quinta-feira, 30 de abril de 2026

Quem foi Orwell?

O nome George Orwell é o pseudónimo de Eric Artur Blair, nascido em 1903 numa região que na época pertencia à Índia britânica. Eric viria a viver em Inglaterra para onde se mudou ainda na infância com a família.

Foi uma figura incontornável do jornalismo, e uma dos mais influentes escritores do século XX. Eric "combateu na Guerra Civil de Espanha, experimentou o colonialismo inglês na Birmânia como polícia imperial," e chegou a ser também correspondente de guerra. Todas estas experiências moldaram, não só o homem, mas o escritor em que se tornou.

Da sua obra fazem parte obras como "Dias Birmaneses (1934) e Homenagem à Catalunha (1938)", embora as mais conhecidas tenham sido "Quinta dos Animais (1945) e Mil Novecentos e Oitenta e Quatro (1949)." Orwell morreu de tuberculose em 1950, com apenas 47 anos, mas a sua obra continuou a vencer barreiras. Na sua obra, encontramos patente a crítica ao autoritarismo, à censura e à manipulação da verdade. 

Os seus livros acabaram censurados pela maioria dos governos autoritários (caso da União Soviética, da China e até de Portugal). Na atual Rússia, Putin proibiu a palavra "guerra" e, se já leu "1984", isso pode fazê-lo lembrar-se de algumas passagens, como a expressão "a guerra é a paz".

Durante o Regime Salazarista, obras como "O triunfo dos porcos" (uma sátira política dirigida ao regime soviético saído da revolução bolchevique) e "1984" foram censurados em Portugal. 

Fontes:

https://www.wook.pt/autor/george-orwell/4729963

https://observador.pt/opiniao/george-orwell-tem-mais-uma-vez-razao/

https://ensina.rtp.pt/artigo/o-big-brother-de-george-orwell/


quarta-feira, 29 de abril de 2026

"1984"

George Orwell sempre foi considerado um dos mestres da escrita, embora nem sempre trazendo consensualidade ao redor da sua obra.

O livro que acabei de ler é disso exemplo. Ao longo de "1984" a verdade vai nos atingindo de forma sucessiva através das páginas daquilo que sabemos ter sido escrito como uma distopia em 1949. Uma visão de um futuro idealizado como uma crítica à forma como as sociedades de estavam a re-organizar, no pós segunda guerra. Através de Winston, a personagem cuja vida vamos acompanhando. "1984", aborda o tema da opressão e do controlo de um governo manipulador. A história vai sendo apagada e reescrita ao sabor da vontade do governo, que vigia e controla todos os movimentos e pensamentos dos seus súbditos, com o uso de tecnologia inovadora. Além da história e do passado, também a língua passa a ser algo frio e sombrio, sem graça.

Numa sociedade que valoriza o culto ao líder, "o Grande Irmão", a "Oceania" está numa constante guerra com a "Eurásia" e a "Estásia." Winston é um dos funcionários do "Ministério da Verdade" onde é um dos responsáveis pela propaganda e por reescrever o passado, apagando os vestígios de acontecimentos que se querem destruir de vez, da memória, de livros e de todo e qualquer vestígio.

Detesta aquilo que faz e acaba por comprar um pequeno diário, onde, dissimuladamente, tenta escrever aquilo que lhe vai na mente, buscando as suas próprias memórias, quase que num ato de rebeldia que vai crescendo cada vez mais.

A certa altura, conhece Júlia, com quem começa a manter uma relação amorosa e, juntos, começam a fazer oposição ao governo. No entanto, não demora a que sejam apanhados. A tortura física e psicológica aplicada tentou mais do que demovê-los, mudar-lhes a mente, alterar-lhes os pensamentos. 

O final, apesar de pesado, reflete a realidade de um estado autoritário, sob domínio de alguém que não quer apagar os seus inimigos, mas sim convertê-los.


sexta-feira, 27 de março de 2026

Poesia para dias bonitos...

 Hoje está um dia tão bonito, não está? Um dia alegre, soalheiro, que nos convida a ir para a rua e a apreciar a primavera que já chegou. Mesmo quando a felicidade está oculta por outros problemas e os olhos manifestam o cansaço acumulado, a primavera acaba por nos ajudar a ter esperança.

Lá fora... lá fora as balas zunem, mas aqui...aqui olhamos as andorinhas que chegam e que nos trazem a primavera com elas. 


É a Primavera a chegar

 

Na colmeia, em zumbido constante

Estão obreiras a trabalhar

O frio já ficou a montante

Está a Primavera a chegar.

 

Traz consigo as andorinhas

Que depois de muito voar

Encontram nas varandinhas

Um sítio para descansar.

 

Ocupam agora com cautela

Os ninhos que ali deixaram

Por cima da minha janela

As andorinhas já chegaram!

 

(Elsa Filipe, março de 2026)

quinta-feira, 26 de março de 2026

Ainda sobre a Primavera

 Quando me desafiam, começam a nascer ideias. Boas, más, assim-assim... aqui fica mais um poema sobre a Primavera.


A Primavera

 

A Primavera chega de mansinho

E o sol, nos aquece, devagar

Canta feliz o passarinho

No seu ninho a trabalhar.

 

Qual arquiteto e senhor

Junta os galhos com saber

Depois com muito amor

Os ovos vai aquecer.

 

Quando é hora, das casquinhas

Saem de bico no ar

Sejam melros ou andorinhas

Em breve os veremos voar!

 

É a magia que acontece

A cada ano, em cada lugar

É tão belo que até parece

Que é a Terra a celebrar.

 

(Elsa Filipe, março de 2026)


terça-feira, 24 de março de 2026

Poesia... quando o inverno se vai embora e nos deixa o calor da primavera

O inverno começa a ir-se embora. Parece um pouco relutante... mas acabará por ir. Seguindo o seu caminho, deixar-nos-á dias mais amenos.

Estende-se o sol até mais tarde...e escreve-se com a inspiração da beleza da primavera.


O Inverno foi-se embora

 

O inverno, despediu-se

Foi-se embora de mansinho.

Andou chovendo,

Fez seus estragos,

Mas já se pôs ao caminho.

 

Chega agora a Mãe que da Terra

Com cuidado, terna e paciente

Ajeita a terra que a semente encerra

E dela faz algo surpreendente.

 

Onde havia escuridão, se fez cor

E onde a morte passou,

Desponta agora em esplendor

A vida que da Terra brotou!

 

 

 

(Elsa Filipe, março de 2026)


segunda-feira, 23 de março de 2026

"Sonata em Auschwitz"

Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé nos campos de Auschwitz. Neste romance, que parte de um relato real, Luize leva-nos numa viagem a Auschwitz. Amália desconhece as suas origens, sabendo apenas que tinha nascido em Portugal, numa família na qual sempre se sentiu amada e que, lutou contra a ditadura salazarista. Amália descobre que é descendente de um oficial nazi e acaba por ir procurar um pouco mais sobre as suas origens. Isto leva-a primeiro à Alemanha e depois ao Brasil.

Neste livro, existe um elo comum - a pequena Haya - a bebé que, ao contrário do que aconteceu na vida real - foi salva por um oficial nazi. Um livro que nos fala da ideologia nazi e do confronto com a ética e a escolha pessoal de cada uma das personagens. 

Convido-vos a ver também esta entrevista, onde a autora nos fala sobre a história real que deu origem ao romance. No final do livro existem também algumas explicações que nos ajudam a compreender a construção da própria "Sonata" que também nos é dada a conhecer.

Fontes:

https://youtu.be/b42n8C7by4g?si=vx7LHHmJFvxTnLWr

https://youtu.be/cRyydj-lS-0?si=4b6u-V55TZbVLYrp


 

sábado, 21 de março de 2026

Hoje celebra-se a Poesia

Além de se comemorar a entrada da primavera, essa estação das flores, dos dias mais azuis e mais quentes, também se assinala hoje uma data muito especial: o Dia Mundial da Poesia.

Eu gosto de escrever e, confesso, sou mais apreciadora de escrever em prosa do que em verso, mas de vez em quando lá me desafio (ou me desafiam) a escrever alguns versos. E quando me dedico, a minha cabeça enrodilha-se nas linhas e entrelinhas que compõe os versos.

Não me considero nada boa nisso e fico sempre a achar que falta algo, que não está totalmente bem, ou que podia ter encontrado uma palavra diferente para transmitir aquilo que queria. É culpa da minha exigência...

No fundo, a minha grande questão é: 

Para que nos serve a poesia ou como é que nós servimos a poesia? 

É que a poesia em si é um exercício que me desafia na arte da escrita, mas confesso que não gosto propriamente de ler poesia. Bem, a verdade é que depende. É que para mim a poesia é para ser lida quando precisamos... e há dias em que nos toca com uma tal intensidade que nos muda a nossa própria disposição. Não partilho tudo o que escrevo. Quase todos os dias escrevo e muito do que escrevo são poemas, só que depois quando os volto a ler, acabo por não gostar e deito-os fora. Quando os partilho, eles deixam de ser apenas meus e assim, já não os posso mudar - poder posso, mas decido mão o fazer - e isso mete medo. O definitivo. Há uma insatisfação qualquer em mim que não me deixa terminar nada sem ter medo de que esteja mal feito.

A poesia traz-me sentimentos diferentes conforme os dias. Cada vez mais, quando escrevo e, principalmente quando escrevo poesia, sinto que tem de haver uma intenção. Mas ler poesia é diferente. Nem sempre me faz sentir aquilo de que eu ia à procura. Pode fazer-me ficar mais feliz, me animar se estou triste, mas também pode ter o poder de me consolar, de me permitir chorar, de me rever em versos que me acolhem e me acalentam como um abraço forte.

Como exercício de escrita, a poesia é muito versátil. Ela pode dar-nos liberdade, mas, se quisermos seguir uma métrica regular e determinado esquema rimático, ela pode ser muito exigente. 

E no ensino, é difícil. Como é que eu transmito às crianças e jovens a importância da poesia, como é que eu lhes crio interesse, como é que eu os ajudo na sua interpretação? É que não estudamos poetas muito fáceis de entender! A maior dificuldade é encontrar poemas que não sejam demasiado difíceis de interpretar para que se possam trabalhar em aula com alunos que são cada vez mais imaturos. A poesia pode ser uma excelente base de trabalho para se falar de emoções, mas para isso, os jovens têm de ser capazes de se colocar nas botas daquele poeta, de assumir o seu ponto de vista, de saber sobre o que é que ele está a falar.

Hoje, dia mundial da Poesia, deixo-vos com esta questão: 

O que é que a poesia vos traz?


Quem foi Orwell?

O nome George Orwell é o pseudónimo de Eric Artur Blair, nascido em 1903 numa região que na época pertencia à Índia britânica. Eric viria a ...