"Livro" é o nome do romance de José Luís Peixoto que acabei agora de ler e cujo cenário se divide entre uma aldeia do interior de Portugal e uma localidasde francesa. A dicotomia entre estes dois locais está bem patente, remetendo-nos para um Portugal pobre e inculto. Nesta aldeia, tudo se sabe. Há amores e traições, há nascimentos e morte, fazem-se abortos às escondidas e reza-se.
Neste romance, a pobreza vem explícita tanto na forma de vida, como nos costumes de uma nação que se vê a braços com uma ditadura. Nele, as pessoas descritas poderiam ser reais, nossos pais ou avós. As conversas tidas entre as personagens são simples e cruéis, são reais e cruas, sem filtros. José Luís Peixoto não escreve para ser bonito. Escreve e relata como mais ninguém faz, desde a descrição da matança do porco, ao episódio da masturbação coletiva numa arrecadação, ou na morte do gato. Quando lerem, entenderão.
A linha orientadora deste romance é um Livro que é entregue a um menino, em 1948. Um menino que é abandonado - ele, de apenas 6 anos, e uma cabra - pela mãe que vai de viagem. Nem reparamos na presença deste Livro, a não ser quando mais à frente, ele nos volte a aparecer, desta vez, como algo mais real e com um papel mais forte na narrativa, um meio para se chegar a um fim. Afinal, é o mesmo, em outras mãos e numa época diferente.
A história de amor é a de Adelaide e de Ilídio, mas outras se cruzam, pelos tempos que demora a contar uma vida. E é nas entrelinhas destas histórias que encontramos a narrativa histórica, a descrição de uma Europa a várias velocidades, de um povo que foge a "salto" correndo vários riscos e vivendo em situações precárias, mas que se desenvencilhava onde quer que fosse.
Nascido nas Galveias, Ponte de Sôr em 1974, José Luís Peixoto é já um autor destacado e reconhecido, com obra feita em prosa e poesia. Este seu "Livro" recebeu o prémio "Libro d'Europa" que lhe foi atribuído em Itália.
Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Lu%C3%ADs_Peixoto