sábado, 21 de setembro de 2019

Escrita... divagações

Havia na praia algo de diferente que ela não sabia como explicar, mas era ali que se sentia mais completa, menos só. Talvez fosse o calor que a areia expelia em dias em que o sol se fazia refletir, queimando-lhe a sola dos pés. Ou talvez fosse o som das ondas a ir e voltar, o mar como que inspirando e expirando. Costumava tentar acertar a sua respiração com o mar, num jogo em que perdia na maioria das vezes. 

Gostava de estar sozinha na praia - ou de se imaginar sozinha, mesmo rodeada de gente. Fechava os olhos e o barulho das vozes à sua volta começava a ficar cada vez mais distante. Não adormecia. Ficava consciente de si, concentrando-se no barulho do mar, sentindo-se quase que embalada pelas ondas, como se estivesse à deriva.

Hoje, especialmente, não havia por ali ninguém e Amélia apreciava daquele silêncio quase absoluto. Hoje era mesmo disso que ela precisava. Estar ali, sozinha, com apenas os seus pensamentos como companhia. Chorar fazia quase sempre parte deste ritual, mas a água do mar ajudava a disfarçar os olhos inchados e vermelhos. Se não os tivesse perdido, a sua vida seria diferente. Como seria? Não. Não quer imaginar, tenta afastar essa ideia, mas ela sempre a atormenta! Como seria se? Mas não é, eles já não estão aqui. Não há forma de os trazer de volta. E no seu canto, Amélia chora, fazendo-se renascer. Uma nova Amélia, com uma nova vida para enfrentar...

Elsa Filipe

domingo, 15 de setembro de 2019

"Um brinquedo para Aglael e Daemon"

No mesmo dia em que foi a apresentação do livro de contos em que participei, foi também apresentado na mesma sessão o livro "Um brinquedo para Aglael e Daemon". O livro, foi-me oferecido pelo próprio Eugénio Bernardes e para quem estiver curioso para o procurar, é da editora "Alfarroba".


Uma obra autobiográfica dividida em duas partes, dois livros diferentes, que nos fala da vida nas ex-colónias e da vinda do autor, para o "Império" ou seja para Portugal continental, da sua vida como estudante e dos seus amores e desamores.Particularmente apreciei mais a primeira parte da obra, que me pareceu mais interessante e, apesar da sua natureza, menos descritiva.


Pelo intervalo da escrita, o autor fala-nos de duas personagens, que se assemelham a um anjo e a um demónio. Isto torna ao mesmo tempo o livro diferente do comum texto auto-biográfico, levando-nos de facto para a ficção, numa rara excentricidade que tinge a sua escrita.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

"O retângulo"

Hoje venho falar-vos de um livro bastante importante para mim. "O Retângulo" é o resultado de um concurso literário em que me inscrevi. Seguindo as instruções, construí um pequeno conto que acabou por fazer parte dos finalistas escolhidos para uma coletânea dedos dez contos. A edição é da Alfarroba e saiu em 2012, tento cada um dos participantes recebido 10 exemplares. Mas penso que não está nas bancas, uma vez que nunca o cheguei a ver à venda.


Foi um desafio para mim, pois apesar de gostar bastante de escrever este tipo de ficção não é propriamente o tipo de escrita que me fascina.


Assim, eu nunca pensei que a minha história fosse escolhida, mas afinal foi e fiquei muito orgulhosa com isso. Agora, tenho ainda mais vontade de continuar a escrever.


 

"Sonata em Auschwitz"

Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé n...