quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A hora do Conto

Os momentos de "Hora do Conto", ou os "cantinhos de Histórias" são relativamente fáceis de construir e precisam apenas de uns almofadões, um fantoche, uma manta de retalhos, e é claro, um livro. E este pode ser o ponto mais difícil. Escolher um bom livro e prepará-lo dá trabalho! É preciso conhecer qual será o público alvo da nossa história, de quanto tempo dispomos e como é que pretendemos que as crianças participem! O que mais desejamos é construir um momento que seja agradável para todos: adultos e crianças. E que fique na memória!

 

O trabalho com contos clássicos torna estes momentos muito atrativos, dinâmicos e próximos da realidade das nossas crianças. Com os contos, estimula-se a imaginação e a criatividade das crianças, completando-se a leitura de uma história com actividades lúdicas e que as levam a envolver-se no enredo. As crianças identificam-se com a história da sua personagem favorita, sentem as suas alegrias e as suas tristezas como se fossem suas, construindo paralelos com a sua própria vida.

 

Os contos são fábricas de imaginação e de novas experiências. Eles possuem cheiros, cores e sabores e ao ouvir histórias a criança entra num mundo cheio de magia, sonho e fantasia. O conto tem a capacidade de criar novas perspectivas de vida e o hábito de leitura é criado por estes pequenos, mas tão importantes momentos! A criança re-inventa os contos, interage, relaciona-se com as outras personagens, com o mundo encantado da história. Quer entrar no barco e navegar como Sinbad, sente medo do lobo da floresta e da sombra das árvores, mas também sente a alegria da Cinderela quando encontra o seu Princípe...

 

Os adereços ajudam nestes momentos a tornar os contos mais reais, mais palpáveis e a despertar o interesse das crianças para a narrativa.

 


 


Os momentos da Hora do Conto criam uma cumplicidade entre o contador e a criança, além de aumentarem e fortalecerem os laços afetivos e a confiança entre ambos.

A hora do Conto

Os momentos de "Hora do Conto", ou os "cantinhos de Histórias" são relativamente fáceis de construir e precisam apenas de uns almofadões, um fantoche, uma manta de retalhos, e é claro, um livro. E este pode ser o ponto mais difícil. Escolher um bom livro e prepará-lo dá trabalho! É preciso conhecer qual será o público alvo da nossa história, de quanto tempo dispomos e como é que pretendemos que as crianças participem! O que mais desejamos é construir um momento que seja agradável para todos: adultos e crianças. E que fique na memória!

 

O trabalho com contos clássicos torna estes momentos muito atrativos, dinâmicos e próximos da realidade das nossas crianças. Com os contos, estimula-se a imaginação e a criatividade das crianças, completando-se a leitura de uma história com actividades lúdicas e que as levam a envolver-se no enredo. As crianças identificam-se com a história da sua personagem favorita, sentem as suas alegrias e as suas tristezas como se fossem suas, construindo paralelos com a sua própria vida.

 

Os contos são fábricas de imaginação e de novas experiências. Eles possuem cheiros, cores e sabores e ao ouvir histórias a criança entra num mundo cheio de magia, sonho e fantasia. O conto tem a capacidade de criar novas perspectivas de vida e o hábito de leitura é criado por estes pequenos, mas tão importantes momentos! A criança re-inventa os contos, interage, relaciona-se com as outras personagens, com o mundo encantado da história. Quer entrar no barco e navegar como Sinbad, sente medo do lobo da floresta e da sombra das árvores, mas também sente a alegria da Cinderela quando encontra o seu Princípe...

 

Os adereços ajudam nestes momentos a tornar os contos mais reais, mais palpáveis e a despertar o interesse das crianças para a narrativa.

 


 


Os momentos da Hora do Conto criam uma cumplicidade entre o contador e a criança, além de aumentarem e fortalecerem os laços afetivos e a confiança entre ambos.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Outros livros...

Tenho deixado aqui alguns dos títulos que já li. Aqui ficam hoje mais alguns que quero partilhar convosco!


Em 2006, li entre outros livros, "O Código da Vinci", de Dan Brown.

 

Quem já leu sabe que é um livro que nos prende, página pós página e que as surpresas se vão sobrepondo. Acho que é daqueles livros que só se lê uma vez: depois de sabermos como termina, deixa de ter piada. Mas adorei.


Em Outubro do mesmo ano, li também "A praia do destino", de Anita Shreve.

Olympia Biddeford é a filha única de um proeminente casal de Bóston – uma jovem precoce a quem o pai afastou das instituições académicas com o objectivo de lhe garantir uma educação refinada e pouco convencional. No Verão de 1899, Olympia tem quinze anos e a sua vida está prestes a mudar para sempre. Cheia de ideias e entusiasmada com os primeiros arrebatamentos da maturidade, é admitida no círculo social do pai, que contempla artistas, escritores, advogados e, entre eles, John Haskell, um médico carismático. Entre ambos nasce uma impensável e arrebatadora paixão. Sem ter em conta o sentido das conveniências ou da auto-preservação, Olympia mergulha de cabeça numa relação cujos resultados serão catastróficos - John tem quarenta anos, é casado e pai de quatro filhos…





Em 2008 comecei a ler "O nome da Rosa" de Umberto Eco, mas tive de parar e retomei a leitura só em Abril deste ano. O livro começou a tornar-se muito denso e desisti, mas depois, mais por teimosia acabei mesmo por voltar a lê-lo. As frases em latim foram o principal ponto negativo no livro, que me fizeram perder o fio à meada.


 

 

 


 

 

 


Entretanto em 2008, pude ler também de Francisco Moita Flores o livro "Filhos do Vento". Conhecia Moita Flores de "ouvir falar" apreciava-o como comentador, mas nunca tinha lido nada dele e este livro foi uma surpresa.

 

 

 

 

 

 

Ainda em 2008, li também "A máscara de Ababol" , de Susana Prieto e de Lea Veléz e posso dizer que apesar de ser um livro enorme, as suas páginas devoram-se. Adorei o livro e dou-lhe nota máxima! Mas isto é apenas a minha opinião pessoal - cada um terá a sua e um livro que eu adoro você pode ter odiado ler!













E já me esquecia de outro que também me marcou em 2008 - saudosismo, não, apenas um momento de partilha e de memórias que de vez em quando se vão buscar à gaveta - "O codex 632", que li em Julho desse ano. Muitas vezes, no quartel, à espera de haver serviço, recolhida no meu canto, as páginas do Codéx foram a minha companhia em tardes quentes.

Outros livros...

Tenho deixado aqui alguns dos títulos que já li. Aqui ficam hoje mais alguns que quero partilhar convosco!


Em 2006, li entre outros livros, "O Código da Vinci", de Dan Brown.

 

Quem já leu sabe que é um livro que nos prende, página pós página e que as surpresas se vão sobrepondo. Acho que é daqueles livros que só se lê uma vez: depois de sabermos como termina, deixa de ter piada. Mas adorei.


Em Outubro do mesmo ano, li também "A praia do destino", de Anita Shreve.

Olympia Biddeford é a filha única de um proeminente casal de Bóston – uma jovem precoce a quem o pai afastou das instituições académicas com o objectivo de lhe garantir uma educação refinada e pouco convencional. No Verão de 1899, Olympia tem quinze anos e a sua vida está prestes a mudar para sempre. Cheia de ideias e entusiasmada com os primeiros arrebatamentos da maturidade, é admitida no círculo social do pai, que contempla artistas, escritores, advogados e, entre eles, John Haskell, um médico carismático. Entre ambos nasce uma impensável e arrebatadora paixão. Sem ter em conta o sentido das conveniências ou da auto-preservação, Olympia mergulha de cabeça numa relação cujos resultados serão catastróficos - John tem quarenta anos, é casado e pai de quatro filhos…





Em 2008 comecei a ler "O nome da Rosa" de Umberto Eco, mas tive de parar e retomei a leitura só em Abril deste ano. O livro começou a tornar-se muito denso e desisti, mas depois, mais por teimosia acabei mesmo por voltar a lê-lo. As frases em latim foram o principal ponto negativo no livro, que me fizeram perder o fio à meada.


 

 

 


 

 

 


Entretanto em 2008, pude ler também de Francisco Moita Flores o livro "Filhos do Vento". Conhecia Moita Flores de "ouvir falar" apreciava-o como comentador, mas nunca tinha lido nada dele e este livro foi uma surpresa.

 

 

 

 

 

 

Ainda em 2008, li também "A máscara de Ababol" , de Susana Prieto e de Lea Veléz e posso dizer que apesar de ser um livro enorme, as suas páginas devoram-se. Adorei o livro e dou-lhe nota máxima! Mas isto é apenas a minha opinião pessoal - cada um terá a sua e um livro que eu adoro você pode ter odiado ler!













E já me esquecia de outro que também me marcou em 2008 - saudosismo, não, apenas um momento de partilha e de memórias que de vez em quando se vão buscar à gaveta - "O codex 632", que li em Julho desse ano. Muitas vezes, no quartel, à espera de haver serviço, recolhida no meu canto, as páginas do Codéx foram a minha companhia em tardes quentes.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Uma canção de outono


Para quem trabalha com crianças - educadores, professores, auxiliares - e que queira introduzir o tema do Outono nas salas dos mais pequenos, aqui fica uma ideia simples. Começar com uma pequena canção. E quem não se lembra de cantar?

 

O ouriço já secou
já caiu a castanhinha;
hoje é dia de comer
uma castanha cozidinha.
Cozidinha ou assadinha
na fogueira a saltitar;
hoje é dia de magusto
vamos cantar e bailar.

(tradicional)

Uma música sobre o Ouriço, que pode ser o ínicio de uma explicação sobre o que “protege” a Castanha.


Levem Ouriços, castanhas e folhas de castanheiro para as vossas salas, deixem-nos observar, tocar, cheirar, só tenham atenção é ao Ouriço, para que ninguém se magoe. É uma actividade deliciosa que resulta muto bem e que as vossas crianças vão recordar durante muito tempo.

Uma canção de outono


Para quem trabalha com crianças - educadores, professores, auxiliares - e que queira introduzir o tema do Outono nas salas dos mais pequenos, aqui fica uma ideia simples. Começar com uma pequena canção. E quem não se lembra de cantar?

 

O ouriço já secou
já caiu a castanhinha;
hoje é dia de comer
uma castanha cozidinha.
Cozidinha ou assadinha
na fogueira a saltitar;
hoje é dia de magusto
vamos cantar e bailar.

(tradicional)

Uma música sobre o Ouriço, que pode ser o ínicio de uma explicação sobre o que “protege” a Castanha.


Levem Ouriços, castanhas e folhas de castanheiro para as vossas salas, deixem-nos observar, tocar, cheirar, só tenham atenção é ao Ouriço, para que ninguém se magoe. É uma actividade deliciosa que resulta muto bem e que as vossas crianças vão recordar durante muito tempo.

Outono

Hoje deixo-vos uma pequena história de António Torrado, que faz jus à estação que acabou de chegar. 


A última castanha



Era uma castanha que estava como as outras, pendurada de um castanheiro.



Chegando o tempo, as castanhas amadurecem e caem por si.

Só que esta não caiu.



- Estou bem onde estou e não quero aventuras – dizia.



Uma a uma, as outras dos ramos iam caindo e rebolando pelo chão, protegidas pelo cobertor ouriçado que as cobria até ao nariz.

Nariz é modo de dizer…

Vinham os garotos, estalavam-lhe os ouriços e metiam-nos nos bolsos.



A tímida e teimosa castanha desta história a tudo assistia do seu mirante e não gostava.



- A mim não me levam eles – dizia.



Era a única que sobrava em todo o castanheiro. As folhas a fugirem da árvore, sopradas pelo vento, e ela a afincar-se ao ramo, com unhas e dentes.

 

Unhas e dentes é um modo de dizer…

Sozinha, desabrigada, não estava feliz. Nem infeliz.

Sentia até uma ponta de orgulho por ter conseguido resistir tanto tempo.



Um sabor de vitória que a ouriçou toda.



- Ai que vou cair – gritou.



Mas, no último instante, conseguiu agarrar-se.



Ainda não era daquela.

Entardecia. Um grupo de gente acendera uma fogueira, junto ao castanheiro.

Os garotos, que tinham andado às castanhas, e os pais dos garotos e os amigos dos garotos riam e cantavam.



Estavam a preparar o magusto da noite de São Martinho.

A castanha solitária, no alto do castanheiro nu, estranhou a vizinhança. E intrigou-se.

Que estaria a passar-se?

Debruçou-se do ramo mais e mais. A madeira a arder estalava, mesmo por baixo da castanha, a última.

O fumo entontecia-a. E se fosse ver de perto o que se passava?

Foi. Caiu.

E a história acaba aqui.

Paciência.

É o destino das castanhas.
Destino é um modo de dizer…



Autor: António Torrado

Outono

Hoje deixo-vos uma pequena história de António Torrado, que faz jus à estação que acabou de chegar. 


A última castanha



Era uma castanha que estava como as outras, pendurada de um castanheiro.



Chegando o tempo, as castanhas amadurecem e caem por si.

Só que esta não caiu.



- Estou bem onde estou e não quero aventuras – dizia.



Uma a uma, as outras dos ramos iam caindo e rebolando pelo chão, protegidas pelo cobertor ouriçado que as cobria até ao nariz.

Nariz é modo de dizer…

Vinham os garotos, estalavam-lhe os ouriços e metiam-nos nos bolsos.



A tímida e teimosa castanha desta história a tudo assistia do seu mirante e não gostava.



- A mim não me levam eles – dizia.



Era a única que sobrava em todo o castanheiro. As folhas a fugirem da árvore, sopradas pelo vento, e ela a afincar-se ao ramo, com unhas e dentes.

 

Unhas e dentes é um modo de dizer…

Sozinha, desabrigada, não estava feliz. Nem infeliz.

Sentia até uma ponta de orgulho por ter conseguido resistir tanto tempo.



Um sabor de vitória que a ouriçou toda.



- Ai que vou cair – gritou.



Mas, no último instante, conseguiu agarrar-se.



Ainda não era daquela.

Entardecia. Um grupo de gente acendera uma fogueira, junto ao castanheiro.

Os garotos, que tinham andado às castanhas, e os pais dos garotos e os amigos dos garotos riam e cantavam.



Estavam a preparar o magusto da noite de São Martinho.

A castanha solitária, no alto do castanheiro nu, estranhou a vizinhança. E intrigou-se.

Que estaria a passar-se?

Debruçou-se do ramo mais e mais. A madeira a arder estalava, mesmo por baixo da castanha, a última.

O fumo entontecia-a. E se fosse ver de perto o que se passava?

Foi. Caiu.

E a história acaba aqui.

Paciência.

É o destino das castanhas.
Destino é um modo de dizer…



Autor: António Torrado

Maria Castanha

Conhecem a história da Maria Castanha? Eu ouvi-la pela primeira vez, ainda andava no Jardim de Infância. Depois da história, contada pela educadora a partir de um bonito livro, pintamos as Maria Castanhas. Mas porque é que aquela menina não tinha nome e se chamava "castanha"? Na altura eu não sabia explicar e, não é agora que vou divagar em questões de tons de pele... era uma história de outras épocas. Para mim, inofensiva, pois as crianças eram todas iguais e não as sabia distinguir pela cor da pele que tinham. Se fosse hoje, não gostaria desta história, mas na minha infância, eu gostava e, é isso ques importa. Hoje este conto desperta-me outro tipo de reflexão.

 

Maria Castanha:


O céu estava cinzento e quase nunca aparecia o sol, mas enquanto não chovia os meninos iam brincar para o jardim.
Um jardim muito grande e bonito, com uma grade pintada de verde toda em volta, de modo que não havia perigo de os automóveis entrarem e atropelaremos meninos que corriam e brincavam à vontade, de muitas maneiras: uns andavam nos baloiços e nos escorregas, outros deitavam pão aos patos do lago, outros metiam os pés por entre as folhas secas e faziam-nas estalar – crac,
crac – debaixo das botas, outros corriam de braços abertos atrás dos pombos, que se levantavam e fugiam, também de asas abertas.

Era bom ir ao jardim. E mesmo sem haver sol, os meninos sentiam os pés quentinhos e ficavam com as bochechas encarnadas de tanto correr e saltar.
Uma vez apareceu no jardim uma menina diferente: não tinha bochechas encarnadas, mas uma carinha redonda, castanha, com dois grandes olhos escuros e brilhantes.

- Como te chamas? – perguntaram-lhe.
- Maria. Às vezes chamam-me Maria Castanha .
- Que engraçado, Maria Castanha! Queres brincar?
- Quero.

Foram brincar ao jogo do apanhar.
A Maria Castanha corria mais do que todos.
- Quem me apanha? Ninguém me apanha!
- Ninguém apanha a Maria Castanha!
Ela corria tanto. Corria tanto que nem viu o carrinho do vendedor de castanhas que estava à porta do jardim, e foi de encontro a ele.
Pimba!
O saco das castanhas caiu e espalhou-as todas à reboleta pelo chão.

A Maria Castanha caiu também e ficou sentada no meio das castanhas.
- Ah. Minha atrevida! – gritou o vendedor de castanhas todo zangado.
- Foi sem querer – explicaram os outros meninos.
- Eu ajudo a apanhar tudo – disse Maria Castanha, de joelhos a apanhar as castanhas caídas.
E os outros ajudaram também.
Pronto. Ficaram as castanhas apanhadas num instante.
- onde estão os teus pais? – perguntou o vendedor de castanhas à Maria Castanha.
- Foram à procura de emprego.
- E tu?
- Vinha à procura de amigos.

- Já encontraste: nós somos teus amigos – disseram os meninos.
- Eu também sou – disse o vendedor de castanhas.
E pôs as mãos nos cabelos da Maria Castanha, que eram frisados e fofinhos como a lã dos carneirinhos novos.
Depois, disse:
- Quando os amigos se encontram é costume fazer uma festa. Vamos fazer uma festa de castanhas. Gostam de castanhas?
- Gostamos! Gostamos! – gritaram os meninos.
- Não sei. Nunca comi castanhas, na minha terra não há – disse Maria Castanha.
- Pois vais saber como é bom.
E o vendedor deitou castanhas e sal dentro do assador e pô-lo em cima do lume.
Dali a pouco as castanhas estalavam… Tau! Tau!
- Ai, são tiros? – assustou-se a Maria Castanha, porque vinha de uma terra onde havia guerra.
- Não tenhas medo. São castanhas a estalar com o calor.
Do assador subiu um fumozinho azul-claro a cheirar bem.
E azuis eram agora as castanhas assadas e muito quentes que o vendedor deu à Maria Castanha e aos seus amigos.

- É bom é – ria-se Maria Castanha a trincar as castanhas assadas.
- Se me queres ajudar podes comer castanhas todos os dias. Sabes fazer cartuchos de papel?
A Maria Castanha não sabia mas aprendeu.
É ela quem enrola o papel de jornal para fazer os cartuchinhos onde o vendedor mete as castanhas que vende aos fregueses à porta do jardim.



Autor: Maria Isabel Mendonça Soares,” Contos no Jardim”.

Maria Castanha

Conhecem a história da Maria Castanha? Eu ouvi-la pela primeira vez, ainda andava no Jardim de Infância. Depois da história, contada pela educadora a partir de um bonito livro, pintamos as Maria Castanhas. Mas porque é que aquela menina não tinha nome e se chamava "castanha"? Na altura eu não sabia explicar e, não é agora que vou divagar em questões de tons de pele... era uma história de outras épocas. Para mim, inofensiva, pois as crianças eram todas iguais e não as sabia distinguir pela cor da pele que tinham. Se fosse hoje, não gostaria desta história, mas na minha infância, eu gostava e, é isso ques importa. Hoje este conto desperta-me outro tipo de reflexão.

 

Maria Castanha:


O céu estava cinzento e quase nunca aparecia o sol, mas enquanto não chovia os meninos iam brincar para o jardim.
Um jardim muito grande e bonito, com uma grade pintada de verde toda em volta, de modo que não havia perigo de os automóveis entrarem e atropelaremos meninos que corriam e brincavam à vontade, de muitas maneiras: uns andavam nos baloiços e nos escorregas, outros deitavam pão aos patos do lago, outros metiam os pés por entre as folhas secas e faziam-nas estalar – crac,
crac – debaixo das botas, outros corriam de braços abertos atrás dos pombos, que se levantavam e fugiam, também de asas abertas.

Era bom ir ao jardim. E mesmo sem haver sol, os meninos sentiam os pés quentinhos e ficavam com as bochechas encarnadas de tanto correr e saltar.
Uma vez apareceu no jardim uma menina diferente: não tinha bochechas encarnadas, mas uma carinha redonda, castanha, com dois grandes olhos escuros e brilhantes.

- Como te chamas? – perguntaram-lhe.
- Maria. Às vezes chamam-me Maria Castanha .
- Que engraçado, Maria Castanha! Queres brincar?
- Quero.

Foram brincar ao jogo do apanhar.
A Maria Castanha corria mais do que todos.
- Quem me apanha? Ninguém me apanha!
- Ninguém apanha a Maria Castanha!
Ela corria tanto. Corria tanto que nem viu o carrinho do vendedor de castanhas que estava à porta do jardim, e foi de encontro a ele.
Pimba!
O saco das castanhas caiu e espalhou-as todas à reboleta pelo chão.

A Maria Castanha caiu também e ficou sentada no meio das castanhas.
- Ah. Minha atrevida! – gritou o vendedor de castanhas todo zangado.
- Foi sem querer – explicaram os outros meninos.
- Eu ajudo a apanhar tudo – disse Maria Castanha, de joelhos a apanhar as castanhas caídas.
E os outros ajudaram também.
Pronto. Ficaram as castanhas apanhadas num instante.
- onde estão os teus pais? – perguntou o vendedor de castanhas à Maria Castanha.
- Foram à procura de emprego.
- E tu?
- Vinha à procura de amigos.

- Já encontraste: nós somos teus amigos – disseram os meninos.
- Eu também sou – disse o vendedor de castanhas.
E pôs as mãos nos cabelos da Maria Castanha, que eram frisados e fofinhos como a lã dos carneirinhos novos.
Depois, disse:
- Quando os amigos se encontram é costume fazer uma festa. Vamos fazer uma festa de castanhas. Gostam de castanhas?
- Gostamos! Gostamos! – gritaram os meninos.
- Não sei. Nunca comi castanhas, na minha terra não há – disse Maria Castanha.
- Pois vais saber como é bom.
E o vendedor deitou castanhas e sal dentro do assador e pô-lo em cima do lume.
Dali a pouco as castanhas estalavam… Tau! Tau!
- Ai, são tiros? – assustou-se a Maria Castanha, porque vinha de uma terra onde havia guerra.
- Não tenhas medo. São castanhas a estalar com o calor.
Do assador subiu um fumozinho azul-claro a cheirar bem.
E azuis eram agora as castanhas assadas e muito quentes que o vendedor deu à Maria Castanha e aos seus amigos.

- É bom é – ria-se Maria Castanha a trincar as castanhas assadas.
- Se me queres ajudar podes comer castanhas todos os dias. Sabes fazer cartuchos de papel?
A Maria Castanha não sabia mas aprendeu.
É ela quem enrola o papel de jornal para fazer os cartuchinhos onde o vendedor mete as castanhas que vende aos fregueses à porta do jardim.



Autor: Maria Isabel Mendonça Soares,” Contos no Jardim”.

domingo, 11 de outubro de 2009

"Um homem com sorte"

De Nicholas Sparks, estou a ler agora "Um Homem com sorte"



Durante a maior parte da sua vida, Logan Thibault foi um homem que em tudo se podia considerar comum. Porém, nada de comum havia naquilo que estava prestes a acontecer-lhe. Quando encontra uma fotografia de uma mulher nas areias do deserto do Iraque, Logan Thibault passa, inexplicavelmente, a ser um homem com a sorte do seu lado, que sobrevive a situações de indescritível perigo. A fotografia começa a ser encarada como um talismã e, de regresso aos EUA, Thibault não consegue deixar de pensar na mulher que lhe salvou a vida. Mas, assim que a encontra, o segredo que transporta consigo poderá custar-lhe tudo aquilo que lhe é querido.

 

"Um homem com sorte"

De Nicholas Sparks, estou a ler agora "Um Homem com sorte"



Durante a maior parte da sua vida, Logan Thibault foi um homem que em tudo se podia considerar comum. Porém, nada de comum havia naquilo que estava prestes a acontecer-lhe. Quando encontra uma fotografia de uma mulher nas areias do deserto do Iraque, Logan Thibault passa, inexplicavelmente, a ser um homem com a sorte do seu lado, que sobrevive a situações de indescritível perigo. A fotografia começa a ser encarada como um talismã e, de regresso aos EUA, Thibault não consegue deixar de pensar na mulher que lhe salvou a vida. Mas, assim que a encontra, o segredo que transporta consigo poderá custar-lhe tudo aquilo que lhe é querido.

 

"Sonata em Auschwitz"

Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé n...