sábado, 23 de setembro de 2023

Poesia de outono

Nasce ainda no verão, num dia do mês de agosto


Corre leve, soprando as folhas que vai amarelecendo,


Tem ainda pela frente, vários dias que decrescem


Dando sinal de sua graça, nas noites que arrefecem.


 


Somos levados por ele, que não nos surpreende,


Devagar vai escurecendo, os dias e as folhas também,


As marés vão crescendo em vagas cada vez maiores


Cuidados redobrados é aquilo que convém


 


Jovem, malandro, o outono aparece


As folhas do chão, estalando


De repente, tudo doirado parece


Mas vem a chuva ensopando.


 


Mas o jovem vai crescendo,


Dias menores com o frio a aumentar


Dos amenos dias nos esquecendo


Quando a gripe nos faz espirrar.


 


Quer ser alguém maior,


Arrasta com ele a vontade


De chegar a ser inverno 


Mas sem ter ainda a idade.


 


Porque o inverno é velhinho, sábio, duro e imprevisível


Há-de chegar, é certinho, não há outono que o pare


Cada qual no seu lugar, mas o outono é terrível


Quer trazer com ele a chuva, a neve e o vento também


Mas se há quem o agarre,


É o verão que espreita quando lhe convém.


Elsa Filipe


 


 


 


 

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