segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Dia de Chuva

Hoje é daqueles dias em que só apetece ficar em casa no quentinho a ver televisão ou a ler um bom livro. Estou de Férias ainda por mais uns dias e este tempo chuvoso traz-me alguma nostalgia. Adoro a chuva, ouvir o vento bater nas persianas e os pingos a cair no vidro. Aqui não tem muita piada, mas quando era mais nova adorava passar horas à janela a ver a chuva cair e encher as ruas de água.

Hoje é um dia triste, pois a chuva também já fez vítimas. Aqui tem havido apenas alguns aguaceiros, nada de mais, mas noutras zonas do país a intempérie é vivida com angústia...

Aqui vos deixo a letra de uma canção de Mariza, que adoro.


As coisas vulgares que há na vida

Não deixam saudades


Só as lembranças que doem


Ou fazem sorrir



Há gente que fica na história


da história da gente


e outras de quem nem o nome


lembramos ouvir



São emoções que dão vida


à saudade que trago


Aquelas que tive contigo


e acabei por perder



Há dias que marcam a alma


e a vida da gente


e aquele em que tu me deixaste


não posso esquecer


 


A chuva molhava-me o rosto


Gelado e cansado


As ruas que a cidade tinha


Já eu percorrera


 


Ai... meu choro de moça perdida


gritava à cidade


que o fogo do amor sob chuva


há instantes morrera


 


A chuva ouviu e calou


meu segredo à cidade


E eis que ela bate no vidro


Trazendo a saudade




























 

Dia de Chuva

Hoje é daqueles dias em que só apetece ficar em casa no quentinho a ver televisão ou a ler um bom livro. Estou de Férias ainda por mais uns dias e este tempo chuvoso traz-me alguma nostalgia. Adoro a chuva, ouvir o vento bater nas persianas e os pingos a cair no vidro. Aqui não tem muita piada, mas quando era mais nova adorava passar horas à janela a ver a chuva cair e encher as ruas de água.

Hoje é um dia triste, pois a chuva também já fez vítimas. Aqui tem havido apenas alguns aguaceiros, nada de mais, mas noutras zonas do país a intempérie é vivida com angústia...

Aqui vos deixo a letra de uma canção de Mariza, que adoro.


As coisas vulgares que há na vida

Não deixam saudades


Só as lembranças que doem


Ou fazem sorrir



Há gente que fica na história


da história da gente


e outras de quem nem o nome


lembramos ouvir



São emoções que dão vida


à saudade que trago


Aquelas que tive contigo


e acabei por perder



Há dias que marcam a alma


e a vida da gente


e aquele em que tu me deixaste


não posso esquecer


 


A chuva molhava-me o rosto


Gelado e cansado


As ruas que a cidade tinha


Já eu percorrera


 


Ai... meu choro de moça perdida


gritava à cidade


que o fogo do amor sob chuva


há instantes morrera


 


A chuva ouviu e calou


meu segredo à cidade


E eis que ela bate no vidro


Trazendo a saudade




























 

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Mia Couto

Quem foi Mia Couto?

António Emílio Leite Couto (Beira, 5 de Julho de 1955), é um escritor moçambicano, filho de portugueses que emigraram a Moçambique nos meados do século XX. Nasceu e foi escolarizado na Beira.

Com catorze anos de idade, teve alguns poemas publicados no jornal Notícias da Beira e três anos depois, em 1971, mudou-se à cidade capital de Lourenço Marques (agora Maputo). Iniciou os estudos universitários em medicina, mas abandonou esta área no princípio do terceiro ano, passando a exercer a profissão de jornalista depois do 25 de Abril de 1974. Trabalhou na Tribuna até à destruição das suas instalações pelos colonos em Setembro de 1975.

Foi nomeado diretor da Agência de Informação de Moçambique (AIM) e formou ligações de correspondentes entre as províncias moçambicanas durante o tempo da guerra de libertação. A seguir trabalhou como diretor da revista "Tempo" até ao ano de 1981 e continuou a carreira no jornal "Notícias" até 1985.

Em 1983 tinha já publicado o seu primeiro livro de poesia, "Raiz de Orvalho", que inclui poemas contra a propaganda marxista militante. Dois anos depois demitiu-se da posição de diretor para continuar os estudos universitários na área de biologia.


Além de ser considerado um dos escritores mais importantes de Moçambique, ele é o escritor moçambicano mais traduzido. Em muitas das suas obras, Mia Couto tenta recriar a língua portuguesa com uma influência moçambicana, utilizando o léxico de várias regiões do país e produzindo um novo modelo de narrativa africana. Terra Sonâmbula, o seu primeiro romance, publicado em 1992, ganhou o Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995 e foi considerado um dos doze melhores livros africanos do século XX por um júri criado pela Feira do Livro do Zimbabué. Em 2007, foi entrevistado pela revista "Isto É".

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A Chuva Pasmada, de Mia Couto

"A Chuva Pasmada" traz-nos a história surpreendente de uma chuva suspensa no ar, que se recusa a emprenhar a terra árida. É um cacimbo indeciso que enlouquece todos. Porém, é a loucura desta "inundação sem chão" que faz com que as almas, até aí secas de sonhos e de segredos abafados, se desvelem e procurem a água umas nas outras. A história é contada na primeira pessoa, por um narrador participante, em jeito de memória de adolescência de uma criança que observa as personagens nas suas mutações.


O avô velho era como que um "rio seco que fluía num sonho" de navegar até chegar ao mar. Ficara assim depois da mulher, que considerava a sua água, morrer, pois ligavam-se "como a aranha e o orvalho, um fazendo teia no outro". O pai, mais velho que o avô, porque "a velhice não é uma idade, é uma desistência", estava pasmado como a chuva, estancara-se junto à vida, sufocado pelo próprio umbigo.


A mãe, com segredos de "mulher e água", o amor pelo seu homem que não a procurava, pois desistira dela como da vida. Mas "o amor não é a semente, é semear" e ela consegue inundá-lo de sangue, de amor, provocando-lhe ciúme. A tia com "propósitos de sombra", nunca casara, e via na indecisão da chuva um castigo para a sua secura.

O avô, detentor da memória maior é o elo entre todos e obstina-se em fazer a sua viagem. As pontes entre o céu e a terra são criadas e a chuva resolve cair. Cumpre-se a intenção do avô: "ele queria o rio sobrando da terra, vogando em nosso peito, trazendo diante de nós as nossas vidas de antes de nós..."

A Chuva Pasmada, de Mia Couto

"A Chuva Pasmada" traz-nos a história surpreendente de uma chuva suspensa no ar, que se recusa a emprenhar a terra árida. É um cacimbo indeciso que enlouquece todos. Porém, é a loucura desta "inundação sem chão" que faz com que as almas, até aí secas de sonhos e de segredos abafados, se desvelem e procurem a água umas nas outras. A história é contada na primeira pessoa, por um narrador participante, em jeito de memória de adolescência de uma criança que observa as personagens nas suas mutações.


O avô velho era como que um "rio seco que fluía num sonho" de navegar até chegar ao mar. Ficara assim depois da mulher, que considerava a sua água, morrer, pois ligavam-se "como a aranha e o orvalho, um fazendo teia no outro". O pai, mais velho que o avô, porque "a velhice não é uma idade, é uma desistência", estava pasmado como a chuva, estancara-se junto à vida, sufocado pelo próprio umbigo.


A mãe, com segredos de "mulher e água", o amor pelo seu homem que não a procurava, pois desistira dela como da vida. Mas "o amor não é a semente, é semear" e ela consegue inundá-lo de sangue, de amor, provocando-lhe ciúme. A tia com "propósitos de sombra", nunca casara, e via na indecisão da chuva um castigo para a sua secura.

O avô, detentor da memória maior é o elo entre todos e obstina-se em fazer a sua viagem. As pontes entre o céu e a terra são criadas e a chuva resolve cair. Cumpre-se a intenção do avô: "ele queria o rio sobrando da terra, vogando em nosso peito, trazendo diante de nós as nossas vidas de antes de nós..."

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Quem é António Torrado?

António Torrado nasceu em Lisboa em 1939. Licenciou-se em Filosofia pela Universidade de Coimbra.


Dedicou-se à escrita desde muito novo, tendo começado a publicar aos 18 anos. A sua actividade profissional é diversa: escritor, pedagogo, jornalista, editor, produtor e argumentista para televisão.Tem trabalhado em parceria com Maria Alberta Menéres em diversos livros e programas de televisão. Actualmente, é Coordenador do Curso Anual de Expressão Poética e Narrativa no Centro de Arte Infantil da Fundação Calouste Gulbenkian. É o professor responsável pela disciplina de Escrita Dramatúrgica na Escola Superior de Teatro e Cinema.
É dramaturgo residente na Companhia de Teatro Comuna em Lisboa. Sendo consensualmente considerado um dos autores mais importantes na literatura infantil portuguesa, possui uma obra bastante extensa e diversificada, que integra textos de raiz popular e tradicional, mas também poesia e sobretudo contos.


António Torrado pode ser visto como um dos escritores infanto-juvenis mais dotado da actualidade, com uma bibliografia já vasta, nesta difícil modalidade. O verdadeiro escritor para crianças será sempre aquele capaz de comunicar a sua mensagem humana e artística com a pureza e a claridade que exige o coração e a mentalidade infantil. É um dom. Nasce-se escritor de literarura destinada aos pequenos leitores, como se nasce poeta, pintor, músico.



António Torrado possui esse dom e, uma vez mais, o comprova neste seu recente livro, intitulado 100 histórias bem dispostas, com o sub-título: Pequenas histórias divertidas para todas as ocasiões.

São, de facto, pequenas, pois cada uma delas não ocupa mais do que duas páginas da obra. Mas todas elas cheias de graça e fantasia, onde os animais, o habitual bestiário que a criança adora, é o mais saliente protagonista.

Na capa, António Torrado, tão risonhamente, esclarece:
"São 100 histórias bem-dispostas, muito contentes por estarem juntas, e foram escritas por recomendação do meu médico:
- O Senhor tem de contar, ao mínimo, uma história por dia, entre as refeições. Para se sentir em forma e com boa disposição, não há melhor remédio. Assim tenho feito e sinto-me muito bem. Diz-me, agora, o médico, que ler todas os dias uma história destas também faz muito bem à saúde".

 Abençoada receita, digo eu. As ilustrações, de Maria do Carmo Cunha, merecem, também, nota alta.

(adaptado de: http://www.leitura.gulbenkian.pt/index.php?area=rol&task=view&id=29959)

sábado, 13 de fevereiro de 2010

António Torrado

Andava aqui nas minhas pesquisas quando descobri uma grande memória da minha infância: António Torrado. Eu adorava as histórias dele e, confesso que ainda me fascinam. Continuo a adorar um bom livro. Aqui ficam algumas narrativas e um pouco da história deste tão grande homem e escritor.

Esta é pequenina, só para começar...

A bola de pingue-pongue:


Era uma vez uma bola de pingue-pongue.
Um dia, a bola de pingue-pongue disse assim:
- Já chega de andar aos trambolhões de um lado para o outro: encontrão daqui, safanão ali, toma lá, dá cá e volta ao princípio, numa roda viva entres duas senhoras raquetes. Afinal nunca passo da mesma mesa.

Realmente, aquela vida de tão, badalão, e torna e deixa o pingue e pongue e pongue e pingue cansava qualquer um, quanto mais uma bola de pingue-pongue com aspirações a outros voos?
- Ainda se fosse uma bola de futebol - suspirava ela. - Corria o campo de lés a lés e, quando fugisse para dentro das redes, punha tudo a gritar: goooolo! Era mais emocionante. Mas, mesmo assim, deve haver melhor destino.

É que havia mesmo. E a pequenina bola de pingue-pongue queria conhecê-lo. Ser bola de futebol, de basquetebol não lhe bastava. O que ela queria era correr mundo!

E foi. Saltaricou da mesa para o chão, desceu escadas, escorregou por colinas, e foi ter - vejam bem a sorte que ela teve! - e foi ter a um sítio muito especial, que era assim a modos que um centro espacial. Deste centro especial espacial atiravam para os céus bolas e bolinhas, que uma vez lá de cima, a dançar no meio dos astros, lançavam para a terra uns sinais esquisitos - bip! bip! bip! - como se fossem grilos? Mas não eram grilos essas bolas espaciais. Eram satélites dos artificiais.

- Se as outras conseguem, também eu hei-de conseguir - pensou a bola de pingue-pongue.

Ela que sabia dizer "pingue" e "pongue", e "pongue" e "pingue", depressa aprendeu a dizer "bip!" "bip!" "bip!". Não custava nada.

E lá foi pelos ares, viajante do espaço, à roda do mundo, tão redondo como ela.

- Ena tantas bolas! - exclamou a bola de pingue-pongue, quando se viu lá no alto, a rodar entre planetas. - Afinal somos todas da mesma família. Umas maiores, outras mais pequenas, mas redondas todas. Que seria do mundo, se não fossem as bolas?

E, de contente que estava, soltou um "bip! bip!" mais forte, que atravessou o espaço e atarantou as estrelas lá do fundo.
- Tirem-me de ao pé de mim este satélite maluco. Não consigo dormir em paz - gritou a Lua, que é assim uma espécie de bola de pingue-pongue, mas em grande.

Os sábios fizeram a vontade à Lua e mandaram descer a nossa bolinha de pingue-pongue.

- Estou satisfeita - contou a bola, ao regressar à Terra. - Vi o que queria e fiquei consolada de ver tantas bolas irmãs a navegar pelo céu. Agora quero repousar.
Mas onde? Numa gaveta não parecia bem. Era um fim pouco digno para uma bola que correra tantas aventuras. Então um dos sábios, olhando para o calmo jardim do centro espacial, teve uma ideia - ou não fosse ele um sábio?

Equilibrou-a no alto de um repuxo no meio do tanque do jardim.

Depois de ter visto tudo, de ter rolado e saltitado pelo espaço além, a bola descansa, a recordar o que vira. E suspira, satisfeita:
- Está-se bem aqui.

António Torrado

Andava aqui nas minhas pesquisas quando descobri uma grande memória da minha infância: António Torrado. Eu adorava as histórias dele e, confesso que ainda me fascinam. Continuo a adorar um bom livro. Aqui ficam algumas narrativas e um pouco da história deste tão grande homem e escritor.

Esta é pequenina, só para começar...

A bola de pingue-pongue:


Era uma vez uma bola de pingue-pongue.
Um dia, a bola de pingue-pongue disse assim:
- Já chega de andar aos trambolhões de um lado para o outro: encontrão daqui, safanão ali, toma lá, dá cá e volta ao princípio, numa roda viva entres duas senhoras raquetes. Afinal nunca passo da mesma mesa.

Realmente, aquela vida de tão, badalão, e torna e deixa o pingue e pongue e pongue e pingue cansava qualquer um, quanto mais uma bola de pingue-pongue com aspirações a outros voos?
- Ainda se fosse uma bola de futebol - suspirava ela. - Corria o campo de lés a lés e, quando fugisse para dentro das redes, punha tudo a gritar: goooolo! Era mais emocionante. Mas, mesmo assim, deve haver melhor destino.

É que havia mesmo. E a pequenina bola de pingue-pongue queria conhecê-lo. Ser bola de futebol, de basquetebol não lhe bastava. O que ela queria era correr mundo!

E foi. Saltaricou da mesa para o chão, desceu escadas, escorregou por colinas, e foi ter - vejam bem a sorte que ela teve! - e foi ter a um sítio muito especial, que era assim a modos que um centro espacial. Deste centro especial espacial atiravam para os céus bolas e bolinhas, que uma vez lá de cima, a dançar no meio dos astros, lançavam para a terra uns sinais esquisitos - bip! bip! bip! - como se fossem grilos? Mas não eram grilos essas bolas espaciais. Eram satélites dos artificiais.

- Se as outras conseguem, também eu hei-de conseguir - pensou a bola de pingue-pongue.

Ela que sabia dizer "pingue" e "pongue", e "pongue" e "pingue", depressa aprendeu a dizer "bip!" "bip!" "bip!". Não custava nada.

E lá foi pelos ares, viajante do espaço, à roda do mundo, tão redondo como ela.

- Ena tantas bolas! - exclamou a bola de pingue-pongue, quando se viu lá no alto, a rodar entre planetas. - Afinal somos todas da mesma família. Umas maiores, outras mais pequenas, mas redondas todas. Que seria do mundo, se não fossem as bolas?

E, de contente que estava, soltou um "bip! bip!" mais forte, que atravessou o espaço e atarantou as estrelas lá do fundo.
- Tirem-me de ao pé de mim este satélite maluco. Não consigo dormir em paz - gritou a Lua, que é assim uma espécie de bola de pingue-pongue, mas em grande.

Os sábios fizeram a vontade à Lua e mandaram descer a nossa bolinha de pingue-pongue.

- Estou satisfeita - contou a bola, ao regressar à Terra. - Vi o que queria e fiquei consolada de ver tantas bolas irmãs a navegar pelo céu. Agora quero repousar.
Mas onde? Numa gaveta não parecia bem. Era um fim pouco digno para uma bola que correra tantas aventuras. Então um dos sábios, olhando para o calmo jardim do centro espacial, teve uma ideia - ou não fosse ele um sábio?

Equilibrou-a no alto de um repuxo no meio do tanque do jardim.

Depois de ter visto tudo, de ter rolado e saltitado pelo espaço além, a bola descansa, a recordar o que vira. E suspira, satisfeita:
- Está-se bem aqui.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Um carnaval especial

Este é um carnaval especial. Há segredo escondido... novidades em breve aqui pelo meu cantinho!

 

Um carnaval especial

Este é um carnaval especial. Há segredo escondido... novidades em breve aqui pelo meu cantinho!

 

"Sonata em Auschwitz"

Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé n...