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"Minha querida Inês"

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  Margarida Rebelo Pinto presenteia-nos com esta "Inês" forte e determinada, num livro que se divide em sete dias, mas nos quais cabe a vida toda desta "Inês" que morre às mãos dos capatazes do rei de Portugal. "Inês" traz-nos a sua própria história, contada em jeito quase de diário, coadjuvada por outras personagens que vão contando a sua própria visão dos acontecimentos, tal como "Jala" (ou Remédios, a moira) apaixonada por Clara (criada muda) protegida pela própria Inês.  Este livro traz-nos uma história já conhecida, de um ponto de vista diferente mas sem muito a acrescentar. Um livro que se torna mais difícil de ler por não estarem identificadas as diferentes personagens que, de alguma forma, descrevem os seus sentimentos, a sua visão, a sua relação a cada momento com Inês. No fim do livro, temos uma pequena cronologia que nos ajuda a entender os factos. A narrativa começa a 1 de janeiro de 1355 e Inês morreria a 7 desse mesmo mês. Inês dese...

"A Greve"

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Logo na primeira página, Luís Corredoura dá toque para um grande livro, com a descrição de um acidente na pedreira. É entre a rocha dura e fria que em maio de 1965 se vai formar um protesto que parará pedreiras, fábricas e oficinas durante 12 dias. A PIDE não conseguiu calá-los a todos. E entre os acontecimentos do dia a dia, vai-se montando aquela que foi considerada a maior greve com que o Estado Novo se deparou. É com verdadeira mestria que Luís Corredoura nos apresenta as origens e as relações entre os protagonistas, gente simples e lutadora que se bate por aquilo que tem de mais básico, a família e o amor, o trabalho e o convívio com os amigos, as conversas à porta do café e as idas à bola, o sexo e as traições. Desta forma, chega-nos um país verdadeiro de gente autêntica, com personagens como o "Belmiro", filho do "Zé da Adiça." Um livro que nos mostra de forma clara a vida e as dificuldades sentidas pela classe trabalhadora em meados dos anos 60, sem esquecer...

"A voz da Terra"

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"A Voz da Terra", é um romance histórico escrito ao estilo muito próprio de Miguel Real. Na verdade, este é o pseudónimo de Luís Martins, nascido em Lisboa em 1953. Com a sua vasta obra, foi vencedor de diversos prémios literários, onde de destaca a ficção, o romance e o drama. Esta, foi distinguida com o Prémio Literário Fernando Namora. O livro está dividido em três partes: " A cidade de Santo António", em que nos é descrita a chegada de "Julinho" a Lisboa e o seu primeiro contato com as tradições e os costumes do Portugal europeu, "A Voz da Terra" em que o ênfase é dado ao sismo de 1755 e à sua destruição e, por fim, "A Voz dos Homens", em que o autor dá maior destaque à execução dos Távora e aos Autos de Fé. "Julinho" (Júlio Telles Fernandes) vem da Bahia, a bordo do "São Bartolomeu". Faz-se acompanhar de um velho "Santo António", e de Florentino. Na memória, traz a imagem dos "pretos acorrentados ...

"D. Maria II"

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No seguimento da leitura de D. Maria I, procurei agora pela história de D. Maria II, de Isabel Stilwell. Neste romance, à semelhança dos anteriores da mesma escritora, é-nos dada uma perspetiva dos acontecimentos da história de Portugal (e neste caso, do Brasil de Inglaterra e de França também) a partir da visão dos seus intervenientes, com destaque para D. Maria II. A forma como nos é apresentada, faz-nos ter logo uma certa inclinação para gostarmos desta futura rainha. Recomendo a leitura deste livro depois da leitura de "D. Maria I" pois assim será mais fácil compreender a sociedade portuguesa, bem como os motivos de D. Pedro IV se encontrar no Brasil. Desde logo, encontramos uma menina de pele branca e olhos azuis, que vive no Rio de Janeiro e que é amada por todos, apesar do seu mau feitio. É filha de D. Pedro I do Brasil (IV de Portugal), e de D. Leopoldina, arquiduquesa da Áustria.  D. Pedro torna-se rei após a morte de D. João VI em 1826, mas como havia uma lei que pr...

"D. Maria I"

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Neste romance da já conhecida Isabel Stilwell continuamos a acompanhar a vida na corte portuguesa, desta vez através da vida de D. Maria I, que como o sub-título deste romance tão bem nos indica, foi uma "rainha atormentada por um segredo que a levou à loucura." Mas sobre o segredo, nada digo, pois têm mesmo de ler o livro de uma ponta à outra.  A edição que li é igual à da imagem que aqui vos deixo e nesta capa estão duas pessoas representadas: D. Maria I, a primeira rainha de Portugal, e Rosa, sua aia e amiga. E é muito importante que Rosa aqui esteja representada, pois ela acaba por ter um importante papel no decorrer deste história, além de representar - neste livro - um grupo de pessoas que foram exploradas e maltratadas ao longo dos tempos. Ao lermos esta obra, iremos perceber que apesar de criados (escravos, na realidade, em muitos dos casos), estas pessoas acabam por ser vistas como raridades, troféus (objetos), quase peças de uma coleção que se quer mostrar.  Do que ...

"Sonata em Auschwitz"

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Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé nos campos de Auschwitz. Neste romance, que parte de um relato real, Luize leva-nos numa viagem a Auschwitz.  Amália desconhece as suas origens, sabendo apenas que tinha nascido em Portugal, numa família na qual sempre se sentiu amada e que, lutou contra a ditadura salazarista. É filha de dois portugueses que foram obrigados ao exílio em África, para fugirem à teia de perseguições da PIDE.Ao escutar acidentalmente uma conversa, Amália descobre que é descendente de um oficial nazi e acaba por ir procurar um pouco mais sobre as suas origens. O nome da sua avó é Gretel e Frida será a sua bisavó. Isto leva-a primeiro à Alemanha, onde procura a sua bisavó, com quem descobre que há ainda mais segredos escondidos. Quando chegamos ao quinto capítulo começamos a conhecer a história de Friedrich, o verdadeiro avô de Amália (e não Helvi como ela sempre tin...

"Vitória, a jovem rainha"

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Desta vez, a leitura recaiu sobre um romance de Daisy Goodwin.  Esta narrativa começa em 1835 e conta-nos a ascensão ao trono de Alexandrina Victória. Uma jovem que chega ao trono de um dos países mais importantes da Europa do século XIX. Confesso que conheço pouco da história da Inglaterra, a não ser o que se vai ligando com a própria história de Portugal e é interessante explorá-la através de uma perspetiva diferente. O nome Alexandrina, vem do seu padrinho (Alexandre I da Rússia) e Victória, da sua mãe.  "Drina", como é chamada pela mãe, adoece com tifo (febre tifóide) o que acaba por deixá-la fragilizada. No entanto, consegue a custo aperceber-se de que lhe está a ser dado a assinar um documento que pode comprometer a sua tomada de decisões no futuro e, recusa-se a assiná-lo. Aos 18 anos, ela ocupa o seu lugar no trono, depois da morte de seu tio. Filha do Príncipe Eduardo, com a sua morte é criada pela mãe, uma princesa Germânica e, na ausência de descendentes vivos da s...

"Inês de Castro"

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Procurei por este livro desde logo porque percebi que aqui era dada continuidade à história de Isabel de Aragão , que tinha acabado de ler apenas uns dias antes. Sabia (acho que todos sabemos) que este romance teria um desfecho trágico, mas posso desde já adiantar que este não é um romance baseado na tragédia, mas sim no amor e, é claro, na história de Portugal. A curiosidade conduziu-me numa leitura atenta deste romance de Isabel Stilwell, que nos apresenta uma outra grande senhora: Teresa Sanchez, senhora de Albuquerque, esposa de Afonso Sanchez, que era filho ilegítimo de D. Dinis. E se agora conto um pouco deste romance, é porque sendo um romance histórico, facilmente seguimos o seu enredo. Aqui, não é o fim de Inês que está em causa, pois esse todos sabemos qual será, não tivesse virado lenda, não tivesse sido cantada por Camões nos seus versos e por outros já não tivesse sido contada a sua história. Este livro é acima de tudo uma viagem às cortes de Portugal e de Castela. Inês é ...

"Isabel de Aragão - Entre o céu e o inferno"

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Acabei de ler mais um dos romances da coleção Rainhas de Portugal de Isabel Stilwell. Este, como outros romances da autora, tem uma excelente qualidade na escrita e na pesquisa que depois conduz por um romance dividido em quatro partes. Este romance leva-nos não só pela história de vida de Isabel, mas também pelas guerras que assolavam a Península, muitas vezes, opondo irmãos contra irmãos, pais contra filhos e primos contra primos. Na primeira parte, somos levados pela infância de Isabel, nascida (provavelmente) a 11 de fevereiro de 1270. A menina vive com o avô, Jaime I, "O Conquistador", um rei austero e castigador, mas que se mostra doce e paciente para com a neta, a que a chama "a melhor Rosa de Aragão." Conta-lhe histórias - principalmente as suas aventuras e conquistas - respondendo às questões da neta, que desde logo se mostra muito curiosa. Filha de Constança (de Holenstaufen) e de Pedro III (de Aragão e Sicília), Isabel nasce ainda dentro do saco amniótic...

"Isabel de Borgonha - Ínclita geração"

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Neste livro, Isabel Stilwell apresenta-nos a filha de Filipa de Lencastre, Isabel.  Isabel deixa Portugal para se casar com Filipe II, duque de Borgonha, deixando para trás os cinco irmãos e o pai, D. João I. Isabel era considerada a "Estrela do Norte" e, mesmo sem saber, tinha nascido para liderar um povo, ser um exemplo a seguir, uma mulher determinada a vencer, a ser guerreira e a dar colo aos seus. Filipe de Borgonha tinha enviuvado pela segunda vez e vê no casamento com Isabel, já com 32 anos, uma forma de reatar as relações com Portugal. Apesar de estar na Borgonha, Isabel nunca deixou de se preocupar com o que se passava em Portugal com o pai e com os irmãos.  Sem dúvida nenhuma, este é um daqueles livros que se distingue pela forma como está tão bem escrito e pela capacidade que Isabel Stilwell tem de nos prender, numa viagem ao passado, e que está entre o romance e a descrição histórica, sem se tornar maçador. Uma das coisas que este livro me fez pensar foi que pou...

"Livro"

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"Livro" é o nome do romance de José Luís Peixoto que acabei agora de ler e cujo cenário se divide entre uma aldeia do interior de Portugal e uma localidasde francesa. A dicotomia entre estes dois locais está bem patente, remetendo-nos para um Portugal pobre e inculto. Nesta aldeia, tudo se sabe. Há amores e traições, há nascimentos e morte, fazem-se abortos às escondidas e reza-se. Neste romance, a pobreza vem explícita tanto na forma de vida, como nos costumes de uma nação que se vê a braços com uma ditadura. Nele, as pessoas descritas poderiam ser reais, nossos pais ou avós. As conversas tidas entre as personagens são simples e cruéis, são reais e cruas, sem filtros. José Luís Peixoto não escreve para ser bonito. Escreve e relata como mais ninguém faz, desde a descrição da matança do porco, ao episódio da masturbação coletiva numa arrecadação, ou na morte do gato. Quando lerem, entenderão. A linha orientadora deste romance é um Livro que é entregue a um menino, em 1948. U...

"Catarina de Bragança - A coragem de uma Infanta portuguesa que se tornou Rainha de Inglaterra"

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O livro de Isabel Stilwell, da coleção "Rainhas de Portugal" conta-nos a vida de Catarina, uma jovem que aos 2 3 anos, deixa para trás o sol e o cheiro a laranjas do Alentejo e a vastidão do rio Tejo, quase um mar, para se casar com Charles de Inglaterra.  Filha de  D. Luísa de Gusmão e de D. João IV, Catarina, que tinha sido educada na religião Católica, vê-se desde logo sujeita à provação de casar e ser Rainha num país maioritariamente protestante. Na corte, são as suas aias que a apoiam, em especial duas delas que se tornam suas amigas e confidentes. Catarina foi uma lutadora, apesar do sofrimento de se encontrar num país em que poucos falavam a sua língua e onde os costumes eram bem diferentes. Conseguiu arranjar aliados e ter a presença de espírito de evitar conflitos, na maioria das vezes, não tanto para se proteger a si, mas para proteger Charles. Assistiu ao nascimento de vários filhos bastardos de um rei a quem nunca conseguiu dar um herdeiro, embora tivesse consegu...

"Filipa de Lencastre - A Rainha que mudou Portugal"

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Isabel Stillwell é, sem sombra de dúvida, uma das minhas escritoras favoritas, aquela cujos livros me fazem ficar horas agarrados às histórias, mesmo quando se trata de enormes romances! Da mesma colação de "D. Teresa", que já aqui referi e que me apaixonou do princípio ao fim, li agora esta magnífica obra que nos conta a vida de Phillipa, neta de Eduardo III, uma menina que nasceu princesa e que foi dotada de uma força imensa que lhe permitiu governar um país que nem era o seu. Refletindo uma pesquisa profunda, à qual já nos habituou, Isabel Stillwell, descreve-nos a vida entre cortes, as relações atribuladas de John of Gaunt que, desejava para as suas filhas aquilo que não conseguiu para si, governar. A sua primogénita, filha de Blanche, foi Philipa.  De  Phillipa of Lancaster vamos conhecer ao longo do livro a sua infância, passada em Inglaterra, a corte do século XIV e as viagens que o pai faz em busca de mais prestígio, mas também um pouco do percurso das famílias e...

"A bailarina de Auschwitz"

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"A bailarina de Auschwitz" é mais do que uma história sobre campos de concentração. Aquilo que mais me surpreendeu, foi a forma como, mesmo depois de saber que Edith tinha sobrevivido e era ela própria a autora do livro, tremia perante a sensação de morte. Tal só é possível quando, quem escreve, tem na sua mão o poder das palavras e o faz com o coração. Este livro tocou-me de uma forma diferente, tocou-me de forma pessoal pois nele vi, por diversas vezes, refletidas algumas questões com as quais me identifiquei, fossem elas relacionais, pessoais ou profissionais. É estranho que o tivesse sentido, partindo de uma história de vida tão diferente da minha? Talvez, mas às vezes aprendemos mais nessa diferença, tanto da faixa etária, como das próprias situações vividas, do que com alguém que aparentemente fosse mais parecida comigo. A vida de Edith é-nos contada na primeira pessoa, começando durante a sua infância. Uma de três irmãs, Edith nasceu e viveu a sua infância na Hungria....

"A Rapariga Polaca"

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Malka Adler descreve-nos uma sala onde um grupo de convivas escuta atentamente a história de vida de Anna, uma mulher polaca que se vê sozinha com dois filhos num país em guerra. Ao seu lado está Danusha, uma menina que escuta a versão dos acontecimentos narrados pela mãe, mas sobre os quais retém memórias um pouco diferentes. Ao longo do seu crescimento, Danusha tenta encontrar o seu lugar na família, num mundo em que sente não se enquadrar. Ela apenas deseja sentir-se amada, ter uma mãe que a olhasse nos olhos e dissesse que a amava, mas em vez disso, aquela mãe lutadora, parece ser demasiado fria e estar demasiado distante para perceber as suas necessidades. Uma das perguntas feitas pela menina, e que nos transmite esse sofrimento é: " Como é que eu sei que a mamã é mesmo a minha mamã?" E da mãe, a resposta que chega é pegar no irmão e abraçá-lo, ficando em silêncio. Só mais tarde, Danusha irá compreender muitas das atitudes da mãe. Na história, as mulheres são tratadas ...

"O General do Exército Morto"

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Este ano consegui ir à feira do livro e de lá trazer dois livros, um dos quais foi este que acabei agora de ler: "O General do Exército Morto", foi primeiramente p ublicado em França em 1970, e relata a história de um general italiano que, terminada a 2ª Guerra Mundial, é enviado à Albânia para recuperar os corpos dos soldados do exército italiano que foram deixados para trás. Esta tarefa é tão mais difícil quanto a burocracia que a acompanha. No entanto, é a desumanidade com que os sentimentos de um povo que se vê novamente invadido (desta vez, em tempo de "paz") e as entranhas das suas terras escavadasd que nos demonstra aquilo que é o absurdo do poder de um estado sobre outro.   Na sua jornada, é acompanhado por um padre, que representa a presença da Igreja nesta tarefa, que com ele partilha a dura tarefa de vasculhar os campos em busca dos cadáveres de um exército derrotado, enquanto na sua cabeça fervilham ideias de como poderia ter esta guerra corrido de outr...