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A mostrar mensagens de fevereiro, 2024

"Os Lusíadas"

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Bem, para começar, esclarecer que não estive a ler a obra na íntegra. Já a tinha lido quando era aluna do 3º ciclo. Mas volta não volta, ano após ano, volto a pegar nesta grande epopeia para a trabalhar com os meus alunos durante as explicações de português. Aquilo que mais me atrai, é que por entre cada estrofe, encontramos aqui e ali referências da nossa própria História, umas vezes bem explícita e, noutras, mais escondida.  Grande marco da nossa história literária, Camões é "o Poeta" português. Viveu durante o século XVI e escreveu a primeira epopeia portuguesa, publicada em versão impressa (1572), " no  período literário do Classicismo, ou Renascimento tardio , três anos após o regresso do autor do  Oriente , via Moçambique." "Os Lusíadas" terão começado a ser escritos provavelmente em 1553, quando Camões esteve em Goa, Índia. A obra é antropocêntrica, ou seja, valoriza o "ser humano" e a sua "racionalidade." Um outro aspeto importa...

Poesia... naufragar, fugir

Parab lembrar aqueles que seguem por esse mar em busca de uma vida melhor e que fundo acabam por deixar naufragar os seus sonhos...   Fugido   Vindo de terra distante Sem casa, sem gente, sem nada Chega sem fé o migrante Com vida, esperança acabada.   Venceu o mar, impiedoso, Transpôs os mitos da morte Mas sem nada, desgostoso, Que será da sua sorte?   Feita a viagem morreram Companheiros, filhos e pais Daquilo que viu não queria Nem viver nunca mais!   Fugido da guerra distante Que lhe matou o futuro Deixou nas mãos de um tratante A travessia no escuro.   Nasce o dia e a claridade, Fá-lo olhar o céu aberto Não conhece a cidade, Nem tem destino certo.   Mas as balas, não as descobre Nem caiem bombas no chão Se teto ainda não o cobre Espera só uma refeição.   Nem todos o vão entender Nem sequer o aceitar Se alguns se podem esquecer Ele isso não vai deixar.   É refugiado, sim. Não precisam de o aceitar Só qu’ ao mar não o devolvam Não quer à sua pátria voltar. Elsa Filipe, fevereiro de 2...

"A Mensagem na garrafa"

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Quando vou à biblioteca, raramente vou com a ideia sobre o que vou trazer e normalmente gosto de dar uma volta, especialmente pelos destaques e ir folheando alguns livros. Desta vez, calhou-me este livro de um autor para mim ainda desconhecido: Jussi Adler-Olsen.  "A mensagem na garrafa" é um policial que encerra em si uma história dramática. O criminoso é um homem sem escrúpulos que se aproxima de seitas religiosas e que, aproveitando-se da confiança que ganha nessas comunidades, se liga com uma das famílias e lhes rapta dois dos filhos. Um é morto e o outro fica vivo com a mensagem que estarão sempre a ser vigiados. A família, sob ameaça e em luto com a morte de um dos filhos, acaba por continuar em segredo e em silêncio anos a fio. Duas dessas crianças, tinham sido raptadas e enclausuradas num barracão, mas a inteligência de um dos meninos, portador de Asperger, leva-o a encetar uma forma de comunicar com o exterior. Mas só vários anos depois, a mensagem que tinha sido esc...

"O conto da Ilha Desconhecida"

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Este é um dos livros de José Saramago que podemos encontrar no Plano Nacional de Leitura, para o 8º ano. A narrativa situa-se num tempo e local indeterminado e conta a história de um "homenzinho" que queria para si um barco com o qual pudesse ir à procura de uma "ilha desconhecida".  É esse o pedido que ele vai fazer ao Rei, mas a primeira dificuldade é conseguir que o Rei o oiça. Logo ali, de forma um pouco metafória vão surgindo outras personagens que são como que muros intransponíveis para quem não é "tão importante" e que dificilmente iria conseguir alcançar o seu objetivo. Saramago introduz logo aqui nas suas primeiras linhas uma crítica à burocracia, em que a "empregada" representa o poder que alguns funcionários, sem o ter, fazem por se fazer valer da sua posição para impedir que os outros consigam alcançar os seus objetivos. Mas a sua obstinação traz frutos e a sua viagem finalmente pode começar.  Neste livro encontramos um Saramago que e...

"O Deus das Pequenas Coisas"

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A história passa-se nos anos sessenta, setenta do século passado em Ayemenem, Kerala, no sul da Índia. Ammu vive com os filhos gémeos, Rahel e Estha de sete anos. A avó das crianças (matriarca desta família), o tio e a tia-avó vivem na mesma casa e gerem uma fábrica de conservas, numa época em que os "tocáveis" e os "não-tocáveis" não tinham os mesmos direitos. A história começa com o regresso de Rahel a uma casa vazia, sem mobília e com um velho carro estacionado à porta. As três gerações desta família estão de facto espalhadas pelo mundo e é aquela casa o seu ponto de encontro. Dentro de casa, está ainda a sua tia-avó, Baby Kochamma. Rahel vem de visita ao irmão, Estha, e começa desde logo por referir algumas situações sobre as quais, mais tarde, iremos entender como aconteceram e a importância que tiveram no desfecho da história. De seguida, passamos a saber que os gémeos teriam sido separados e que isso teria tido algo a ver com a morte de uma menina, prima dos ...