Caderno de leitura, Caderno de Escrita
sexta-feira, 10 de julho de 2026
"D. Maria II"
domingo, 28 de junho de 2026
"D. Maria I"
Neste romance da já conhecida Isabel Stilwell continuamos a acompanhar a vida na corte portuguesa, desta vez através da vida de D. Maria I, que como o sub-título deste romance tão bem nos indica, foi uma "rainha atormentada por um segredo que a levou à loucura." Mas sobre o segredo, nada digo, pois têm mesmo de ler o livro de uma ponta à outra.
* Quando tentamos seguir a Cronologia apresentada no inicio do livro, constatamos que tendo nascido em 1768, Mariana faria 18 anos quando em 1786 escreve à mãe sobre o seu medo do parto. Adiante, aquando do nascimento do seu segundo filho em 1787, já na 3ª parte do romance, a rainha D. Maria refere que a filha tem 18 anos "quase dezanove" o que passa a estar correto se pensarmos que ela nasceu em 1768.
sábado, 23 de maio de 2026
"O Mestre de Dachau"
Escrito por Sarah Freethy, "O Mestre de Dachau" conta-nos a história de uma mulher que procura pela verdade escondida na família e que ninguém lhe quer contar. Ela tem apenas uma figura feita de porcelana b ranca, mas sabe que existem outras e sabe também que se as descobrir, irá estar mais perto de saber a sua verdadeira história.
"Por baixo, onde estaria o pelo macio da barriga, a porcelana é lisa e esconde a marca do fabricante; com a palavra Allach estampada num tipo de letra angular que evoca bierkellers, florestas de pinheiros e pousadas alpinas. Por cima, em pinceladas pretas e planas, dois relâmpagos."
A história começa em 1993, à "porta da Casa de Leilões Forsythe." em Cincinnati. "Clara Vogel" procura por outras figuras de porcelana semelhantes à que tem em seu poder. Ela sabe que naquelas figuras e na sua história está a sua verdadeira identidade.
Max, um arquiteto judeu formado pela Bauhaus, está apaixonado por Bettina, uma pintora que foge ao que dela esperam e se aventura em criar arte divergente daquilo que é considerado "aceitável" para uma jovem de boas famílias. Os dois acabam por se separar quando Max é apanhado e levado para um campo de concentração, acabando por ir parar a uma fábrica de porcelana na cidade de Dauchau, na Alemanha.
Este livro conta-nos a vida de Max e de Bettina, levando-nos pelos negros anos do Terceiro Reich, mas também nos trazem de volta à atualidade e à busca da verdade. É um livro que em alguns momentos nos leva a parar e a respirar fundo, de tão embrenhados que estamos na sua essência. Quase que nos consegue transportar para lá, revelando-nos os cheiros e as texturas dos quadros de Bettina e das figuras de porcelana de Dachau em que Max trabalha.
No fim, acabamos por descobrir a verdade, mas não sem antes a história nos levar a desacreditar deste amor e de assistirmos ao seu triunfo.
Recomendo a sua leitura.
quarta-feira, 20 de maio de 2026
"Encontrei o amor..."
Encontrei o Amor onde menos esperava" é um livro de Fátima Lopes, que n os conduz através de uma história de amor, uma história de vida, ou ambas. É um livro que parece ser leve mas que nos traz uma mensagem muito profunda se estivermos dispostos a aceitá-la: há esperança para o amor.
Começamos por encontrar uma mulher que se encontra marcada por relações falhadas. Sofia, a personagem principal, tem amigos e uma família que a ama, mas a perda da mãe fá-la querer regressar às origens e, por isso, mete-se no carro e vai até ao Alentejo onde planeia reconstruir a casa que tinha pertencido aos avós. Mas não é só a casa que se vai reconstruir.Existe um amor latente, quase que hibernado, à espera de uma oportunidade para despontar...
Não me lembro de ter lido algo de Fátima Lopes antes, mas este livro chegou para me prender. É uma leitura leve, mas que traz em si uma grande maturidade. Trás através dela, outras histórias, muitas vivências e, mesmo que não tenhamos a idade de Sofia, ou que não tenhamos uma casa no Alentejo à espera de ser reconstruída, quantos de nós nunca pensaram em atirar tudo para trás das costas e sair à descoberta, não do mundo, mas de nós mesmos?
Adorei o livro e foi importante para me ajudar entre "histórias", que é como quem diz, entre viagens e decisões que tive de tomar, praticamente sozinha e com medo de errar. Mas assim, se não for para arriscar, nunca saberemos se vale a pena, não é? E quem sabe, algum dia, também eu descubra o amor.
domingo, 10 de maio de 2026
"Não levo saudade!"
Esta história foi lida em Ebook durante as viagens de comboio, no meu telemóvel, tentando-me distrair da falta de vontade em ir para Lisboa e das dores.
O narrador fala no seu pai e apresenta-nos a certa altura uma frase que eu penso resumir o livro no seu todo:
"Tudo o que eu digo é mentira, vê se descobres... Nunca descobri a verdade escondida naquelas palavras preciosas."E na verdade, não conseguimos perceber o que é verdade ou ilusão nesta narrativa, o que é fruto da imaginação de um pai com Alzheimer ou de um filho que procura a verdade sobre o pai e sobre as suas próprias origens, ao mesmo tempo que, ele próprio parece ir perdendo a memória e enlouquecendo.
A história começa no cemitério dos Prazeres onde o personagem principal encontra uma pedra tumular com uma estranha inscrição.
Ao tentar saber mais sobre o morto a quem essa pedra faz jus, começa a descobrir a história de um homem que terá dito algumas verdades, mas muitas mais mentiras, acerca da sua vida.
Parece que quanto mais se aproxima da verdade, mais a loucura toma conta dele e, entretanto, vamo-nos perdendo entre histórias mais ou menos mirabolantes e personagens improváveis, mas que poderiam muito bem ser reais.
Um livro estranho, incerto e confuso, escrito por P. Barbosa, autor sobre quem, pouco ou nada consigo encontrar a não ser, outros livros do mesmo género.
terça-feira, 5 de maio de 2026
Dia Mundial da Língua Portuguesa
Assinala-se hoje o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Esta data é celebrada anualmente a 5 de maio, desde 2020, tendo sido este o dia escolhido pela "UNESCO em 2019 e pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) em 2009, para assinalar a diversidade, a história e a importância global do quarto idioma mais falado do mundo." O Português, passou a ser o primeiro idioma "no mundo a ter uma data oficial reconhecida" por este órgão.
Apesar de Portugal se localizar no hemisfério norte, é na verdade a sul que a língua é mais falada. Atualmente, a discussão prende-se com o uso do "Novo Acordo Ortográfico." Mas o que é isto de Acordo Ortográfico? De facto trata-se de "uma convenção que estipula regras sobre como escrever."
Já houve outros AO. "A primeira reforma ortográfica, em Portugal, ocorreu em 1911 e, tal como a atual, também sofreu várias contestações. Foi com a reforma ortográfica de 1911 que deixámos de escrever “pharmacia” e passámos a escrever “farmácia”, por exemplo."
Sabiam que também foi a partir dessa data que se passou a escrever “anedota”, “dano” ou “ditongo”, em vez de "“anecdota”, “damno” e “diphthongo”, respetivamente. O “ y” foi substituído pelo “ i” em palavras como “sintaxe” (que se escrevia “syntaxe”)."
O Novo AO, procura por um lado acabar com as divergências ortográficas entre os diferentes países que o ratificaram (Portugal em 2008, Brasil em 2004, Cabo Verde em 2006, São Tomé e Príncipe em 2006, Guiné Bissau em 2009). As mudanças influenciam a escrita, mas não a leitura nem a pronúncia das palavras como algumas pessoas acham. Assim, não vamos alterar a nossa "forma de falar, nem vamos passar a falar “brasileiro”."
"O acordo também não retira consoantes pronunciadas, ou seja, em Portugal, facto vai continuar a ser facto e não fato." Por outro lado, a "eliminação de consoantes mudas não vai alterar a pronúncia." Por exemplo: "espectador passa a escrever-se espetador mas continua a pronunciar-se
com
E estas são apenas algumas alterações.
Para mim, a língua portuguesa é uma língua viva, um idioma que é falado de formas diferentes em Portugal, no Brasil ou em Cabo Verde, mas em que todos nos entendemos. Aquilo que mais me custa ver, são os erros que se multiplicam e que cada vez mais são visíveis não apenas na internet, mas também em livros. Há traduções cheias de erros, vê-mo-los nas notícias de sites portugueses e brasileiros. Por exemplo, a palavra "vê-mo-los" que aqui escrevi é detetada como erro, quando é apenas a união da primeira pessoa do plural do presente do indicativo do verbo ver (Nós vemos) com o pronome pessoal referente à 3.ª pessoa do plural masculino ("os"). Por isso, cuidado com os tradutores e com a IA que, desde já vos aviso, está cheia de erros facilmente detetáveis e não estão associados ao uso do Novo AO.
E se descobrirem erros nos meus textos, por favor avisem-me.
quinta-feira, 30 de abril de 2026
Quem foi Orwell?
O nome George Orwell é o pseudónimo de Eric Artur Blair, nascido em 1903 numa região que na época pertencia à Índia britânica. Eric viria a viver em Inglaterra para onde se mudou ainda na infância com a família.
Foi uma figura incontornável do jornalismo, e uma dos mais influentes escritores do século XX. Eric "combateu na Guerra Civil de Espanha, experimentou o colonialismo inglês na Birmânia como polícia imperial," e chegou a ser também correspondente de guerra. Todas estas experiências moldaram, não só o homem, mas o escritor em que se tornou.
Da sua obra fazem parte obras como "Dias Birmaneses (1934) e Homenagem à Catalunha (1938)", embora as mais conhecidas tenham sido "Quinta dos Animais (1945) e Mil Novecentos e Oitenta e Quatro (1949)." Orwell morreu de tuberculose em 1950, com apenas 47 anos, mas a sua obra continuou a vencer barreiras. Na sua obra, encontramos patente a crítica ao autoritarismo, à censura e à manipulação da verdade.
Os seus livros acabaram censurados pela maioria dos governos autoritários (caso da União Soviética, da China e até de Portugal). Na atual Rússia, Putin proibiu a palavra "guerra" e, se já leu "1984", isso pode fazê-lo lembrar-se de algumas passagens, como a expressão "a guerra é a paz".
Durante o Regime Salazarista, obras como "O triunfo dos porcos" (uma sátira política dirigida ao regime soviético saído da revolução bolchevique) e "1984" foram censurados em Portugal.
Fontes:
https://www.wook.pt/autor/george-orwell/4729963
https://observador.pt/opiniao/george-orwell-tem-mais-uma-vez-razao/
https://ensina.rtp.pt/artigo/o-big-brother-de-george-orwell/
"D. Maria II"
No seguimento da leitura de D. Maria I, procurei agora pela história de D. Maria II, de Isabel Stilwell. Neste romance, à semelhança dos ant...
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