sábado, 12 de julho de 2025

"O General do Exército Morto"

Este ano consegui ir à feira do livro e de lá trazer dois livros, um dos quais foi este que acabei agora de ler: "O General do Exército Morto", foi primeiramente publicado em França em 1970, e relata a história de um general italiano que, terminada a 2ª Guerra Mundial, é enviado à Albânia para recuperar os corpos dos soldados do exército italiano que foram deixados para trás. Esta tarefa é tão mais difícil quanto a burocracia que a acompanha. No entanto, é a desumanidade com que os sentimentos de um povo que se vê novamente invadido (desta vez, em tempo de "paz") e as entranhas das suas terras escavadasd que nos demonstra aquilo que é o absurdo do poder de um estado sobre outro. 

Na sua jornada, é acompanhado por um padre, que representa a presença da Igreja nesta tarefa, que com ele partilha a dura tarefa de vasculhar os campos em busca dos cadáveres de um exército derrotado, enquanto na sua cabeça fervilham ideias de como poderia ter esta guerra corrido de outra forma se ele tivesse tido a oportunidade de comandar aqueles homens. Durante os meses que passa na Albânia acaba também por se cruzar com um general alemão incumbido de uma tarefa semelhante. A história destes dois generais - vindos de países diferentes - vai-se cruzando ao longo da narrativa, embora possa parecer pouco explorada para o leitor mais desatento.

A cada corpo encontrado e recolhido, na paisagem geograficamente isolada e acidentada, ficamos a conhecer o desenvolvimento de uma cultura singular, que se desenvolveu num ambiente hostil. Neste romance o povo albanês é descrito como pobre, pouco evoluido (caraterizado até como arcaico), fundado em tradições ancestrais e cuja linguagem e costumes se voltam diretamente para a guerra, como se essa fosse a única forma possível de vivência. As personagens estrangeiras trazem uma perspetiva diferente à narrativa, analisando os costumes albaneses, recorrendo a diversos episódios uns mais heróicos outros de cariz mais cómico. No final, uma anciã, mostra que aquele povo não é fraco, representando em si toda a fúria, toda a revolta não diretamente contra aquele General e os que o acompanham, mas contra um dos homens mais temidos e cuja morte esteve ali diante de todos durante vários anos. 

O livro retrata a guerra naquilo que é o seu resultado mais nefasto: a dor da perda e a necessidade de regressar ao local da batalha para recuperar os corpos dos soldados, sempre sob a pressão das famílias que os aguardam. Do outro lado, há um olhar crítico pela reinvasão dos campos, das suas terras, da sua paz e normalidade. 

Descobri entretanto que este livro de Ismail Kadaré, é ainda acompanhado de outros dois que no seu conjunto relatam histórias de controlo e de repressão contra o povo em que se inserem, em contextos totalitários ou autoritários. Essas obras são: "O General do Exército Morto", "O Palácio dos Sonhos" e "A Pirâmide". 

sexta-feira, 11 de julho de 2025

"Vamos falar sobre ansiedade?"

Neste livro de Filipa Maló Franco (texto) e Carla Nazareth (ilustração), dá-se oportunidade às crianças (mas também aos jovens e aos adultos) de falar sobre ansiedade. Desconstrói-se este sentimento, mostrando como pode surgir e quais as sensações que podem estar envolvidas. 

Explica Filipa Maló Franco que, a ansiedade deve ser abordada sem receios, incentivando a procurar alguém em quem se confie para que se possa falar sobre o que quer que esteja a gerar preocupação. O livro é lindíssimo, com imagens maravilhosas e cores suaves, onde muitas borboletas pontilham aqui e além as páginas!

Falar sobre estes temas é preciso! E não deve ser um tabú. A ansiedade, tal como muitos outros sentimentos e emoções, são vivenciadas pelos mais novos e, cada vez mais, é necessário dar-mos nome àquilo que a criança está a sentir, evitando danos psicológicos mais graves. Não existe benefício em esconder ou em desvalorizar, a criança tem de entender que é perfeitamente natural que se sinta ansiosa com determinadas situações ou em alguns ambientes, que os adultos também têm ansiedade e que o importante é ter como lidar com cada situação. 

"Sonata em Auschwitz"

Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé n...