Depois de ler "Ontem não te vi em Babilónia", terminar este segundo livro de António Lobo Antunes, foi um pouco mais complicado. Se no primeiro ainda mantive a esperança de me orientar neste tipo de escrita, tão diferente daquilo a que estou habituada, neste já não mantive qualquer ilusão.
Não é um livro nada fácil.
É precisa uma boa dose de paciência. Temos de encontrar um fio condutor na história o que neste caso não existe (perdoem-me mas eu não o encontrei) e deixarmo-nos levar pelo enredo. Não me foi possível fazê-lo. Se parasse simplesmente não conseguiria contar aquilo que tinha lido. Confesso que não terminei o livro e que saltei muitas páginas. Talvez noutra fase da minha vida, esteja mais madura, mais preparada para este tipo de livros, ou só porque os livros devam ser um escape e não um trabalho difícil de concluir.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
"Sôbolos rios que vão"
"Sôbolos rios que vão"
Depois de ler "Ontem não te vi em Babilónia", terminar este segundo livro de António Lobo Antunes, foi um pouco mais complicado. Se no primeiro ainda mantive a esperança de me orientar neste tipo de escrita, tão diferente daquilo a que estou habituada, neste já não mantive qualquer ilusão.
Não é um livro nada fácil.
É precisa uma boa dose de paciência. Temos de encontrar um fio condutor na história o que neste caso não existe (perdoem-me mas eu não o encontrei) e deixarmo-nos levar pelo enredo. Não me foi possível fazê-lo. Se parasse simplesmente não conseguiria contar aquilo que tinha lido. Confesso que não terminei o livro e que saltei muitas páginas. Talvez noutra fase da minha vida, esteja mais madura, mais preparada para este tipo de livros, ou só porque os livros devam ser um escape e não um trabalho difícil de concluir.
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
"Sôbolos rios que vão"
Neste momento, ainda ando à roda de "Sôbolos Rios que vão", de António Lobo Antunes. Sim porque não desisto facilmente e, se o primeiro foi difícil, este também não se revelou nada fácil.
Neste livro, a história passa-se entre os últimos dias de Março e Abril de 2007. Após uma operação, o narrador ainda confuso pela anestesia e pelas dores, contando fragmentos das suas memórias e das suas fantasias. Fala-nos da sua família, da terra onde passou a sua infância e dos seus temores com a ideia de morte que toda a situação de doença lhe trouxe. O próprio titulo é uma incógnita.
Desta feita ainda, o livro faz-nos passear pela mente de um homem perturbado. Não sendo fácil desenredar o real do imaginário. Um livro que tem tanto de literário, de romance, como de ficcional. Um texto por vezes puramente criativo, como se o escritor pusesse no papel todas as palavras que lhe surgem na mente, mas se assim fosse, quão arrumada esta mente poderia ser?
Tal como referido na wikipedia, "António Lobo Antunes tornou-se um dos escritores portugueses mais lidos, vendidos e traduzidos em todo o mundo" o que vem valorizar o seu trabalho. No entanto, o escritor ganha uma faceta mais densa e obscura que não é compatível com as suas primeiras obras. "Pouco a pouco, a sua escrita concentrou-se numa temática concreta, adensou-se sem grande eficácia narrativa, ganhou em espessura e perdeu em novidade, compensando isto com recurso ao confronto e ao choque. De um modo impiedoso e obstinado, o autor trata a sua visão distorcida sobre o Portugal do século XX."
Pela curiosidade em saber o que os outros achavam da obra deste escritor, obtive esta descrição que traduz exatamente o que eu senti e as minhas dificuldades na interpretação do texto: a densidade.
"O leitor tem algum esforço de leitura porque, por exemplo, não é raro haver mudanças de narrador e assim o leitor tem tendência a «perder o fio à meada»." Da mesma forma, "ocorre muitas vezes numa descrição ou pensamento do que está a acontecer a um personagem aparecerem sobrepostos tanto o que está "realmente" a acontecer como uma realidade imaginária."
"Sôbolos rios que vão"
Neste momento, ainda ando à roda de "Sôbolos Rios que vão", de António Lobo Antunes. Sim porque não desisto facilmente e, se o primeiro foi difícil, este também não se revelou nada fácil.
Neste livro, a história passa-se entre os últimos dias de Março e Abril de 2007. Após uma operação, o narrador ainda confuso pela anestesia e pelas dores, contando fragmentos das suas memórias e das suas fantasias. Fala-nos da sua família, da terra onde passou a sua infância e dos seus temores com a ideia de morte que toda a situação de doença lhe trouxe. O próprio titulo é uma incógnita.
Desta feita ainda, o livro faz-nos passear pela mente de um homem perturbado. Não sendo fácil desenredar o real do imaginário. Um livro que tem tanto de literário, de romance, como de ficcional. Um texto por vezes puramente criativo, como se o escritor pusesse no papel todas as palavras que lhe surgem na mente, mas se assim fosse, quão arrumada esta mente poderia ser?
Tal como referido na wikipedia, "António Lobo Antunes tornou-se um dos escritores portugueses mais lidos, vendidos e traduzidos em todo o mundo" o que vem valorizar o seu trabalho. No entanto, o escritor ganha uma faceta mais densa e obscura que não é compatível com as suas primeiras obras. "Pouco a pouco, a sua escrita concentrou-se numa temática concreta, adensou-se sem grande eficácia narrativa, ganhou em espessura e perdeu em novidade, compensando isto com recurso ao confronto e ao choque. De um modo impiedoso e obstinado, o autor trata a sua visão distorcida sobre o Portugal do século XX."
Pela curiosidade em saber o que os outros achavam da obra deste escritor, obtive esta descrição que traduz exatamente o que eu senti e as minhas dificuldades na interpretação do texto: a densidade.
"O leitor tem algum esforço de leitura porque, por exemplo, não é raro haver mudanças de narrador e assim o leitor tem tendência a «perder o fio à meada»." Da mesma forma, "ocorre muitas vezes numa descrição ou pensamento do que está a acontecer a um personagem aparecerem sobrepostos tanto o que está "realmente" a acontecer como uma realidade imaginária."
"Ontem não te vi em Babilónia"
Difícil.
É assim que classifico este livro. Não é fácil parar uma página e seguir a leitura depois, porque com a mistura de pensamentos que ali desfilam, quando paramos, perdemos o fio à meada. E tentar desenredar essa meada, então ainda é mais complicado. Percebemos algumas das memórias (o suicídio na árvore, a caravana dos ciganos, a tortura às mãos da PIDE...) os lugares onde algumas ações se passaram, mas é muito complicado ler e entender este livro.
Ainda não atingi o patamar em que percebo tudo o que leio, ou talvez nem seja mesmo para perceber.
Para continuar a ler este livro de António Lobo Antunes, tive de parar um pouco e repensar o que tinha lido até aqui. Depois resolvi procurar alguma sinopse (que no livro em si, não existe) ou comentário sobre a obra deste grande escritor, em particular deste livro em especial. Assim, já comecei a entender um pouco melhor esta história, ou histórias.
"Uma noite ninguém dorme, e durante a meia-noite a as cinco da manhã, as pessoas sonham acordadas no sono: contam e inventam as suas vidas e as suas histórias, ou as histórias em que transformam as suas vidas, ou as vidas que transformaram em histórias. Podem ser vidas cruéis, de medo, de uma cicatriz interior, de algo que talvez fosse o Estado português de outros tempos. Podem ser vidas de amores passados, de lápides varridas, de um desejo de uma vida inteira, de se poder ser feliz sem pensar. Nestas histórias, nestes silêncios destas falas, nos risos e nas traições, vamos identificando a noite de um país, a noite cheia de vozes de todos nós, e a noite silenciosa que é o isolamento de cada um. Como diz o autor - "porque aquilo que escrevo pode ler-se no escuro"
Fontes:
"Ontem não te vi em Babilónia"
Difícil.
É assim que classifico este livro. Não é fácil parar uma página e seguir a leitura depois, porque com a mistura de pensamentos que ali desfilam, quando paramos, perdemos o fio à meada. E tentar desenredar essa meada, então ainda é mais complicado. Percebemos algumas das memórias (o suicídio na árvore, a caravana dos ciganos, a tortura às mãos da PIDE...) os lugares onde algumas ações se passaram, mas é muito complicado ler e entender este livro.
Ainda não atingi o patamar em que percebo tudo o que leio, ou talvez nem seja mesmo para perceber.
Para continuar a ler este livro de António Lobo Antunes, tive de parar um pouco e repensar o que tinha lido até aqui. Depois resolvi procurar alguma sinopse (que no livro em si, não existe) ou comentário sobre a obra deste grande escritor, em particular deste livro em especial. Assim, já comecei a entender um pouco melhor esta história, ou histórias.
"Uma noite ninguém dorme, e durante a meia-noite a as cinco da manhã, as pessoas sonham acordadas no sono: contam e inventam as suas vidas e as suas histórias, ou as histórias em que transformam as suas vidas, ou as vidas que transformaram em histórias. Podem ser vidas cruéis, de medo, de uma cicatriz interior, de algo que talvez fosse o Estado português de outros tempos. Podem ser vidas de amores passados, de lápides varridas, de um desejo de uma vida inteira, de se poder ser feliz sem pensar. Nestas histórias, nestes silêncios destas falas, nos risos e nas traições, vamos identificando a noite de um país, a noite cheia de vozes de todos nós, e a noite silenciosa que é o isolamento de cada um. Como diz o autor - "porque aquilo que escrevo pode ler-se no escuro"
Fontes:
"Sonata em Auschwitz"
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