sábado, 21 de janeiro de 2023

"Um pouco mais de fé"

Patrícia Costa Dias conta a sua luta contra a bulimia na primeira pessoa. Mais do que uma luta contra uma doença, é a descrição da sua passagem da infância para a adolescência e do seu crescimento até se tornar numa mulher adulta. A forma como coloca em palavras os seus medos, a sua ansiedade, contrastam com a menina frágil que se começa a deixar levar pelos episódios sucessivos de vómitos e por uma luta diária contra a comida. Para ela, a fé não é o ponto essencial no início, mas na procura por si mesma e por formas de se autoajudar, quando todos os outros parecem nem reparar na sua dor, encontra na meditação e na escrita o caminho para se reencontrar. 


É neste reencontro com a sua própria infância que, num país distante, encontra o amor e constitui a sua própria família. Mas para que descubra este seu lado, precisa de ultrapassar um caminho muito longo e difícil, onde o seu pior inimigo é aquilo que a mantém viva - a comida -  e o próprio reconhecimnento da forma como ultrapassar a bulimia. 


Um livro inspirador. Apesar de nos falar de fé, não é de forma nenhuma uma descrição da religião como o caminho, mas pelo contrário, uma busca por si mesma naquilo que entre várias religiões e grupos ela vai encontrando, pois é nos locais calmos, como o silêncio de uma capela, ou num centro de meditação budista, que Patrícia escuta os seus próprios pensamentos, organiza as suas ideias e define dia após dia, as suas metas pessoais.


Recomendo. Para quem luta com esta doença. Para quem tem familiares em busca de um caminho para sair da bulimia ou da anorexia. Para quem tenta sair de uma espiral de auto destruição. Um livro pode ser um confidente, um apoio, um amigo.

domingo, 8 de janeiro de 2023

"A casa do destino"

Este posso dizer que é um dos melhores livros que já li. Há uns meses voltei a casa da minha avó para ir buscar alguns livros que ela me queria dar e ele voltou às minhas mãos. 


Apesar de já o ter lido em 2013, voltei àquela história de amor, embrenhando-me nas palavras escritas por Lea Velés e por Susana Prieto. Quando voltamos a ler um romance, a nossa vida pode influenciar a maneira como nos sentimos como o lemos? Sim. Eu acredito que sim. Desta vez, sinto que li com uma maturidade diferente, que me emocionei com alguns relatos e que me senti na pele das personagens de forma diferente. 


Se eu pudesse escolher a história de amor mais bela que li até hoje, seria esta. A história de Rocío, enamorada pelo homem da sua imaginação. 


"A casa do destino" é um romance de Susana Prieto e Lea Veléz, que nos arrebata pela sua emocionante história de amor que parece impossível, mas que se vai desvendando real a cada página. Uma história feita de lendas, mistérios e segredos encerrados pelo tempo.


"A Morte, o Destino e o Amor não conseguiam chegar a acordo. Cada um julgava ter mais poder sobre os mortais do que os outros dois. O Destino asseverava que era capaz de qualquer coisa, unir reinos, destruir culturas, provocar guerras e que a Morte e o Amor eram só consequência dos seus atos. O Amor asseverava que era ele quem realmente comandava todas as coisas. (...) A tudo isto a Morte replicou que punha fim a esse amor com o peso da lousa, algo com o que o Destino também não concordava (...).


Pensaram toda a noite e, quando se reuniram de novo, a Morte disse:
- O marquês de Villanueva tem dois filhos. O primogénito estava destinado a casar-se com a filha do conde de San Adrián, agora noviça no convento de Villanueva. Não é assim?
- Assim é - responderam o Amor e o Destino.
Pois bem - prosseguiu a Morte -, acabei com o filho do marquês. Neste momento, já não respira e nunca conhecerá a sua noiva, pelo que vos enganei a ambos.


O Amor soltou uma gargalhada.


Pode ser que tenha morrido... mas o amor é mais forte do que a barreira que acabas de colocar entre eles. A jovem noviça amava-o (...)a jovem está prestes a morrer de desgosto ao receber a notícia da morte do seu amado.


Nem tu Morte nem tu Amor, estais acima de mim. (...) mas nunca, ouvis bem, nunca poderão habitar no mesmo mundo mortal ou imortal. Viverão em tempos diferentes (...) e aquilo que poderão partilhar serão os objetos que ficaram para trás, a memória de um amor impossível, vagas recordações do passado. Serão eternamente jovens mas nunca se encontrarão."


E esta foi a aposta de três dos quatro poderes, e dali a quinhentos anos se veria quem tinha razão. Estava-se no ano de 1459.


Comecei o ano ainda agarrada aos últimos capítulos deste romance, mas já com outras leituras preparadas para me acompanharem em 2023.


Bom ano a todos! 


E boas leituras...

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Escrita para crianças e jovens

Nas escolas, as nossas crianças exploram textos de autores portugueses, alguns deles grandes nomes da literatura, outros apenas escritores que têm o dom de as palavras que escrevem serem cativantes e levaram os meninos em fantásticas viagens pelo mundo da fantasia.


Nem sempre as crianças gostam de ler, é uma verdade. E qual o motivo? O contato com os livros, mexer, desfolhar, perguntar, falar sobre e inventar, voltar a escrever o final, desenhar a personagem como a imaginamos, tanto, tanto, tanto que um pequeno conto, uma breve história, permite fazer em sala. Os livros têm sido um recurso parcamente explorado nas salas de aula. Um livro tem tantas funções que são deixadas ao acaso, com relação com as competências que os alunos têm de adquirir.


A literacia é uma das grandes competências da infância. Saber ler e saber escrever é aquela base pela qual todos passamos um dia e que nos vai acompanhar para sempre. Ninguém desaprende de ler, mas como um músculo que se treina, o músculo da leitura favorece a criatividade, melhora a dicção das palavras, aumenta o vocabulário e os conhecimentos. Desperta a vontade até de viajar!


A leitura e a escrita são para mim as duas ferramentas base, que qualquer aluno deve adquirir no seu percurso escolar, mas sabemos que saber ler não é o mesmo que ler bem. A cultura literária das nossas crianças está enfraquecida pela falta de necessidade de o fazerem. Nas escolas nem sempre lhes é exigido que leiam e mesmo quando lhes pedem para ler um conto, quantas vezes o fazem realmente? 


Quais são os vossos escritores preferidos para a infância? Que livros leram quando eram crianças? Que livros são agora lidos nas escolas e o que novos autores têm sido introduzidos?

"Sonata em Auschwitz"

Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé n...