sexta-feira, 26 de março de 2021

"O último verão na Ria Formosa"

Uma história escrita por José António Saraiva, que nos descreve parte da vida da personagem Jacinto de Jesus, um médico, nascido nas Beiras, que trabalha em Tavira. Substituindo o médico legista da região naquele verão, Jacinto é chamado para um cadáver dentro de um carro caído na Ria. O homem, ainda jovem, está ao volante, mas aquilo que parece uma morte por afogamento depois de um despiste, levanta muitas dúvidas ao médico.


Este livro é uma trágica história de amor em que as personagens envolvidas têm tantas camadas de personalidade que é difícil chegarmos ao âmago de cada uma delas. A mentira é a principal linha do enredo, que não permite o fácil desnovelamento da história. As tragédias vão-se sucedendo. 


O livro também nos mostra um Portugal de outra época, com os seus próprios costumes. As cartas que são o principal meio de comunicação entre as personagens principais da história e as viagens de comboio ou pela estrada nacional que nos remetem a um passado que afinal não nos está assim tão longínquo mas do qual já nem nos lembramos desta forma.

sábado, 20 de março de 2021

"As cidades invisíveis"

Nunca me tinha passado pela cabeça começar a leitura desta obra de Italo Calvino. Agradeço à Analita e ao grupo de leitura e escrita criativa de que faço parte pela motivação para a leitura deste livro, e agradeço à Maria João, professora e amiga, que me disse que tinha lido e que tinha encontrado algo de especial neste livro.


"As cidades invisíveis" é um romance em que nos deixamos levar numa espécie de jogo, um labirinto que vamos desvendando consoante nos vão surgindo novos pontos de luz, ou seja, desvendadas novas cidades imaginadas por Marco Polo nas visitas diplomáticas a Kublai Kan, imperador dos tártaros. A descrição do caminho e das caraterísticas de cada uma das cidades, é feita com o abuso nas figuras de estilo através das palavras do narrador. As 55 cidades,  que o jovem veneziano descreve na conversa ficcionada pelo escritor permanecerão invisíveis porque são lugares da imaginação. Cada cidade é um local imaginado que destaca determinadas caraterísticas da humanidade. 


O livro divide-se em tipos de cidades, ou caminhos, que são percorridos quase que aleatoriamente: "As cidades e a memória", onde encontramos Diomira com as suas "cúpulas de prata, estátuas de bronze" ou Zarna onde os velhos estão a remendar "as redes", "As cidades e o desejo" ou "As cidades e os olhos" são apenas alguns dos exemplos. A descrição é em simultâneo factual mas também sentimental.


Tive de agarrar a história de uma perspetiva diferente da forma que normalmente faço, com papel e caneta ao lado para não me perder nas descrições e retirar de cada uma delas o sumo que tinham para me dar. Não é uma leitura que recomende aos "fracos". Desisti por várias vezes. Ainda por cima, li em formato digital, o que confesso não é das minhas formas preferidas. Mas cheguei ao fim e, neste em específico, foi uma vitória a celebrar! O livro, escrito por Italo Calvino em 1972, é um livro muito completo e organizado, com uma enorme sensibilidade.

sexta-feira, 5 de março de 2021

"O Paciente"

No final de 2013, escolhi na biblioteca, este livro de Michael Palmer que me chamou a atenção. E posso-vos dizer que foi uma das melhores escolhas desse ano.


"O Paciente" de Michael Palmer, conta-nos a história da Dra. Jessie Copeland, uma respeitada neurocirurgiã do Centro Médico Eastern Massachusetts, que passa os dias travando batalhas de vida e morte no centro cirúrgico. O seu mais recente trabalho, gira à volta de ARTIE, um mínúsculo robot que promete revolucionar a neurocirurgia, diminuido os riscos e as lesões causadas pela cirurgia convencional.


O ARTIE consegue extrair tumores inoperáveis, o que o torna numa empolgante fusão de biomecânica e radiologia. Mas pode ser que se passem meses até que ARTIE esteja pronto para ser usado em seres humanos. O trabalho e a dedicação da Dra. Jessie atraem a atenção de Claude Malloche, um terrorista disposto a tudo, perseguido pelo agente secreto Alex Bishop. Malloche portador de um tumor no cérebro, que pode ser fatal e fará de tudo para se salvar.


Ainda que a cirurgia envolva sérios riscos e não ofereça garantias, é exatamente isso que Malloche exige, fazendo com que a Dra. Jessie se defronte com o caso mais angustiante de sua vida, em uma história repleta de perigo, tensão e violência.


Ao longo do livro, Michael Palmer consegue unir num só romance o seu talento, uma narrativa deveras brilhante e repleta de conhecimento e uma empolgante história de ficção.

"Sonata em Auschwitz"

Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé n...