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domingo, 13 de abril de 2025

Faleceu Carlos de Matos Gomes

Carlos de Matos Gomes combateu em África e foi um dos Capitães de Abril. Nasceu a 24 de julho de 1946, em Vila Nova da Barquinha. Foi oficial do Exército, tendo cumprido comissões em Angola, Moçambique e na Guiné-Bissau. Faleceu esta madrugada no hospital CUF Tejo, em Lisboa, aos 78 anos.


Da sua história, sabe-se que terá sido "expulso da Mocidade Portuguesa." No Colégio Nun’Alvares, em Tomar, terá conhecido Salgueiro Maia.


"A sua carreira militar iniciou-se em 1963, quando entrou para a Academia. Fez o curso de Cavalaria, sendo mobilizado para Moçambique quatro anos depois. Cumpriu comissões durante a guerra colonial também em Angola e na Guiné, nas tropas especiais Comandos. Foi ferido em combate e altamente condecorado."


Das três comissões que fez na Guerra Colonial nasceu a inspiração para as suas obras. Quando em 1972 se "ofereceu para ir para a Guiné," este oficial já tinha "decidido que depois disso abandonaria a carreira militar por acreditar que a única solução para a Guerra Colonial era política." 


Na Guiné, Carlos terá sido na verdade "um dos fundadores do Movimento dos Capitães" e participado "na primeira Comissão Coordenadora do Movimento das Forças Armadas (MFA)." Quando se deu a revolução em Portugal, estava ainda "na Guiné, nos Comandos, e pertencia à Comissão Coordenadora do Movimento dos Capitães na Guiné."


Escreveu "um livro de História sobre a operação Nó Górdio" com o nome “Moçambique 1970” e que seria publicado pela editora Tribuna da História. Sobre aquele ambiente de guerra, escreveu ainda o seu primeiro romance, “Nó Cego”, que sairía em 1982, sob o pseudónimo de Carlos Vale Ferraz. De sua autoria são ainda, "A Última Viúva de África" e "Os Lobos não Usam Coleira" (1995). Este livro, foi depois adaptado pelo realizador António-Pedro de Vasconcelos ao cinema, com o título “Os Imortais."


Em 2020, publicou o ensaio "Guerra Colonial" junto com o seu camarada de armas Aniceto Gomes. Colaborou com Maria de Medeiros no filme “Capitães de Abril”, no qual chegou mesmo a interpretar uma das personagens. Escreveu ainda outros romances cuja temática se afasta do tema colonial.


No ano passado, em nome próprio, Carlos de Matos Gomes publicou "Geração D: da ditadura à democracia" onde fala da sua geração, aquela que conheceu a ditadura e, onde se interroga sobre os motivos da Guerra Colonial e da sua própria presença em África.


Fontes:


https://visao.pt/atualidade/sociedade/2025-04-13-morreu-carlos-de-matos-gomes-o-capitao-de-abril-que-gostava-de-escrever/


https://expresso.pt/50-anos-25-de-abril/2025-04-13-morreu-o-coronel-carlos-matos-gomes-um-dos-capitaes-de-abril.-tinha-78-anos-7a5a07e4


https://expresso.pt/50-anos-25-de-abril/2025-04-13-matos-gomes--1946-2025--nos-portugueses-recebemos-bombons-no-25-de-abril-e-comemo-los-todos.-depois-refilamos-com-quem-os-distribuiu-69af1a21


https://mediotejo.net/entrevista-carlos-matos-gomes-nao-e-preciso-outro-25-de-abril-porque-nao-e-preciso-nenhum-salvador/


 


 

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Dia do Pijama - Mundos de vida

Hoje venho trazer uma palavra de esperança, que nos dias que correm é tão importante e falar de um projeto português que, já sendo bastante famoso nas escolas, poucos saberão a sua origem e quem são os seus impulsionadores. Enchem-se hoje as galerias das redes sociais de crianças de pijama à porta das escolas, mas porquê? Eu este ano não fui de pijama, até porque o meu "público" é um pouco mais velhinho, mas podia ter ido! O que se passa para tantas crianças saírem de casa de pantufinhas e pijama vestido?


O Dia Nacional do Pijama é um dia educativo e solidário que se realiza a 20 de novembro, sendo antecedido por diversas atividades organizadas pelas creches, jardins de infância e escolas de 1º ciclo. É uma iniciativa portuguesa em que as instituições e escolas participantes, de todo o país (continente e ilhas) - ou de países onde há escolas portugueses -, pedem às crianças que venham vestidas em pijama para a escola e passem, assim, o dia em atividades educativas e divertidas até regressarem a casa. Este ano a canção chama-se “Ninguém Vai Ficar de Fora” e é o hino-canção inédito de Pedro Abrunhosa (padrinho musical da MISSÃO PIJAMA) feita propositadamente para a celebração do Dia Nacional do Pijama 2023. 


Esta iniciativa é da "Mundos de Vida" e faz parte da Missão Pijama. A data coincide com o dia da Convenção Internacional dos Direitos da Criança e vem relembrar que todas as crianças têm o direito a crescer numa família. 


No Dia Nacional do Pijama as crianças são convidadas a ajudar outras crianças. Por isso, esta inciativa tem um valor educativo especial porque promove o valor da solidariedade, o saber partilhar e o sentido da amizade. Assim, cada criança recebe uma "Casa dos Pijamas", que não é mais que um pequeno mealheiro em papel que serve para levar para casa, cerca de quinze dias antes do Dia Nacional do Pijama. Trata-se de uma casinha original desenhada por Yara Kono, uma ilustradora premiada. Assim, as crianças podem colocar lá dentro, através da abertura, as moedinhas que arranjem junto dos padrinhos, avós, tios, primos, vizinhos e amigos.


A "Mundos de Vida" foi fundada a 29 de julho de 1984 e desde então tem como missão afirmar os direitos e responder às necessidades das crianças, das pessoas seniores e das suas famílias, geradas pelas mudanças na sociedade, criando e oferecendo serviços que correspondam às novas realidades sociais, com base numa visão esclarecida e humanista. Baseia-se numa visão positiva, solidária e de esperança, focada na resolução das situações de maior vulnerabilidade.


Há doze anos, a "Mundos de Vida" lançou o primeiro serviço especializado de acolhimento familiar do país, designado Procuram-se Abraços®, assumindo uma nova missão centrada no direito de cada criança crescer numa família. Assim, desde 1999 que a "Mundos de Vida" recebe meninos e meninas. Regra geral, estas crianças são provenientes de agregados familiares com algumas dificuldades ao nível económico ou com problemas relacionados com consumo de álcool, entre outras problemáticas. Esgotadas as possibilidades destas crianças permanecerem na família de origem, a lei dispõe de meios para separá-los temporariamente dos seus pais. Nestas situações, as crianças são colocadas em centros ou instituições. A União Europeia, em 2013, fez inclusivamente uma recomendação a Portugal para que fossem criados filtros para impedir a institucionalização de mais crianças e que fosse desenvolvido o acolhimento familiar. Há três anos, o Parlamento português aprovou uma Lei onde foi legislado que as crianças até aos 6 anos de idade, devem crescer numa família. Falta passar a Lei à prática, através da sua regulamentação pela Segurança Social e alargar a todo o país a existência bolsas de famílias de acolhimento de qualidade.


Até hoje, mais de 130 crianças foram acolhidas num ambiente familiar terno, seguro e positivo, em onze concelhos de Braga e do Porto. 


A "Mundos de Vida"® oferece outros serviços de atendimento e acompanhamento social e ainda um conjunto de atividades lúdicas e de bem-estar orientadas para a sua comunidade. Na página desta organização podemos encontrar ainda várias sugestões de livros infantis e de atividades para se realizar com as crianças, tanto nos dias que antecedem o Dia Nacional do Pijama, como durante todo o ano! São sugestões muito variadas e divertidas. De seguida deixo alguns links para que possam dar uma espreitadela!


http://www.mundosdevida.pt/


http://www.mundosdevida.pt/LojaAbracos/


http://www.mundosdevida.pt/_O_que_e_o_Dia_Nacional_do_Pijama


E na vossa escola? Como foi vai ser o vosso dia hoje?

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

50 anos do Acordo Ortográfico de 1973... um pouco da história da nossa ortografia

Quando nos nossos dias reclamamos do novo acordo ortográfico - eu por vezes também me incluo nesse grupo, embora tente seguir a mudança e atualizar a minha ortografia sempre que consigo - não nos lembramos já de um outro acordo que veio alterar a maneira do português escrever. Aconteceu precisamente há 50 anos! Nessa Reforma Ortográfica de 1973 a forma como se acentuavam as palavras mudou. É por essa razão que, quando lemos documentos mais antigos, vemos muito mais acentos graves e circunflexos do que aqueles que temos nos nossos dias!


Esta mudança na ortografia em Portugal, foi "promulgada pelo decreto-lei 32/1973, de 6 de fevereiro, pelo então presidente Américo Thomaz, na sequência de uma sugestão da Secção de Ciências Filológicas da Academia das Ciências de Lisboa."


De acordo com esta reforma que, apesar de tudo não foi a primeira, foi abolido "o acento grave e o acento circunflexo em palavras formadas pelo sufixo -mente e pelos sufixos iniciados por z." A razão para estas alterações era tentar aproximar cada vez mais a escrita portuguesa, mais erudita, com a escrita do Brasil, que já tinha feito esta alteração em 1971. "Deixaram assim de ser acentuadas palavras como pràticamenteindelèvelmenteìntimamenteavôzinho e nùmerozinho."  


Mas voltando um pouco atrás na história da escrita, sabemos então que em 1885 são publicadas por Gonçalves Viana, as "Bases da Ortografia Portuguesa." Com a implantação da República, em 1910, "é nomeada uma Comissão para estabelecer uma ortografia simplificada e uniforme a ser usada nas publicações oficiais e no ensino. No ano seguinte há uma primeira tentativa para "uniformizar e simplificar a escrita, mas esta Primeira Reforma Ortográfica, só em 1915 "foi extensiva ao Brasil." No entanto em 1919, o Brasil revoga a decisão de 1915 e já estavamos no ano de 1924 quando as duas nações voltaram a tentar "uma grafia comum."


É então aprovado em 1931, "o primeiro Acordo Ortográfico entre o Brasil e Portugal, que visa suprimir as diferenças, unificar e simplificar a língua portuguesa." No entanto, este acordo não foi consensual e não chegou a ser posto em prática.


Em 1943 é "redigido o Formulário Ortográfico" naquela que foi a "primeira Convenção Ortográfica entre Brasil e Portugal." Surge então em 1945 um "novo Acordo Ortográfico" que se torna lei em Portugal. No Brasil continuam a seguir o Formulário de 1943.


Chegamos assim a 1971, no Brasil e a 1973, em Portugal, em que respetivamente, os dois países promulgam alterações que visam a aproximação ortográfica. Nos anos que se seguiram, outros acordos foram tentados entre os dois países, destacando-se a tentativa de expansão a outros países de língua oficial portuguesa, como por exemplo Cabo-Verde. Durante várias décadas discutiu-se a ratificação de um Acordo comum entre todos os países da CPLP. 


A 16 de Dezembro de 1990, foi assinado em Lisboa o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Além de Portugal, também Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe assinaram o Acordo, tendo Timor-Leste apenas aderido em 2004, depois de se ter tornado independente. No entanto, este acordo só entraria em vigor dezanove anos depois, em 2009, entraria finalmente em vigor o "mas apenas inicialmente no Brasil e em Portugal. 


O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 teve como principal objetivo instituir "uma ortografia oficial unificada para a língua portuguesa, com o objetivo explícito de pôr fim à existência de duas normas ortográficas oficiais divergentes, uma no Brasil e outra nos restantes países de língua oficial portuguesa, contribuindo assim, nos termos do preâmbulo do Acordo, para aumentar o prestígio internacional do português." Sabemos no entanto, que em ambos os países existe muita gente que decidiu por vontade própria por continuar a escrever como até aí sempre tinha escrito. "Na prática, o acordo estabelece uma unidade ortográfica de 98% das palavras, contra cerca de 96% na situação anterior. Contudo, um dos efeitos do Acordo foi o de dividir ainda mais estes países, criando agora três normas ortográficas: a do Brasil, de Portugal e dos restantes países africanos que não implantaram o Acordo apesar de o terem assinado."


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Reforma_Ortogr%C3%A1fica_de_1973


http://www.portaldalinguaportuguesa.org/?action=acordo-historia


https://pt.wikipedia.org/wiki/Acordo_Ortogr%C3%A1fico_de_1990


 

segunda-feira, 21 de março de 2022

Dia da Poesia

No dia 21 de março celebra-se o Dia Mundial da Poesia, data criada aquando da realização da 30ª Conferência Geral da UNESCO em 16 de novembro de 1999.


SER POETA

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!


(excerto, Florbela Espanca)


O Dia Mundial da Poesia comemora a "diversidade do diálogo, a livre criação de ideias através das palavras, da criatividade e da inovação". Nesta data, celebra-se a importância da reflexão sobre o poder da linguagem e do desenvolvimento das habilidades de cada pessoa. Isso porque a poesia contribui para a diversidade criativa, inferindo na nossa perceção e compreensão do mundo.   


A história portuguesa apresenta muitos poetas cuja obra literária é mundialmente conhecida. Luís de Camões, Fernando Pessoa, António Nobre, Florbela Espanca, José Régio, Natália Correia, Eugénio de Andrade, Cesário Verde, Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner Andersen, são alguns dos poetas portugueses mais conhecidos.  


A sílaba

Toda a manhã procurei uma sílaba.
É pouca coisa, é certo: uma vogal,
uma consoante, quase nada.
Mas faz-me falta. Só eu sei
a falta que ma faz.
Por isso a procurava com obstinação.
Só ela me podia defender
do frio de janeiro, da estiagem
do verão. Uma sílaba,
Uma única sílaba.
A salvação.


(Eugénio de Andrade)


Fontes:


https://culturaportugal.gov.pt/pt/saber/2022/03/dia-mundial-da-poesia-2022/


https://www.calendarr.com/portugal/dia-mundial-da-poesia/


https://www.turismodeportugal.pt/pt/Agenda/Paginas/dia-mundial-poesia.aspx


http://antoniocicero.blogspot.com/2014/03/eugenio-de-andrade-silaba.html


 


 


 

terça-feira, 1 de junho de 2021

Dia da Criança

Poema:


"Depus a máscara e vi-me ao espelho.
Era a criança de há quantos anos. 
Não tinha mudado nada... 
É essa a vantagem de saber tirar a máscara. 
É-se sempre a criança, 
O passado que foi 
A criança. 
Depus a máscara, e tornei a pô-la. 
Assim é melhor, 
Assim sem a máscara. 
E volto à personalidade como a um términus de linha." 


(Álvaro de Campos)


O Dia Mundial da Criança foi estabelecido oficialmente em 1950 na sequência do congresso da Federação Democrática Internacional das Mulheres, realizado em 1949, em Paris, por iniciativa das Nações Unidas, com o objetivo de chamar a atenção para os problemas que as crianças então enfrentavam.


Nesse dia, os Estados-Membros reconheceram que todas as crianças, independentemente da raça, cor, religião, origem social, país de origem, têm direito a afeto, amor e compreensão, alimentação adequada, cuidados médicos, educação gratuita, proteção contra todas as formas de exploração e a crescer num clima de Paz e Fraternidade.


Portugal, à semelhança de vários países, adotou este dia para celebrar o Dia da Criança com o objetivo de sensibilizar para os direitos das crianças e para a necessidade de promover uma melhoria das suas condições de vida, com vista ao seu desenvolvimento pleno.


Por vezes, confunde-se este dia com o dia 20 de novembro, o qual foi  considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Universal da Criança. A 20 de novembro, celebram-se dois importantes acontecimentos:



  • nesse dia, no ano de 1959, foi aprovada a Declaração dos Direitos da Criança;

  • na mesma data mas já em 1989, foi adotada, também pela Assembleia Geral da ONU, a Convenção dos Direitos da Criança (a qual Portugal ratificou no dia 21 de setembro de 1990).


O que importa é que não nos esqueçamos daquilo que é mais importante: falar sobre os Direitos das Crianças e dar o nosso contributo para de alguma forma dar voz aqueles meninos e meninas que sofrem abusos, trabalhos forçados e não têm infância!


A pobreza, a privação de afectos, os casos de abuso, negligência e maus-tratos, o abandono escolar, as dificuldades de acesso a cuidados de saúde, as doenças crónicas e a deficiência, o aumento de casos de obesidade e as doenças do comportamento são exemplos de situações vividas pela criança que não podemos ignorar e que devemos combater.


 


Fontes:


https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-da-crianca-2021


https://www.calendarr.com/portugal/dia-mundial-da-crianca/


https://www.ordemenfermeiros.pt/arquivo-de-p%C3%A1ginas-antigas/1-de-junho-dia-mundial-da-crian%C3%A7a/


 


 

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Analfabetismo no início da República

Até aos primeiros anos do século XX, o país viveu em monarquia. Portugal era um país pobre e onde o investimento era desajustado. Saber ler não era prioridade e em 1890, "76% da população portuguesa maior de 7 anos não sabia ler nem escrever." As famílias , normalmente muito numerosas, tinham outras preocupações. A fome, o frio e as doenças, matavam milhares de habitantes. A República não veio trazer apenas mudanças na governação do país. A República veio pôr em prática os ideais educativos que já se tentavam impor em Portugal, tal como na Europa, mas que se viam barrados.


Com a chegada da República, uma das principais tarefas era mudar a visão que se tinha da escola, a qual "passou a ser vista como o lugar privilegiado para a formação dos cidadãos." Até ali, a função de ensinar a ler e a escrever estava atribuída a tutores, normalmente ligados 
à igreja e, com a laicização do Estado, isso teria de mudar. Esta separação entre ensino e religião fez com que em 1911, fosse "extinta a Faculdade de Teologia e proibido o ensino religioso em escolas civis."


A educação era considerada como o principal fator "do progresso das sociedades." No início da 1ª República, em 1910, "aproximadamente 76,1% da população portuguesa não sabia ler nem escrever. Era, dir-se-ia, a constatação de que a falta de instrução era a maior inimiga do progresso e de que essa mesma situação era habilmente mantida pelo poder vigente como forma de controlar a população."


As medidas passam pelo aumento do número de inspetores, pela melhoria dos salários dos professores e pela criação de novas escolas. Os adultos vão poder também aprender a ler e cujo "exemplo mais emblemático é constituído pelas Escolas Móveis pelo Método de João de Deus."


Aumenta para 5 o número de anos de escolaridade obrigatórios no ensino básico (em 1901 era de apenas 3 anos). O ensino infantil (o atual pré-escolar) e que já tinha sido uma ideia preconizada na "legislação de Rodrigues Sampaio (1878 e 1881) e pela de João Franco (1894 e 1896)," começa a ter mais importância. "De uma taxa de analfabetismo de 76,1%, em 1910, passou-se para uma taxa de 70,5% em 1920."


Muito foi feito, mas hoje, sim hoje, 2019, mais de cem anos depois, ainda existem pessoas que não aprenderam a ler e a escrever (embora numa taxa muito mais baixa) e muitas existem que, apesar de terem frequentado a escola básica, nunca de lá tiraram proveito.


Fontes:


https://www.infopedia.pt/artigos/$combate-ao-analfabetismo-na-primeira


https://www.publico.pt/2010/08/31/jornal/analfabetismo-e-educacao-popular-19905476


https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/15174.pdf

"D. Maria II"

No seguimento da leitura de D. Maria I, procurei agora pela história de D. Maria II, de Isabel Stilwell. Neste romance, à semelhança dos ant...