terça-feira, 1 de agosto de 2023

Poesia, sobre o mar

Este poema é dedicado a quem vive do mar. Quem me conhece sabde que hoje faria anos uma pessoa muito especial para mim e que sempre viveu do mar. Um dia, ainda hei-de saber quem foi realmente este homem que tantos segredos escondia.


 



Mar


 


Se porventura havia a sorte


De o vento ir de feição


Ia o barco para o mar.


Transpunha as ondas e o forte


Chamava por eles então


Punham-se a navegar.


 


A areia branca ficava


Atrás deles saudosa


A vê-los dali partir


Se a maré se punha brava


Ficava a mulher chorosa


Não os quer deixar partir.


 


Da faina que traz o pão


Para alimentar este povo


Que espera o barco no cais


Traz também a solidão


Da mulher do homem novo


Que perdeu o seu arrais.


 


Lágrimas em silêncio escoam


E são tantas as mulheres


Na areia a gritar


Que não ouvem como ecoam


Os gritos e gargalhadas


Das crianças a brincar.


 


E volta o barco imponente


Traz na volta da labuta


A doca no seu olhar


São os homens fortes da gente


Que sobre qualquer disputa


Vivem apenas do mar.



Elsa Filipe, agosto de 2023

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