domingo, 23 de julho de 2023

Poesia, um mundo tão grande e tão pequenino

O mundo é pequenino, mas há tanto, mas tanto que ainda não conhecemos! Espero que este poema que eu fiz vos anime um pouco esta tarde!


 



O mundo é uma ervilha


 


Ouvi, ontem, o pai dizer


“O mundo é uma ervilha”


Eu acho que não pode ser


É pequena demais


Não dá logo para ver?


 


Ele encontrou um amigo


Que não via há muito tempo,


“Há séculos que não falamos”


Mas afinal que idade tem?


Ou em que século estamos?


 


Mas voltando à ervilha


Olho a sopa do jantar.


E decido que não como


Não vá nas minhas ervilhas


Algum menino morar!


 


Se eu moro aqui no mundo


Na Terra, que é um planeta


Ou mora mais gente em ervilhas


Ou esta conversa do pai


Afinal era só treta!


 


E se é uma ervilha o mundo


Não poderemos daqui a nada


Ser comidos por um gigante


A acompanhar o almoço


De batata e carne assada?


 


Não gosto nada da ideia!


Decido que não vou comer,


Nem ervilhas, nem coisas redondas


Que possam ser planetas


E neles pessoas viver!


 


Ainda por cima,


A mãe não descobriu


Não sei bem se eu lhe diga,


Que o pai e o seu amigo,


Já têm séculos de vida!



Elsa Filipe, 2023

sábado, 15 de julho de 2023

"O rei de Ferro"

"O Rei de Ferro" é o primeiro tomo da série "Os reis malditos", escrita por Maurice Druon. É uma narrativa com base em factos históricos e que conta a sequela da família real francesa em pleno século XIV.


O rei Filipe IV, o Belo é considerado um homem frio, cruel e silencioso, que governa o reino sem hesitações. A rainha Joana, sua mulher, havia morrido em 1305. O rei, empenha-se a perseguir os Templários, grupo rico e poderoso e é após um processo com cerca de 15 mil acusados e sete anos de duração, que sentencia à morte os últimos Templários entre eles o Grão-mestre Jacques de Molay. Antes de sucumbir, a uma morte trágica na fogueira, Molay grita à plateia a maldição que vai destruir da casa real. O primeiro a morrer é o Papa Clemente, deixando a igreja sem liderança. Seguem-se outras mortes que começam a ser atribuídas à maldição de Molay.


Entretanto, as noras do rei Filipe o Belo, encontram nos prazeres carnais a fuga ao casamento. Isabel, cunhada de Margarida e de sua prima Branca e filha legítima do rei, consegue engendrar um plano para as apanhar em falso e consegue denunciá-las e descobrir os seus amantes. Margarida e Branca são acusadas de adultério e condenadas a ficar presas e eles são condenados a diversos suplícios e à morte. Joana, mulher do conde de Poitiers e irmã de Branca, é também condenada. 


O rei morre nesse mesmo ano, após uma caçada, deixando o reino em grande desordem. O seu filho é nomeado rei, mas com a esposa Margarida, presa e acusada de adultério, é incapaz de gerar um herdeiro e de garantir a sucessão. Enquanto a cristandade espera a nomeação de um novo papa depois da morte de Clemente, e as pessoas estão a morrer de fome, as rivalidades, intrigas e conspirações vão despedaçar o reino e levar barões, banqueiros e o próprio rei a um beco sem saída, ao qual só parece ser possível escapar pelo derramamento de sangue. 


Druon tem a capacidade de descrever de forma clara as relações entre as personagens, com descrições claras e não excessivas dos locais onde as ações vão decorrendo. Neste caso o livro possui os dois primeiros tomos e por isso começo agora a leitura do segundo livro "A rainha Estrangulada".

segunda-feira, 10 de julho de 2023

Poesia ... bem no fundo...

Um poema um pouco triste, mas que é também uma homenagem. Vão entender e, espero que gostem.


 



Fundo


 


Permite-me, menino,


Posso entrar no seu olhar?


 


Posso ver, menino


O que é que estás a pensar?


 


É um olhar tão fundo,


Este que deitas ao mar,


Que tenho medo que das pedras


Tu mates o teu pesar.


 


O que tens tu, menino?


Que não te faz deixar


Correr pela praia descalço


A meninice do teu olhar?


 


Que te fizeram, criança!?


Grita! Diz do que te culpam,


Pois vejo dentro de ti


As emoções que lutam!


 


No fundo do teu olhar,


Brilha a doçura da infância


Presa com as correntes da guerra,


Da maldade e da ganância!


 


Não te deram uma arma,


Mas mataste os teus brinquedos,


Quando não sabias como


Batalhar com os teus medos.


 


Não te deram uma bomba,


Mas puseram-te nas mãos,


A bandeira em que embrulhaste,


Os corpos de teus irmãos.



Elsa Filipe, 2023

"Sonata em Auschwitz"

Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé n...