quarta-feira, 4 de novembro de 2020

"Três semanas com o meu irmão"

Já li muitos romances de Nicholas Sparks, mas este, escrito com o seu irmão, não me tinha ainda chamado a atenção. Engano meu, pensar que por ser diferente, poderia ser menos bom, ou agradar-me menos que a sua restante obra. Agarrei-me a este romance em outubro de 2013.


Neste livro, Nicholas Sparks fala sobre si mesmo, sobre a sua infância e fala-nos daquilo que foi a sua vida e a da sua família, assim como aquilo que o levou a seguir a carreira de escritor.


Adorei a forma como Nicholas fez a descrição da sua vida, da sua infância e da verdade das suas palavras que, como habitualmente, nos emocionam. Um livro que merece ser além de lido saboreado.


Este é o resumo do livro:


“Na Primavera de 2002, uma pequena brochura perdida num monte de junk mail veio introduzir uma nota de desafio e de aventura na vida de Nicholas Sparks e do seu irmão, Micah. O convite era, no mínimo, irresistível – uma viagem de três semanas à volta do globo que os levaria a conhecer as «Terras dos Adoradores do Céu». Teria início no Hemisfério Sul e terminaria no Círculo Polar Árctico. Inspirados pela profunda amizade que os une, os dois irmãos concedem a si próprios um tempo de evasão e de descoberta que terá por cenário o exotismo e o mistério de alguns locais mais sagrados e míticos do mundo. Mas este será, sobretudo, um tempo de reencontro e de reconciliação com um passado partilhado que cedo lhes deu a conhecer o tumulto emocional de uma vida familiar simultaneamente feliz e trágica. Ao público é oferecida a rara oportunidade de se sentir mais próximo do autor e de compreender algumas das motivações subjacentes à sua escrita. Livro de memórias e relato de viagem, Três Semanas com o Meu Irmão é, antes de mais, uma peregrinação interior que celebra o amor, a coragem e a fé, e nos exulta a abraçar a Vida com todas as suas incertezas.”


Convido-vos a ler e a desfrutar desta viagem. Uma viagem ao passado, mas também uma passagem pelos lugares mais estranhos do mundo, numa fascinante descrição. Um livro que fala de família e de amor.

terça-feira, 3 de novembro de 2020

"A prisão do silêncio"

Já aqui tinha falado de duas maravilhosas obras de Torey Hayden. Pouco tempo depois, procurei por esta escritora nos livros disponíveis na biblioteca e encontrei este de que entretanto já tinha pesquisado. Li este livro ainda em 2013 também.

 

Torey escreve "A prisão do silêncio" de uma forma maravilhosa a forma, conseguindo colocar todos os pormenores sem que a sua escrita se torne demasiado massadora. Prende-nos a cada uma destas histórias reais, mudando apenas os nomes dos seus intervenientes por questões deontológicas.

 

Este é um livro um pouco diferente. Nos livros anteriores, ela era professora de alunos com deficiências quer mentais que físicas. Tinha uma turma com quem interagia diariamente, tentando criar laços que seriam fundamentais no decurso da evolução da criança.

 

Neste livro, ela está numa clínica e é em contexto de consulta que cria a relação com as crianças. Desta vez, é com um jovem adolescente que Torey tem de trabalhar. Kevin é um jovem de 15 anos, que se "enjaula" a si mesmo entre as pernas da mesa e das cadeiras, escondendo-se assim dos seus próprios medos. Ao contrário dos vários profissionais pelos quais as crianças passavam, Torey desenvolvia uma relação de amizade com elas e o mesmo tenta fazer com este jovem, trabalhando em cada consulta para que ele confie suficientemente nela.

 

Ao longo dos anos institucionalizado, o seu passado foi-se perdendo nos processos burocráticos e essa ausência de informação enfurece Torey, uma vez que vai dificultar o seu próprio trabalho. Ao inicio, as suas sessões com Torey são frustrantes, até que ela começa a adoptar métodos quase ridículos para médicos especializados. Ela lia-lhe livros, cantava canções com ele, anedotas… Coisas normais… Que o fizeram falar com ela, mas para sua frustração, apenas com ela. Fora da sala de onde se realizam as sessões, ele volta a ser o mesmo miúdo, fechado em si mesmo.


Depois de algumas sessões, Kevin, começa a demonstrar várias facetas, algumas delas bastante violentas chegando mesmo a agredir Torey, e outras mais artísticas. Interessa-se por desenhar: e é para o papel que transmite as suas emoções mais profundas, o ódio pelo padrasto, desenhando com uma minuciosidade incrível. Mas, a parte assustadora, é que os seus desenhos mostram actos violentos demasiadamente detalhados. Qual o segredo que Kevin esconde?


Aos poucos, o jovem começa a falar de certas atitudes violentas por parte do padrasto. Fala-lhe da sua irmã mais nova, das suas aventuras com ela (cuja existência Torey chega a duvidar), e da sua morte, provocada pelo padrasto.


Paralelamente ao seu trabalho na clínica, Torey inscreve-se num programa de “Irmãs mais velhas”, ou seja, ser a irmã mais velha em “faz de conta” de crianças que precisam de ajuda, para a sua integração e na criação de valores. Torey fica então "irmã mais velha" de uma miúda de nariz empinado, que mente e inventa histórias para se tentar integrar e valorizar-se a si mesma: uma forma criativa de defesa criada pela menina.


A miúda começa a estar constantemente na sua casa, começa a fazer parte da sua vida. E ela, como “coração mole” que é, não consegue dizer que não. Vai ser interessante ver a evolução da sua relação com esta menina.

O que marca mais:

"Nenhum Deus faria um mundo onde houvesse tantas pessoas que não têm um único ser que as ame. Se o mundo tivesse sido feito segundo um plano, haveria pessoas suficientes para toda a gente ser amada."


"Mal do coração. É como um cancro invisivel. Está no nosso coração. Pode-se senti-lo. Come-nos por dentro. É o que se tem quando não se faz seja o que for para além de nascer. O coração nunca é utilizado. E por isso apanha-se o mal do coração e o coração degrada-se. Muitas vezes, antes de o resto do corpo se degradar. Só que isso não tem importância porque, uma vez morto o coração, também estamos mortos."



Um livro forte, com cenas simplesmente horriveis de violência. Esta é a sinopse deste livro:
Quando a técnica de educação especial Torey Hayden aceitou ocupar-se do jovem Kevin de 15 anos, encontrou um miúdo a quem o mundo exterior causava pânico e que vivia fechado num mutismo voluntário. No entanto aquela era apenas a parte visível de um abismo de sofrimento.

Em todas as instituições por onde passara, consideravam-no um caso perdido e a própria Hayden sentiu-o como um vencido e compreendeu que só por milagre conseguiria ultrapassar os muros que ele construíra à sua volta. Mas Hayden tem um coração maior que o mundo e sentia-se incapaz de desistir dele. Pouco a pouco foi descobrindo uma história chocante de violência e abandono e um terrível segredo que um indiferente processo burocrático tinha simplesmente esquecido.

"Sonata em Auschwitz"

Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé n...