sábado, 25 de fevereiro de 2023

Poesia... quando lá fora há guerra

A guerra continua e a paz está tão longe, inalcançável. O que fazer? Talvez um pequeno poema possa não ser importante, mas cada um faz o que está ao seu alcance. Este dedico às vítimas desta guerra que teima em não acabar. Ucrânia.


 

Não quero


Ouvir nem ver

Não quero

Saber

Sofrer

Chorar.


Não quero mais saber que morreste,

Que não vais mais voltar.


Nem ter

Nem ser

Nem estar

Não quero estar aqui.

 

Aqui o meu coração sofre,

Porque não te tenho mais a ti. 


Se a tua vida escolheste

Não me deixaste entender

O que a guerra me levaria

Sem eu poder escolher.


Ouvir este som constante

Que atira paredes ao chão.


Não morro

Mas já morri

Nasci

Cresci e amei

E neste fim de mundo

Onde tanto padeci

Em sangue deixo o coração.


Não fica nada de pé

Nem a janela cá fica,

Nem no altar do Senhor,

Que devia ser de amor

Se segura a nossa Fé.


A cidade fica despida

A morte encharca a terra.

É impossível ter fé

Quando caem ao nosso pé,

Os corpos trilhados da guerra.


Elsa Filipe, fevereiro de 2023

domingo, 12 de fevereiro de 2023

Poesia, da imaginação

Se eu pudesse, estes dias seriam tão diferentes. Desabafo aqui a minha dor que me tolhe a alma e que me impede de ir mais além. Querer, é tão diferente de poder, de conseguir. Mas não desisto...



 


Imaginária


 


Imaginando que era


Apenas um preguiçar


Um pretender


E não querer


Uma vontade de espreguiçar…


 


A dor que vem sorrateira


Não me devia impedir


De dançar a noite inteira


De trepar a uma figueira


E para a vida sorrir.


 


Imaginando que seria


Apenas dor d’imaginação


Nunca me impediria


De saltar com alegria


Num desfile trapalhão.


 


A dor que vem de mansinho


Se fosse mentira só


Esquecida seria certinho


Se me pusesse a caminho


Para dançar sem dó.


 


Imaginando que era de mim


A minha cabeça louca


Que ficava apenas assim


Sem querer nem não nem sim


Então a dor seria pouca?


 


É na loucura que eu quero


Dia e noite perceber


Se amanhã o que eu espero


É enfim meu desespero


Ou igual a hoje ser?



Elsa Filipe, fevereiro de 2023

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

50 anos do Acordo Ortográfico de 1973... um pouco da história da nossa ortografia

Quando nos nossos dias reclamamos do novo acordo ortográfico - eu por vezes também me incluo nesse grupo, embora tente seguir a mudança e atualizar a minha ortografia sempre que consigo - não nos lembramos já de um outro acordo que veio alterar a maneira do português escrever. Aconteceu precisamente há 50 anos! Nessa Reforma Ortográfica de 1973 a forma como se acentuavam as palavras mudou. É por essa razão que, quando lemos documentos mais antigos, vemos muito mais acentos graves e circunflexos do que aqueles que temos nos nossos dias!


Esta mudança na ortografia em Portugal, foi "promulgada pelo decreto-lei 32/1973, de 6 de fevereiro, pelo então presidente Américo Thomaz, na sequência de uma sugestão da Secção de Ciências Filológicas da Academia das Ciências de Lisboa."


De acordo com esta reforma que, apesar de tudo não foi a primeira, foi abolido "o acento grave e o acento circunflexo em palavras formadas pelo sufixo -mente e pelos sufixos iniciados por z." A razão para estas alterações era tentar aproximar cada vez mais a escrita portuguesa, mais erudita, com a escrita do Brasil, que já tinha feito esta alteração em 1971. "Deixaram assim de ser acentuadas palavras como pràticamenteindelèvelmenteìntimamenteavôzinho e nùmerozinho."  


Mas voltando um pouco atrás na história da escrita, sabemos então que em 1885 são publicadas por Gonçalves Viana, as "Bases da Ortografia Portuguesa." Com a implantação da República, em 1910, "é nomeada uma Comissão para estabelecer uma ortografia simplificada e uniforme a ser usada nas publicações oficiais e no ensino. No ano seguinte há uma primeira tentativa para "uniformizar e simplificar a escrita, mas esta Primeira Reforma Ortográfica, só em 1915 "foi extensiva ao Brasil." No entanto em 1919, o Brasil revoga a decisão de 1915 e já estavamos no ano de 1924 quando as duas nações voltaram a tentar "uma grafia comum."


É então aprovado em 1931, "o primeiro Acordo Ortográfico entre o Brasil e Portugal, que visa suprimir as diferenças, unificar e simplificar a língua portuguesa." No entanto, este acordo não foi consensual e não chegou a ser posto em prática.


Em 1943 é "redigido o Formulário Ortográfico" naquela que foi a "primeira Convenção Ortográfica entre Brasil e Portugal." Surge então em 1945 um "novo Acordo Ortográfico" que se torna lei em Portugal. No Brasil continuam a seguir o Formulário de 1943.


Chegamos assim a 1971, no Brasil e a 1973, em Portugal, em que respetivamente, os dois países promulgam alterações que visam a aproximação ortográfica. Nos anos que se seguiram, outros acordos foram tentados entre os dois países, destacando-se a tentativa de expansão a outros países de língua oficial portuguesa, como por exemplo Cabo-Verde. Durante várias décadas discutiu-se a ratificação de um Acordo comum entre todos os países da CPLP. 


A 16 de Dezembro de 1990, foi assinado em Lisboa o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Além de Portugal, também Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe assinaram o Acordo, tendo Timor-Leste apenas aderido em 2004, depois de se ter tornado independente. No entanto, este acordo só entraria em vigor dezanove anos depois, em 2009, entraria finalmente em vigor o "mas apenas inicialmente no Brasil e em Portugal. 


O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 teve como principal objetivo instituir "uma ortografia oficial unificada para a língua portuguesa, com o objetivo explícito de pôr fim à existência de duas normas ortográficas oficiais divergentes, uma no Brasil e outra nos restantes países de língua oficial portuguesa, contribuindo assim, nos termos do preâmbulo do Acordo, para aumentar o prestígio internacional do português." Sabemos no entanto, que em ambos os países existe muita gente que decidiu por vontade própria por continuar a escrever como até aí sempre tinha escrito. "Na prática, o acordo estabelece uma unidade ortográfica de 98% das palavras, contra cerca de 96% na situação anterior. Contudo, um dos efeitos do Acordo foi o de dividir ainda mais estes países, criando agora três normas ortográficas: a do Brasil, de Portugal e dos restantes países africanos que não implantaram o Acordo apesar de o terem assinado."


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Reforma_Ortogr%C3%A1fica_de_1973


http://www.portaldalinguaportuguesa.org/?action=acordo-historia


https://pt.wikipedia.org/wiki/Acordo_Ortogr%C3%A1fico_de_1990


 

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