domingo, 12 de fevereiro de 2023

Poesia, da imaginação

Se eu pudesse, estes dias seriam tão diferentes. Desabafo aqui a minha dor que me tolhe a alma e que me impede de ir mais além. Querer, é tão diferente de poder, de conseguir. Mas não desisto...



 


Imaginária


 


Imaginando que era


Apenas um preguiçar


Um pretender


E não querer


Uma vontade de espreguiçar…


 


A dor que vem sorrateira


Não me devia impedir


De dançar a noite inteira


De trepar a uma figueira


E para a vida sorrir.


 


Imaginando que seria


Apenas dor d’imaginação


Nunca me impediria


De saltar com alegria


Num desfile trapalhão.


 


A dor que vem de mansinho


Se fosse mentira só


Esquecida seria certinho


Se me pusesse a caminho


Para dançar sem dó.


 


Imaginando que era de mim


A minha cabeça louca


Que ficava apenas assim


Sem querer nem não nem sim


Então a dor seria pouca?


 


É na loucura que eu quero


Dia e noite perceber


Se amanhã o que eu espero


É enfim meu desespero


Ou igual a hoje ser?



Elsa Filipe, fevereiro de 2023

Sem comentários:

Enviar um comentário

"Sonata em Auschwitz"

Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé n...