Neste livro, Isabel Stilwell apresenta-nos a filha de Filipa de Lencastre, Isabel.
Isabel deixa Portugal para se casar com Filipe II, duque de Borgonha, deixando para trás os cinco irmãos e o pai, D. João I. Filipe de Borgonha tinha enviuvado pela segunda vez e vê no casamento com Isabel, já com 32 anos, uma forma de reatar as relações com Portugal. Apesar de estar na Borgonha, Isabel nunca deixou de se preocupar com o que se passava em Portugal com o pai e com os irmãos. O livro está muito bem escrito e prende-nos entre o romance e a descrição histórica, sem se tornar maçador.
Uma das coisas que este livro me fez pensar foi que pouco sei sobre esta época da história de Portugal, apesar de ser uma das mais trabalhadas a nível escolar. E há tantas intrigas, tantos casamentos e mortes, tantos descendentes legítimos e bastardos, e fala-se tão pouco neles apesar da importância que tiveram para o país.
A narrativa começa em 1429, apenas quatro anos antes da morte de D. João I. Isabel tinha sido educada para saber bem bem o que dela era esperado e tinha como figuras de referência a sua mãe e a sua avó. França e Inglaterra estão de costas voltadas e Portugal está a avançar pelo norte de áfrica, tendo já descoberto a Madeira. Esta é a época da expansão, marcada pelo descobrimento de novas terras, pelo desenvolvimento de técnicas de navegação inovadoras e "pelo desenvolvimento mercantil." ,MN
Das personagens, além de Isabel, foram mesmo os seus irmãos quem me despertou mais interesse: D. Pedro, D. Duarte, D. Fernando, D. Henrique e o seu meio irmão, D. Afonso. Filho ilegítimo de D. João I com D. Inês Pires, fiquei a conhecer D. Afonso, no volume anterior, quando nos é descrita a sua chegada ao palácio. Além de ter sido conde de Barcelos e de Ourém, chegou ainda a ser o primeiro duque de Bragança e a casar com D. Beatriz, filha do condestável Nuno Álvares Pereira (de quem também ficamos a conhecer a história no livro "Filipa de Lencastre"). Nas suas viagens passou pela Europa e pelo Médio Oriente, tendo ainda participado na conquista de Ceuta. Enquanto o seu filho, D. Afonso V era menor, "opôs-se à regência do infante D. Pedro, chegando a participar na Batalha de Alfarrobeira", na qual D. Pedro, seu tio acaba por perder a vida.
D. Pedro, que tinha acompanhado o pai na campanha de conquista de Ceuta, recebe o título "cavaleiro no dia seguinte à tomada da cidade, na recém consagrada mesquita. É nesta altura que lhe é conferido o Ducado de Coimbra, tornando-se, com o irmão Henrique, nos dois primeiros duques criados em Portugal." Aquando da morte do rei, D. João I, torna-se regente de Portugal. Acaba morto por uma seta, frente às tropas do sobrinho, D. Afonso V, e o seu corpo fica exposto durante três dias no campo de Batalha de onde é depois roubado.
Voltando a Isabel, esta é-nos descrita como uma mulher poderosa e decidida. Isabel tem três filhos, dos quais apenas o mais velho sobrevive. Numa época marcada por doenças que hoje teriam cura, a mortalidade infantil é uma constante. Carlos é o único sobrevivente e, por isso, muito amado e mimado por Isabel. Torna-se conde de Charolais e cavaleiro do Tosão de Ouro, uma ordem criada por D. Filipe para D. Isabel como presente. Aquando do seu nascimento, D. João I tinha falecido e D. Duarte tinha acabado de ser coroado rei de Portugal. A escolha tinha recaído sobre ele pois tinha acompanhado sempre "o seu pai nos assuntos do reino, sendo portanto" considerado "um herdeiro preparado para reinar." O seu reinado foi, no entanto, bastante curo, deixando viúva D. Leonor de Aragão, tendo dado "continuidade à política de exploração marítima" e de "conquistas em África e da centralização do poder que vinha do reinado anterior," durante as quais o seu irmão Henrique, se tinha estabelecido "em Lagos, de onde dirigiu as primeiras navegações." Numa das campanhas feitas a "Tânger, o seu irmão D. Fernando foi capturado e morreu em cativeiro."
Fontes:
https://www.infopedia.pt/artigos/$d.-afonso-(c.1380-1461)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_de_Portugal,_1.%C2%BA_Duque_de_Coimbra
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