terça-feira, 23 de abril de 2024

Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor

Um dia escrevi uma história... 


Raras vezes publico aquilo que escrevo. Mas houve um dia em que resolvi entrar num concurso e algum tempo depois, ligaram-me da editora. O meu conto não tinha ganho, mas tinham gostado bastante e queriam publicá-lo. Claro que eu tive custos - para mim foi difícil na altura - mas publicar um livro meu, era um sonho que se ia realizar. Demorou quase um ano até que o livro estivesse fisicamente à venda. Infelizmente, as vendas foram muito poucas, o que me deixa triste mas eu sei agora que fiz mal ter optado por publicar logo na primeira proposta, sem saber o que outras me poderiam oferecer. Um livro de capa mole é menos atrativo para quem tem crianças pequenas.


Hoje é dia mundial do livro. 


Os livros...


Ler é a minha paixão. Sou daquelas pessoas que tem sempre livros no carro e livros na mala. Os livros têm de ser respeitados, não só pelo livro físico em si, mas pelo trabalho e pelo esforço que dá. Escrever, até pode ser prazeroso, colocar no papel aquilo que nos vai na alma, descrever locais, criar personagens, tramas e enredos. Pode ser um ato de libertação, um grito de raiva, um pedido de ajuda...


Hoje é dia do livro. 


O propósito deste dia é encorajar a leitura e promover a proteção dos direitos de autor, destacando-se também "importância dos livros enquanto elemento basilar da educação e do progresso de uma sociedade." Mas os nossos jovens lêem tão pouco! 


A data em concreto foi "escolhida com base na lenda de São Jorge e o Dragão, adaptada para honrar a velha tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de São Jorge (Sant Jordi) e recebem, em troca, um livro, testemunho das aventuras do heroico cavaleiro. Neste dia é, também, prestada homenagem à obra de grandes escritores, como Shakespeare, Cervantes e Inca Garcilaso de la Vega, falecidos em 1616, exatamente em abril."


"A Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), em 2024, assinalam os 500 anos do nascimento de Camões, através de um cartaz comemorativo do Dia Mundial do Livro 2024."


Fontes:


https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-mundial-do-livro-e-dos-direitos-de-autor


 

sábado, 20 de abril de 2024

"O Depoimento de Américo Thomaz"

Hoje fui à biblioteca do Seixal, onde podemos ter acesso a livros sobre o Antigo Regime, sobre o 25 de Abril e sob o pós-revolução, engtre os quais podemos encontrar também alguns livros que tinham sido proibidos pelo Regime.


Escolhi para hoje, um livro do escritor e caricaturista José Vilhena, que é um retrato do Antigo Regime, num tom de sarcástico e irónico, que roça mesmo o gozo e que se torna uma excelente forma de perceber o Estado Novo. Neste livro, publicado em 1975, José Vilhena retrata a mentalidade do fascismo português de uma forma única.


A própria capa do livro, assume desde logo esse sarcasmo a roçar quase a ofensa, em que Américo Thomaz aparece representado com uma "cabeça de abóbora".


O Depoimento de Américo Thomaz


Já na contracapa, desenhadas como que a caneta no uniforme de Américo Thomaz também representam algumas ordens e comendas bem elucidativas, como por exemplo: "Benemérita Associação dos Amigos do Alheio", pela sua dedicação mostrada à causa. O Depoimento de Américo Thomaz


O texto é uma resposta ao depoimento do Chefe de Estado, deposto aquando da Revolução de Abril de 1974, quando foi demitido do cargo de Presidente e "expulso compulsivamente da Marinha, tendo sido enviado para a Madeira, donde partiu para o exílio no Brasil." 


Américo Thomaz tinha sido o "candidato escolhido pela União Nacional para suceder a Craveiro Lopes, com o beneplácito de António de Oliveira Salazar, em 1958. Uma das razões para ter sido escolhido, foi o facto de ser uma pessoa pouco interventiva." De facto, este acabou por ser "pouco mais do que um chefe de estado cerimonial, aparecendo muitas vezes a inaugurar exposições de flores," sendo muitas vezes apelidado de "o corta-fitas". Era também alvo de gozo, "pelo seu pouco talento para o discurso público," ficndo na memória frases como:"É a primeira vez que cá estou desde a última vez que cá estive", ou "Hoje visitei todos os pavilhões, se não contar com os que não visitei", que proferiu em visitas e inaugurações.


Mas neste livro, a crítica a Américo Thomaz é apenas o mote, que leva depois a um despencar de críticas e sublimes ofensivas contra o Regime e contra os seus principais intervenientes. Fica aqui, um pouco daquilo que podem ler, mas convido-vos, se conseguirem encontrar algum exemplar, a lerem este verdadeiro achado literário.



"Fiz a viagem em companhia da Gertrudes, (...) e do fuinha do Marcelo Caetano, esse sabujo que, no fim de contas, foi o coveiro do Império (...)."


"(...) resolvi aceitar o honroso convite, depois de ter perguntado ao meu médico assistente se o fígado, o estômago, os rins e a coluna aguentariam mais sete anos de passeatas, jantaradas, coquetéis e beberetes."


"(...) quando me meteram ao empurrão dentro dum «chaimite» a caminho do aeroporto."


"Só barragens, inauguradas por mim, foram 17 (...), mictórios foram 204 (...)."


"Enquanto o anterior regime esteve no poder, viveu-se sempre em abundância, com o cinto desapertado e sem temer o dia de amanhã. E se julgam que era só o Chefe de Estado quem metia para dentro a labúrdia, estão completamente equivocados."



Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Am%C3%A9rico_Tom%C3%A1s


 


 

sexta-feira, 19 de abril de 2024

Os livros antes de Abril

Durante anos, o país esteve mergulhado na escuridão e na censura. Muitos temas eram proibidos. Grandes escritores eram censurados e os seus livros proibidos. Muitos escritores eram levados ao exílio.


Mas alguns iam escapando à malha apertada da PIDE e chegavam a ver a luz do dia, a ser lidos por alguém, mesmo que depois fossem recolhidos e destruídos. Uma grande maioria da população era analfabeta e vivia da agricultura, do trabalho nas fábricas, e isso era visto pelo Estado Novo como uma forma de ter controlo sobre a população. É que o conhecimento traz liberdade! 


Recomendo vivamente:


https://ensina.rtp.pt/artigo/livros-e-leituras-antes-e-depois-da-revolucao-de-abril/


 

quarta-feira, 17 de abril de 2024

"A Saga"

A história de Hans contada por Sophia de Melo Breyner remete-nos para uma época distante, para um local agreste e pitoresco onde vive uma comunidade de pescadores, Vig. Hans é um jovem de 14 anos, cheio de vitalidade que deseja sair dali e explorar o mundo. Mas depois da perda dos irmãos mais novos num naufrágio, vê-lo embarcar é a última coisa que o pai de Hans deseja.


A proximidade etária com os leitores é um dos primeiros pontos a explorar nesta obra. A perspetiva de futuro, a imensidão de possibilidades e a existência de limites para os sonhos de Hans e de cada um dos leitores, podem ser aqui abordados em atividades de exploração literária e de construção de textos. 


Hans acaba por sair da sua ilha escondido num cargueiro inglês e chega a uma "terra de granito e de camélias," que era afinal, a cidade do Porto. Esta fuga representa não só o desejo de aventura, como a emancipação, o crescimento e a adaptação a uma nova vida, longe de casa e tudo o que isso acarreta. Durante a sua estadia, conhece um homem que o ajuda, Hoyle, com quem desenvolve a arte do comércio. As dificuldades sentidas por Hans, refletem-se na sua personalidade. A descrição da cidade e dos costumes, bem como o facto de Hans se ter casado com a filha de um general liberal que havia desembarcado no Mindelo, remetem-nos para uma época muito específica: meados do século XIX, quando as tropas liberais invadiram o nosso país. Hans acaba por ter cinco filhos. Já na sua velhice, pede que lhe deixem na sepultura "um barco naufragado," um barco que lhe permita sair a barra e navegar "para o Norte, para Vig, a ilha." Apesar de se ter tornado um homem rico, a felicidade nunca esteve completa, tendo-lhe sempre faltado a presença dos pais, em especial, do pai que o "proibira de voltar" a Vig.


Sophia traz-nos estas informações como só ela consegue fazer, através de um texto riquíssimo em recursos expressivos, em analogias e com um ritmo próprio, que nos permite uma leitura flúida. Foi publicado pela primeira vez em 1972, na colectânea "Histórias da Terra e do Mar."


 

quarta-feira, 10 de abril de 2024

"O Príncipe Nabo"

Ilse Losa publicou este texto dramático em 1962 e, até hoje, continua a estar representado na lista de leituras recomendadas para a infância.


A história é sobre as desventuras da "Princesa Beatriz", que precisa escolher um marido de entre vários pretendentes. Mas nenhum lhe agrada e vai aproveitando para ir "gozando" com cada um dos pretendentes até que o "Rei" lhe resolve dar uma lição.


Este texto dramático está dividido em três atos. Além da princesa e do rei, existem outras personagens relevantes, como o "Marechal da Corte" que é o responsável por encontrar pretendentes para a Princesa, ou a "Mademoiselle" que representa o papel de educadora da jovem e que tem origem francesa. Há também o "Bobo" que se chama "Marcelino" e que não deixa de nos levar a uma grande lição de moral!


O texto é bastante divertido e de leitura fácil, sendo adequado para o 5º ano, tal como é recomendado pelo Plano Nacional de Leitura. Aconselho uma leitura prévia por parte do adulto de forma a conseguir preparar a leitura desta obra na sala de aula, uma vez que a riqueza dos diálogos e das descrições pode ser trabalhado de forma bastante interessante e, até divertida! Um excelente livro para promover o gosto pela leitura.

terça-feira, 9 de abril de 2024

"Um romance de amor"

Isabel Stilwell diz logo na capa que este é "o livro que eu seria incapaz de escrever" e é um livro super divertido, mas que ao mesmo tempo é um livro bastante profundo. De fácil leitura, este romance que a própria autora diz que não é um romance, conta a história de um casal em que a esposa, é a pessoa que vai escrevendo mas sempre negando a sua escrita. Com uma capacidade incrível para nos fazer ficar agarrados a cada página, Isabel conta-nos a história de amor de Josefina e Florival, as personagens de um enlace que parece desenrolar-se na sua cabeça sem pedir autorização. 


São várias as passagens divertidas, como esta:


"A senhora não entende nada. O balão é para quem vai a conduzir uma viatura, não é proibido beber a quem conduz uma discussão, minha senhora!"


 

"Sonata em Auschwitz"

Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé n...