sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Analfabetismo no início da República

Até aos primeiros anos do século XX, o país viveu em monarquia. Portugal era um país pobre e onde o investimento era desajustado. Saber ler não era prioridade e em 1890, "76% da população portuguesa maior de 7 anos não sabia ler nem escrever." As famílias , normalmente muito numerosas, tinham outras preocupações. A fome, o frio e as doenças, matavam milhares de habitantes. A República não veio trazer apenas mudanças na governação do país. A República veio pôr em prática os ideais educativos que já se tentavam impor em Portugal, tal como na Europa, mas que se viam barrados.


Com a chegada da República, uma das principais tarefas era mudar a visão que se tinha da escola, a qual "passou a ser vista como o lugar privilegiado para a formação dos cidadãos." Até ali, a função de ensinar a ler e a escrever estava atribuída a tutores, normalmente ligados 
à igreja e, com a laicização do Estado, isso teria de mudar. Esta separação entre ensino e religião fez com que em 1911, fosse "extinta a Faculdade de Teologia e proibido o ensino religioso em escolas civis."


A educação era considerada como o principal fator "do progresso das sociedades." No início da 1ª República, em 1910, "aproximadamente 76,1% da população portuguesa não sabia ler nem escrever. Era, dir-se-ia, a constatação de que a falta de instrução era a maior inimiga do progresso e de que essa mesma situação era habilmente mantida pelo poder vigente como forma de controlar a população."


As medidas passam pelo aumento do número de inspetores, pela melhoria dos salários dos professores e pela criação de novas escolas. Os adultos vão poder também aprender a ler e cujo "exemplo mais emblemático é constituído pelas Escolas Móveis pelo Método de João de Deus."


Aumenta para 5 o número de anos de escolaridade obrigatórios no ensino básico (em 1901 era de apenas 3 anos). O ensino infantil (o atual pré-escolar) e que já tinha sido uma ideia preconizada na "legislação de Rodrigues Sampaio (1878 e 1881) e pela de João Franco (1894 e 1896)," começa a ter mais importância. "De uma taxa de analfabetismo de 76,1%, em 1910, passou-se para uma taxa de 70,5% em 1920."


Muito foi feito, mas hoje, sim hoje, 2019, mais de cem anos depois, ainda existem pessoas que não aprenderam a ler e a escrever (embora numa taxa muito mais baixa) e muitas existem que, apesar de terem frequentado a escola básica, nunca de lá tiraram proveito.


Fontes:


https://www.infopedia.pt/artigos/$combate-ao-analfabetismo-na-primeira


https://www.publico.pt/2010/08/31/jornal/analfabetismo-e-educacao-popular-19905476


https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/15174.pdf

sábado, 21 de setembro de 2019

Escrita... divagações

Havia na praia algo de diferente que ela não sabia como explicar, mas era ali que se sentia mais completa, menos só. Talvez fosse o calor que a areia expelia em dias em que o sol se fazia refletir, queimando-lhe a sola dos pés. Ou talvez fosse o som das ondas a ir e voltar, o mar como que inspirando e expirando. Costumava tentar acertar a sua respiração com o mar, num jogo em que perdia na maioria das vezes. 

Gostava de estar sozinha na praia - ou de se imaginar sozinha, mesmo rodeada de gente. Fechava os olhos e o barulho das vozes à sua volta começava a ficar cada vez mais distante. Não adormecia. Ficava consciente de si, concentrando-se no barulho do mar, sentindo-se quase que embalada pelas ondas, como se estivesse à deriva.

Hoje, especialmente, não havia por ali ninguém e Amélia apreciava daquele silêncio quase absoluto. Hoje era mesmo disso que ela precisava. Estar ali, sozinha, com apenas os seus pensamentos como companhia. Chorar fazia quase sempre parte deste ritual, mas a água do mar ajudava a disfarçar os olhos inchados e vermelhos. Se não os tivesse perdido, a sua vida seria diferente. Como seria? Não. Não quer imaginar, tenta afastar essa ideia, mas ela sempre a atormenta! Como seria se? Mas não é, eles já não estão aqui. Não há forma de os trazer de volta. E no seu canto, Amélia chora, fazendo-se renascer. Uma nova Amélia, com uma nova vida para enfrentar...

Elsa Filipe

domingo, 15 de setembro de 2019

"Um brinquedo para Aglael e Daemon"

No mesmo dia em que foi a apresentação do livro de contos em que participei, foi também apresentado na mesma sessão o livro "Um brinquedo para Aglael e Daemon". O livro, foi-me oferecido pelo próprio Eugénio Bernardes e para quem estiver curioso para o procurar, é da editora "Alfarroba".


Uma obra autobiográfica dividida em duas partes, dois livros diferentes, que nos fala da vida nas ex-colónias e da vinda do autor, para o "Império" ou seja para Portugal continental, da sua vida como estudante e dos seus amores e desamores.Particularmente apreciei mais a primeira parte da obra, que me pareceu mais interessante e, apesar da sua natureza, menos descritiva.


Pelo intervalo da escrita, o autor fala-nos de duas personagens, que se assemelham a um anjo e a um demónio. Isto torna ao mesmo tempo o livro diferente do comum texto auto-biográfico, levando-nos de facto para a ficção, numa rara excentricidade que tinge a sua escrita.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

"O retângulo"

Hoje venho falar-vos de um livro bastante importante para mim. "O Retângulo" é o resultado de um concurso literário em que me inscrevi. Seguindo as instruções, construí um pequeno conto que acabou por fazer parte dos finalistas escolhidos para uma coletânea dedos dez contos. A edição é da Alfarroba e saiu em 2012, tento cada um dos participantes recebido 10 exemplares. Mas penso que não está nas bancas, uma vez que nunca o cheguei a ver à venda.


Foi um desafio para mim, pois apesar de gostar bastante de escrever este tipo de ficção não é propriamente o tipo de escrita que me fascina.


Assim, eu nunca pensei que a minha história fosse escolhida, mas afinal foi e fiquei muito orgulhosa com isso. Agora, tenho ainda mais vontade de continuar a escrever.


 

sexta-feira, 19 de julho de 2019

"Um diamante tão grande como o Ritz"

Esta é a estranha história de um diamante tão grande como o Ritz, uma montanha que é na verdade feita de diamante. Li este conto de Fitzgerald em 2011.


O dono dessa montanha é um homem estranho e extremamente perigoso. John T. Unger, é convidado por Percy, seu amigo e filho do homem mais rico do mundo, a passar as férias no castelo da família Washington, na montanha de diamante. Deslumbrado com toda a riqueza e poder que encontra, o jovem não se apercebe do que perigo que corre.

"Estava a divertir-se tanto quanto podia. A felicidade da juventude, bem como a sua insuficiência, reside em que não pode viver no presente, tendo sempre de comparar o dia que passa com o futuro radiantemente imaginado: flores e ouro, raparigas e estrelas, não são mais do que premonições e profecias do incomparável e inalcançável sonho juvenil."

quarta-feira, 3 de julho de 2019

"A saga de um pensador"

O primeiro romance de Augusto Cury. Comecei a lê-lo a 20 de maio de 2011. 

Marco Polo é um navegador. Não um navegador de barco e vela, mas um descobridor de mentes e de pensamentos. Um estudante de medicina que se impressiona com a sua primeira aula de anatomia e com a desumanização da medicina. Provocador, embora sem ser maldoso, consegue o seu primeiro intento - conhecer a identidade do homem cujo corpo jaz na mesa da aula de anatomia, prestes a ser dissecado pelos estudantes. Com a sua descoberta, novos caminhos se abrem: os da mente humana e os do coração.

Capítulo 1
"A ansiedade pulsava no interior de alguns jovens. Um grande sonho encenava-se no teatro das suas emoções. Movidos pela euforia, percorriam como crianças os corredores das salas de aula da Faculdade de Medicina. Olhos fixos nas paredes, cativados pelas estranhas e belas imagens que retratavam pormenores do tórax e dos músculos. Imagens de corpos nus dissecados revelavam que por dentro os seres humanos foram sempre mais parecidos do que imaginaram. A fotografia de um cérebro, saturado de reentrâncias, como riachos que sulcam a terra, indicava o centro vital da nossa inteligência e das nossas loucuras."

Um livro magnífico que recomendo vivamente. Para ler com calma, mastigando cada frase, cada pensamento, cada declaração.

domingo, 23 de junho de 2019

"Beloved"

Um livro da escritora Toni Morrison que li em 2011.


Esta é a história de uma família. Ou de várias.


Uma família de negros, escravos, que fogem do seu cativeiro das poucas formas possíveis. Uma delas, a morte, preferida em lugar da perda de liberdade, da dor da perda de um filho vendido como mercadoria, ou da angústia de não poder fazer o luto pela morte de um ente que não se sabe onde está - se vivo, morto, fugido, desaparecido...

E também a história de uma mãe que para evitar algo que para ela é pior, tal como a experiência a fez conhecer, tenta matar os filhos, para não os deixar ser levados pelo "mestre-escola". Consegue matar apenas a sua bebé "que já gatinha", enquanto os restantes são salvos. É essa bebé - em cuja pedra tumular, ela escreve "Beloved" e nada mais - que a vai atormentar anos a fio em forma de fantasma, afugentando quem se aproxime daquela casa... e não só.

"O 124 era rancoroso. Cheio de veneno infantil. As mulheres da casa sabiam-no e as crianças também. Durante anos cada um aguentara o rancor à sua medida mas, em 1873, Sethe e a filha Denver eram as suas únicas vítimas. A avó, Baby Sugs, morrera, e os filhos, Howard e Buglar, tinham fugido aos treze (...). Também não esperaram por um dos momentos de acalmia: as semanas, até meses em que tudo era tranquilidade. Não. (...)"


Sobre a autora:


Toni Morrison nasceu em Lorain, em Ohio, nos Estados Unidos, numa família de classe média baixa. É a segunda dos quatro filhos do casal Ramah e Goerge Wofford. O seu nome verdadeiro é Chloe Ardelia Wofford. Apesar das dificuldades financeiras da família, que sofria as consequências da Grande Depressão, Morrison era uma leitora ávida. Alguns de seus autores favoritos eram Jane Austen e Liev Tolstói. Em casa, ouvia de seu pai casos populares da comunidade negra.


Em 1949, Morrison ingressou na Universidade de Howard, onde se formou em Inglês. Entre 1955 e 1957, ensinou Inglês na Universidade do Sul do Texas em Houston. Depois, voltou à Universidade de Howard, onde ocupou um cargo de professora. Casou-se em 1958 e divorciou-se em 1964.


Em 1993, Morrison foi a primeira escritora negra a receber o Prémio Nobel de Literatura.


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Toni_Morrison

Quem foi Orwell?

O nome George Orwell é o pseudónimo de Eric Artur Blair, nascido em 1903 numa região que na época pertencia à Índia britânica. Eric viria a ...