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Poesia para dias bonitos...

 Hoje está um dia tão bonito, não está? Um dia alegre, soalheiro, que nos convida a ir para a rua e a apreciar a primavera que já chegou. Mesmo quando a felicidade está oculta por outros problemas e os olhos manifestam o cansaço acumulado, a primavera acaba por nos ajudar a ter esperança. Lá fora... lá fora as balas zunem, mas aqui...aqui olhamos as andorinhas que chegam e que nos trazem a primavera com elas.  É a Primavera a chegar   Na colmeia, em zumbido constante Estão obreiras a trabalhar O frio já ficou a montante Está a Primavera a chegar.   Traz consigo as andorinhas Que depois de muito voar Encontram nas varandinhas Um sítio para descansar.   Ocupam agora com cautela Os ninhos que ali deixaram Por cima da minha janela As andorinhas já chegaram!   (Elsa Filipe, março de 2026)

"O General do Exército Morto"

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Este ano consegui ir à feira do livro e de lá trazer dois livros, um dos quais foi este que acabei agora de ler: "O General do Exército Morto", foi primeiramente p ublicado em França em 1970, e relata a história de um general italiano que, terminada a 2ª Guerra Mundial, é enviado à Albânia para recuperar os corpos dos soldados do exército italiano que foram deixados para trás. Esta tarefa é tão mais difícil quanto a burocracia que a acompanha. No entanto, é a desumanidade com que os sentimentos de um povo que se vê novamente invadido (desta vez, em tempo de "paz") e as entranhas das suas terras escavadasd que nos demonstra aquilo que é o absurdo do poder de um estado sobre outro.   Na sua jornada, é acompanhado por um padre, que representa a presença da Igreja nesta tarefa, que com ele partilha a dura tarefa de vasculhar os campos em busca dos cadáveres de um exército derrotado, enquanto na sua cabeça fervilham ideias de como poderia ter esta guerra corrido de outr...

"A Rapariga do Casaco Azul"

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Este livro fez-me lembrar outros livros. Mas na sua essênci, traz-nos algo de soberbamente diferente, um jovialidade e uma visão diferente da realidade de uma época dramaticamente marcada pelo sofrimento e pela morte e, sobre a qual, já tanto se escreveu e se disse. A história passa-se no ano de 1943, em Amesterdão. Hanneke é uma jovem de apenas 18 anos, sobre cujos ombros recai a responsabilidade de ajudar a família a sobreviver. Depressa Hanneke aprendeu que traficar alguns bens é, naqueles dias, não um crime de que se arrependa, mas uma forma de sobrevivência. De bicicleta, ela percorre diariamente as ruas da cidade para conseguir encontrar alguns produtos. Quanto mais raros, mais perigosos são de conseguir, mas isso não a impede de continuar. Ela ajuda-se a si mesma, mas está também a ajudar os outros, embora a jovem o faça não por bondade mas pelo dinheiro que consegue e que leva para casa. No mundo que conhece, não há espaço para a fragilidade nem para a bondade: a guerra devasta...

"A fuga de Auschwitz"

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Este livro foi escrito por J oel C. Rosenberg e conta a forma como um grupo de prisioneiros organizou e pôs em prática uma das mais importantes fugas aos  horrores de Auschwitz. A história é inspirada em relatos reais de presos e deportados e nas histórias dos poucos que conseguiram escapar a este genocídio. Talvez por eu gostar de saber o como e o porquê de determinados momentos da história, este livro me tenha desde logo agarrado às primeiras páginas. Começamos por conhecer as principais personagens e a forma como cada uma delas acabou dentro destes campos de extermínio e ficamos logo a perceber que não foram apenas judeus a ir parar a estes campos, embora estes fossem de facto a grande maioria. Um plano para deter um dos comboios que transporta prisioneiros para Auschwitz acaba por correr mal, mas é dentro dos campos que se tornaa realmente visível a chocante realidade.  Este livro permite-nos entrar (tal como aconteceu na "Bibliotecária de Auschwitz") nos horrores escondi...

"Uma obsessão indecente"

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Este livro chegou-me às mãos por mero acaso, largado num saco cheio de livros junto a um contentor. Já tinha ouvido falar da autora (a mesma de "Pássaros Feridos") mas ainda não conhecia a sua obra. A história corre nos momentos finais da 2ª Guerra Mundial, e aborda  os traumas de guerra as relações humanas entre um grupo de homens, que estão juntos na enfermaria X. Cada um tem as suas próprias perturbações psicológicas e lutam contra os seus próprios fantasmas. Responsável por gerir esta enfermaria está a enfermeira Langtree, que vê o seu mundo abalado com a chegada de um novo membro à X. Michael tem de ser aceite naquele estranho grupo, mas algo acaba por correr mal.  O romance de Colleen McCullough fala-nos de amor e de ódio, de alegrias e de tristezas, mas também da aceitação da diferença. Um livro onde se põem em confronto várias ideias, perspetivas e, que está recheada de segredos. Alguns muito pessoais e, outros, coletivos, verdadeiros pactos de silêncio. Achei a histó...

"O rapaz que venceu Salazar"

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A minha última leitura foi este livro de Jacinto F. Matias que conta a história de quatro amigos que se encontram às escondidas para jogar à sueca e para ouvir a BBC e a Rádio Moscovo, ambas proibidas. Este pequeno grupo está no entanto na ser espiado,  enquanto discutem não só política, mas também gastronomia, mulheres e a vida. Nesta aldeia alentejana, vive-se com o medo associado ao cerco que se vai apertando pelos informadores e agentes da PIDE.  Numa escalada de atrevimento, estes quatro amigos afixam um cartaz do Movimento de União Democrática na vila, divulgando a sua participação nas eleições (que non fundo acabaram por ser uma farsa da ditadura), pagam com uma proibição dolorosa, mas que irá desencadear a improvável resposta de uma criança ao estado de medo e de obediência a que o País foi subjugado ao longo de décadas.  Neste livro, são também retratados episódios da vida quotidiana, relações familiares que, no meio da normalidade quotidiana, escondem o medo con...

"Os pássaros também cantam no Inferno"

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Horace Greasley foi um soldado britânico que combateu na Segunda Guerra Mundial. Em maio de 1940 foi capturado e passou quase cinco anos nas mãos dos alemães. No final da sua vida e tal como havia prometido a Rose, a namorada que visitava quando se invadia do campo de prisioneiros, quis dar a conhecer a sua história e a dos seus camaradas. Este livro conta a história de Horace Greasley, escrita por Ken Scott e que relata aquilo que foi a verdadeira caminhada da morte, as milhares de mortes gratuitas e o que se passou dentro do perímetro dos campos de prisioneiros.  É um livro extremamente duro, especialmente se não perdermos o foco de que aquilo que está a ser relatado é verdadeiro. Aquelas pessoas não são personagens, são vidas reais que existiram mesmo. Os dias que não passavam, os trabalhos forçados, a fome, as doenças e o frio, aconteceram tal como ali é descrito por um homem que tal como tantos outros, era apenas um jovem quando o recrutaram para lutar numa terra que não era a...

"Nove mil dias e uma só noite"

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Neste livro são contadas duas histórias de amor durante a guerra: a de Elhspeth e Dave, durante a Primeira Guerra Mundial e a de Margaret e de Paul, quando rebenta a Segunda Guerra Mundial. Elhspeth é uma jovem, que escreve poesia e vive numa quinta, numa ilha da Escócia, e fica surpreendida quando recebe uma carta de um admirador que leu um dos seus livros de poesia. Dave é um estudante americano, que em Março de 2012 pensa mais em fazer patifarias com os colegas de curso do que em formar família ou ir para a guerra combater. Aos poucos os dois vão-se conhecendo através das cartas, primeiro em tom jocoso e depois em tom mais sério, até que, depois de vários meses se apercebem que estão apaixonados. O problema é que ela já é casada e que o marido está na frente de guerra. Anos mais tarde, rebenta a guerra e a história parece repetir-se. Paul, um piloto da Air Force conquista o coração da filha Margaret e Elhspeth não quer aceitar que a filha vá atrás dele para a guerra. Margaret está e...

E todos têm mesmo direito à educação?

No artigo 26º, diz a "Declaração Universal dos Direitos Humanos" que " Todos tem direito à educação" e refere também no artigo 14º da "Carta dos Direitos Fundamentais da UE", que "Todas as pessoas têm direito à educação, bem como ao acesso à formação profissional e contínua." Ai, se isto fosse mesmo verdade... Em Portugal, contabilizam-se "cerca de 6500 crianças que não têm as condições necessárias para estudar (dados do mais recente Relatório das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens)." "O plano da Unicef passa por denunciar as situações que descreve como sendo “inaceitáveis” relativamente ao incumprimento do direito básico à educação." Pelo mundo, são milhões as crianças que não têm acesso à educação. Muitas não vão à escola devido a graves situações de pobreza, mas há casos ainda mais graves... De acordo com dados da UNESCO de 2016, "quase 16 milhões de meninas em todo o mundo, entre os 6 e os 11 anos," nunca...

Poesia... quando lá fora há guerra

A guerra continua e a paz está tão longe, inalcançável. O que fazer? Talvez um pequeno poema possa não ser importante, mas cada um faz o que está ao seu alcance. Este dedico às vítimas desta guerra que teima em não acabar. Ucrânia.   Não quero Ouvir nem ver Não quero Saber Sofrer Chorar. Não quero mais saber que morreste, Que não vais mais voltar. Nem ter Nem ser Nem estar Não quero estar aqui.   Aqui o meu coração sofre, Porque não te tenho mais a ti.   Se a tua vida escolheste Não me deixaste entender O que a guerra me levaria Sem eu poder escolher. Ouvir este som constante Que atira paredes ao chão. Não morro Mas já morri Nasci Cresci e amei E neste fim de mundo Onde tanto padeci Em sangue deixo o coração. Não fica nada de pé Nem a janela cá fica, Nem no altar do Senhor, Que devia ser de amor Se segura a nossa Fé. A cidade fica despida A morte encharca a terra. É impossível ter fé Quando caem ao nosso pé, Os corpos trilhados da guerra. Elsa Filipe, fevereiro de 2023

Escrita...

Ontem era um semáforo, que as impedia de passar,  luz vermelha que dali a nada em verde se ia virar. Ms hoje, o vermelho é sangue, o verde já não brilha mais, está tudo negro, caído, e são tanques que as param nas ruas, pedras, barreiras infernais.   Ontem, era a campainha da escola que as fazia correr. Hoje, a sirene que toca, alerta-as para as bombas que caem, mísseis que não poupam ninguém, e que as obriga a esconder se hoje não querem morrer.   Ontem, os pais chamavam para a mesa, para jantar! Hoje, os pais choram e gritam, enquanto as balas silvam,  as bombas caem e todos têm de correr se a vida querem salvar.   Ontem era a escola, uma boneca, um carrinho! Uma canção infantil,  um hino, uma melodia! Hoje, da vida que sobra, amanhá pode não haver sinais nem menino, nem menina, nem ninguém que conte a história desta guerra nos jornais. Elsa Filipe

"O estilete assassino"

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Neste livro, Ken Follett, descreve a forma como um espião ao serviço de Hitler, descobre os planos, os fotografa e tenta entregar as provas de que os grandes ajuntamentos militares eram apenas fictícios, falsos tanques que "invadiam" os arrabaldes. A sua fuga leva ao assassínio de quem se atravesse no seu caminho, mas é uma mulher quem lhe dá mais luta, uma luta interior contra si mesmo e uma luta física contra uma adversária que se torna numa verdadeira heroína.  Um thriller emocionante que fala sobre a preparação dos desembarques na Normandia, que ocorreram na terça-feira, 6 de Junho de 1944, e que consistiram na invasão dos Aliados da Normandia na Operação Overlord durante a Segunda Guerra Mundial. Com o nome de código  Operação Neptuno  e muitas vezes referido como o  Dia D , foi a maior invasão por mar da história. A operação deu início à libertação dos territórios ocupados da Europa noroeste pelos alemães do controlo nazi e implantou os alicerces da vitór...

"Nome de código: Leoparda"

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Do aclamado mestre da ficção e do suspense: Ken Follett. A história passa-se em plena guerra mundial. Em Maio de 1944, duas semanas ante do dia D, a Resistência Francesa empreendeu um ataque falhado a um castelo que albergava ma central telefónica alemã. Felicity Clairet é uma jovem agente britânica que vai levar a cabo um plano fora do normal: conduzir um grupo de mulheres até França e destruírem a central telefónica. Precisei de fazer uma pausa do livro de Dostoievski e fui à biblioteca buscar mais três livros. Não resisti a começar logo a ler este na sexta-feira da semana passada. Publicada originalmente em 2001, este livro acompanha uma perigosa missão de infiltração liderada por mulheres nas semanas que antecederam o Dia D na Segunda Guerra Mundial. Uma história de suspense do primeiro ao último momento, com um enredo avassalador e surpreendente.