quinta-feira, 25 de junho de 2020

"O estilete assassino"

Neste livro, Ken Follett, descreve a forma como um espião ao serviço de Hitler, descobre os planos, os fotografa e tenta entregar as provas de que os grandes ajuntamentos militares eram apenas fictícios, falsos tanques que "invadiam" os arrebaldes. A sua fuga leva ao assassínio de quem se atravesse no seu caminho, mas é uma mulher quem lhe dá mais luta, uma luta interior contra si mesmo e uma luta física contra uma adversária que se torna numa verdadeira heroína. 


Um thriller emocionante que fala sobre a preparação dos desembarques na Normandia, que ocorreram na terça-feira, 6 de Junho de 1944, e que consistiram na invasão dos Aliados da Normandia na Operação Overlord durante a Segunda Guerra Mundial. Com o nome de código Operação Neptuno e muitas vezes referido como o Dia D, foi a maior invasão por mar da história. A operação deu início à libertação dos territórios ocupados da Europa noroeste pelos alemães do controlo nazi e implantou os alicerces da vitória dos Aliados na Frente Ocidental.


O planeamento para a operação começou em 1943. Nos meses que antecederam a invasão, os Aliados colocaram em prática um engodo de grandes dimensões com o nome de código "Operação Guarda-Costas", para iludir os alemães em relação à data e local do principal desembarque Aliado.


As condições atmosféricas do Dia D estavam longe do ideal e a operação teve de ser adiada em 24 horas; um novo adiamento teria significado um atraso de pelo menos duas semanas, pois os responsáveis pela elaboração do plano da invasão tinham definido requisitos para as fases da lua, as marés e a hora do dia, o que significava que apenas alguns dias de cada mês eram considerados adequados. 


Um livro que é também uma reconstituição da história, vista do outro lado dos intervenientes.

quinta-feira, 18 de junho de 2020

10 anos sobre a morte de José Saramago

Passam hoje 10 anos sobre a morte de um dos maiores escritores portugueses, um ícone da literatura portguesa, nem sempre consensual mas que ainda hoje tem muitos seguidores e faz parte dos currículos escolares. Saramago faleceu a 18 de junho de 2010 na sua residência de Lanzarote, com 87 anos de idade, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença.


O seu corpo foi cremado e os seus restos mortais trazidos de Lanzarote, no arquipélago espanhol onde vivia com a sua esposa desde 1993, para Lisboa.


Falar de Saramago é quase impossível sem nos esquecermos de referir um ou outro feito importante. Homem das letras e da cultura, defendeu sempre os seus ideais e as suas obras são um reflexo disso mesmo. De origem humilde, trabalhou e estudou para chegar onde chegou, foi reconhecido em Portugal e no esstrangeiro com diversos prémios e galardões.


Saramago nasceu na aldeia de Azinhaga, na Golegã, a 16 de Novembro de 1922, filho de José de Sousa, jornaleiro, e Maria de Jesus, doméstica. Com apenas dois anos, a família mudou-se para Lisboa onde o pai irá trabalhar na Polícia de Segurança Pública, mas o local de nascimento seria uma marca constante ao longo da sua vida, como referiria em 1998, aos 76 anos, no discurso perante a Academia Sueca pela atribuição do Nobel da Literatura. Em 1924, morreu o seu irmão Francisco, com apenas 4 anos de idade.


Uma primeira curiosidade é o seu nome. Até então era José Sousa, mas quando foram fazer a sua inscrição na escola primária da Rua Martens Ferrão descobriram que um funcionário do Registo Civil da Golegã incluiu como apelido na sua certidão de nascimento a alcunha familiar, Saramago. Desta forma, torna-se no primeiro Saramago da família Sousa. Se assim não tivesse acontecido, o seu nome seria José de Sousa.


Em 1932, matriculou-se no Liceu Gil Vicente, onde inicia estudos secundários, frequentando dois cursos (liceal e técnico), mas em 1935, a falta de recursos económicos da família obrigou-o a transferir-se para a Escola Industrial de Afonso Domingues, onde estudaria até 1940. Terminado o curso de Serralharia Mecânica, José Saramago empregou-se nas oficinas do Hospital Civil de Lisboa. A paixão pela literatura é alimentada de forma autodidacta, nas noites passadas nas Bibliotecas do Palácio das Galveias.


Em 1943 começa a trabalhar na Caixa de Abono de Família do Pessoal da Indústria de Cerâmica, de onde foi afastado em 1949 em consequência do seu apoio à campanha eleitoral de Norton de Matos, o candidato da oposição à Presidência da República.


Casa-se em 1944 com a pintora Ilda Reis e em 1947 nasce a filha de ambos, Violante.


A primeira obra publicada, “Terras do Pecado”, surge em 1947. O título original, “Viúva”, foi alterado por imposição do editor da Minerva, que o considerava pouco comercial, e essa é uma das razões pela qual Saramago resistia a incluí-lo na sua bibliografia.


Em 1950, começou a trabalhar na Caixa de Previdência do Pessoal da Companhia Previdente, fazendo cálculos de subsídios e de pensões, graças à mediação do seu antigo professor Jorge O´Neil. Das suas obras, algumas foram mais conhecidas, como o "Memorial do convento", "O ano da morte de Ricardo Reis", "O evangelho segundo Jesus Cristo", "A jangada de pedra" e "A viagem do elefante". Na segunda metade da década de cinquenta traduz cerca de dezasseis livros, entre eles de autores como Colette e Tolstoi.


Em 1966, é editado o seu primeiro livro de poesia, "Os Poemas Possíveis" e ao longo desta década continua a sua actividade de tradutor, se bem que com mais moderação. Traduz, entre outros, Colette, Cassou, Audisio, Maupassant e Bonnard.


Entre 1967 e 1968, colabora como crítico literário na revista Seara Nova. Nesta condição, escreve sobre vinte e três livros de ficção, entre eles títulos de Jorge de Sena, Agustina Bessa-Luís, Júlio Moreira, Alice Sampaio, Augusto Abelaira, Urbano Tavares Rodrigues, José Cardoso Pires, Rentes Carvalho, Nelson de Matos, Manuel Campos Pereira, publicando também crónicas no jornal A Capital, nas secções "Rua Acima, Rua Abaixo" e "Deste Mundo e do Outro".


Em 1970, acaba por se divorciar de Ilda Reis e muda-se para Lisboa, depois de viver doze anos na Parede. Entretanto, inicia uma relação com a escritora Isabel da Nóbrega, que duraria até 1986. Durante a década de 70, dirige o suplemento literário do Diário de Lisboa e colabora com a revista Arquitectura. Após a Revolução do 25 de Abril coordena uma equipa do Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis (FAOJ), sob dependência do Ministério da Educação. Também colabora como assessor do Ministério da Comunicação Social.


Em 1975, é nomeado director-adjunto do Diário de Notícias. Acusado de radicalismo marxista, vive um tumultuoso momento de crise, paralelo à evolução política moderada da Revolução, que o afasta do jornal, sem sequer receber apoio do seu partido. Ao ficar desempregado no 25 de Novembro, decide não procurar outro trabalho e dedicar-se exclusivamente à escrita e à tradução. Os seus únicos rendimentos provêm das traduções, e intensifica esta actividade, a partir desse ano.


Naõ desvalorizando as suas outras obras entretanto publicadas, foi a publicação de "Memorial do Convento" em 1982 que o tornou mais reconhecido em Portugal e no mundo. Em 1988, casa-se com a jornalista Pilar del Río.


Foi galardoado em 1991, após a publicação de "O Evangelho Segundo Jesus Cristo," com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores e com o Prémio Brancatti (Zafferana, Itália). No mesmo ano é nomeado Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Turim e Sevilha e o governo francês concede-lhe o título de Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras.


Em 1995, publica "Ensaio sobre a Cegueira" e o segundo volume de "Cadernos de Lanzarote", recebendo nesse ano o Prémio Camões. É nomeado Doutor Honoris Causa pela Universidade de Manchester (Inglaterra) e recebe o Prémio de Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores.


Em 1998 é-lhe atribuído o Nobel da Literatura. Também ganhou o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago, conhecido pelo seu ateísmo. Em 2001, publica "A Maior Flor do Mundo" e no mesmo ano recebe o Prémio Canárias Internacional concedido pelo Governo de Canárias. Em 2004 publica "Ensaio sobre a Lucidez".


Em junho de 2007, cria a Fundação José Saramago, não apenas com o objectivo de promover a conservação, o estudo e o conhecimento da sua obra mas também de intervir social e culturalmente, de impulsionar acções a favor do ambiente e de contribuir para a promoção ativa dos direitos humanos. Em 2008, coincidindo com a festa anual (Seixal, Portugal) do jornal Avante!, o Partido Comunista Português presta-lhe homenagem.


O mais recente romance publicado pelo escritor foi "Caim", em 2009. 


O escritor tinha um estilo de escrita diferenciado pelos parágrafos muito longos e escassez de pontuações. Os diálogos das personagens são inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, de forma que não existem travessões nos seus livros: este tipo de marcação das falas propicia uma forte sensação de fluxo de consciência, a ponto do leitor chegar a confundir-se se um certo diálogo foi real ou apenas um pensamento. Saramago era doutor Honoris causa em diversas universidades por todo o mundo que assim fizeram reconhecer o seu talento e contributo para a literatura e cultura internacionais. Mais se poderia falar sobre ele, sobre a sua extensa obra da qual apenas refiro uma pequena parte.


Fontes:


https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2010/06/morre-aos-87-o-escritor-jose-saramago.html


https://www.cnc.pt/morreu-jose-saramago/


https://expresso.pt/dossies/dossiest_actualidade/dos_jose_saramago/cronologia-a-vida-de-jose-saramago=f588876


 


 


 

sábado, 13 de junho de 2020

"Deixei-te ir"

Existem livros bons e depois existem aqueles que me agarram da primeira à última página. Foi esse o caso.


Clare Mackintosh consegue através da sua escrita exemplar e expressiva transmitir-nos o que as personagens estão a sentir. Uma história emocionante que se baseia num caso real e onde descreve o trabalho de investigação da polícia, a sua vida privada.


Este romance reflete a dor de uma mãe que perde um filho num trágico acidente, do qual se culpa todos os dias. E também a dor de uma mulher que tem a culpa nas mãos e se arrisca a ir presa, levando-a entrar em fuga para tentar começar uma vida nova, noutra cidade em que não a conheçam. O porquê desta fuga, apesar de podermos pensar que se de apenas ao sentimento de culpa que sente, tem outro motivo forte por trás. E vamos descobrir que a dor de ir presa é menor do que a dor de continuar a sua fuga à violência doméstica.


Um livro que desde a primeira página é cheio de emocões, que me levou às lágrimas e me fez sentir uma revolta imensa e até náuseas em algumas descrições, tal o nível de escrita de Clare Mackintosh. Brutal. Assim, se percebe o que é uma excelente escritora.

quinta-feira, 4 de junho de 2020

"A rapariga no comboio"

Vi várias pessoas com este livro e, quando perguntava, todas me diziam que eram muito bom. Por isso, assim que me foi possivel, comprei-o (em segunda mão, a uma amiga que ia viajar).


 A "Rapariga" que viaja num comboio todos os dias, fingindo ir e vir de um trabalho que já perdeu, como tantas outras coisas, devido ao problema do álcool que domina os seus dias. O seu entretenimento é observar as pessoas e as casas, em especial, quando o comboio passa perto da sua antiga casa, da sua antiga vida, da qual não consegue de forma nenhuma separar-se.


Apesar de perceber que está a cometer uma sucessão de erros e de mentiras, ela envolve-se na vida do casal que observa pela janela do comboio, que só por acaso vive ao lado do seu ex-marido e da sua nova família, na casa que antes era sua. 


Este é um pequeno resumo da história e não posso contar muito mais porque perderiam o interesse da leitura.


Eu, pessoalmente, criei muitas expetativas ao lono da história e depois acabei por me sentir um pouco desiludida no final. Acho que esperava mais alguma coisa depois de tanta publicidade. Mas é mesmo assim um excelente livro, um thriller bastante envolvente, mas não assim tanto perturbador nem arrepiante. 


Escrito por Paula Hawkins, um bom livro para uma leitura na praia, descontraída.

"Sonata em Auschwitz"

Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé n...