Do escritor Alberto S. Santos, também advogado e conferencista, este é um romance histórico pleno de pormenores.
Ao realizarem escavações na Catedral de Compostela, surge a questão sobre quem ali está sepultado. A historia leva-nos então muitos séculos atrás, a Aseconia (Santiago de Compostela) do ano 349, ao nascimento de Caio Prisciliano.
Prisciliano foi aprendiz e foi lider. Lutou contra os ideais religiosos da época e sofreu os horrores ditados pela sua luta pela igualdade das mulheres dentro da igreja e dos valores do Cristianismo. O que fazia era entendido de forma errónea pelos que o queriam fazer cair e desistir dos seus ideais, por se sentirem atacados com a sua diferença de pensamento. No século IV, a crença em Cristo andava pelos mesmos caminhos que os credos mais antigos de devoção a Ísis e outros deuses. As várias religiões coexistiram nesta época dando origem às atuais ramificações que conhecemos por todo o mundo, mas que tiveram aqui no berço mediterrênico e nas províncias de Gália e Hispânia parte da sua origem histórica.
Um livro que tem muitos factos históricos, denso mas ao mesmo tempo interessante, leva-nos a sítios e momentos passados que vamos reconhecendo de documentários e livros sobre a época, mas que conseguimos agora viver de outra forma, como se pudessemos estar lá também a observar as vidas, as conversas, os ritmos diários descritos de forma incrível.
As mudanças de local estão muito bem sinalizadas, com a identificação dos locais sendo feita com a toponímia antiga e a moderna, como por exemplo na passagem por Braga, referindo-se a Bracara Augusta. Assim, também conseguimos perceber as viagens feitas por Prisciliano, à luz da vida na época e das dificuldades que seria atravessar de uma cidade para outra.
A luta deste e dos seus seguidores em manter os ideais que defendiam, também foi muito bem descrita, levando-nos a querer muitas vezes parar de ler pelas emoções que a história nos trás, mas sem o conseguirmos fazer, porque sabemos que o desfecho estará logo ali, na próxima página.
Pela negativa, acho que é pouco certo que seja Prisciliano que ficou no túmulo, pois todo o final é um pouco confuso de perceber, levando-nos a ficar na curiosidade se seria ou não essa a grande descoberta que fizeram nas escavações. O que percebemos, é que o túmulo havia sido vandalizado, mexido, mas ficamos sem compreender o que de facto aconteceu.
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