terça-feira, 3 de maio de 2022

Escrita...

Ontem era um semáforo,


que as impedia de passar, 


luz vermelha que dali a nada


em verde se ia virar.


Ms hoje, o vermelho é sangue,


o verde já não brilha mais,


está tudo negro, caído,


e são tanques que as param nas ruas,


pedras, barreiras infernais.


 


Ontem, era a campainha da escola


que as fazia correr.


Hoje, a sirene que toca,


alerta-as para as bombas que caem,


mísseis que não poupam ninguém,


e que as obriga a esconder


se hoje não querem morrer.


 


Ontem, os pais chamavam


para a mesa, para jantar!


Hoje, os pais choram e gritam,


enquanto as balas silvam, 


as bombas caem e todos têm de correr


se a vida querem salvar.


 


Ontem era a escola,


uma boneca, um carrinho!


Uma canção infantil, 


um hino, uma melodia!


Hoje, da vida que sobra,


amanhá pode não haver sinais


nem menino, nem menina,


nem ninguém que conte a história


desta guerra nos jornais.


Elsa Filipe

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