sábado, 30 de setembro de 2023

Poesia... pétala, folha... uma flor

Para acabar o mês, aqui vos deixo mais um poema da minha autoria.


 



Uma flor


 


Cai no chão a pétala da flor


Sozinha, tímida, pequena


Branca alva a sua cor


Em mão de menina morena.


 


Cai mais uma pétala no chão


Enquanto pergunta à flor


Se aquele segurar de mão


Foi algum sinal de amor.


 


Mal-me-quer, bonita flor


Despida nas mãos da morena.


Menina, feita de amor


Amor de gente pequena.


 


Bem-me-quer, o que estaria


Reservado para ela?


Perguntava a menina e sorria,


Olhando a coroa amarela.


 


Muito, pouco ou nada,


A menina espera um sinal,


A pétala última dirá


Como será no final.


 


Cai no chão, a última pétala


Da bela coroa amarela


Mal-me-quer… não é amor!


Vamos apanhar outra flor!



Elsa Filipe, 2023

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

"O enigma e o espelho"

Cecilie é ainda uma menina mas a doença já faz parte da sua vida e impede-a de fazer aquilo que gosta: esquiar e brincar na neve. À noite, quando se encontra só, começa a ser visitada por Ariel, um anjo com quem mantém conversas acerca das diferenças da vida na terra e no reino celestial. Um livro todo ele doce, com uma forma suave de abordar a dor e a morte de uma jovem, da sua própria aceitação e das reflexões que ela vai fazendo ao longo de toda a narrativa.


Jostein, começa por nos levar à noite de natal, a partir da qual começamos a entender que Cecilie já não é capaz de estar com a família, encontrando-se em cuidados paliativos no seu quarto. A fantasia leva-a a conseguir sair de casa, dá-lhe liberdade, tira-lhe em parte a dor, a ansiedade e o medo. Os pais e a avó protegem-na e acompanham-na nesta reta final, mas Cecilie precisa de mais, precisa de sair de casa (nem que seja em sonhos ou com a ajuda do seu anjo), compreender o mundo à sua volta, reconciliar-se com a sua própria existência e com a sua conceção de um deus criador.


Na sua sinopse, podemos ler:


"No limiar da puberdade, Cecilie reflete ainda o brilho primordial do espanto que emana dos jardins da infância e faz fluir o diálogo com Ariel, com o mundo do outro lado do espelho. Acompanhada pelo anjo viaja numa "teodisseia" que, à luz da maiêutica socrática, faz a travessia das sendas labirínticas da incessante curiosidade perante os segredos da vida e do cosmo e assoma a uma invulgar proximidade com o mistério da criação. Um livro premiado que vem reconciliar a profundidade e a alegria."


Um livro que se lê num sopro, mas que nos deixa a refletir durante "horas" sobre o seu significado. 


Fontes:


https://www.wook.pt/livro/o-enigma-e-o-espelho-jostein-gaarder/46439

terça-feira, 26 de setembro de 2023

Livros em PDF da Imprensa Nacional

Bom dia. Não sei se têm conhecimento, mas há um site da Imprensa Nacional onde podemos descarregar vários livros em pdf. São autênticas relíquias, alguns em edições originais que podemos descarregar e consultar. Escritores como Camilo Castelo Branco, Gil Vicente, Eça de Queirós e outros nomes da nossa literatura clássica. 


Como estou a dar apoio a Língua Portuguesa e a HGP,  encontrar esta página deu-me uma enorme ajuda, uma vez que pretendo reler vários destes livros ou até ler outros pela primeira vez na íntegra. Fazer aquilo que gosto e amo? Claro, sempre.


Visitem:


https://imprensanacional.pt/livros-em-pdf/


 

domingo, 24 de setembro de 2023

"Maddie: a verdade da mentira"

A história do desaparecimento da pequena Maddie, foi notícia de "primeira página" e abriu os noticiários por todo o mundo. Ainda hoje, não se sabe ao certo o que aconteceu naquela noite, mas o que ficou claro para a maioria é que algo não correu bem nas investigações realizadas.


Gonçalo Amaral, investigador do caso, após ter sido afastado, escreve este livro onde põe a nu várias incongruências. Este é um dos livros que eu já queria ter lido há muito tempo, mas que só agora me foi possível fazê-lo e onde encontramos revelações originais, que depois vieram a dar novas linhas de debate nas televisões e acaba por vir a público esclarecer muitos dos mais controversos aspetos relacionados com este caso, em especial, a relação entre a GNR, a Polícia Judiciária e as polícias ingleses. Para mim, lendo o livro e a opinião do investigador, e vendo também a forma como o afastaram quando parecia que se estava a chegar à verdade, não posso deixar de concordar que se perdeu muito tempo em "políticas" e, talvez, com receio por serem ingleses. Acredito que a nossa polícia é excelente e não se fica atrás da inglesa.


Segundo Gonçalo Amaral, licenciado em Ciências Jurídicas e Criminais e investigador principal do processo, não há "ninguém, à excepção dos pais de Maddie", que saiba "tão bem o que se passou naquela noite fatídica de 3 de Maio de 2007". Assim, acabou por abandonar a vida policial ativa, para poder levar a cabo a sua defesa em praça pública, uma vez que se sentiu atingido pelas críticas feitas à sua pessoa e que "ninguém" o apoiou em repor a verdade dos factos. Ainda hoje, a verdade, é que o caso não está solucionado. Mas todas as provas encontradas pelos cães e confirmadas posteriormente por exames em laboratório, "indicam" que Madeline morreu ou foi morta nessa mesma noite.

sábado, 23 de setembro de 2023

Poesia de outono

Nasce ainda no verão, num dia do mês de agosto


Corre leve, soprando as folhas que vai amarelecendo,


Tem ainda pela frente, vários dias que decrescem


Dando sinal de sua graça, nas noites que arrefecem.


 


Somos levados por ele, que não nos surpreende,


Devagar vai escurecendo, os dias e as folhas também,


As marés vão crescendo em vagas cada vez maiores


Cuidados redobrados é aquilo que convém


 


Jovem, malandro, o outono aparece


As folhas do chão, estalando


De repente, tudo doirado parece


Mas vem a chuva ensopando.


 


Mas o jovem vai crescendo,


Dias menores com o frio a aumentar


Dos amenos dias nos esquecendo


Quando a gripe nos faz espirrar.


 


Quer ser alguém maior,


Arrasta com ele a vontade


De chegar a ser inverno 


Mas sem ter ainda a idade.


 


Porque o inverno é velhinho, sábio, duro e imprevisível


Há-de chegar, é certinho, não há outono que o pare


Cada qual no seu lugar, mas o outono é terrível


Quer trazer com ele a chuva, a neve e o vento também


Mas se há quem o agarre,


É o verão que espreita quando lhe convém.


Elsa Filipe


 


 


 


 

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Poesia em "Grades"

Este poema é um quase que um grito, um alerta para tudo o que se passa no mundo... fi-lo este ano e acabei por pô-lo num conjunto de poemas que fiz para um concurso. Faltava-me escrevê-lo aqui para que me dessem a vossa opinião. É daqueles que eu própria não sei se gosto.



Grades


O Sol que aí brilha

Não é igual ao meu

O meu tem grades à frente

De um crime que não fui eu.



O Sol que te aquece

Aqui não chega a entrar

Estou sempre na sombra dos outros

À espera do tempo passar.



O Sol que agora se esconde

Quero eu ver de manhã

Nascer no horizonte

E trazer-me o amanhã.


O Sol que a ti aquece

Aqui traz sobre ele um véu

Pois olho pela janela

Mas não o consigo ver no céu.


Não merecia estar aqui

Preso por algo que não fiz

Não me culpem,

Não me julguem,

Eu não nasci porque quis!

Elsa Filipe, 2023



 

terça-feira, 19 de setembro de 2023

"A última pepita"

Este livro conta-nos a história dos portugueses desde que chegaram ao Brasil e a corrida desenfreada ao ouro que sustentou a forma de vida dos monarcas portugueses. Em Fevereiro de 1876, o monarca D. Luís I estava a verificar quais das jóias da Coroa podia vender para tapar "ou pelo menos diminuir o rombo nos cofres reais." Há já 53 anos que o Brasil não era uma colónia portuguesa. Dali a alguns anos, a Monarquia iria cair por terra e dar lugar à República.


"Na vistoria, Sua Majestade notou um caixote e resolveu ver o que tinha dentro. (...)uma enorme pepita de ouro, do tamanho de um melão."


De facto, a corrida ao ouro iniciara-se em abril de 1500 quando Cabral se encontrou com nativos e começou a sondar a existência de ouro naquele território. Daí em diante, a busca pelo minério trouxe riqueza, mas também duros combates e a morte. Ao longo do livro é descrita a sucessão de monarcas e a forma como vão lidando com a riqueza e com o poder. Por exemplo, D. Filipe II de Espanha, (Filipe I de Portugal) caraterizado como "tirano", tendo levado pela primeira vez a Inquisição para o Brasil.


"O ouro que moldou o Brasil e encantou a europa foi o mesmo que provocou um desastre na África." O livro está repleto de descrições relacionadas com a escravatura, falando das condições em que eram capturados, vendidos e transportados os escravos, referindo-se aos tombeiros. "A mineração na América Portuguesa consumiu 10% de todos os escravos africanos exportados para o mundo no século XVIII," o que segundo o autor, "alimentou um dos moviementos migratórios mais agudos do planeta." Fala também do sismo e do maremoto que atingiu o nosso país em 1755, descrevendo a sucessão de eventos: "o primeiro sinal foi um ronco alto e prolongado que saiu de dentro da terra (...) o mal materializou-se (...) atirou a cidade para cima e e em seguida para baixo." Em relação ao maremoto, refere Lucas Figueiredo, "mais uma vez, o Atlântico atravessava o destino de Portugal." 


Com a idade de 42 anos, D. Maria I, é a primeira mulher a sentar-se no trono português, em 1777. Sem experiência, ela encontra um país desfeito ainda, afetado pelas sucessivas governações anteriores. 


Achei que este livro descreve de forma bastante clara diversos episódios, revelando uma pesquisa bastante cuidada e elaborada por Lucas Figueiredo. O autor, nascido em Belo Horizonte no Brasil, tem uma linguagem cuidada, mantendo-nos agarrados da primeira à última página. Para quem gosta de livros que relatem factos históricos, este, sem dúvida é um dos que não pode perder.

sábado, 16 de setembro de 2023

"As primeiras vítimas de Hitler"

Com o sub título "Em busca da Justiça", este é um livro onde se conjuga a vontade de mostrar a verdade sobre aquilo que se passou em Dauchau. Timothy W. Ryback, descreve aqui a forma como o procurador-adjunto Josef Hartinger lidou com as mortes ocorridas no Campo de Concentração de Dauchau. A 13 de abril de 1933, Hartinger entra pela primeira vez no Campo, devido à morte de quatro homens. Estes foram os primeiros quatro jovens judeus inocentes brutalizados e assassinados no campo de concentração de Dachau, a poucos quilómetros de Munique, desde que Himmler anunciara a sua abertura, apenas três semanas antes. Colocando-se a si mesmo em risco, tentou procurar a justiça e a verdade. 


Flamm, o médico-legista destacado, acompanha-o nesta primeira visita e ambos ficam impressionados com o que encontram, apercebendo-se desde logo que "se passava algo de terrivelmente errado". Além destas primeiras quatro mortes, alegadamente alvejados a tiro devido a uma "tentativa de fuga" que não se comprovou, o livro relata-nos diversas outras situações de "falsos suicídios", agressões bárbaras, espancamentos, até ao limite a que se chegaria mais tarde, as mortes nas câmaras de gás. 


Para mim foi um livro que li, sublinhei e anotei, porque senti que tinha em mãos um relato fidedígno daquilo que se passou em Dauchau. As descrições das agressões, foram a parte mais difícil de ler, mas foram de extrema importância pois colocam em destaque aquilo que se estava a passar e que ninguém "quis" ver na época. Ainda hoje, há quem esteja cético em relação a muitas destas histórias. Timothy W. Ryback baseou-se em relatos de vítimas e dos seus descendentes, em diários, memórias publicadas e em documentos históricos, mas a sua principal fonte, encontrou-a em duas cartas escritas pelo próprio Hartinger a 6 de janeiro e a 11 de fevereiro de 1984. 


Os saltos históricos que por vezes encontramos, revelam alguma necessidade de ir explicando os factos à luz do contexto histórico e político, que antecedeu e de alguma forma permitiu, que Hitler conseguisse chegar ao poder. 


 

terça-feira, 5 de setembro de 2023

Poesia, sobre a infância

Este poema foi escrito por mim e fala de uma coisa que marcou a minha infância e que me lembra a casa dos meus avós, o cheiro do doce a borbulhar na panela e o sabor do doce de figo numa carcaça.


 



Figos doces da infância


 


Quero ir fruta apanhar


Subir acima dos ramos


Ficar com as mãos a pegar


Do mel doce que derrama


 


A fruta que sabe melhor


É aquela que os pardais


Picam, sem qualquer temor


Quando espreitam os quintais.


 


Não é apenas a cor


É o sol que a adoça


O tempo lhe dá sabor


E a chuva lhe dá força.


 


Quero os meus figos do tempo


Eu que subia às árvores do monte


Ficava com as pernas esfoladas


E lavava os pés na fonte!


 


Não há figos tão doces


Como aqueles da minha infância


Que na frescura dos montes


Havia em tanta abundância.



Elsa Filipe, 2023

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

"O espião que saiu do frio"

O livro de John Le Carré, chegou-me já em segunda mão, com a indicação de ser um dos melhores livros sobre espionagem. Escrito em 1963, este livro é uma referência à situação em que o mundo se encontrava na altura, numa Guerra Fria marcada por um conflito político-ideológico travado entre os Estados Unidos e a ex-União Soviética (URSS), e que durou entre 1947 e 1991. Neste período, o mundo esteve dividido em dois grandes blocos, um alinhado aos ideais capitalistas e outro alinhado ao comunismo.


A história gira entre estes dois blocos, o Oriental e o Ocidental, depois da Segunda Guerra Mundial. Leamas, é um espião aparentemente caído em desgraça, que aceita mais uma missão. A Alemanha ainda se encontra dividida em duas, pelo muro de Berlim. Nesta história, ninguém é quem parece e estamos sempre a ser levados a pensar que sabemos para quem trabalha Leamas na verdade, mas de facto, será que sabemos realmente? O livro surpreenderia na época, mas agora num contexto histórico completamente diferente, fica um pouco mais fácil de entender. No entanto, nãpo deixa de ser um livro emotivo, que pode (e deve) levantar-nos diversas considerações sobre a política da época e com a sua relevância para o plano político atual - afinal, os nossos destinos estiveram a ser discutidos naquela época, por pessoas tão parecidas com as personagens deste livro.


Um livro que ficou aquém de ser dos meus preferidos, mas que tem uma excelente qualidade literária, tendo em conta o tema em questão.

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Poesia em dia de aniversário

Hoje completo quarenta anos de vida e o meu presente para vocês é este pequeno poema. Não é nada de especial.



 


Querubim


Se do teu cabelo ondulado,


Uma madeixa se solta


Não te importas


Pões para o lado


E continuas a brincar


Sem conhecer o teu fado.


 


Se com os teus olhos azuis


Rasgados e pequeninos


Tens o mundo em tua mão


Como tu outros meninos


Continuam a sonhar


Com os olhos do coração.


 


Se das tuas mãos desastradas


Não nasce uma borboleta


Desenhada em tons de rosa


Para ti nasce uma flor


Da mesma cor grandiosa


Que escolheste com amor.


 


Sem saberes o teu fado


Nem tão pouco o teu destino


Brincas à sombra do arvoredo


Que cresce ao entardecer


Sem sequer mostrares medo


Do que a vida possa trazer.


 


És menina, querubim


Anjo de frágeis asas


Que não conseguem voar


Tens na palma da mão a cor


Do tempo e do amor


Que só tu sabes conquistar.



Elsa Filipe, 2023



 


"Sonata em Auschwitz"

Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé n...