segunda-feira, 11 de março de 2024

O papel da leitura na melhoria da escrita

A questão que hoje coloco é: ler mais, pode ter interferência nos resultados escolares? 


Diariamente, o meu trabalho é com crianças e uma das coisas que tenho vindo a reparar é na baixa expansão vocabular dos alunos. Excetuando alguns casos, que infelizmente cada vez são menos, os alunos não mostram interesse em ler, não conhecem provérbios populares, nem lengalengas ou travalínguas... 


A minha preocupação aumenta quando, alunos de 7º ou 8º ano, que têm disciplinas como matemática, história e geografia, não sabem o que significam palavras como "extensão", ou me dizem que o antónimo de "independente" é "coletivo". Estes são apenas pequenos exemplos que me levam a refletir sobre o rumo que a educação está a levar e se estamos mesmo no caminho certo.


De facto, podemos constatar que hoje em dia as crianças têm um acesso muito mais facilitado aos livros mas não lêem. Na minha opinião, ler é uma das habilidades fundamentais que devem ser adquiridas no 1º ano e consolidadas durante o 1º ciclo (não estou a incluir aqui alunos com NEE). O problema é que chegam ao 2º ciclo alunos que, apesar de não terem nenhum diagnóstico, não conseguem compreender e interpretar um texto simples. Outro problema, são os estrangeirismos, que apesar de sempre terem sido utilizados - eu usei e uso claro, faz parte da própria construção e evolução da língua - são de facto usados pelos jovens sem conhecerem o seu significado e a sua origem. Compreender e interpretar é necessário no dia a dia, faz parte não apenas da aprendizagem do português, como das outras disciplinas. O treino destas capacidades é tão importante como outros treinos que fazemos. Mas claro que nem todos gostamos do mesmo!


Mas também não posso deixar de dizer que há exceções e que tenho também alguns alunos que gostam de ler e que levam atrás de si alguns livros para "ler nas horas vagas". Sem obrigação e que até reclamam porque "a mãe não deixou comprar" um determinado livro porque o tema ainda não era para a sua idade. Estes alunos, têm mais facilidade em fazer a interpretação de um texto, são mais rápidos a encontrar as respostas que procuram no manual e, até dão menos erros ortográficos. Normalmente, são alunos que apresentam menos dúvidas quando têm de fazer exercícios que tenham a ver com a sintaxe e a morfologia. Se é regra? Não. Não o é de todo, mas... será que este treino da leitura não terá aqui um papel fundamental?


Na minha opinião, a leitura é uma das maiores ajudas para melhorar a escrita, sim, disso não tenho dúvidas! Se são melhores alunos? Não será apenas por isso e é claro que o rendimento escolar passa por muitos outros fatores que não estou aqui a apontar, mas sem dúvida que o hábito de leitura os ajuda também a serem capazes de escrever mais e melhor, de conseguirem construir respostas mais completas e fundamentadas.

Sem comentários:

Enviar um comentário

"Sonata em Auschwitz"

Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé n...