sábado, 23 de maio de 2026

"O Mestre de Dachau"

Escrito por Sarah Freethy, "O Mestre de Dachau" conta-nos a história de uma mulher que procura pela verdade escondida na família e que ninguém lhe quer contar. Ela tem apenas uma figura feita de porcelana b ranca, mas sabe que existem outras e sabe também que se as descobrir, irá estar mais perto de saber a sua verdadeira história.

"Por baixo, onde estaria o pelo macio da barriga, a porcelana é lisa e esconde a marca do fabricante; com a palavra Allach estampada num tipo de letra angular que evoca bierkellers, florestas de pinheiros e pousadas alpinas. Por cima, em pinceladas pretas e planas, dois relâmpagos."


A história começa em 1993, à
 "porta da Casa de Leilões Forsythe." em Cincinnati. "Clara Vogel" procura por outras figuras de porcelana semelhantes à que tem em seu poder. Ela sabe que naquelas figuras e na sua história está a sua verdadeira identidade.

Max, um arquiteto judeu formado pela Bauhaus, está apaixonado por Bettina, uma pintora que foge ao que dela esperam e se aventura em criar arte divergente daquilo que é considerado "aceitável" para uma jovem de boas famílias. Os dois acabam por se separar quando Max é apanhado e levado para um campo de concentração, acabando por ir parar a uma fábrica de porcelana na cidade de Dauchau, na Alemanha.

Este livro conta-nos a vida de Max e de Bettina, levando-nos pelos negros anos do Terceiro Reich, mas também nos trazem de volta à atualidade e à busca da verdade. É um livro que em alguns momentos nos leva a parar e a respirar fundo, de tão embrenhados que estamos na sua essência. Quase que nos consegue transportar para lá, revelando-nos os cheiros e as texturas dos quadros de Bettina e das figuras de porcelana de Dachau em que Max trabalha. 

No fim, acabamos por descobrir a verdade, mas não sem antes a história nos levar a desacreditar deste amor e de assistirmos ao seu triunfo.

Recomendo a sua leitura.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

"Encontrei o amor..."

 Encontrei o Amor onde menos esperava" é um livro de Fátima Lopes, que n os conduz através de uma história de amor, uma história de vida, ou ambas. É um livro que parece ser leve mas que nos traz uma mensagem muito profunda se estivermos dispostos a aceitá-la: há esperança para o amor.

Começamos por encontrar uma mulher que se encontra marcada por relações falhadas. Sofia, a personagem principal, tem amigos e uma família que a ama, mas a perda da mãe fá-la querer regressar às origens e, por isso, mete-se no carro e vai até ao Alentejo onde planeia reconstruir a casa que tinha pertencido aos avós. Mas não é só a casa que se vai reconstruir. 

Existe um amor latente, quase que hibernado, à espera de uma oportunidade para despontar... 

Não me lembro de ter lido algo de Fátima Lopes antes, mas este livro chegou para me prender. É uma leitura leve, mas que traz em si uma grande maturidade. Trás através dela, outras histórias, muitas vivências e, mesmo que não tenhamos a idade de Sofia, ou que não tenhamos uma casa no Alentejo à espera de ser reconstruída, quantos de nós nunca pensaram em atirar tudo para trás das costas e sair à descoberta, não do mundo, mas de nós mesmos?

Adorei o livro e foi importante para me ajudar entre "histórias", que é como quem diz, entre viagens e decisões que tive de tomar, praticamente sozinha e com medo de errar. Mas assim, se não for para arriscar, nunca saberemos se vale a pena, não é? E quem sabe, algum dia, também eu descubra o amor.

domingo, 10 de maio de 2026

"Não levo saudade!"

Esta história foi lida em Ebook durante as viagens de comboio, no meu telemóvel, tentando-me distrair da falta de vontade em ir para Lisboa e das dores. 

O narrador fala no seu pai e apresenta-nos a certa altura uma frase que eu penso resumir o livro no seu todo: 

"Tudo o que eu digo é mentira, vê se descobres... Nunca descobri a verdade escondida naquelas palavras preciosas."

E na verdade, não conseguimos perceber o que é verdade ou ilusão nesta narrativa, o que é fruto da imaginação de um pai com Alzheimer ou de um filho que procura a verdade sobre o pai e sobre as suas próprias origens, ao mesmo tempo que, ele próprio parece ir perdendo a memória e enlouquecendo. 

A história começa no cemitério dos Prazeres onde o personagem principal encontra uma pedra tumular com uma estranha inscrição. 

Ao tentar saber mais sobre o morto a quem essa pedra faz jus, começa a descobrir a história de um homem que terá dito algumas verdades, mas muitas mais mentiras, acerca da sua vida.

Parece que quanto mais se aproxima da verdade, mais a loucura toma conta dele e, entretanto, vamo-nos perdendo entre histórias mais ou menos mirabolantes e personagens improváveis, mas que poderiam muito bem ser reais. 

Um livro estranho, incerto e confuso, escrito por P. Barbosa, autor sobre quem, pouco ou nada consigo encontrar a não ser, outros livros do mesmo género.


terça-feira, 5 de maio de 2026

Dia Mundial da Língua Portuguesa

Assinala-se hoje o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Esta data é celebrada anualmente a 5 de maio, desde 2020, tendo sido este o dia escolhido pela "UNESCO em 2019 e pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) em 2009, para assinalar a diversidade, a história e a importância global do quarto idioma mais falado do mundo." O Português, passou a ser o primeiro idioma "no mundo a ter uma data oficial reconhecida" por este órgão.

Apesar de Portugal se localizar no hemisfério norte, é na verdade a sul que a língua é mais falada. Atualmente, a discussão prende-se com o uso do "Novo Acordo Ortográfico." Mas o que é isto de Acordo Ortográfico? De facto trata-se de "uma convenção que estipula regras sobre como escrever." 

Já houve outros AO. "A primeira reforma ortográfica, em Portugal, ocorreu em 1911 e, tal como a atual, também sofreu várias contestações. Foi com a reforma ortográfica de 1911 que deixámos de escrever “pharmacia” e passámos a escrever “farmácia”, por exemplo."

Sabiam que também foi a partir dessa data que se passou a escrever “anedota”, “dano” ou “ditongo”, em vez de "“anecdota”, “damno” e “diphthongo”, respetivamente. O “ y” foi substituído pelo “ i” em palavras como “sintaxe” (que se escrevia “syntaxe”)."

O Novo AO, procura por um lado acabar com as divergências ortográficas entre os diferentes países que o ratificaram (Portugal em 2008, Brasil em 2004, Cabo Verde em 2006, São Tomé e Príncipe em 2006, Guiné Bissau em 2009). As mudanças influenciam a escrita, mas não a leitura nem a pronúncia das palavras como algumas pessoas acham. Assim, não vamos alterar a nossa "forma de falar, nem vamos passar a falar “brasileiro”." 

"O acordo também não retira consoantes pronunciadas, ou seja, em Portugal, facto vai continuar a ser facto e não fato." Por outro lado, a "eliminação de consoantes mudas não vai alterar a pronúncia." Por exemplo: "espectador passa a escrever-se espetador mas continua a pronunciar-se com aberto." 

Foi também a partir da introdução do Novo AO que o nosso alfabeto passou a ter 26 letras em vez das tradicionais 23, incluindo agora o K, Y e o W. Já os usávamos em algumas palavras e cada vez mais fazia sentido que fizessem parte do alfabeto ensinado nas escolas. Passamos também a escrever os "nomes dos meses, dos dias da semana e das estações do ano" com minúsculas em vez de maiúsculas (a esta nova regra confesso que demorei a habituar-me).

E estas são apenas algumas alterações.

Para mim, a língua portuguesa é uma língua viva, um idioma que é falado de formas diferentes em Portugal, no Brasil ou em Cabo Verde, mas em que todos nos entendemos. Aquilo que mais me custa ver, são os erros que se multiplicam e que cada vez mais são visíveis não apenas na internet, mas também em livros. Há traduções cheias de erros, vê-mo-los nas notícias de sites portugueses e brasileiros. Por exemplo, a palavra "vê-mo-los" que aqui escrevi é detetada como erro, quando é apenas a união da primeira pessoa do plural do presente do indicativo do verbo ver (Nós vemos) com o pronome pessoal referente à 3.ª pessoa do plural masculino ("os"). Por isso, cuidado com os tradutores e com a IA que, desde já vos aviso, está cheia de erros facilmente detetáveis e não estão associados ao uso do Novo AO. 

E se descobrirem erros nos meus textos, por favor avisem-me. 


"D. Maria II"

No seguimento da leitura de D. Maria I, procurei agora pela história de D. Maria II, de Isabel Stilwell. Neste romance, à semelhança dos ant...