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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

"A chuva pasmada"

Li em fins de agosto de 2010, quase a ser mãe e com algum tempo para aquele prazer intemporal que são os livros e as grandes histórias.


"A chuva pasmada" de Mia Couto conta-nos a história surpreendente de uma chuva suspensa no ar, que se recusa a emprenhar a terra árida. É um cacimbo indeciso que enlouquece todos. Porém, é a loucura desta "inundação sem chão" que faz com que as almas, até aí secas de sonhos e de segredos abafados, se desvelem e procurem a água umas nas outras. A história é contada na primeira pessoa, por um narrador participante, em jeito de memória de adolescência de uma criança que observa as personagens nas suas mutações.


O avô velho era como que um "rio seco que fluía num sonho" de navegar até chegar ao mar. Ficara assim depois da mulher, que considerava a sua água, morrer, pois ligavam-se "como a aranha e o orvalho, um fazendo teia no outro". O pai, mais velho que o avô, porque "a velhice não é uma idade, é uma desistência", estava pasmado como a chuva, estancara-se junto à vida, sufocado pelo próprio umbigo.


A mãe, com segredos de "mulher e água", o amor pelo seu homem que não a procurava, pois desistira dela como da vida. Mas "o amor não é a semente, é semear" e ela consegue inundá-lo de sangue, de amor, provocando-lhe ciúme. A tia com "propósitos de sombra", nunca casara, e via na indecisão da chuva um castigo para a sua secura.


O avô, detentor da memória maior é o elo entre todos e obstina-se em fazer a sua viagem. As pontes entre o céu e a terra são criadas e a chuva resolve cair. Cumpre-se a intenção do avô: "ele queria o rio sobrando da terra, vogando em nosso peito, trazendo diante de nós as nossas vidas de antes de nós". 


Um livro rico em imensas figuras de estilo, uma escrita metafórica que é preciso desconstruir para se perceber.

domingo, 20 de maio de 2018

"Rapariga com brinco de pérola"

"Rapariga com brinco de pérola" foi um dos pequenos romances que li durante o verão de 2010, altura em que estava com tempo e gravidíssima! Esta é a história de um quadro, de uma obra de arte, soberbamente narrada por Tracy Chevalier.



A história tem início em 1665. Depois do pai ficar cego devido a uma explosão, a jovem Griet de apenas 17 anos, é obrigada a trabalhar para sustentar a família. Como normal naquela época, está-lhe reservado torna-se criada na casa de Johannes Vermeer, em Delft. Vermeer é um pintor e apesar daquilo que os separa, a sua atenção começa a voltar-se para a  jovem Griet. Apesar das diferenças dos dois mundos, Vermeer leva-a para o mundo da arte, e ela torna-se a sua musa. Nesta próspera cidade holandesa,, tudo tinha uma ordem pré-estabelecida, ou seja, ricos e pobres, católicos e protestantes, patrões e criados, todos sabiam o seu lugar.


O papel de Griet era apenas o de fazer a lida doméstica e tomar conta dos seis filhos do pintor. A mulher de Vermeer, Catharina, mostra ter ciúmes de Griet, uma atrativa jovem com talento artístico, e a fiel empregada da avó começará a vigiar todos os seus movimentos.


Ninguém esperava, porém, que as suas maneira delicadas, a sua perspicácia e o fascínio demonstrado pelas pinturas do mestre a arrastariam inexoravelmente para o mundo dele. Mas, à medida que a rapariga se tornava parte integrante da sua obra, a intimidade crescente entre ambos ia espalhando tensão e decepção na casa e adquiria a proporção de um escândalo em toda a cidade. A menina torna-se mulher quase sem se aperceber, deixando-se levar por uma forte admiração que, da parte dela, se confunde com o amor. 


Sobre a autora:


Tracy Chevalier nasceu em Washington D.C., mas aos 22 anos foi viver para Londres, onde reside atualmente com o marido e o filho.


Tem um mestrado em Escrita Criativa pela Universidade de East Anglia e é uma autora muito acarinhada pelo público e pela crítica. Com o seu segundo romance, A Rapariga do Brinco de Pérola, recebeu o Barnes and Noble Discover Award.


Fontes:


https://www.wook.pt/autor/tracy-chevalier/17004


 


"D. Maria II"

No seguimento da leitura de D. Maria I, procurei agora pela história de D. Maria II, de Isabel Stilwell. Neste romance, à semelhança dos ant...