quinta-feira, 22 de abril de 2021

Escrita...

Dias de caminho tinham-no trazido até aqui. E aqui, esperava ficar pelas próximas horas. Pelo menos encontrava-se numa terra perto do mar, o que lhe fazia lembrar as suas origens. Sempre tinha sido um aventureiro, um navegante, armador e capitão, mas agora era apenas um fugitivo. A areia afundava-se debaixo dos seus pés enquanto caminhava junto ao mar. Ao fundo da praia, umas rochas pareciam ser o sítio ideal para pernoitar. A maré estava a começar a vazar, por isso, onde ficasse não precisava de se preocupar com a subida das águas durante a maior parte da noite e só teria de sair de madrugada.


A viagem tinha sido dura, mas algures junto da Mimosa tinha conseguido despistar os PIDE que o perseguiam. Eram dois, num carro vermelho. Ele tinha fugido a pé uma parte do caminho, escondido na calada da noite, mas rapidamente se apercebeu que se conseguisse entrar em alguma carrinha, ou talvez, num autocarro, a sorte poderia mudar. Quando se aperceberam da sua fuga e encetaram uma caça ao homem, já ele estava dentro do expresso.


Não se poderia demorar muito ali. Quando o dia rompesse, iria tentar a sua sorte, mas eis que viu um pequeno barco atracado perto das rochas. Todo de madeira, apresentava muitas falhas na pintura, mas apesar do aspeto descuidado, parecia estar bom. E se o usasse? Pensando apenas alguns segundos nas hipóteses que teria, entrou no barco, cortou a corda e remou dali para fora. Agora sim, enquanto se afastava da costa, começava a ganhar mais confiança de que a sua fuga poderia, afinal, ser bem sucedida.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

"Quando o sol brilha"

Hoje terminei a leitura do livro de Rui Conceição Silva, "Quando o sol brilha". 


Conta a história de Felismino, o pai, e de Edmundo, o filho, e da família e das pessoas da aldeia. Fala-nos de um Portugal interior, um Portugal dos anos 60 e 70.


E conta-nos as desgraças sucessivas a que aquela família é sujeita, como lidam com elas e como depois de estarem quase a cair no abismo, se conseguem recuperar. O final não é um final feliz, porque faltam ali pessoas muito importantes. Edmundo e a mulher perderam um dos seus maiores bens e têm o coração destroçado, mas olham para o futuro que podem dar aos outros filhos, querendo sempre o melhor para eles.


É uma história comovente e ontem, quando lia uma das partes mais trágicas da história, dei por mim no parque do hipermercado, dentro do carro a chorar copiosamente. São assim os bons livros, trazem ao de cima as nossas emoções e ajudam-nos a lavar a alma.

"Sonata em Auschwitz"

Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé n...