segunda-feira, 21 de agosto de 2023

"Tempo de partir"

Terminei hoje de ler "Tempo de partir", de Jodi Picoult, que posso dizer, me está sempre a surpreender! Neste romance - que confesso li em três dias - encontramos uma história de amor muito especial! É uma história muito cativante, em que vamos sabendo o que se passou ao mesmo tempo que nos vão sendo revelados pequenos novos pormenores da história, que Jodi tem a inteligência de fazer estar lá, como que escondidos entrelinhas e dos quais nos vamos apercebendo capítulo após capítulo, numa mistura de tempos e de espaços.


Alice, estuda os elefantes da reserva e os seus comportamentos, a transmissão de conhecimentos e dos costumes do grupo, as relações familiares e o cuidado e proteção entre eles. A chegada de Thomas, vem transformar a sua vida. Alice acaba por engravidar e por ir ter com Thomas ao refúgio para elefantes, onde recomeçam uma nova vida, à qual a bebé Jenna vem dar um brilho especial. A família de Jenna é também composta pelos outros tratadores do refúgio, que dela cuidam e a protegem, até que algo grave acaba por acontecer.


Alice não sabia que Thomas escondia um grave problema psiquiátrico e que isso vai acabar por influenciar o seu afastamento e o aparecimento de uma nova paixão. Uma história que fala de amor, de perdas e de emoções.


Alice vê espelhado nos elefantes as emoções que habitualmente achamos serem exclusivamente humanas, percebendo que estes gigantes com uma linguagem própria com a qual comunicam entre si. Seremos assim tão diferentes destes animais ou eles tão diferentes de nós? O que nos faz tão próximos destes gigantes?


Neste romance de Jodi Picoult encontramos também outras personagens, como por exemplo Virgil, um antigo detetive e Serenitty, uma interessante médium. Cada personagem, tem o seu tempo de contar a história, como se a estivéssemos a observar de diferentes pontos de vista, o que dá à narrativa uma cadência diferente. Um romance magnífico!

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

"A Vingança"

"A vingança" é um romance de John Grisham. Terminei hoje a leitura (foi o livro que me acompanhou numas mini férias em Abrantes com o meu filhote). É um livro que se lê num ápice, porque nenhum capítulo é menos interessante que o outro.


Posso dizer que o livro está dividido em três partes. Primeiro é contado o assassínio do reverendo, no Mississipi e a condenação da pessoa que o matou. Pete é o personagem principal de toda esta história em que é caraterizado como um pai de família, um herói condecorado da Segunda Guerra Mundial, proprietário de terras e um membro fiel da Igreja Metodista.


Nada levaria a acreditar que um dia pudesse cometer um assassínio a sangue frio. O motivo não se sabe. A opção de calar e não dar resposta às perguntas, leva a que os segredos se vão adensando. O seu advogado tenta por tudo justificar os seus atos, mas Pete não admite ser ajudado. Os filhos tentam chegar à verdade mas o pai acaba por morrer sem nada lhes contar.


Na segunda parte, Grisham descreve a juventude e o casamento de Pete e de Lisa. Pete vai para a guerra e acaba capturado pelos japoneses, nas Filipinas. A morte não seria o pior a acontecer-lhe, mas consegue sobreviver. No entanto, a sua casa, chega a notícia de que tinha sido capturado e que provavelmente estaria morto. A dor da perda afeta a sua esposa, que apesar de não ter a certeza, vive agora como viúva, com dois filhos para criar e uma casa para gerir. 


Na terceira parte do livro, a parte final, a verdade começa a vir ao de cima. Os filhos lutam em tribunal para ficar com a casa e com a quinta, na qual têm as suas recordações e onde ainda vivem várias famílias espalhadas pelos campos, assim como a tia de ambos e um casal de caseiros que sempre estiveram presentes nas suas vidas. A justiça tem de ser feita, mas no fim ficamos então a perceber a verdade. 


É um livro onde a curiosidade se vai adensando até à última página. Tem um enredo muito bem construído, com relatos históricos e geográficos bastante precisos e que nos levam a ter uma visão direta das consequências da guerra e das dificuldades em lidar com os sentimentos, principalmente com o desgosto.


Sobre o autor:


John Grisham nasceu no Arkansas em 1955. Antes de se dedicar à escrita a tempo inteiro, licenciou-se em Direito, exerceu advocacia e tornou-se um profundo conhecedor do sistema jurídico americano. Toda a sua obra literária, que se inicia em 1989 com a publicação de "Tempo de Matar" (primeiro livro da série Jake Brigance), colhe inspiração na sua experiência profissional do passado.


Com vendas superiores a 300 milhões de exemplares em todo o mundo e traduções em 40 línguas, Grisham é um autor que ocupa permanentemente os lugares cimeiros nas listas de bestsellers.


A sua enorme popularidade e a qualidade da sua escrita fazem do mestre do thriller jurídico um autor cujas obras literárias são frequentemente alvo de adaptações cinematográficas de grande sucesso. 


 


Fontes:


https://www.wook.pt/livro/a-vinganca-john-grisham/22799962

domingo, 13 de agosto de 2023

Maurice Druon

Terminado o terceiro livro e sem poder ainda começar o quarto, aproveito para escrever um pouco sobre o escritor da saga "Os reis Malditos".


Maurice Druon nasceu em Paris a 23 de abril de 1918 e morreu em abril de 2009. Licenciado em ciências políticas, durante a II Guerra Mundial, foge, através de Espanha e Portugal, para se juntar às fileiras da Resistência francesa em Londres.


Maurice combateu no interior da França durante a Segunda Guerra Mundial até o momento do Armistício (1941). Ingressou então nas forças da Resistência à ocupação nazi, deixando a França em 1942, atravessando clandestinamente a Espanha e Portugal para ingressar nas fileiras dos serviços de informações da chamada "França Livre", em Londres, trabalhando com De Gaulle.


Torna-se Ajudante de Campo do General François de Astier do Vigerie, seguidamente é elevado ao posto "Honra e Pátria" antes de ser encarregado da missão, para o Comissariado do Interior e da Informação; é também correspondente de guerra junto dos exércitos franceses, até ao fim das hostilidades.


Foi também membro da Academia Francesa e é unanimemente considerado um dos maiores romancistas franceses. A partir de 1946, consagra-se à sua carreira literária, recebe o Prémio Goncourt (1948) pelo romance "As Grandes Famílias" e recebe prémios pelo conjunto da sua obra.


Ocupou o cargo de ministro da Cultura em França em 1973 e 1974. Logo após assumir o cargo, declarou não ter intenções de entregar verbas do governo a "subversivos, pornógrafos ou inteletuais terroristas". Com isso levantou contra si os protestos de milhares de artistas, escritores e políticos e foi apelidado de "ditador inteletual".


Foi  deputado por Paris de 1978 a 1981. Druon consagrou grande parte da sua carreira à defesa da língua francesa.


Faleceu em abril de 2009, aos 90 anos, na sua residência em Paris.


Fontes:


https://www.wook.pt/livro/os-venenos-da-coroa-maurice-druon/18680910


https://pt.wikipedia.org/wiki/Maurice_Druon


https://www.dn.pt/artes/livros/morreu-escritor-frances-maurice-druon-1202042.html


 


 

sábado, 12 de agosto de 2023

"Os venenos da coroa"

Do escritor Maurice Druon, este é o terceiro livro da saga "Os reis malditos", que estou a ler. A saga é composta por sete volumes e teve a sua primeira edição em 1956. 


O romance conta sobre a época dos últimos cinco reis da Dinastia Capetiana e os dois primeiros da Casa de Valois, de Filipe IV, o Belo a João II, o Bom. A história tem como tramas principais os esforços de Roberto III de Artois em recuperar o condado de Artois, da sua tia Matilde de Artésia.


Neste volume, o autor conta-nos sobre o casamento de Clemência da Hungria com o rei Luís X, de cognome "O Teimoso" no verão de 1315, após este se ter conseguido livrar da primeira mulher, Margarida de Borgonha. O legado de três décadas de eficácia administrativa, económica e política escapou-se como água por entre as mãos de Luís X, que permitiu que a confrontação entre ministros burgueses e nobres conservadores se saldasse pela perda do domínio das províncias. A corte vive um período conturbado e o poder escapa-lhe por entre os dedos.


Enquanto o seu povo morre de fome, o rei envolve-se numa guerra absurda contra o conde da Flandres. Um livro sobre a Idade Média que cativa desde a primeira página e com explicações históricas que nos vão ajudando a seguir a cronologia dos acontecimentos e a entender as expressões utilizadas.


Para quem gosta de história, como é o meu caso, esta coleção leva-nos até à corte. O final de cada livro, conteém várias notas que nos ajudam a compreender as relações entre as famílias nobres e burgesas que despontavam nessa época e ainda os motivos políticos dos casamentos impostos entre os membros das famílias reais de diferentes reinos europeus. 


Estou a adorar esta coleção e preciso agora de comprar os próximos quatro livros.

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Poesia que nos faz pensar...

Nem todas as crianças, têm direito a brincar. Este poema que escrevi poderia contar a história de um menino nascido nos anos quarenta ou cinquenta... mas  pode ser tão atual ainda, não pode?



Trabalho infantil



De saco na mão

Um pero e um pão

Lá vai o menino.

 

Atravessa campos

Sonhando acordado

Salteia riachos e chega ao destino.


Nos pés gelados

Feridos e marcados

Pela dor do frio,


Calça as botas,

Põe a bata e segue,

Trabalha com brio.


Come o pão e o pero,

No final da jorna

Aquece as mãos,


Trabalha até tarde

Para levar para casa

Sopa para os irmãos.

 

Dez anos apenas

Estudar ou brincar

Não sabe o que é,


Quanto mais escrever

Sabe lá ele ler

Mas sabe contar


As horas que faltam

Para ir para casa

Enfim descansar.


Elsa Filipe, 2023

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

"A Rainha Estrangulada"

Continuo a ler a saga de Maurice Druon. Este é o segundo livro que começa em novembro de 1314, com a morte do rei Filipe, o Belo. Dois grupos preparam-se para se enfrentar pela posse do poder: de um lado, o clã do baronato, conduzido por Carlos de Valois, irmão do rei e, do lado oposto, o partido da alta administração, dirigido por Enguerrand de Marigny.


Margarida e Branca estão prisioneiras na fortaleza de Chatêau-Gaillard, enquanto Joana, condessa de Borgonha, é levada para o torreão de Dourdan. Apesar da notícia da morte do sogro, para Margarida não será assim tão fácil obter a liberdade: é que Luis X, seu marido e novo monarca, não pensa em recuperá-la como rainha consorte. O rei Luís, denominado o Teimoso, tenta a todo o custo a anulação do seu casamento com Margarida, para que se possa voltar a casar. A escolhida é Clemência, princesa da Hungria. 


Nesta sequela percebe-se a relação entre as casas reais europeias e a forma como os casamentos eram arranjados de forma a que cada um dos reinos visse aumentadas as suas fronteiras. A pobreza é visível na população, a morte ensombra todas as casas, enquanto o rei apenas pensa na forma de conseguir os seus intentos: arranjar um sucessor para o trono. 


Ainda no primeiro livro, conhecemos outras personagens que vão agora ter um papel mais ativo, como Tolomei e Guccio.

terça-feira, 1 de agosto de 2023

Poesia, sobre o mar

Este poema é dedicado a quem vive do mar. Quem me conhece sabde que hoje faria anos uma pessoa muito especial para mim e que sempre viveu do mar. Um dia, ainda hei-de saber quem foi realmente este homem que tantos segredos escondia.


 



Mar


 


Se porventura havia a sorte


De o vento ir de feição


Ia o barco para o mar.


Transpunha as ondas e o forte


Chamava por eles então


Punham-se a navegar.


 


A areia branca ficava


Atrás deles saudosa


A vê-los dali partir


Se a maré se punha brava


Ficava a mulher chorosa


Não os quer deixar partir.


 


Da faina que traz o pão


Para alimentar este povo


Que espera o barco no cais


Traz também a solidão


Da mulher do homem novo


Que perdeu o seu arrais.


 


Lágrimas em silêncio escoam


E são tantas as mulheres


Na areia a gritar


Que não ouvem como ecoam


Os gritos e gargalhadas


Das crianças a brincar.


 


E volta o barco imponente


Traz na volta da labuta


A doca no seu olhar


São os homens fortes da gente


Que sobre qualquer disputa


Vivem apenas do mar.



Elsa Filipe, agosto de 2023

Quem foi Orwell?

O nome George Orwell é o pseudónimo de Eric Artur Blair, nascido em 1903 numa região que na época pertencia à Índia britânica. Eric viria a ...