terça-feira, 27 de maio de 2025

"Um gato tem sete vidas"

Um livro de Luísa Ducla Soares, uma das minhas escritoras preferidas. Neste livro, encontramos um "Gato" que, muito novo, vê a morte à sua frente. A morte, no entanto, não queria nada com ele. De cada vez que a vê, alguém acaba por morrer: uma pessoa ou um animal.

A cada página desfolhada, sabe-se mais um pouco da história deste "Gato", e diminui-se-lhe uma vida...

Esta subtração é acompanhada pelo desaparecimento de alguém. É um livro que trata de uma forma direta e tranquila, se dramatismos e sem alaridos, a intervenção da "Morte". Acompanhando a "sua" presença constante, nas belíssimas ilustrações da autoria de Sebastião Peixoto, está uma "ampulheta", que corre desengonçada tentando acompanhar o correr da história e dos encontros sucessivos, até que fica, sentada a descansar no final da história. 

Um Gato Tem 7 Vidas

sábado, 24 de maio de 2025

"A fuga de Frank"

Numa ida à biblioteca do Seixal, dei por mim a percorrer as prateleiras de livros infantis e acabei por ser "tocada" por este livro da Ana Sofia, editado pela Alfarroba, e que recomendo muito para dar uma introdução ao tema da guerra e das consequências que esta tem. Um livro infantil que nos dá um murro no estômago quando o lemos como adultos pensantes.


A Fuga de Frank


Frank é um menino que vive com os pais, dois irmãos e Malmo, o seu gato. A família de Frank vive numa aldeia próxima de Kiev. O som constante das sirenes, leva a que toda a família corra apressada para a cave. Um local seguro que os protege das bombas... dos mísseis... da guerra? Da guerra não. Ela está lá e é a culpada por terem de se estar sempre a esconder.


Na cave, o pai toca violino enquanto a irmã dança ballet. Mas um dia, a família de Frank é obrigada a fugir, deixando as marcas da sua vida, as suas coisas, para trás. Durante essa fuga, o pai de Frank é espancado. Os homens que lhe batem só param quando o menino os enfrenta.


Será que durante uma guerra ainda há espaço para ver um arco-íris ou tempo para ver as folhas mudarem de cor e cair das árvores? Nada na nossa vida é, afinal, garantido.

terça-feira, 20 de maio de 2025

"O Diário de Anne Frank"

A história, já é bem conhecida. O livro, acabei por o reler nos últimos dias, a propósito de ter encontrado a "versão definitiva," alguns aninhos depois de ter lido este "Diário" pela primeira vez. Impactou-me de forma diferente. Hoje, sei que o li com outros olhos e com um amargo constante, um peso no peito por conhecer o final.


O Diário de Anne Frank


A primeira publicação data de 1947, mas ao longo dos anos o texto do "Diário" tem vindo a ser revisto. Nesta nova edição, encontrei algumas alterações, que o próprio pai, Otto Frank, que sobreviveu ao Holocausto, acaba por explicar logo no início. Nas páginas que escreve, Anne vai "conversando" revelando como é que uma adolescente passa o seu dia a dia, durante dois longos anos. Em vez de estar na escola ou de sair com os amigos, Anne vê-se forçada a manter-se escondida, juntamente com a sua família e um grupo de outros judeus, durante a ocupação nazi da cidade de Amesterdão.


Neste minúsculo anexo, Anne vive as emoções e ansiedades de qualquer adolescente, sente as emoções e as dúvidas que são próprias da sua idade, as desavenças familiares e, até, algo parecido com o amor. Apesar de não ter sobrevivido e de nunca ter chegado a ser jornalista, como era o seu sonho, Anne, acaba por se tornar "escritora", embora nunca tenha chegado a ver a sua obra publicada.


Esta é uma das obras aconselhadas aos nossos jovens para leitura acompanhada no 8º ano (PNL), mas acredito que nem todos os jovens estejam preparados para compreender o livro. Infelizmente, faltam hábitos de leitura (algo que aqui seria essencial). De qualquer forma, se puderem, falem deste "Diário" e leiam algumas passagens do mesmo aos vossos alunos ou aos vossos filhos.

"Todos os que se encontravam naquele pequeno anexo secreto acabaram por ser presos em agosto de 1944, e em março de 1945 Anne Frank morreu no campo de concentração de Bergen-Belsen, a escassos dois meses do final da guerra na Europa. O seu diário tornar-se-ia um dos livros de não ficção mais lidos em todo o mundo, testemunho incomparável do terror da guerra e do fulgor do espírito humano."


Fontes:


https://www.wook.pt/livro/o-diario-de-anne-frank-anne-frank/15328342?gad_source=1&gad_campaignid=18862682567&gbraid=0AAAAAD3Qs47klTc6xfTKvuDMtjWb74KyY&gclid=CjwKCAjwl_XBBhAUEiwAWK2hzty7F9QcdjEmTZ7joy8YTkEoQRLcFJM4M4exR-uBr55hJ8PumzaagxoC3N8QAvD_BwE


 

terça-feira, 6 de maio de 2025

"O Carteiro de Auschwitz"

Joe Rosemblum conta-nos a sua história na primeira pessoa, descrevendo de forma crua, aquilo por que passou durante o Holocausto. Joe era apenas um adolescente, como qualquer outro, tendo apenas como caraterística especial ter nascido judeu, e um problema, conseguir sobreviver.


Apequena cidade onde vivia foi invadida quando ainda era um garoto e, Joe, teve de ir para casa de uma outra família para que se pudesse pelo menos alimentar. Quando voltava,trazia pequenas coisas para a família e sempre que podia substituia o pai, doente, no trabalho para que tinha sido recrutado na fábrica. Foi assim que foi crescendo, percebendo de quem tinha de se esconder e em quem podia confiar.


Perdeu toda a sua família. 


Joe aprendeu depressa a usar o seu poder argumentativo para conseguir ganhar a confiança daqueles que o rodeavam e, até entre os inimigos, conseguiria ganhar alguma proteção. Na sua jovialidade, conseguiu tratar os outros sempre com humanidade, mostrando-lhes que ser otimista não era um defeito e que podiam ter esperança. Muitos dos seus companheiros acabariam por morrer às mãos dos captores ou, num desespero atroz, suicidar-se contra as redes eletrificadas que circundavam os campos. A sua perseverança fez com que resparassem nele e o integrassem num grupo da resistência, onde tinha como função passar mensagens para o exterior. Dotado de bondade e resiliência, Joe "entregou mensagens secretas aos prisioneiros, salvou crianças da câmara de gás e devolveu a luz e a esperança ao coração dos homens num dos períodos mais terríveis da história mundial."


A sua passagem pelos campos de concentração foi, como em tantos outros casos, impregnada de um cheiro a morte e desolação, a dor e a fome. Fez tudo o que podia para sobreviver, sem se esquecer de partilhar o pouco que tinha com os que o rodeavam. Sobreviveu e ajudou outros a sobreviver, mesmo que no final, os destinos de ambos tivessem sido diferentes. 


O livro foi escrito pelo próprio Joe Rosenblum e pelo escritor David Kohn.


Fontes:


https://www.wook.pt/livro/o-carteiro-de-auschwitz-joe-rosenblum/23935712?srsltid=AfmBOooaZu4B3JWfayCpte5waf0eXB2P53QQrWRiMfWvW6Q82Es76tWd


 

"Sonata em Auschwitz"

Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé n...