sábado, 25 de novembro de 2023

"(In)Versus"

Este é um livro especial, um livro em que estão memórias de infância, um cheiro a mar e a serra. Com sabor a farinha torrada e risos de criança, um livro de poesia escrito por uma mulher notável.


Mónica Franco é natural da freguesia do Castelo, Sesimbra e desde que me lembro, sempre fez da escrita uma fuga. E é brilhante naquilo que faz. Hoje fui assistir à apresentação do seu primeiro livro, no Museu Marítimo de Sesimbra e fui desde o riso às lágrimas, com as lembranças que me fizeram regressar à nossa rua, à nossa juventude. 


Deixo aqui um excerto de um dos seus poemas: "A minha aldeia":



Ali naquele cantinho


Onde o tempo parecia não passar


Vivíamos inocentes


E tudo o que queríamos


Era simplesmente brincar.


(...)


Outros jamais voltarão


Mas é certo que esta aldeia


Nos marcou o coração!


segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Dia do Pijama - Mundos de vida

Hoje venho trazer uma palavra de esperança, que nos dias que correm é tão importante e falar de um projeto português que, já sendo bastante famoso nas escolas, poucos saberão a sua origem e quem são os seus impulsionadores. Enchem-se hoje as galerias das redes sociais de crianças de pijama à porta das escolas, mas porquê? Eu este ano não fui de pijama, até porque o meu "público" é um pouco mais velhinho, mas podia ter ido! O que se passa para tantas crianças saírem de casa de pantufinhas e pijama vestido?


O Dia Nacional do Pijama é um dia educativo e solidário que se realiza a 20 de novembro, sendo antecedido por diversas atividades organizadas pelas creches, jardins de infância e escolas de 1º ciclo. É uma iniciativa portuguesa em que as instituições e escolas participantes, de todo o país (continente e ilhas) - ou de países onde há escolas portugueses -, pedem às crianças que venham vestidas em pijama para a escola e passem, assim, o dia em atividades educativas e divertidas até regressarem a casa. Este ano a canção chama-se “Ninguém Vai Ficar de Fora” e é o hino-canção inédito de Pedro Abrunhosa (padrinho musical da MISSÃO PIJAMA) feita propositadamente para a celebração do Dia Nacional do Pijama 2023. 


Esta iniciativa é da "Mundos de Vida" e faz parte da Missão Pijama. A data coincide com o dia da Convenção Internacional dos Direitos da Criança e vem relembrar que todas as crianças têm o direito a crescer numa família. 


No Dia Nacional do Pijama as crianças são convidadas a ajudar outras crianças. Por isso, esta inciativa tem um valor educativo especial porque promove o valor da solidariedade, o saber partilhar e o sentido da amizade. Assim, cada criança recebe uma "Casa dos Pijamas", que não é mais que um pequeno mealheiro em papel que serve para levar para casa, cerca de quinze dias antes do Dia Nacional do Pijama. Trata-se de uma casinha original desenhada por Yara Kono, uma ilustradora premiada. Assim, as crianças podem colocar lá dentro, através da abertura, as moedinhas que arranjem junto dos padrinhos, avós, tios, primos, vizinhos e amigos.


A "Mundos de Vida" foi fundada a 29 de julho de 1984 e desde então tem como missão afirmar os direitos e responder às necessidades das crianças, das pessoas seniores e das suas famílias, geradas pelas mudanças na sociedade, criando e oferecendo serviços que correspondam às novas realidades sociais, com base numa visão esclarecida e humanista. Baseia-se numa visão positiva, solidária e de esperança, focada na resolução das situações de maior vulnerabilidade.


Há doze anos, a "Mundos de Vida" lançou o primeiro serviço especializado de acolhimento familiar do país, designado Procuram-se Abraços®, assumindo uma nova missão centrada no direito de cada criança crescer numa família. Assim, desde 1999 que a "Mundos de Vida" recebe meninos e meninas. Regra geral, estas crianças são provenientes de agregados familiares com algumas dificuldades ao nível económico ou com problemas relacionados com consumo de álcool, entre outras problemáticas. Esgotadas as possibilidades destas crianças permanecerem na família de origem, a lei dispõe de meios para separá-los temporariamente dos seus pais. Nestas situações, as crianças são colocadas em centros ou instituições. A União Europeia, em 2013, fez inclusivamente uma recomendação a Portugal para que fossem criados filtros para impedir a institucionalização de mais crianças e que fosse desenvolvido o acolhimento familiar. Há três anos, o Parlamento português aprovou uma Lei onde foi legislado que as crianças até aos 6 anos de idade, devem crescer numa família. Falta passar a Lei à prática, através da sua regulamentação pela Segurança Social e alargar a todo o país a existência bolsas de famílias de acolhimento de qualidade.


Até hoje, mais de 130 crianças foram acolhidas num ambiente familiar terno, seguro e positivo, em onze concelhos de Braga e do Porto. 


A "Mundos de Vida"® oferece outros serviços de atendimento e acompanhamento social e ainda um conjunto de atividades lúdicas e de bem-estar orientadas para a sua comunidade. Na página desta organização podemos encontrar ainda várias sugestões de livros infantis e de atividades para se realizar com as crianças, tanto nos dias que antecedem o Dia Nacional do Pijama, como durante todo o ano! São sugestões muito variadas e divertidas. De seguida deixo alguns links para que possam dar uma espreitadela!


http://www.mundosdevida.pt/


http://www.mundosdevida.pt/LojaAbracos/


http://www.mundosdevida.pt/_O_que_e_o_Dia_Nacional_do_Pijama


E na vossa escola? Como foi vai ser o vosso dia hoje?

quarta-feira, 15 de novembro de 2023

"Os Arquivos secretos do Vaticano"

A palavra "secreto" despertou logo aquela vontade de espreitar, própria de quem é uma pessoa curiosa. O Estado do Vaticano, a sua história e a forma como a Igreja católica tem influenciado a História da Humanidade é um tema do meu interesse. E porquê? Um dos fatores que me leva a esse interesse é compreender os acontecimentos históricos à luz da época e dos conhecimentos da época em que ocorreram. É muito mais difícil falar sobre algo que não compreendemos. Outra das razões, é querer entender o motivo de tanta gente continuar a seguir os dogmas que estão envoltos em tantos segredos e que pedem para que se acredite e confie sem questionar. Ora eu sou uma questionadora! 


O livro de Sérgio Pereira Couto é um resumo daquilo que podemos encontrar nos arquivos secretos do Vaticano e começa desde logo por nos explicar o que são, para que servem e como funcionam esses arquivos. 


Recuando a 1610, Sérgio Pereira Couto, explica que ali ficava guardado um exemplar dos livros que eram proibidos pela igreja. Quem não tinha conhecimentos, não poderia questionar o que era dito - e ainda hoje assim é - e preservavam-se assim milhões de registos que ao virem a público poriam certamente em causa os líderes eclesiásticos. Lembremo-nos do que acontecia com quem levantava a voz contra a igreja durante a Idade Média. 


Neste livro, é levantado um pouco do véu... e a parte negativa é que me deixou com uma curiosidade ainda maior. Alguns detalhes contidos nos milhões de livros sobre a Inquisição, sobre os Descobrimentos ou tantos outros assuntos, viriam a mudar o conhecimento que temos atualmente da História da Humanidade. De facto, nos seus 85 quilómetros de prateleiras, estão hermeticamente guardados "cerca de 800 anos de história". Em geral, tal como é referido no livro, "só volvidos pelo menos 75 anos, a contar da sua publicação, uma parte do acervo se pode tornar acessível."


No livro, entre outros temas, o autor faz uma comparação entre as Biblías Hebraica, protestante e católica, colocando em análise as suas semelhanças e diferenças. Fala também dos textos apócrifos (muitos dos quais terão feito parte da Bíblia católica e sido eliminados ao longo dos "sucessivos concílios". Vários dos Evangelhos apócrifos apenas chegaram ao nosso conhecimento por estarem referidos noutros documentos, uma vez que propositadamente, por acidente ou pelo tempo, se traão perdido para sempre (ou poderão ainda existir cópias dentro deste arquivo que ainda não tenham sido dadas a conhecer). Mas, se existirem, sendo que as regras ditam que podem ser conhecidos após 75 anos e tendo já sido obviamente ultrapassado esse tempo, porque não estão já acessíveis a quem os queira consultar? Em fevereiro de 2006, descreve o autor, foi "revelado ao público" o chamado "Evangelho Perdido de Judas Iscariotes" do qual faz uma análise mais aprofundada. "Datado de meados do século II, a sua autoria é atribuída a seguidores gnósticos." Um dos problemas que o autor levanta está relacionado com a tradução deste tipo de documentos, levando-nos a questionar tal como ele se o que chegou até nós será uma versão próxima dos originais, ou algo totalmente diferente - tendo em conta que os originais estariam escritos em línguas hoje "perdidas" ou "mortas".


Um dos casos mais atuais e cujos registos poderão estar arquivados neste espaço, é o da pedofilia. Os relatos que vieram a "lume" na imprensa, terá sido apenas uma ponta de um enorme véu que esconde muitos outros casos que terão eventualmente ficado registados, mas que, de acordo com as regras de funcionamento do arquivo, só serão trazidas ao conhecimento de todos daqui a muitos anos. Ou seja, quando os culpados e as vítimas já tiverem desaparecido. E aqui se vê o enorme poder que a Igreja Católica ainda tem, uma vez que não há forma de se entrar e pesquisar, descobrir, analisar e encontrar a verdade.


Outro dos assuntos que Sérgio Pereira Couto refere, entre os vários que vai abordando ao longo do seu livro, é se o terceiro segredo de Fátima (revelado por iniciativa de João Paulo II) corresponderá de facto à "verdade" ou se esta ainda estará escondida "com as sete chaves atribuídas a Pedro."


Numa análise final, este livro levanta muitas questões mas, devido a todo o secretismo que envolve este acervo, estes vão, certamente, continuar sem resposta durante muitos anos.

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

"Nove mil dias e uma só noite"

Neste livro são contadas duad histórias de amor durante a guerra: a de Elhspeth e Dave, durante a Primeira Guerra Mundial e a de Margaret e de Paul, quando rebenta a Segunda Guerra Mundial.


Elhspeth é uma jovem, que escreve poesia e vive numa quinta, numa ilha da Escócia, e fica surpreendida quando recebe uma carta de um admirador que leu um dos seus livros de poesia. Dave é um estudante americano, que em Março de 2012 pensa mais em fazer patifarias com os colegas de curso do que em formar família ou ir para a guerra combater. Aos poucos os dois vão-se conhecendo através das cartas, primeiro em tom jocoso e depois em tom mais sério, até que, depois de vários meses se apercebem que estão apaixonados. O problema é que ela já é casada e que o marido está na frente de guerra.


Anos mais tarde, rebenta a guerra e a história parece repetir-se. Paul, um piloto da Air Force conquista o coração da filha Margaret e Elhspeth não quer aceitar que a filha vá atrás dele para a guerra. Margaret está em cima do telhado depois de uma discussão com a mãe quando uma bomba cai na sua rua e destrói parte da sua casa. Desce rapidamente para encontrar a mãe. Nas mãos, cartas dirigidas a alguém chamado Sue. Logo depois, a mãe sai de casa e deixa Margaret sozinha.


Todo o romance nos é contado através das cartas e das suas respostas. Perde-se um pouco pelo meio a história de amor de Paul e Margaret, mas a história de amor de Elhspeth e de Dave é linda e agarrou-me da primeira à última página. O fim é incrível. Por outro lado, através das cartas escritas da frente de guerra temos a noção de como se iam desenrolando os combates e algumas movimentações das tropas.  A contextualização histórica está muito bem construída, sem no entanto ser maçadora ou descritiva. Os locais e a época é perfeitamente percetível através das cartas, mesmo nas mais curtas.

terça-feira, 7 de novembro de 2023

Poesia para imaginar um país sem guerra

Faz hoje um mês que dezenas de pessoas foram assassinadas em Israel. Outras acabaram raptadas e delas quase nada se sabe ainda... crianças, homens, mulheres... pais e filhos, irmãos, namorados, amantes...

Um poema, não é muito, mas do pouco que posso fazer, aqui fica. 

Pelo menos, que as palavras possam dar algum ânimo (mesmo eu sabendo que estas nunca vão chegar aos verdadeiros destinatários) que seriam todos aqueles pais que os seus filhos perderam nos ataques do Hamas em Israel e que ainda não os têm de volta em seus braços.


Como seria?

Como seria se a música

Se pudesse ver no ar

Como seria se as mãos

Soubessem só abraçar?


Como seria se o vento,

Molhasse as ondas do mar,

E a lua fosse quente

E a pudesses segurar?


Como seria se os canhões

Cuspissem cores e estrelas

E no chão aos trambolhões

Ríssemos a saltar sobre elas?

 

Como seria se o céu

Fosse de noite claridade

E toda a escuridão de breu

Nunca invadisse a cidade?


Seria assim tão diferente

Neste sonho perdido

Acordar, estar ciente

Neste mundo incompreendido.



Elsa Filipe, 2023

"Sonata em Auschwitz"

Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé n...