segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

"O profeta do Castigo Divino"

Os meus livros preferidos são sem dúvidas romances históricos. Farta de andar de volta de reflexões demasiado complicadas, fui à procura de algo mais do meu interesse. E em outubro de 2013 estava a ler o romance histórico de Pedro Almeida Vieira, "O profeta do Castigo Divino".


Este livro de Pedro Almeida Vieira fala-nos da história de Gabriel Malagrida e de Portugal nos anos que antecederam o terramoto de Lisboa de 1755. Falam-nos da Igreja Católica no século XVIII e da obscuridade em que se vivia. É um livro que trata da história de Portugal vista de uma outra perspetiva.


Gabriel Malagrida é um jesuíta, natural de Itália. Com um comportamento obcessivo por natureza, teima em evangelizar os que no "novo mundo descoberto viviam em supostas trevas". Depois de muito se instruir, embarca para o Brasil e para o Maranhão. Em Belém do Pará, encontra uma terra nada dada a atos religiosos. Lá encontra a sua vocação: evangelizar e colonizar os índios, - com atos nem sempre "memoráveis" para depois ao voltar a Portugal, Lisboa o receber como autor de vários milagres (uns façanhas e embustes, outros apenas coincidências, que num século de tão parca instrução eram atribuídas a atos divinos).


O padre Malagrida é de certa forma descrito por Pedro Almeida Vieira como um misto de iluminado, de escolhido de Deus, militante eclesiástico, visionário, profeta do mal, socialmente excêntrico face aos próprios companheiros jesuítas, missionário obstinado, tão fanaticamente crente na missão divina da sua vida que não hesita em usar estratagemas ardilosos (como o das bolas de cera no mar) para exaltação de uma maior santidade pessoal e divina. Acresce um lado milagreiro, que espanta o próprio Diabo.

Malagrida veio a ser condenado como herege no âmbito do Processo dos Távora.


O livro foi para mim interessante pela sua contextualização histórica. É um livro longo e denso, com uma narrativa pouco fluida, embora o tema fosse até interessante e o livro esteja muito bem escrito e mostrando uma grande pesquisa histórica.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

"Ontem não te vi em Babilónia"

Este foi um livro difícil, que me deu muita luta para conseguir chegar ao fim. Não é fácil parar uma página e seguir a leitura depois, porque com a mistura de pensamentos que ali desfilam, quando paramos, perdemos o fio à meada. Passou pouco tempo, mas António Lobo Antunes não me podia vencer assim tão facilmente e em setembro de 2013 voltei à carga mas desta vez com este livro.


E descobri que tentar desenredar esta meada, é por si só uma tarefa muito complicada. Percebemos algumas das memórias (o suicídio na árvore, a caravana dos ciganos, a tortura às mãos da PIDE...) os lugares onde algumas ações se passaram. O que é ou onde fica esta "Babilónia"? 


Sobre o autor:


António Lobo Antunes, nasceu em Lisboa, a 1 de Setembro de 1942, no seio de uma família da alta burguesia, filho de João Alfredo Lobo Antunes, um destacado neurologista português.


Lobo Antunes especializou-se em psiquiatria, tendo exercido a especialidade durante alguns anos no Hospital Miguel Bombarda até a abandonar por completo em favor da literatura.


O seu primeiro livro a ser publicado foi "Memória de Elefante", em 1979, e tornou-se num enorme sucesso literário. Desde então, publicou 29 romances e cinco volumes que reúnem as suas crónicas publicadas semanalmente na revista Visão.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

"Romance em Amesterdão"

Lido em 2013.


Depois de conhecer o tipo de escrita de Tiago Rebelo, optei no mês seguinte, por escolher este romance, assim quase ao "acaso" da biblioteca.


Ela vai atrás de uma história de amor que lê num livro, casualmente vai descobrir que as coincidências existem e encontra o autor desse mesmo livro. Mas a sua história em Lisboa estava longe de estar terminada. A sua ida a Amesterdão serviria apenas para pôr a cabeça em ordem, mas não foi isso que na verdade aconteceu.

Quando, subitamente, numa azafamada manhã, numa estação de metro, se voltaram a encontrar. Foram quinze anos passados, que podiam ter feito ambos esquecer a paixão que antes os tinha unido.


Quando tudo parecia ter sido diluído no tempo, eis que o passado volta a ser vivido no presente. Ele, seguiu o conselho dela, começou a acreditar mais em si e no seu trabalho. Ela criou a sua família, tem uma filha adolescente e um marido trabalhador, mas não se sente feliz. Apesar de negar veementemente essa sua vontade, acaba por ceder aos seus desejos e cai nos braços do seu amor de juventude. 


Um livro que nos fala de escolhas, de situações que vão surgindo e das quais as personagens têm de se desenvencilhar escolhendo um dos caminhos. No entanto, o livro torna-se mais fraco pela falta de surpresa, as tentativas de suspense não passam disso e deixaram-me desiludida. Gostei mais do outro romance do mesmo autor "Encontro em Jerusalém."

sábado, 12 de dezembro de 2020

"Jerusalém"

No final do verão de 2013 e depois da desilusão com a compra de "Sôbolos rios que vão", fui à biblioteca - algo que gosto muito de fazer - e escolhi "Jerusalém" por nenhum motivo em especial. Porque me calhou passar a mão pelo livro e me chamou a atenção a lombada negra. Porque agarrei e vi que tinha recebido um prémio de José Saramago em 2005 e o Prémio Ler/Millenium BCP. Da coleção "O reino" da editora Caminho, "Jerusalém" é um dos "livros negros" de Gonçalo M. Tavares.


Em cada capítulo, Gonçalo Tavares vai-nos apresentando as personagens e pela ordem em que vai contando cada episódio se vai entrelaçando a teia e ficamos a perceber o que aconteceu naquela noite/madrugada e o porquê daqueles acontecimentos. "Ernst e Mylia", "Theodor", "Hanna, Theodor, Mylia".


Mylia tem esquizofrenia. Tem um filho. Theodor é marido de Mylia. É médico. Não é o pai do filho de Mylia. Mylia não está com o filho... já vos parece interessar a história? Os "loucos" que estão com Mylia no Hospital psiquiátrico, são muitos, com um curto papel, mas com a sua importância na trama.


Gostei da história, que é de leitura rápida, mas deveras envolvente e interessante. Gonçalo tem uma forma de escrever umas vezes subtil, outras extremamente direta, como se ler nos pusesse na frente dos acontecimentos, naquele lugar que nos custa a perceber qual é - e que também não importa, é a descrição dos acontecimentos que tem relevância e não a sua posição geográfica - nem o tempo em que ocorreram.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

"Sôbolos rios que vão"

Quando começamos a ler um livro de António Lobo Antunes, temos de nos preparar para uma escrita um pouco dissociada da realidade, com diversas alegorias, imensas metáforas. Foi isso que percebi em 2013. Andava numa maré de leituras rápidas e que, apesar de algumas delas serem mais difíceis, me faziam passar horas agarrada a um livro até o acabar.


Desta vez isto não aconteceu. Perceber tudo como se houvesse um fio que nos orienta neste labirinto, não é fácil, temos de levar a leitura de espírito aberto. E por isso, este não é um livro fácil.

É precisa uma boa dose de paciência. Eu, pessoalmente, tive de me deixar levar porque não encontrei um fio condutor na história. Quando parava de ler, parecia que simplesmente não conseguiria contar aquilo que tinha lido. Confesso que não terminei o livro e que saltei muitas páginas. Isso é raro acontecer comigo.


"Sonata em Auschwitz"

Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé n...