sexta-feira, 23 de setembro de 2022

"O décimo terceiro conto"

Este livro, de Diane Setterfield, deixou-me completamente agarrada da primeira até à última página. O livro começa por falar de Margaret, que é uma jovem que (talvez, ou não) por ser filha de um alfarrabista, ama os livros. Ela é uma daquelas leitoras a que se pode chamar compulsiva, mas também gosta de escrever e acaba por se tornar biógrafa amadora. Sem dar grande importância a esta sua faceta, acaba por ser contatada por uma escritora famosa, Vida Winter. Margaret não deixa de se surpreender por ter sido escolhida para escrever biografia de Vida e, ao pesquisar sobre o que já se tinha escrito sobre a sua vida, descobre que esta tem por hábito iludir e mentir sobre as suas origens. Mas nada a iria preparar para o que viria a descobrir.

Vida sente que o seu fim está próximo. Está frágil e luta contra uma terrível doença que lhe traz dores atrozes! Na sua casa de campo, a escritora decide contar a verdadeira história da sua vida, revelando um passado misterioso e cheio de segredos. As duas mulheres vão partilhar vivências profundas, aproximando-se a afastando-se em determinados momentos da narrativa. Diane, escreve o livro de uma forma especial em que assume tanto assume a primeira pessoa dando voz a Margaret, como assume a voz de Vida Winter quando esta está a contar a sua própria história.

A própria narrativa se torna às vezes confusa quando Vida assume a sua "pessoa" ou quando ao invés relata na terceira pessoa como se estivesse a assistir à passagem da própria vida. Confusos? Não fiquem, pois a história está realmente muito bem escrita e vamos descobrindo os segredos a par e passo com a ordem da narrativa. Durante o livro, as duas mulheres partilham parte do seu dia no local preferido de ambas, a biblioteca, onde vão resgatando velhas memórias e confrontando-se com fantasmas há muito adormecidos. 

Sem que pudessem inicialmente prever, acabam por entrelaçar as suas vidas de forma tão intensa, que o resultado não poderia ser outro que não uma inesquecível história de amor e de amizade, mas que não deixa de ser uma história triste e solitária.

Outra coisa interessante é que ambas falam noutros contos, especialmente em grandes romances, um dos quais "A Paixão de Jane Eyre". No outro dia, estava a limpar a minha pequena coleção de livros, quando agarro nesse mesmo livro. Uma edição de 1979, capa dura e vermelha, do Círculo de Leitores e que herdei da minha mãe. Será a minha próxima leitura. Não sei se a minha mãe o terá chegado a ler, mas quero acreditar que sim. Tenho muitos livros que foram dela e, pela forma como este está manuseado acredito que ela o tenha chegado a ler.

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