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A mostrar mensagens de outubro, 2023

"Uma escuridão bonita"

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Um livro escuro... mas só na cor das suas páginas! Pois brota da escrita de Ondjaki a doçura infantil de uma conversa e o arco-íris de um primeiro beijo. Entre palavras novas e inventadas, os dois adolescentes descobrem-se na escuridão de mais uma noite em que falta a luz em Luanda. Dois jovens, entre a infantilidade e a adolescência, estão numa varanda escura e a conversa é às vezes interrompida pela presença da avó que traz na mão a vela, presença constante que lhes transmite segurança e conforto. Um conto publicado pela Texto Editores e ilustrado por António Jorge Gonçalves. Este é um livro muito bonito, que se lê de forma tranquila e em muito pouco tempo mas que nos deixa a pensar e a saborear cada página. O escritor faz-nos estar ali, naquele local e naquela noite, com os sons dos insetos, dos morcegos, dos carros que passam, e com os cheiros, do abacate, da cera da vela que derrete... relembrando as primeiras tentativas de descoberta de lábios com lábios, de beijos inocentes e tã...

Poesia para colos vazios

Hoje assinala-se o Dia  Internacional da Consciencialização da Perda Gestacional e Morte Neonatal e, para todas as mães de colo vazio, aqui fica a minha dedicatória.  Só É triste a condição Quem não sofre não entende Não percebem porque choram Se não chegou a ser gente.   É imaginar nas mãos O toque do seu cacheado Que antes sonhávamos ter No colo aconchegado.   É deixar ir na amargura, As baladas que cantava É o vazio e a loucura Que se torna em capa dura Sobre a vida que aguardava.   Abandonar a dor ao grito Num desespero profundo Não há coração mais aflito Nem maior dor no mundo De que tanta gente padece Que a mãe que sem saber Já não há reza nem prece Nem coração a bater.   Se um colo fica vazio, Deixa-se um coração frio, Mata-se a mãe que nascia Não sabendo que podia Tudo ali então perder A vontade de viver Não parece haver norte Que triste a sina e a sorte.   E sem que se deixe de amar Quem nunca sairá da lembrança Pode de novo criar Ali uma nova esperança. Que a vida que em vós ...

"Sem medo"

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Neste livro, Rita Delgado conta a história de Maria do Ó. Uma mulher decidida, que além de ser já uma atriz famosa, pretende agora ingressar no mundo da política. É-lhe apresentado um empresário de sucesso, de nome Carlos e vinte anos mais velho. Ele é também militante do Partido Democrático e uma das figuras do combate político da transição para a democracia em Portugal e está ainda ligado familiarmente a um candidato à presidência que tinha sido assassinado.  Os dois acabam por se apaixonar, uma paixão proibida por estarem ambos a trair outras pessoas, mas que inicialmente até parece correr bem. No entanto, são as histórias familiares de ambos que começam a emergir no meio deste relacionamento. Segredos guardados durante anos, num Portugal a braços com uma ditadura. O que mais me agradou neste livro foi a forma como a autora enreda as histórias de romance e de traiçao, as discussões políticas e as crises familiares, não deixando escapar a realidade do país na época histórica, con...

Poesia "Bem alto..."

Hoje deixo-vos um pequeno poema que escrevi para um concurso de poesia em que participei este ano. Espero que vos agrade e alegre o dia! Bem alto, no cimo do mundo   Bem no alto, um moinho Recebe o sopro do vento E as velas faz girar. Vem o moleiro a caminho, Sobe a estrada com alento, Ganha a vida ‘assobiar. Bem alto, no cimo da serra, Olha o rio a seus pés, Lá em baixo tão pequeno. Correntes que correm na terra, Sopra o vento lés a lés Abana as velas e o feno. É sabedoria, paixão É nas mãos ter a leveza A farinha amassar Que como um leve condão, Se faz do pão a certeza Das bocas alimentar. Elsa Filipe, 2023