aquele segurar de mão Foi algum sinal de amor.   Mal-me-quer, bonita flor Despida nas mãos da morena. Menina, feita de amor Amor de gente pequena.   Bem-me-quer, o que estaria Reservado para ela? Perguntava a menina e sorria, Olhando a coroa amarela.   Muito, pouco ou nada, A menina espera um sinal, A pétala última dirá Como será no final.   Cai no chão, a última pétala Da bela coroa amarela Mal-me-quer… não é amor! Vamos apanhar outra flor! Elsa Filipe, 2023

Poesia de outono

Nasce ainda no verão, num dia do mês de agosto Corre leve, soprando as folhas que vai amarelecendo, Tem ainda pela frente, vários dias que decrescem Dando sinal de sua graça, nas noites que arrefecem.   Somos levados por ele, que não nos surpreende, Devagar vai escurecendo, os dias e as folhas também, As marés vão crescendo em vagas cada vez maiores Cuidados redobrados é aquilo que convém   Jovem, malandro, o outono aparece As folhas do chão, estalando De repente, tudo doirado parece Mas vem a chuva ensopando.   Mas o jovem vai crescendo, Dias menores com o frio a aumentar Dos amenos dias nos esquecendo Quando a gripe nos faz espirrar.   Quer ser alguém maior, Arrasta com ele a vontade De chegar a ser inverno  Mas sem ter ainda a idade.   Porque o inverno é velhinho, sábio, duro e imprevisível Há-de chegar, é certinho, não há outono que o pare Cada qual no seu lugar, mas o outono é terrível Quer trazer com ele a chuva, a neve e o vento também Mas se há quem o agarre, É o verão que espr...

Poesia em "Grades"

Este poema é um quase que um grito, um alerta para tudo o que se passa no mundo... fi-lo este ano e acabei por pô-lo num conjunto de poemas que fiz para um concurso. Faltava-me escrevê-lo aqui para que me dessem a vossa opinião. É daqueles que eu própria não sei se gosto. Grades O Sol que aí brilha Não é igual ao meu O meu tem grades à frente De um crime que não fui eu. O Sol que te aquece Aqui não chega a entrar Estou sempre na sombra dos outros À espera do tempo passar. O Sol que agora se esconde Quero eu ver de manhã Nascer no horizonte E trazer-me o amanhã. O Sol que a ti aquece Aqui traz sobre ele um véu Pois olho pela janela Mas não o consigo ver no céu. Não merecia estar aqui Preso por algo que não fiz Não me culpem, Não me julguem, Eu não nasci porque quis! Elsa Filipe, 2023  

Poesia, sobre a infância

Este poema foi escrito por mim e fala de uma coisa que marcou a minha infância e que me lembra a casa dos meus avós, o cheiro do doce a borbulhar na panela e o sabor do doce de figo numa carcaça.   Figos doces da infância   Quero ir fruta apanhar Subir acima dos ramos Ficar com as mãos a pegar Do mel doce que derrama   A fruta que sabe melhor É aquela que os pardais Picam, sem qualquer temor Quando espreitam os quintais.   Não é apenas a cor É o sol que a adoça O tempo lhe dá sabor E a chuva lhe dá força.   Quero os meus figos do tempo Eu que subia às árvores do monte Ficava com as pernas esfoladas E lavava os pés na fonte!   Não há figos tão doces Como aqueles da minha infância Que na frescura dos montes Havia em tanta abundância. Elsa Filipe, 2023

A minha presença na Feira do Livro

Ontem estive presente na Feira do Livro de Lisboa, para divulgar o livro que escrevi. Como já relatei aqui anteriormente, arrisquei a edição de "Vivi e o dragão", uma história infantil. A Editora foi a Cordel de Prata. Durante o tempo que lá estive, apenas uma senhora parou um pouco, conversou comigo e comprou um livro. Parece que as vendas no geral também não estariam a ser muito boas. Havia muita gente a passear mas poucos paravam para comprar. Eu própria queria vender primeiro, para depois comprar mas não consegui fazê-lo. Pouco antes do final da hora a que tinha direito, os vendedores que lá estavam, começaram a arrumar tudo e a fechar a banca. As outras bancas também estavam a fechar e acabei por não conseguir comprar os livros que desejava. O balanço desta ida à Feira, foi então mais uma despesa para mim e cansaço por ter de ir para Lisboa de transportes públicos, depois de um dia de trabalho. De positivo, ter encontrado um casal de amigos que já não via há muitos anos ...