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A mostrar mensagens de março, 2026

Poesia para dias bonitos...

 Hoje está um dia tão bonito, não está? Um dia alegre, soalheiro, que nos convida a ir para a rua e a apreciar a primavera que já chegou. Mesmo quando a felicidade está oculta por outros problemas e os olhos manifestam o cansaço acumulado, a primavera acaba por nos ajudar a ter esperança. Lá fora... lá fora as balas zunem, mas aqui...aqui olhamos as andorinhas que chegam e que nos trazem a primavera com elas.  É a Primavera a chegar   Na colmeia, em zumbido constante Estão obreiras a trabalhar O frio já ficou a montante Está a Primavera a chegar.   Traz consigo as andorinhas Que depois de muito voar Encontram nas varandinhas Um sítio para descansar.   Ocupam agora com cautela Os ninhos que ali deixaram Por cima da minha janela As andorinhas já chegaram!   (Elsa Filipe, março de 2026)

Ainda sobre a Primavera

 Quando me desafiam, começam a nascer ideias. Boas, más, assim-assim... aqui fica mais um poema sobre a Primavera. A Primavera   A Primavera chega de mansinho E o sol, nos aquece, devagar Canta feliz o passarinho No seu ninho a trabalhar.   Qual arquiteto e senhor Junta os galhos com saber Depois com muito amor Os ovos vai aquecer.   Quando é hora, das casquinhas Saem de bico no ar Sejam melros ou andorinhas Em breve os veremos voar!   É a magia que acontece A cada ano, em cada lugar É tão belo que até parece Que é a Terra a celebrar.   (Elsa Filipe, março de 2026)

Poesia... quando o inverno se vai embora e nos deixa o calor da primavera

O inverno começa a ir-se embora. Parece um pouco relutante... mas acabará por ir. Seguindo o seu caminho, deixar-nos-á dias mais amenos. Estende-se o sol até mais tarde...e escreve-se com a inspiração da beleza da primavera. O Inverno foi-se embora   O inverno, despediu-se Foi-se embora de mansinho. Andou chovendo, Fez seus estragos, Mas já se pôs ao caminho.   Chega agora a Mãe que da Terra Com cuidado, terna e paciente Ajeita a terra que a semente encerra E dela faz algo surpreendente.   Onde havia escuridão, se fez cor E onde a morte passou, Desponta agora em esplendor A vida que da Terra brotou!       (Elsa Filipe, março de 2026)

"Sonata em Auschwitz"

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Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé nos campos de Auschwitz. Neste romance, que parte de um relato real, Luize leva-nos numa viagem a Auschwitz.  Amália desconhece as suas origens, sabendo apenas que tinha nascido em Portugal, numa família na qual sempre se sentiu amada e que, lutou contra a ditadura salazarista. É filha de dois portugueses que foram obrigados ao exílio em África, para fugirem à teia de perseguições da PIDE.Ao escutar acidentalmente uma conversa, Amália descobre que é descendente de um oficial nazi e acaba por ir procurar um pouco mais sobre as suas origens. O nome da sua avó é Gretel e Frida será a sua bisavó. Isto leva-a primeiro à Alemanha, onde procura a sua bisavó, com quem descobre que há ainda mais segredos escondidos. Quando chegamos ao quinto capítulo começamos a conhecer a história de Friedrich, o verdadeiro avô de Amália (e não Helvi como ela sempre tin...

Hoje celebra-se a Poesia

Além de se comemorar a entrada da primavera, essa estação das flores, dos dias mais azuis e mais quentes, também se assinala hoje uma data muito especial: o Dia Mundial da Poesia. Eu gosto de escrever e, confesso, sou mais apreciadora de escrever em prosa do que em verso, mas de vez em quando lá me desafio (ou me desafiam) a escrever alguns versos. E quando me dedico, a minha cabeça enrodilha-se nas linhas e entrelinhas que compõe os versos. Não me considero nada boa nisso e fico sempre a achar que falta algo, que não está totalmente bem, ou que podia ter encontrado uma palavra diferente para transmitir aquilo que queria. É culpa da minha exigência... No fundo, a minha grande questão é:  Para que nos serve a poesia ou como é que nós servimos a poesia?  É que a poesia em si é um exercício que me desafia na arte da escrita, mas confesso que não gosto propriamente de ler poesia. Bem, a verdade é que depende. É que para mim a poesia é para ser lida quando precisamos... e há dias e...

Primavera em poesia

No âmbito das celebrações  do Dia Mundial da Poesia, Dia Mundial da Árvore e Dia Internacional das Florestas, o  "Mensageiro da Poesia" desafiou os seus sócios a criar poemas sobre o tema "Primavera". Aqui vos deixo um dos poemas escritos especificamente para esta atividade: E era a Primavera   Era um dia, um sol O calor Era a vida, a semente O amor.   E do fundo, da terra se espreguiçava Rasgava, empurrava, crescia, Sentindo o sol que acarinhava, O pequeno caule que da terra subia.   E era o pardal que voava E era um falcão a caçar E era na flor uma abelha, Delicada borboleta a pousar.   E eram os dias quentes, As tardes mornas, e a chuva que secava E era a o Inverno que se ia, Era a Primavera que, por fim, chegava!   (Elsa Filipe, março de 2026) Informação sobre esta atividade, aqui: https://www.cm-seixal.pt/evento/arvores-poeticas    

Despedida a Mário Zambujal

Quando se perdem grandes artistas, quando se perdem grandes escritores, jornalistas, autores, fecha-se a tampa da criatividade, morre um pouco de nós, da pátria da língua portuguesa. Faleceu Mário Zambujal. Nascido em Moura, a 5 de março de 1936, passou pelo Algarve e acabou a estudar em Lisboa. Começou a sua carreira no jornalismo desportivo, tendo-se iniciado na RTP, como comentador desportivo em 1977, mas fazendo ainda programas como "Quem conta um conto", "Semana que vem" e "Grande Encontro".  Passou também pela rádio, onde chegou a fazer um programa com Carlos Cruz ("Pão com Manteiga") do qual resultaram textos que seriam mais tarde reunidos em livro. Em 1960, tornou-se jornalista principal no jornal "A Bola". Viria ainda a ser sub-diretor no "Record", chefe de redação no jornal "O Século" e no "Diário de Notícias". Colaborou como colunista no "24 Horas" e chegou a ser diretor do "Se7e...

"O Sonho"

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Numa semana que se tornou um pouco difícil para mim, consegui terminar este livro de Nicholas Sparks. Há já algum tempo que não me agarrava assim a um romance e que me desabava a chorar, mas acho que acabou por ser um escape. Saí do livro um pouco mais aliviada fechando nele as lágrimas que não queriam parar.  A história fala-nos de uma mulher que está a morrer de cancro. Estamos em 2019, perto daquele que será o seu último natal, pois ela sabe que tem pouco tempo de vida. Como será que alguém vive com essa sentença declarada? Além de um blogue onde fala sobre a sua arte e sobre a sua saúde, Maggie gere também uma galeria de arte. Devido aos tratamentos, sente-se muitas vezes sem força e para a aliviar de tarefas mais exigentes, resolve contratar um novo empregado para a ajudar. É aqui que, depois de muitas entrevistas falhadas, acaba por dar uma oportunidade a um jovem rapaz, Mark.  Com ele, Maggie começa a recordar a sua juventude, contando-lhe que aos 16 anos tinha engravid...

O papel da mulher na Literatura

É importante voltar a falar deste tema, pois se é algo que nos parece estar longe na história da literatura, a verdade é que ainda hoje existem mulheres a ter de publicar sob pseudónimo para conseguirem ver os seus livros editados, ou não serem politicamente perseguidos.  Sendo a cultura um reflexo da sociedade e desempenhando a literatura um importante papel dentro dessa mesma cultura, a mulher é, muitas vezes representada pelo olhar masculino, moldando-se esta visão à época, aos costumes e às origens culturais dos seus próprios autores. A mulher tem sido vista não só como uma musa, mas também como uma criada. Às vezes, é um elemento necessário - quase que decorativo - noutras surge como símbolo de perfeição, objeto de virtudes. Esta representatividade também tem vindo a ser alterada desde que a literatura deixou de ser algo acessível apenas às elites e se começou a espalhar pelas diversas classes sociais, e desde que começaram a existir livros cujos autores eram mulheres. A inici...

Faleceu António Lobo Antunes

António Lobo Antunes sempre quis ser escritor. Mas foi médico, e foi no consultório do Hospital Miguel Bombarda, onde exercia psiquiatria, que "reconheceu e compreendeu a dimensão da fragilidade humana." Uma fragilidade que se foi perpetuando nos textos que escrevia, fosse nas suas crónicas, fosse através das personagens que criava para os seus livros. Lobo Antunes queria ser escritor, mas foi para a guerra de Angola e lá foi "tenente, cirurgião e psiquiatra." Um homem é muitas coisas e não é só uma que o define. Somos uma data de coisas e é da sua experiência que nascem as suas personagens. E são essas "vozes múltiplas que se atropelam nas páginas que escreve," que se vão enredando nas suas histórias. Lobo Antunes é um homem de memórias, um escritor de factos, que consegue ser frio e direto, mas também metafórico.  Muitos vieram agora falar dele, pesar a sua morte. Desses, quantos o terão realmente lido em vida? O Presidente da República terá sido um dos ...

Biblioteca Nacional

Ontem estive a ver um programa na RTP Memória (Visita Guiada) sobre a Biblioteca Nacional e onde se fala não só da sua magnífica arquitetura e da sua modernidade, como também dos milhões de obras que lá podem ser encontradas. Este espaço é sem dúvida um museu que alberga tais raridades que só uma caixa forte pode proteger: o primeiro exemplar d' "Os Lusíadas" ou o "Livro de Horas" da Rainha D. Leonor.  Os Livros de Horas (que por vezes são referidos nos romances históricos, nomeadamente nos de Isabel Stilwell) são manuscritos, elaborados pelas princesas e rainhas, e que eram muito populares nos séculos XIII a XV (Idade Média). Normalmente continham transcrições de salmos e de orações, para todas as "horas" do dia, daí o seu nome. Podiam ser vistos quase como uma agenda ou um diário. Eram ilustrados manualmente e eram levados para todo o lado, auxiliando nos momentos das rezas obrigatórias (horas canónicas). Fontes: https://www.facebook.com/watch/?v=19...