terça-feira, 27 de junho de 2023

"A Conspiração do Rei"

"A Conspiração do Rei" é um romance histórico que narra o final da Ordem dos Templários, condenados à morte por Filipe, o Belo, a 13 de outubro de 1307 e a coragem do Rei D. Dinis em salvar a grande e gloriosa ordem de cavaleiros, criando a Ordem de Cristo. Mas esta nova faceta, guarda em si uma história de valentia e de segredos bem escondidos. Num magnífico texto, criado numa estrutura simples em que os capítulos curtos criam o ritmo da própria narrativa, Emílio Miranda conta o caminho agreste de um grupo de cavaleiros que transportam consigo um segredo e em que cada um faz o seu caminho de forma solitária (mesmo que acompanhado) mas sem saber do destino e do percurso dos outros. Mas é daqueles livros que tem de se ler para compreender.


O Rei D. Dinis veste-lhes uma nova roupagem e consolida os alicerces daquela que viria a ser uma interveniente decisiva nos descobrimentos portugueses. À Ordem de Cristo é atribuído um novo Castelo, em Castro Marim, onde sete séculos mais tarde, um jovem arqueólogo de nome Júlio Pomar, acaba a viver uma aventura inusitada embrenhando-se na história dos próprios cavaleiros-monge. Num outro blog, eu conto um pouco da história de D. Dinis e do seu reinado, falando em alguns dos temas que aqui são abordados também neste livro Convido-vos a espreitar: https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/tumulo-do-rei-d-dinis-um-pouco-da-191598.


No romance de Emílio Miranda, que está dividido em três partes, há passagens fascinantes em que o autor tem a capacidade de nos levar através das suas descrições aos locais e a ver aquilo que afinal não existe. Será que afinal, ainda existe o precioso tesouro atribuído aos Templários? Será que alguma vez esse tesouro existiu? E se sim, onde está? E guardado afinal por quem? Nos nossos dias, sete séculos volvidos, ainda existem Guardiões e ainda têm um papel marcante na nossa sociedade, porquanto ainda existam também aqueles que continuam a querer destruir a imagem dos Cavaleiros. Um livro que, entrelinhas, nos explica se o quisermos perceber, a história por detrás da história que vem nos livros da escola. 


Este livro veio para mim no momento certo, no momento em que finalmente descobri que sempre foi a História que me tem fascinado e que a minha escrita e as minhas leituras sempre me têm levado nesse caminho. 


Emílio Miranda nasceu em Luanda, Angola, em 1966. Em 1975, fruto da guerra colonial, vem viver para o Norte de Portugal, de onde os pais são originários, mais concretamente para a - então - aldeia de Lordelo - atualmente vila -, próxima de Vila Real, onde mais tarde passou a residir. É o contacto com esta nova realidade - de espaços abertos no verão e horizontes fechados nos longos invernos - que definitivamente o vai marcar. Uma realidade na qual conviveu com costumes tão surpreendentes como a matança do porco, a vindima e a pisa do vinho, com a agricultura regida por preceitos tradicionais e com essa mistura mágica das práticas religiosas com as pagãs que também cinzelou esse território.

A conspiração do rei / Emílio Miranda. - 1ª ed. - LisboaMarcador, 2017.

sexta-feira, 23 de junho de 2023

Poesia com borboletas

Aqui fica um poema escrito por mim, do qual eu gosto muito. Faz-me lembrar a primavera, a chegada das flores e das primeiras borboletas.

Espero que também gostem.



Borboletas


Voam livres, segredando

Às flores, as borboletas

São como crianças brincando

Pousando nas violetas.


Nasce o sol e todas as flores

Recebem o seu calor

Cobrem de todas as cores

Os caminhos ao seu redor.


Frágeis asas, coloridas,

Pousam nos bolbos floridos,

Onde se confundem garridas,

Dando cor a ramos despidos.


Enquanto derrete a fria neve

Brinca o Sol, com elas também

Chega a Primavera em breve

Trará o amor a alguém.


E as borboletas nesse dia

Não estarão a esvoaçar

Senti-las-á na barriga

Saberá o que é amar!


Elsa Filipe, 2023

terça-feira, 20 de junho de 2023

Poesia, de pés na areia

Este foi um dos poemas que escrevi para um concurso de poesia ao qual concorri este ano. Não espero nenhum prémio, mas pelo menos deu-me um incentivo para continuar a escrever e não desistir.



Areia


Sentada na sua cadeira


Sente os olhos a fechar.


Por momentos, não é só


O cheiro do mar nem o vento,


É a areia, o seu calor


Que chegam para a embalar.


 


Sentada na sua cadeira


Não precisam de a empurrar


Desce, num sonho embalado


Pela praia, a caminho do mar


Fechando os olhos tem na pele,


Aquele breve salpicar.


 


Sentada na sua cadeira,


Que desde menina tem


Fecha os olhos,


Levemente,


E sente nas pernas, dormentes,


O calor do sol também.


 


Sentada na sua cadeira


A manta? Já não a tapa


Pois está embalada num sonho


Em que pode correr na areia


E um sorriso… tão perfeito,


que dos seus lábios lhe escapa!


 


Não lhe falta caminhar


Correr, nem sequer dançar!


Mesmo não se levantando


Ela é capaz de voar!


Basta um sono tranquilo


Para a levar adiante


E é uma criança feliz


Nem que seja só um instante!



Elsa Filipe, 2023

sábado, 10 de junho de 2023

Em Dia de Portugal, falamos das descobertas e de Luís Vaz de Camões

Celebra-se hoje o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que coincide com a data da morte do poeta Luís de Camões. Por isso faz sentido hoje falar desta referência da cultura e da literatura portuguesa. Para começar, das pesquisas que fiz, há como é normal para personalidades desta época, uma certa incoerência em datas e locais, desde onde terá nascido e da sua própria genealogia. Os seus primeiros biógrafos, geralmente indicam que a descendência da Casa ancestral dos Camões tinha as suas origens na Galiza. Por via paterna, Luís de Camões seria descendente de Vasco Pires (ou Perez) de Camões, que era trovador e fidalgo. Vasco Pires terá vindo para Portugal no tempo de D. Fernando I, e recebido do rei alguns benefícios, cargos e terras pelos seus serviços militares. Não é minha pretensão, nem nada que se pareça, efetuar qualquer biografia de tal ilustre pessoa, mas como uma apaixonada pela História do meu país e pela Língua Portuguesa, hoje fez para mim todo o sentido dedicar umas horas do meu dia a estudar (de novo) o grande Camões (que os meus alunos detestam, posso já dizer, mas que eu adoro).


Apesar de os primeiros biógrafos de Camões, Severim de Faria e Manoel Correa, terem inicialmente dado o seu ano de nascimento como 1517, registos das Listas da Casa da Índia, mais tarde consultados por Manuel de Faria e Sousa, parecem estabelecer que Camões nasceu efectivamente em Lisboa, em 1524. Na dúvida fica o local do seu nascimento, apesar de se referir Lisboa como o local do seu nascimento, outros registos levam a crer que Luís Vaz de Camões nasceu em Coimbra em 1524 ou 1525. Neto de Vasco Pires, seria então filho de Simão Vaz de Camões (que serviu na Marinha Real e fez comércio na Guiné e na Índia) e de Ana de Sá e Macedo, oriunda de Santarém e aparentada com a casa de Vimioso, da alta nobreza portuguesa, e sobrinho de D. Bento de Camões, cônego da Igreja de Santa Cruz de Coimbra. 


Com apenas três anos, em 1527, durante a epidemia de Peste que atingiu Portugal, D. João III (Rei de Portugal e Algarves de 1521 até sua morte) e a corte transferiram-se de Lisboa para Coimbra, e Simão, a mulher e o filho de ambos, acompanharam o rei. Assim, Luís de Camões, acabou por viver a sua infância na época das grandes descobertas marítimas e também no início do Classicismo em Portugal. Sobre a sua infância pensa-se que terá recebido uma sólida educação nos moldes clássicos, dominando o latim e conhecendo a literatura e a história antigas e modernas. Tudo indica que pertencia à pequena nobreza e pensa-se que tenha sido aluno do colégio do convento de Santa Maria e daí ganho os conhecimentos que demonstraria mais tarde na sua obra, em áreas tão vastas como a história, a geografia e a literatura. É possível que o próprio tio o tenha instruído, sendo a esta altura chanceler da Universidade e prior do Mosteiro de Santa Cruz, ou tenha estudado no colégio do mosteiro. 


Em 1537, D. João III transferiu a Universidade de Lisboa para Coimbra, sendo nessa altura que Camões se transfere para o curso de Teologia. Mas conta-se que levava uma vida irrequieta, desordeira, além da fama de conquistador, mostrando pouca vocação para a Igreja, sendo que não há qualquer registo da passagem do poeta pela Universidade de Coimbra. No entanto, a grande bagagem das suas obras terá sido adquirida em algum lado.


Aos 20 anos, terá então deixado as aulas de Teologia e começado a estudar Literatura e Filosofia, tendo tido como protetor o seu tio paterno, D. Bento de Camões, frade de Santa Cruz e chanceler da Universidade. Já era conhecido como poeta na época, tendo composto uma elegia à Paixão de Cristo, que ofereceu a seu tio. Os seus versos revelam um grande conhecimento dos clássicos da Antiguidade e dos humanistas italianos.


Nesse mesmo ano, encontra-se com D. Catarina de Ataíde, dama da rainha D. Catarina da Áustria, esposa de D. João III e, desse encontro nasce uma ardente paixão, mais tarde imortalizada pelo poeta, que se referia à dama do paço, com o anagrama “Natércia”.


Nessa época, a intelectualidade nacional era incentivada, sobressaindo-se escritores, pensadores e poetas, como  Garcia de Resende, Sá de Miranda, Bernardim Ribeiro, João de Barros.


Num sarau, acontecimento comum na época, seguido de um torneio poético, o espanhol Juan Ramon, sobrinho de um professor da Universidade, sentiu-se ofendido por causa dos versos de Camões. Seguiu-se um duelo (algo também comum, na defesa da honra) e o espanhol saiu ferido. Camões acabou preso, sob o protesto dos estudantes. No final de muitas discussões, Camões é perdoado, com a condição de ser desterrado durante um ano em Lisboa. 


Na capital, os versos do poeta eram apreciados pelas damas da corte. Era perseguido por outros poetas, sendo vítima de muitas intrigas para desprestigiá-lo e afastá-lo da corte. Para fugir das perseguições, em 1547, Camões resolve embarcar, como soldado, para a África. Serviu dois anos em Ceuta. Combateu contra os mouros e acabou por perder um olho numa batalha naval no Estreito de Gibraltar.


Em 1549, Luís de Camões retorna para Lisboa e entrega-se a uma vida desregrada.  São-lhe atribuídos vários amores, não só por damas da corte mas até pela própria Infanta D. Maria, irmã do Rei D. Manuel I. Em 1553, envolve-se em novo incidente, ferindo um empregado do paço. Foi preso e permaneceu um ano encarcerado. 


Posto em Liberdade, Camões embarca para as Índias. Viajou na nau São Bento, da frota de Fernão Álvares Cabral, filho de Pedro Álvares Cabral, que largou do Tejo em 24 de março desse ano. Durante a viagem passou pelas regiões onde Vasco da Gama navegara, enfrentou uma tempestade no Cabo da Boa Esperança onde se perderam as três outras naus da frota, e aportou em Goa.


Fixou-se na cidade de Goa onde terá escrito grande parte da sua obra. Nessa época, inspirado nas conquistas ultramarinas, nas viagens por mares desconhecidos, na descoberta de novas terras e no encontro com costumes diferentes. Diz a tradição que ali teria escrito parte dOs Lusíadas numa gruta, que mais tarde recebeu o seu nome. Surge assim o Primeiro Canto da sua imortal poesia épica.


É nomeado provedor em Macau, na China e durante sua estada aí, escreveu mais 6 contos de seu poema épico. Em 1556, parte novamente para Goa, mas a sua embarcação naufraga na foz do rio Nekong. Diz-se que Camões se consegue salvar nadando até terra, levando consigo os originais dos Lusíadas. Este evento inspirou as célebres redondilhas Sobre os rios que vão, consideradas por António Sérgio a coluna vertebral da lírica camoniana. Chegando a Goa, é preso novamente em consequência de novas intrigas. Ali recebeu a notícia da morte prematura de D. Catarina de Ataíde.


A convite, ou aproveitando a oportunidade de vencer parte da distância que o separava da pátria, não se sabe ao certo, em dezembro de 1567 Camões embarcou na nau de Pedro Barreto para Sofala, na ilha de Moçambique, onde este havia sido designado governador, e lá esperaria por um transporte para Lisboa em data futura. Apesar das promessas de Pedro Barreto, não consegue regressar a Portugal e é forçado, por falta de meios para prosseguir a viagem, a ficar aí. Foi em Moçambique que seu amigo Diogo do Couto o encontrou, encontro que relata na sua obra, acrescentando que o poeta estava então “tão pobre que vivia de amigos”, ou seja, vivia do que os amigos podiam dar-lhe. Diz Diogo do Couto que "E aquele inverno que esteve em Moçambique, acabando de aperfeiçoar as suas Lusíadas para as imprimir, foi escrevendo muito em um livro, que intitulava Parnaso de Luís de Camões, livro de muita erudição, doutrina e filosofia, o qual lhe juntaram (roubaram). E nunca pude saber, no reino dele, por muito que inquiri."


Foi Diogo do Couto quem lhe pagou a viagem até Lisboa, na nau Santa Fé, levando consigo um escravo, que lhe acompanhou até seus últimos dias, onde Camões finalmente aportou a 7 de abril de 1570. Depois de 16 anos, estava de volta à sua pátria.


Terminada a sua obra, apresenta o seu trabalho em récita para o rei D. Sebastião. O rei, ainda um adolescente, determinou que o trabalho fosse publicado em 1572. A obra celebra os feitos marítimos portuguesese pode-se encontrar nela marcas da inspiração na Eneida, de Virgílio. Camões narra fatos heroicos da história de Portugal, em particular a descoberta do caminho marítimo para as Índias por Vasco da Gama. Faz do navegador uma espécie de símbolo da coletividade Lusitana e exalta a glória das conquistas, os novos reinos formados e o ideal de expansão da fé católica pelo mundo. O poema é composto de dez cantos, cada canto é formado por estrofes de oito versos. Com o sucesso, Camões recebe do rei D. Sebastião (neto e sucessor de João III), uma pensão anual, que mesmo assim não o livrou de viver os seus anos finais, num quarto de uma casa próxima da Igreja de Santa Ana, num estado, segundo narra a tradição, da mais indigna pobreza,


Um aspecto que diferencia Os Lusíadas das antigas epopeias clássicas é a presença de episódios líricos, sem nenhuma relação com o tema central que é a viagem de Vasco da Gama. Mas até a publicação de Os Lusíadas está envolta num pequeno mistério – há duas edições do mesmo ano e não se sabe qual foi a primeira.


Entre os episódios narrados na obra Os Lusíadas, destaca-se o Canto III que relata o assassinato de Inês de Castro, em 1355, pelos ministros do rei D. Afonso IV de Borgonha, pai de D. Pedro o amante de Inês. Os Lusíadas é considerado a epopeia portuguesa por excelência. O próprio título já sugere as suas intenções nacionalistas, sendo derivado da antiga denominação romana de Portugal, Lusitânia. É um dos mais importantes épicos da época moderna devido à sua grandeza e universalidade.


O poema abre com os célebres versos:



As armas e os barões assinalados
Que, da ocidental praia lusitana,
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram.


Sabiam que Taprobana é de facto o Sri Lanka ou Ceilão? Sim, de facto era chamado de Taprobana na Antiguidade e na Idade Média, é um país insular asiático, localizado ao largo da extremidade sul do subcontinente indianoOs primeiros europeus a visitarem o Sri Lanka foram os portugueses, entre eles Dom Lourenço de Almeida. Ainda lá existem muitas famílias com nomes de família de origem portuguesa. A sua localização geográfica e portos profundos tornou de grande importância estratégica desde o tempo da antiga Rota da Seda e por isso referido por Camões no início de Os Lusíadas.

 

Luís de Camões morreu em Lisboa, no dia 10 de junho 1580, em absoluta pobreza, vítima de peste no hospital. Segundo alguns biógrafos, Camões não tinha sequer um lençol para lhe servir de mortalha e terá sido enterrado numa cova rasa. Mais tarde, em 1594, Dom Gonçalo Coutinho, mandou esculpir uma lápide com os dizeres: "Aqui jaz Luís de Camões, Príncipe dos Poetas do seu tempo. Viveu pobre e assim morreu". A mãe, que lhe sobreviveu, terá ficado a receber a sua parca pensão, após a sua morte.


Depois do terramoto de 1755, que destruiu a maior parte de Lisboa, foram feitas tentativas para se reencontrar os despojos de Camões, todas frustradas. A ossada que foi depositada em 1880 numa tumba no Mosteiro dos Jerónimos é, com toda a probabilidade, de outra pessoa.


Camões viveu na fase final do Renascimento europeu, um período marcado por muitas mudanças na cultura e sociedade, que assinalam o final da Idade Média e o início da Idade Moderna e a transição do feudalismo para o capitalismo. Nesse período foram inventados diversos instrumentos científicos e foram descobertas diversas leis naturais e entidades físicas antes desconhecidas; o próprio conhecimento da face do planeta modificou-se depois dos descobrimentos das grandes navegações. Não podemos esquecer que desde meados do século XV que Portugal se afirmava como uma grande potência naval e comercial, o que levava a um grande entusiasmo pelas conquistas marítimas e à formação de um sentimento de orgulho nacional, expresso pelos artistas da época. No início do século XVI Garcia de Resende lamentava-se de que não houvesse quem pudesse celebrar dignamente tantas façanhas, afirmando que havia material épico superior ao dos romanos e troianos. Preenchendo esta lacuna, João de Barros escreveu a sua novela de cavalaria, A Crónica do Imperador Clarimundo (em 1520). Quando Camões surgiu, o terreno estava preparado para a apoteose da pátria, uma pátria que havia lutado encarniçadamente para conquistar a sua soberania, primeiro dos mouros e depois de Castela, havia desenvolvido um espírito aventureiro que a levara pelos oceanos afora, expandindo as fronteiras conhecidas do mundo e abrindo novas rotas de comércio e exploração.


Camões foi um poeta sofisticado e popular. Os testemunhos dos seus contemporâneos descrevem-no como um homem de porte mediano, com um cabelo loiro arruivado, cego do olho direito, hábil em todos os exercícios físicos e com uma disposição temperamental. Enquanto viveu queixou-se várias vezes de alegadas injustiças que sofrera, e da escassa atenção que a sua obra recebia, mas pouco depois de falecer a sua poesia começou a ser reconhecida como valiosa e de alto padrão estético por vários nomes importantes da literatura europeia, ganhando prestígio sempre crescente entre o público e os conhecedores e influenciando gerações de poetas em vários países. Camões foi um renovador da língua portuguesa e fixou-lhe um duradouro cânone. Tornou-se um dos mais fortes símbolos de identidade da sua pátria e é uma referência para toda a comunidade lusófona internacional.


Reconhecido como poeta erudito do Renascimento, inspirava-se por vezes em canções ou trovas populares. Escreveu poesias que lembram as velhas cantigas medievais. Além de Os Lusíadas, Camões escreveu também poemas líricos, versos bucólicos, as comédias El-rei SeleucoFilodemo e Anfitriões e uma coleção de sonetos de amor, entre eles o mais famoso O Amor é fogo que arde sem se ver


Amor é fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói, e não se sente,
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer.


A produção literária de Camões abrange quatro modos literários: o lírico (em Rimas, publicado logo depois da sua morte, 1595), o épico (com Os Lusíadas, 1572), o dramático (com os seus "autos" ou "comédias": Anfitriões,1587, Filodemo, 1587, e El-Rei Seleuco, 1645) e o didático (do qual fazem parte as suas cartas, em prosa e em verso, publicadas inicialmente também na obra Rimas). Ao longo dos séculos a imagem de Camões foi representada inúmeras vezes em gravurapintura e escultura, por artistas portugueses e estrangeiros, e vários monumentos foram erguidos em sua honra, mas é de registar que da sua aparência, os verdadeiros registos são também poucos. Terá sido entre 1573 e 1575 executado o chamado "retrato pintado a vermelho", que foi considerado por Vasco Graça Moura como "o único e precioso documento fidedigno de que dispomos para conhecer as feições do épico, retratado em vida por um pintor profissional". O que se conhece desse retrato é uma cópia, feita a pedido do 3º duque de Lafões, executada por Luís José Pereira de Resende entre 1819 e 1844, a partir do original que foi encontrado num saco de seda verde nos escombros do incêndio do palácio dos Condes da Ericeira, e que entretanto acabou por também desaparecer. Sobreviveu também uma miniatura pintada na Índia em 1581, por encomenda de Fernão Teles de Meneses e oferecida ao vice-rei D. Luís de Ataíde, que, segundo testemunhos de época, seia muito semelhante à sua aparência. Maria Antonieta de Azevedo, encontra em 1970 um outro retrato datado de 1556 que mostra o poeta na prisão.


Fontes:


https://www.ebiografia.com/luis_camoes/


https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$luis-de-camoes


https://www.portalsaofrancisco.com.br/biografias/luis-de-camoes


https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_III_de_Portugal


https://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_de_Cam%C3%B5es


https://pt.wikipedia.org/wiki/Sri_Lanka


 


 


 


 

quinta-feira, 8 de junho de 2023

Poesia... para meninos que morrem

Ser criança... neste mês que tantos festejam como sendo o mês da alegria e das crianças, há meninos sudaneses a morrer abandonados e sozinhos num orfanato. Crianças sem direitos, sem quem delas cuide, que morrem sem ninguém se importar.


É a eles que dedico hoje este poema que escrevi. Não valerá grande coisa, mas é entre lágrimas que o escrevo.


 



O teu olhar


 


No canto de um berço imundo


Numa casa já sem teto


Encontro o escuro profundo


De um olhar sem afeto.


 


No canto deste orfanato


Abandonado pelo mundo


Vive da morte o retrato


No teu olhar moribundo.


 


Moscas, ratos, serpentes,


Passeiam pelos teus pés.


Abandonado,


És os restos da sociedade


Que já não quer saber quem morre


Que se cala e não assume


Ainda tem de vir a lume


O sangue que em África escorre!



Elsa Filipe, junho de 2023

terça-feira, 6 de junho de 2023

"Lusitano Fado"

Luís Corredoura é o meu novo autor favorito. Depois de ler "Lusitano Fado", fiquei rendida à sua genialidade como escritor. O que é verdade e o que é apenas ficção nesta história? 


São relatos de sombras de um Portugal recente de histórias escondidas por detrás de outras histórias, de notícias que fizeram correr muita tinta e de escândalos nacionais que afinal talvez encubram outros crimes. Sabemos que o nosso país está cheio de histórias, mas Luís Corredoura, fez desta dualidade entre a verdade e a mentira uma teia tão intricada que só poderia dar um romance. Afinal, não se costuma dizer que a realidade por vezes supera a ficção?


O livro fala-nos de um professor de Filosofia, divorciado e com uma filha, que se vê envolvido numa tentativa de mancharem o seu nome na escola onde lecciona. Perante as acusações de uma aluna, acaba por ser suspenso durante algum tempo e é durante esse tempo que acaba por conhecer Rodrigo Lucas, que aos poucos lhe vai dando a conhecer alguns dos mais intricados episódios da história recente do nosso país. 


Sobre o prefácio do livro, diz-nos que a "justiça parece adormecida, perante um poder oculto, uma sociedade apática, um Portugal parco de virtudes públicas e com demasiados vícios privados. Mas há quem queira denunciar essa maré de corrupção, venalidades, falsos costumes e aparências que há muito se vê, sente e cheira. Tudo na vida tem um preço. Mas Alberto está disposto a tudo fazer para salvar a honra e divulgar a verdade, mesmo que isso implique o maior dos sacrifícios."


Sobre o autor, fiz uma pequena pesquisa que não me deu muito mais do que poderia descobrir pelo próprio livro. "É natural de Pêro Pinheiro, concelho de Sintra, onde nasceu em 1975. Arquiteto de formação e Mestre em Recuperação do Património Arquitetónico e Paisagístico, desde tenra idade que se empenha naquilo que designa como "projetos literários".


O escritor editou cinco originais: "Nome de Código Portograal" – Grande Prémio Adamastor de Literatura Fantástica do Fórum Fantástico de Lisboa e Encouragement Award da European Science Fiction Society -, "Lusitano Fado" – livro RTP -, "O Senado – história de uma conspiração""A Recriação do Mundo""O Segredo de Wuhan"."


Fontes:


https://livros.reli.pt/livros/lusitano-fado/


https://www.wook.pt/livro/lusitano-fado-luis-corredoura/15951140


 

quinta-feira, 1 de junho de 2023

E todos têm mesmo direito à educação?

No artigo 26º, diz a "Declaração Universal dos Direitos Humanos" que "Todos tem direito à educação" e refere também no artigo 14º da "Carta dos Direitos Fundamentais da UE", que "Todas as pessoas têm direito à educação, bem como ao acesso à formação profissional e contínua."


Ai, se isto fosse mesmo verdade...


Em Portugal, contabilizam-se "cerca de 6500 crianças que não têm as condições necessárias para estudar (dados do mais recente Relatório das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens)."


"O plano da Unicef passa por denunciar as situações que descreve como sendo “inaceitáveis” relativamente ao incumprimento do direito básico à educação."


Pelo mundo, são milhões as crianças que não têm acesso à educação. Muitas não vão à escola devido a graves situações de pobreza, mas há casos ainda mais graves...


De acordo com dados da UNESCO de 2016, "quase 16 milhões de meninas em todo o mundo, entre os 6 e os 11 anos," nunca irão à escola. Isto é verdade "sobretudo no mundo árabe, na África subsaariana e na Ásia meridional e ocidental."


Na África Subsaariana, são as meninas a ser "as primeiras a ver negado o direito à educação, apesar de todos os esforços realizados." São mais de "30 milhões de crianças com idade para estar na escola," que ainda não estão a ser "escolarizadas e, embora algumas venham a começar a estudar em idades mais avançadas, muitos serão privados dessa formação."


Esta problemática vai muito mais além da falta que faz o ensino básico. Estas crianças vão acabar "por trabalhar ilegalmente, são vulneráveis à exploração e mais facilmente recrutadas para grupos armados." As escolas em vez de servirem para dar aulas, servem como "abrigo para famílias deslocadas" e, outras, são atacadas por serem muitas vezes utilizadas "como base para combates." Os edifícios acabam completamente destruídos.


"A UNICEF adverte que se está á beira de perder uma geração inteira de crianças." 


Em vários países, como a "Síria, Iraque, Iémen e Líbia, perto de nove mil escolas estão sem condições para uma normal utilização e milhares de professores abandonaram a região, com medo." Se observarmos o que se passa nestes países, a guerra é sempre a causa para esta situação. "Mais de 8850 escolas na Síria, no Iraque, no Iémen e na Líbia não podem acolher alunos porque foram destruídas ou danificadas, porque servem de abrigo a famílias deslocadas ou estão ocupadas por beligerantes." Assim, é natural que, mesmo que as escolas estejam a funcionar, muitos pais optem por "não deixam os seus filhos ir à escola por razões de segurança."


Está assim posto em causa "um dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que a comunidade internacional acordou concretizar até 2030: uma educação inclusiva e de qualidade disponível para todos."


Fontes:


https://fra.europa.eu/pt/eu-charter/article/14-direito-educacao


https://marketeer.sapo.pt/unicef-lembra-que-ha-6500-criancas-em-portugal-sem-acesso-a-educacao/


https://criancasatortoeadireitos.wordpress.com/tag/criancas-sem-escolaridade/


https://www.abrilabril.pt/internacional/258-milhoes-de-criancas-no-mundo-nao-vao-escola


 


 


 


 


 


 


 


 


 

"Sonata em Auschwitz"

Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé n...