sábado, 21 de abril de 2018

"O nome da Rosa"

Quando se tem um livro destes em mão, é um pequeno tesouro literário que possuímos, pois ninguém pode ficar indiferente à narrativa de Umberto Eco. Mas não é um livro de fácil leitura, diria eu que não é um livro para qualquer leitor. Demorei a terminá-lo mas não o deixei de ler até conseguir chegar ao seu último capítulo. Diria até que foi preciso habituar-me primeiro ao ritmo da escrica de Umberto Eco, para depois conseguir maior fluidez na leitura. Terminei em dezembro de 2008.


A história decorre no período medieval, em Itália, mais propriamente num mosteiro Beneditino, onde decorre um concílio no qual se investigam crimes de heresia. No entanto, enquanto se debatem assuntos de religião, começam a ocorrer misteriosos assassinatos. O monge franciscano Guilherme de Baskerville e o noviço Adso de Melk, um jovem vindo de uma família da elite, e que é também o narrador da história, começam a investigar o que se passa, ao mesmo tempo que temem pelas suas próprias vidas. Acabam por descobrir uma biblioteca, onde livros considerados perigosos para a igreja católica estão guardados. Entre estes livros, está uma obra do pensador grego Aristóteles que deita abaixo a crença de que o riso, a diversão e a comédia desvirtuavam a sociedade, tirando o foco da espiritualidade e o temor à Deus. Assim, não era recomendado que os religiosos rissem.


Guilherme e Adso conseguem, através do pensamento racional e investigativo, chegar até a biblioteca, um local que continha um enorme número de obras. A construção de tal lugar era bastante complexa, o que a transformava num verdadeiro labirinto.


Outro crime denunciado pelos livros proibidos eram os abusos da Igreja cometidos contra os camponeses. Assim, se contava que membros da igreja costumavam fazer doações de comida ao povo pobre em troca de exploração sexual. Mas estas descobertas podem ter um preço muito pesado para os dois investigadores, ainda mais quando Gui, braço direito da Inquisição, chega ao Mosteiro para também ele investigar e, simultaneamente, esconder provas.


Um livro sobre um tema muito polémico que escrito noutro tempo teria demorado a ver a luz do dia, se é que alguma vez a veria. Um livro que não põe de lado também uma boa história de amor! 

quarta-feira, 18 de abril de 2018

"Memórias de uma Gueixa"

Li este livro em setembro de 2008, já lá vão 10 anos, mas ainda me consigo lembrar de algumas passagens. De tal forma que sinto um friozinho de cada vez que vejo o livro ali na minha estante. Posso dizer que foi um dos que mais me marcou naquele ano. É um livro duro, que nos leva numa viagem por uma sociedade fechada, com as suas especificidades e peculiaridades.


"Uma história como a minha nunca devia ser contada..." 


Este é um romance histórico escrito por Arthur Golden, publicado em 1997, em que é contada na primeira pessoa a história de uma gueixa em Gion, Kioto, no Japão. Um livro que me impressionou pela dureza e pela forma como nos conseguimos embrenhar no enredo, sentir a dor, as alegrias, a tristeza e a esperança de uma criança que se vem a tornar numa das mais conceituadas gueixas do seu tempo. É uma história baseada em factos verídicos, sobre como era a vida das gueixas, que de facto não eram mais do que acompanhantes de luxo, que acabavam por leiloar a sua virgindade.


Passada num mundo secreto, a história começa nos anos que antecedem a II Guerra Mundial, quando uma criança japonesa é arrancada (vendida, por necessidades) à sua família para ir trabalhar como serva numa casa de gueixas. Apesar de uma rival traiçoeira, que quase quebra o seu espírito, a criança desabrocha, transformando-se na lendária gueixa Sayuri. Começa então a sua vida adulta, como gueixa numa das mais prestigiadas casas, vida que nada tem de simples nem de fácil. 


Ela tem de conquistar um danna que a sustente, mas não era suposto que se apaixonasse. Bela e muito dotada, Sayuri cativa os homens mais poderosos do seu tempo, mas é assombrada pelo seu amor secreto, um homem fora do seu alcance. Uma história de amor proibido.

terça-feira, 10 de abril de 2018

"O amante do Vulcão"

"O amante do Vulcão", é um livro de Susan Sontag. Terminei agora a leitura deste fantástico romance.


Sir William Hamilton é um diplomata, arqueólogo, vulcanólogo e antiquário britânico, que tem um temperamento erudito e curioso que é também recordado como o marido complacente de Emma Hamilton, amante do Almirante Nelson, famoso pelas suas intervenções nas Guerras Napoleónicas e depois vitorioso na batalha de Trafalgar.


A história decorre em Nápoles, onde, de 1764 até 1800, Sir William, também conhecido por Cavaliere, foi o embaixador britânico no reino das Duas Sicílias.


O romance é uma espécie de tríptico, dividido entre Hamilton, a sua esposa e Lord Nelson. No amor que irrompe entre Emma e Lord Nelson, Sir William, encontra outro daqueles fenómenos naturais da vulcanologia que ele só consegue observar, nunca experimentar – Emma, cheia de alegria e uma certa vulgaridade, egoísmo, amor à vida e crueldade.


Por outro lado, Nelson, é uma fonte de mistério, um herói militar e também um homem contraditório e um tirano impiedoso. As relações entre estas (e outras) personagens, cruzam-se numa rede intricada que despoleta novas descobertas a cada página que é lida.

"Sonata em Auschwitz"

Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé n...