quarta-feira, 26 de abril de 2023

"A prisão"

"A prisão", de Georges Simenon, publicado pela primeia vez em 1968, conta a história de um homem, dono de uma revista famosa, com uma boa vida e muita gente à sua volta. Aparentemente tudo está bem, mas quando Alain Poitaud chega a casa e encontra à sua espera um inspetor da polícia, a sua vida dá uma volta de 180º. A sua arma está na posse da polícia e as notícias não são nada boas: a sua esposa tinha alvejado a irmã. Poderá ter sido um crime passional ou uma vingança contra a irmã, se a relação que Alain mantinha com a cunhada não tivesse terminado há quase um ano.


A história, que decorre numa Paris chuvosa dos anos 50, mostra-nos então os dias seguintes de Poitaud e as descobertas que ele vai fazendo sobre si mesmo e sobre as relações que mantém na sua vida. Afinal, o que tem e quem está realmente do seu lado?


Simenon nasceu na rua Leopold, em Liège, em 1903, vindo a morrer em 1989. Foi o primeiro filho de Desire Simenon, empregado em um escritório de seguros e Henriette. Em 1905 a família mudou para a rua Pasteur, hoje chamada Rua Georges Simenon.


Grande romancista, deve a sua celebridade a romances (na sua grande maioria policiais) de foro psicossociológico. Eescreveu 192 romances, 158 novelas, além de obras autobiográficas e numerosos artigos e reportagens sob seu nome e mais 176 romances, dezenas de novelas, contos e artigos sob 27 pseudónimos diferentes.


As tiragens acumuladas de seus livros atingem mais de 500 milhões de exemplares. É o autor belga, e o quarto autor de língua francesa mais traduzido em todo o mundo. Na obra de Simenon, trinta e quatro romances ou novelas se passam em La Rochelle, que descobriu em 1927 passando suas férias na ilha de Aix, seguindo sua paixão por Josephine Baker. Naquele ano descobriu também uma paixão por navegação e por La Rochelle, onde no ‘’Café de la Paix’’, que aparece em obras suas e se tornaria seu quartel general, pediu uma garrafa de Champagne ao ouvir a declaração de guerra alemã em 1939; ante ao espanto dos presentes, disse: "ao menos não será bebida pelos alemães". Passa a morar lá, onde nasce seu filho Marc, em 1939.


O livro "A prisão" foi o primeiro que li deste romancista. Do princípio ao fim do livro, agarramo-nos a cada informação tentando descobrir a ligação entre as personagens e o fio de toda a trama. Mas, tal como disseram alguns críticos, ele conseguiu construir uma intriga o mais complexa possível, como se se tratasse de um jogo de ecos em que as personagens são fortes e é difícil entrar na sua lógica. No fim da história, o final é surpreendente. Nss últimas páginas comecei a achar que algo ia acontecer, mas quando realmente foi esse o desenlace eu não quis acreditar. 


Os romances colocam o leitor em um mundo rico de formas, cores, sentimentos, sensações, onde se entra desde a primeira frase. Foi o primeiro contato, mas não será de certeza o último porque vou procurar outros livros deste escritor que adorei conhecer.


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Georges_Simenon


https://esconderijodoslivros.pt/product/a-prisao-georges-simenon/


https://www.wook.pt/autor/georges-simenon/2138812


 


 


 

terça-feira, 25 de abril de 2023

Poesia em dia de liberdade

Para assinalar esta importante data, partilho convosco este poema que escrevi. Dão-me a vossa opinião?



 


Madrugada


 


É abril.


Nasce a manhã pueril


Depois da tempestade


Faça-se uma bandeira branca


E erga-se bem no ar


Grite-se com toda a garganta


Que os abutres desta cidade


Já não a vão derrubar.


 


É manhã,


O dia nasceu florido,


Nasceu da noite a esperança


Que a vida terá em diante


Outra forma de andança


Será mais livre a criança


Sem medo de cantar jamais


Crescerá livre e forte


Com’as andorinhas nos beirais.


 


É o sol


Que rasga as nuvens do escuro


E se entra no futuro


Com a vontade de vencer.


As canções deram o mote


E é agora na sorte


De avançar sem medo nem pejo


Fazendo valer o desejo


De libertar ou morrer.


 


Recebamos em aplausos


Vindos de longe ou de perto


Os filhos que estão a chegar


Neste dia que amanhece


Para Portugal resgatar


Marcham de todo o lado


Em abril vieram fazer


Valente, tropa, soldado,


A luta contra o poder.



Elsa Filipe, abril de 2023

quarta-feira, 12 de abril de 2023

"O Homem do gelo"

Em pleno inverno, numa pequena aldeia nos bosques remotos e escuros do Wisconsin, uma família é brutalmente assassinada: um homem, uma mulher e uma criança, são friamnete assassinados com um pequeno machado, a casa incendiada. Enquanto as cinzas da casa queimada se espalham sobre o gelo e a neve, alguém vê o fumo e apercebe-se de que algo está muito errado. O tempo vai ser um fator crucial durante a investigação. Um crime tão hediondo não é comum por aquelas bandas e, por esse motivo, o xerife local acaba por procurar Lucas Davenport, um antigo agente policial, que tem uma cabana nas redondezas, mas que se tinha afastado da sua vida profissional.


Davenport está relutante, mas acaba por aceitar estudar o caso. Ao analisar o local do crime, apercebe-se da existência de outros crimes chocantes. Além de um assassino, descobre provas relacionadas com a pedofilia que poderão levar várias pessoas para trás das grades. Mas O Homem do Gelo não lhe vai facilitar a vida, sendo até o inimigo mais determinado que Lucas Davenport alguma vez enfrentou: um serial killer decidido a cobrir com sangue o seu trilho implacável.


Neste romance de cortar a respiração, o escritor John Sandford consegue criar um clima de suspense quase insuportável, enquanto aguardamos pelo ataque deste assassino. O livro permite ao leitor tentar descobrir os envolvidos, as mentiras e confrontar os factos, pois está muito bem escrito, com uma narrativa fluída em que os diálogos ajudam no enquadramento da história.

domingo, 2 de abril de 2023

Dia Internacional do Livro Infantil

O Dia Internacional do Livro Infantil celebra-se, desde 1967, anualmente, a 2 de abril. Esta data assinala-se por ocasião do aniversário do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, um reconhecido escritor infantil. Ler é um processo de partilha entre pais e filhos, entre avós e netos, professores e alunos. Folhear um livro é viver uma nova aventura, é mergulhar num universo imaginário, é deixar soltar os mais profundos sentimentos. 


O objetivo desta data é incentivar os mais novos a ler e salientar a importância dos livros infantis no processo de educação. Como docente dou uma grande importância ao livro na minha sala e nas dinâmicas das minhas aulas. Utilizo bastantes vezes autores portugueses, mas também de outras nacionalidades, de certa forma dando aos meus alunos o máximo de referências literárias para que possam lidar com diferentes tipos de texto, várias formas de escrita e várias perspetivas. A leitura é sobretudo importante para aumentarem o vocabulário e aperfeiçoarem a escrita. Sim, porque ter contato com novas palavras ajudá-los-á nesse processo que é do aprender a escrever cada vez melhor, com cada vez mais facilidade. 


Escrevi no ano passado o conto "Vivi e o Dragão", a história de uma menina sonhadora, que adora a praia, castelos de areia, mas tem receio das ondas do mar. Ler muito na minha infância, transformou-me na leitora assídua que hoje sou. Uma escritora, talvez ainda não o seja, pois gostar de escrever é uma coisa, conseguir publicar é outra completamente diferente. Mas foi o facto de em minha casa sempre haver livros e de eu ter sido livre para os ler, para ir à biblioteca buscar os livros que queria, que hoje lhes dou tanta importância.


Faltam livros nas escolas? Não. Até existem excelentes bibliotecas, falta é tempo para as crianças lerem, faltam locais de leitura, sítios para nos deitarmos no chão a folhear, a ler de trás para a frente, a ver só os bonecos.


Fontes:


https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-internacional-do-livro-infantil

"Sonata em Auschwitz"

Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé n...